domingo, 23 de dezembro de 2007

JUÍZO DO ANO - a reflexão que se impõe



----- Estamos a atingir a meta final de mais um ano, que pensamos ter sido vivido... mas talvez tenhamos apenas sobrevivido. Somos então confrontados com uma imperiosa necessidade de fazer uma retroespecção daquilo que foi esse ano, com todas as suas nuances, como sejam os pontos de interesse, as vivências tidas, positivas ou negativas, os aspectos que o tornaram passível de ser classificado como um bom ou mau ano.
----- Julgo ser difícil estabelecer um ano-tipo como padrão da comparação, pois todos os anos vêm sendo, ao fim e ao cabo, o produto final daquilo que fui fazendo em prol do meu bem estar e do da minha família, porque não vejo no horizonte nada que possa vir a transformar uma vida sem história num caso de sucesso. Porque a sorte ao jogo pressupõe o azar no amor, opto por nem sequer jogar, para que esteja preservado o meu bom relacionamento com Afrodite ou Cupido. Porque os Deuses da Sorte e da Fortuna nunca me favoreceram, tornando infrutíferas as minhas tentativas em lhes agradar, optei pela parte amorosa da minha vida... e julgo que não me tenho saído mal, pois sinto os favores dos Deuses do Amor.
----- Mas há um outro aspecto que me deixa desiludido com a ano que passa: É que não consigo perceber onde a Humanidade tem errado para que tanto mal lhe venha acontecendo: furacões, tempestades, inundações, tremores de terra, guerra, fome, doença, violência, destruição ambiental, buracos no ozono, extinção de várias espécies cinegéticas... e tantos outros males que vêm atingindo a humanidade, não me dão muita esperança para o ano que aí virá. Já não falo naquilo que o País vai sentindo, pois somos uma parte do caos que assola o mundo.
----- Só nos restará pedir a intercessão do Senhor da Vida, o Criador do Mundo, e estar atento às soluções que Ele nos vai tentando transmitir... mas que o nosso autismo teima em não querer ouvir.
QUE O SENHOR DE TODAS AS COISAS
NOS TRAGA UM ANO NOVO PLENO DE PAZ,
SAÚDE E A CONCRETIZAÇÃO DOS MAIS PREMENTES DESEJOS DOS POVOS.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

desejo, A TODOS OS MEUS AMIGOS...

ESTÁ O NATAL A CHEGAR...

mmmm ...e, em cada ano que passa, lá estamos nós a colocar aqueles sorrisos de circunstância, alguns de alegria, outros de confiança, muitos - acreditando conhecer um pouco os seres humanos que habitam o espaço chamado Mundo.
mmmm Não tenho por hábito fazer suposições, que não conduzirão a nada, pois cada pessoa é, segundo o espírito do Pai Celeste, a Sua imagem e semelhança... e não acreditamos que Ele nos houvesse colocado no Mundo sem cuidar de se precaver contra algumas das nossas fraquezas, de entre as quais poderia salientar-se a nossa proverbial falta de memória para estas coisas de se ser solidário com aquele que está mesmo ao nosso lado, pois cultivámos em nós a ideia de que o outro também não pretenderá colaborar muito com esta disposição de consciência. É que Deus fez o Homem à Sua Imagem... mas ter-se-há esquecido de que, ao dar-lhe também uma plena liberdade de acção, criou para si os inúmeros problemas que são inerentes à existência instável do ser humano.
mmmm Mas... quando a proximidade do Natal de Jesus é uma realidade, deverá ser a esperança a última coisa de que deveremos abdicar - se podemos abdicar de alguma coisa daquelas que Deus, de forma tão generosa, colocou à nossa disposição, visando a nossa felicidade - porque o Deus Menino, o Filho Unigénito de Deus feito Homem para nossa salvação, veio para ser um sinal de união entre a Terra e o Céu onde nos reserva uma morada eterna... consoante os nossos merecimentos.
mmmm Para que aconteça tal merecimento, necessário se torna, neste Advento, a preparação da vinda do Senhor, reflectindo naquilo que será o plano de Deus para cada um de nós? Será que temos um coração magnânimo, que seja capaz de olhar para o nosso próximo com espírito de fraternidade? Será que conseguimos abrir em plenitude o nosso coração ao Filho de Deus, que estamos dispostos a recebê-Lo sem reticências? Em qualquer das circunstâncias, peçamos confiantes que o Menino Deus, feito Homem, venha aos vossos corações, nos traga a Sua Paz, extensiva às nossas Famílias.
-------------------Um Santo e Feliz Natal!

domingo, 9 de dezembro de 2007

CIMEIRA EUROPA-ÁFRICA...



Igreja da Santíssima Trindade - Fátima
= 80 milhões de €uros - SUMPTUOSIDADE!
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-------------------------------------Criança com fome, no DARFUR
UMA VIDA HUMANA EM RISCO - Um valor inestimável
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----- É muito fácil falar-se dos problemas dos outros, das suas insatisfações, dos seus projectos caídos por terra pela vontade de um qualquer senhor todo poderoso, que se arrogue como dono e senhor de um qualquer País desses onde vale mais morrer-se no parto que fazer parte das estatísticas... que dizem não haver esperanças para os incautos que teimam em viver nas condições infra-humanas que lhes são "permitidas".
----- Invoquem-se as Convenções escritas a esmo um pouco por toda a parte, os Direitos que se afirma estarem contemplados pelas Cartas das Nações Unidas, da NATO ou dos Pactos sejam lá eles subescritos por quem seja. Ninguém respeita nada que não seja a força da sua intolerância, da sua falta de democraticidade, como é latente em tantos conflitos que vão destruíndo a confiança dos Povos e os conduzem sómente à já esperada derrocada.
----- Por vezes, ainda que o pretenda evitar, penso em como Deus deve ser um Ser Perfeito... sádico, divinamente diabólico nas perversõezinhas cometidas contra o Seu Povo, aquele Povo que teima em atribuír apenas aos seus algozes toda a extensão dos seus males, presentes, passados ou futuros. Não aceitam o facto de que toda a Humanidade foi um plano de Deus... que terá fabricado alguns Homens com defeitos na personalidade, outros com manias de grandeza, outros ainda com espírito de verdadeiros verdugos, carrascos ou assassinos, e ainda outros completamente falhos quanto a espírito fraterno. E não gostaria de ter de falar naquelas outras falhas cometidas nos Seus afamados laboratórios, onde se programa a vida e a morte dos seres por Ele criados, pois muitos têm complicados defeitos de "fabrico", mas, mesmo assim, vêm "despachados" para este mundo trazendo os problemas que se reconhecem existir, especialmente para os mártires que têm de lidar com eles, como sejam os pais, os amigos, os médicos ou os educadores... que fazem verdadeiros milagres na escusada tentativa de "consertar" aquilo que Deus para cá mandou já defeituoso.
----- Também penso não ter havido muitos cuidados com a manipulação de produtos químicos lá para os lados dos Laboratórios Celestes, pois efectuam despejos a esmo de alguns resíduos altamente contaminados e estes acabam por provocar as SIDA's, os Alzheimer, as Tuberculoses, os Síndromas vários, como o de Down, que apenas visam dar cabo do eco-sistema terrestre... com a eliminação da Vida. Não haverá por lá verbas para construír um aterro para colocar estes resíduos perigosos? Parece que o "Lusitaneae Sócratum" não é assim tão radical, pois pretendeu construír soluções para este problema... mesmo que tenha decidido causar os mesmos estragos usando outras fórmulas mais radicais: Mandou fechar as Urgências Hospitalares. Se nesta Cimeira não aparecerem soluções... adeus mundo, até outro dia! E nós a vê-los passar...
----- Já estou a vêr os meus leitores a barafustar: - "Ouve lá, ó meu: Que tem isto a vêr com a Cimeira de Lisboa... lá essa coisa da Europa - África, a vêr com aquilo que deixas acima descrito? O Mugabe terá alguma coisa a vêr com os defeitos de fabrico do Criador? Ou o Kadafi? Ou o Eduardo Dos Santos?".
----- E eu apenas me poderei defender de uma maneira: - Não posso chamar a atenção para as aberrações que Deus deixa vir para o Mundo? Quem vos disse que isto não foi mais um dos seus "descuidos", mandando para cá o refugo do seus fabrico de seres humanos... não sei ainda com que finalidade ? E não podem estar a pensar serem apenas esses os detritos com que fomos presenteados! O nosso Portugal, não sei se por andar também um pouco distraído, tornando-se tão pouco católico que até o Papa já se deu conta do facto e ralhou com os nossos amados e dilectos Bispos, alegando que eles andavam distraídos, também recebeu algum refugo do Céu!
----- E de que maneira os Bispos se distraíram, "mon Dieu", a pontos de trocarem a caridade pela opolência, como é exemplo essa coisa de se gastarem 80 milhões de €uros para construír uma nova Igreja em Fátima... quando há tanta fome campeando por esse mundo fora!
---------------"Ainda quem é pecador...
--------------- ...que sofra tormentos... enfim!
--------------- Mas as crianças, Senhor...
--------------- ...porque lhes dais tanta dôr...
--------------- ...porque padecem assim?"
----------------------da BALADA DA NEVE, de Augusto Gil

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

ANGOLA... A TRANSIÇÃO INCONSEQUENTE!

------É costume dizer-se que "Quem torto nasce... tarde ou nunca se endireita", quando se depara com os comportamentos desviantes de alguém que, tendo tido uma infância "complicada", leva as complicações pela vida fora, sem que faça algo para mudar a sua maneira de ser e estar perante a vida.
------Angola nasceu da "conversa" tranquila de Diogo Cão, um navegador ao serviço do Reino de Portugal, que mal chegado à Foz do Zaire, resolveu entabular negociações com Nzinga Nkuvu, o Rei do Congo, estabelecendo algumas feitorias para o sul de Santo António do Zaire. Dessas feitorias veio a surgir Luanda e Benguela, que se tornaram pontos importantes do desenvolvimento do território, até que Salvador Correia de Sá e Benevides se "lembrou" de erguer uma cidade nas terras do clã de Loanda, chefiado por Bembo Kalamba, a qual veio a chamar-se "Cidade de São Paolo da Assunção de Loanda". Este povo vivia harmoniosamente com os vizinhos, conhecia o uso da forja, pois já sabia trabalhar o cobre e o ferro, apesar de basear a sua economia na agricultura. Também era ali praticada a escravidão, pelo que os Portugueses, que necessitavam de mão de obra para as ilhas de São Tomé e do Príncipe, em fase de povoamento, não deixaram de se aproveitar desta circunstância e requisitaram ao Rei do Congo os escravos necessários para esse fim.
------Como resultado desta actividade passaram a sentir-se os primeiros sinais da resistência dos povos Angolanos, quando a Princesa N'Jinga Mbandi, procurou convencer seu irmão, o N'Gola Mbandi, a expulsar os Portugueses das suas terras. Esta Princesa, que veio a ser Rainha do seu povo durante cerca de 40 anos, aliou-se a vários outros Reinos, entre os quais Garcia II, do Congo, e aos próprios ocupantes Holandeses, que chegaram a dominar Luanda e Benguela após o período Filipino em Portugal. entre 1641 e 1648, tendo sido libertada por acção de Salvador Correia de Sá. A consolidação do sistema administrativo Português continuou a suscitar a oposição por parte dos naturais, muitas vezes apoiados pelos inúmeros degredados que encontravam forma de mostrar a sua revolta causando distúrbios e opondo resistência ao governo central instalado em Luanda.
------Nos anos trinta surgem as primeiras organizações de carácter político-cultural e na década de 50 e 60 surgiram os movimentos nacionalistas que se opunham à dominação Portuguesa: o Movimento Popular de Libertação de Angola - MPLA, criado por Viriato da Cruz e Mário Pinto de Andrade, que veio a ser liderado, posteriormente, por Agostinho Neto, apoiado pela União Soviética; a União dos Povos de Angola - UPA, de carácter tribalista, mais tarde tranformada em Frente Nacional de Libertação de Angola - FNLA, liderada por Holden Roberto, apoiada pelos Estados Unidos; e a União Nacional para a Independência Total de Angola - UNITA, liderada por Jonas Malheiro Savimbi, apoiada pela China. Estes movimentos lançaram o caos em Angola, colocando o território a ferro e fogo, em combates travados contra Portugal... por muito que dissessem ter lutado apenas contra o regime colonialista e afirmando que, não sendo Portugueses, não seria contra esse regime que estavam a lutar mas contra o País que o impunha, e esse era Portugal.
------Passou-se a um período de selváticos massacres de brancos, fazendeiros Portugueses, homens, mulheres e crianças, tal como de trabalhadores pretos, naturais do Bailundo, que trabalhavam nas fazendas do Norte. Todos foram assassinados bárbaramente a tiro ou à catanada, tal como aconteceu com os negros e mulatos naturais de Luanda. Por mais que se tente afirmar o contrário, o terror foi instituído em Angola como forma de combater o colonialismo. Não se respeitou ninguém , pois matavam-se os "colonialistas" ao mesmo tempo que se matavam uns aos outros, entre eles. Era notório um ódio étnico alimentado através de várias gerações, sobrepondo-se este, por completo, às divergências ideológicas e religiosas.

------A FNLA é um movimento de arreigado sentimento étnico, herdeiro da aristocracia rural do antigo Reino do Congo, que nunca se conseguiu expandir para além da sua área dita de influência, enquanto o MPLA é um movimento citadino da capital Angolana, com impacto numa sociedade euro-africana de cariz crioulo, pois iniciou a sua acção com brancos e mestiços, até que expandiu a influência também aos pretos dos campos, passando a dizer-se um movimento nacional. Os seus membros desde sempre se revelaram como detentores de graves distúrbios de identidade, pois eram Angolanos... mas de origem Portuguesa, ou formados num universo de matriz Portuguesa, pelo que o seu combate teve de ser, em princípio, contra eles mesmos, pela ruptura que tiveram de fazer consigo próprios. E há casos gritantes de como essa luta interior foi necessária, em absoluto. Já a UNITA, surgida uns tempos mais tarde, cerca de 1967, é um movimento fundado por gentes provenientes de várias etnias Angolanas, de Norte a Sul, todos de origem camponesa e com educação obtida em Missões Evangélicas Protestantes.
------Haverá possibilidades de dissecar este assunto em próximo escrito, pelo que só me resta dizer: CONTINUA!

domingo, 4 de novembro de 2007

ANGOLA: TANTO TEMPO JÁ PASSADO...

..."A chamada 'Comissão das Lágrimas' foi criada pelo Bureau Político do MPLA, com o objectivo de seleccionar os despoimentos dos presos do 27 de Maio. No entanto, como veremos, alguns dos seus membros interrogaram ou provocaram os detidos. Dela fizeram parte Iko Carreira, Henrique Santos (Onambwé), Ambrósio Lukoki, Costa Andrade (Ndunduma), Paulo Teixeira Jorge, Manuel Rui. Diógenes Boavida, Artur Carlos Pestana (Pepetela), José Mateus da Graça (Luandino Vieira) Mandes de Carvalho, Henrique Abranches, Eugénio Ferreira, Rui Mingas, Beto Van Dunem, Cardoso de Matos, Paulo Pena e alguns outros não identificados. Como inquiridor principal foi nomeado Artur Carlos 'Pepetela', que num registo bastante agressivo pretendia saber quais eram as actividades dos detidos e se e quando tiveram reuniões, quem conctavam, como funcionavam as ligações entre sectores da educação, da saúde ou da função pública."
...sabe-se que Pepetela usava de sadismo autêntico na sua relação com os detidos. Quando estes não colaboravam, dizendo-lhe aquilo que pretendia, não hesitava em dizer que a vontade que tinha era espetar-lhes um par de bofetadas, pois estavam a mentir-lhe e ele não permitia isso. Terminava o interrogatório com esta frase lapidar: 'Você não colabora, pelo que vou entregá-lo aos militares!'. E os detidos eram então entregues aos militares... e à tortura. Os presos eram atirados pelas escadas abaixo, indo caír num pátio onde os espancavam brutalmente. Ouviam-se gritos a pedir misericórdia, clemência, piedade... mas para quê? Assim que caíam desfalecidos, eram imediatamente colocados dentro de viaturas e estas eram incendiadas ou atiradas por um precipício, sem que os presos se pudessem defender. Há notícia de serem vários presos atirados de bordo de aviões, uns sobre o mar e outros para zonas de mata densa ou escarpados rochosos.
Em Malanje foram fuziladas mais de 1.000 pessoas, tal como no Moxico, no Huambo, Lobito, Benguela, Uíje ou Ndalatando. No Bié há notícia de cerca de 300 pessoas fuziladas e em Luanda o mesmo aconteceu durante meses seguidos. As cadeias eram cheias e logo esvaziadas, desaparecendo os presos sem que se saiba para onde. Um grande grupo de militares foi morto nos subúrbios de Luanda, junto a uma praia. Eram abatidos um a um, com um tiro na cabeça, com a assistência de outros detidos, que pediam clemência, para gáudio dos seus verdugos, que continuavam a matar, um a um, com o tal tiro na cabeça, sem tirar o sorriso dos lábios, como se lhes desse prazer assassinar irmãos do mesmo Partido, talvez até da mesma terra... e porque não da mesma família? Os jovens, alguns milhares, que na manhã de 27 de Maio circulavam pela Baixa de Luanda, foram sendo presos e enviados para um Centro de Instrução Revolucionária, sito na Frente Leste, onde os dirigentes locais os iam assassinando, friamente, sem contremplações nem interpelações. Eram para matar... matavam-se, pois essas eram as ordens emanadas do Poder.
Os estudantes que estudavam na União Soviética, Bulgária ou Checoslováquia ou noutros países do Leste Europeu, foram mandados regressar a Luanda. No aeroporto da capital eram presos de imediato, sendo muitos deles decapitados sem saberem porque razão. Desapareceram cursos inteiros das Faculdades. No Lubango, os dirigentes e quadros da juventude foram atados de pés e mãos e lançados do alto da Tundavala... sem páraquedas.
Segundo o Juiz de Direito do Tribunal de Luanda, Dr. José Neves, terão morrido em Angola, por causa do 27 de Maio, mais de 30.000 pessoas, porque aconteceu um verdadeiro genocídio. Mas os números são assustadoramente mais elevados, segundo a Amnistia Internacional.
Muitos dos chamados "libertadores" sonhavam ter a casa, o carro, os privilégios ou posição dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores que estes. Dizem, como desculpa, que foi por causa da guerra, mas a guerra, que a tantos matou e estropiou, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas.
Será que alguma vez se conseguirá saber a verdadeira extensão do que foi o massacre de inocentes causado pelo 27 de Maio de 1977? Temos a esperança de que venha a aparecer alguém probo e sem medo de dizer ao mundo que Angola é administrada por um Presidente cúmplice de assassinios, que não tem escrúpulos e está ladeado por um Governo fantoche, formado por marionetas que se deixam manipular a partir do Futungo de Belas, pela inefável família Dos Santos.
O sangue dos inocentes continuará a clamar por uma justiça que tarda. Talvez tenha sido o medo de que Savimbi pudesse vir a conseguir virar o Povo contra o Presidente, que este sentiu a premente necessidade de o vêr morto e enterrado! Mas o Povo poderá vir a despertar do torpôr em que tem vivido os últimos anos. Será que vai a tempo de mudar as coisas e salvar-se da extinção a que parece estar votado?
Aguardemos. Creio que ainda virei aqui falar deste tema.

sábado, 3 de novembro de 2007

ANGOLA: TANTO TEMPO JÁ PASSADO...

...mas não terminou ainda esta saga de um Povo na busca de um futuro, após haver feito uma caminhada sem fim em busca de uma identidade, que nunca havia sido perdida, apenas adiada. E isto para se dizer que Angola sempre soube quem era, porque o era e para que foi necessária uma caminhada de 500 anos, sob orientação de um "tutor" cujo nome era Portugal.
....Quando tudo parecia estar no "bom caminho", depois da revolução acontecida no Continente Português, a 25 de Abril, eis que tudo se precipita e recrudesce a guerra, mas agora entre os Movimentos independentistas - dizer "terroristas" parece mal, especialmente para quem não viveu os horrores do 15 de Março no Norte de Angola - que desrespeitaram, por completo, aquilo que haviam acordado em Alvor e depois em Bicesse, e se lançaram numa luta fraticida que "apenas" veio aumentar o caudal do sangue derramado pelo Povo mártir de Angola, de uma forma bastante significativa. As lutas pelo poder encontravam contendores à altura, pois apenas a vitória, - a qualquer preço, diga-se - poderia conduzir à independência, mesmo que para isso contassem já com os tradicionais "vende pátrias", os sabujos do costume que aparecem, nestas ocasiões, a "vender-se por um prato de lentilhas", obedecendo às ordens emanadas pelos"Partidos" a que costumam reportar todos os seus actos.
....É assim que vamos encontrar os "Almirantes Vermelhos", os "Generais Xonés", os "Democratas Oportunistas" e todo um rol de gente sem princípios, sem ética nem moral, que hipotecam as consciências de uma forma assaz repugnante: Angola só pode ser entregue a um Partido que professe ideais comunistas, que conduzam à proclamação de uma República Socialista que seja fiel intérprete das ordens emanadas de Moscovo. Para tal, até as armas que foram dos Portugueses foram entregues aos "vencedores", escolhidos de antemão: O MPLA!
....O desplante foi tal que levou o MPLA a tentare fazer o Povo acreditar serem eles o único Movimento que jamais fez a guerra contra os civis, mas apenas aos militares, pois este seriam os verdadeiros representantes do Governo de Lisboa, sendo portanto os agentes do colonialismo contra o qual combatiam.
....A convulsão resultou na Independência proclamada por Agostinho Neto... mas ainda havia muito para sofrer, pois as dissenções não se ficavam por aqui. Os ventos da guerra parece que se estenderam por todo o território e chegaram a Cabinda, onde o Povo exige que seja considerado o Tratado de Simulambuco, porque jamais Cabinda foi pertença de Angola. Era (é) um território sob protecção de Portugal, mas nunca foi parte deste.
....Os anos foram-se passando... e Angola encontrou alguma estabilidade, mas nunca foi explicado aquilo que aconteceu a 27 de Maio de 1977 e se foi prolongando até ao ano de 1979, período em que o MPLA praticou tremendas atrocidades contra os seus próprios militantes, havendo pessoas que foram presas, torturadas e até mortas apenas porque eram amigos ou parentes afastados da família de Nito Alves... porque os parentes próximos eram única e simplesmente mortos da forma mais atróz que alguém possa imaginar. A maioria dos presos, e dos mortos, nem sequer tinha 18 anos. Alguns até estavam fora de Luanda, soldados das FAPLA ou civis, no início dos acontecimentos... mas eram gente para morrer, não havia volta a dar. Foi assim que o MPLA fuzilou milhares de pessoas durante meses. Os mortos calcularam-se em cerca de 50.000, mas há indicadores que apontam para os 80.000. Para um Partido que não tinha sangue de Angolanos nas mãos, estavam a recuperar bem de tal handicap.
....E Angola não merecia esta humilhação para o seu Povo, bom e hospitaleiro. Angola teve na DISA e nos Comissários do Povo os "Robespierres" africanos, que lançaram o terror sobre toda a Nação... não se sabendo ainda quando se sentirá o clamôr dos mortos por todo o sangue derramado, e se exija a constituição de um Tribunal da Memória que julgue esta infâmia, que foi apadrinhada por Pepetela, Luandino Vieira, Rui Mingas, Diógenes Boavida e algumas outras figuras gradas da sociedade Luandense, pessoas que muitos haviam aprendido a respeitar... mas que se revelaram uma verdadeira fraude, porque não passavam de um corpo de traidores aos ideais de liberdade da maioria do Povo, que neles havia confiado! E eram escritores, atletas, cantores... diabos com rosto de santo.
....Entretanto... o Povo vai sofrendo na carne os crimes praticados em seu nome. ....Até quando? Quem souber que o responda!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

FÁTIMA ...E A IGREJA DA SANTÍSSIMA TRINDADE

No dia 12 de Outubro de 2007, na Cova da Iria, o Cardeal Tarcísio Bertone, Secretário de Estado da Santa Sé e Legado Pontifício do Santo Padre, durante a Peregrinação Internacional ali realizada, comemorativa da 6ª. Aparição aos Pastorinhos, procedeu à inauguração da Igreja da Santíssima Trindade, também já apelidada de 2ª. Basílica de Fátima.
Para quem conheça o que foi toda a extraordinária evolução verificada naquele local, ao longo dos 90 anos das Aparições, talvez pense que esta infraestrutura religiosa é "um insulto para os mais pobres e a clara demonstração da ostentação da Igreja", enquanto outros se limitarão a dizer, apenas e só, que "é uma necessidade de há muito sentida, considerando-se as deficientes condições que eram oferecidas aos peregrinos no Centro Pastoral Paulo VI "... o que é uma verdade insufismável... e não acredito que haja um meio termo de análise, porquanto nos dias de intempérie tornava-se por demais sentida a necessidade de se construír um amplo espaço onde os fiéis não ficassem à chuva, como acontecia na Capelinha, quando das Peregrinações Aniversárias, pois ali não havia hipóteses de se fugir da chuva, que a todos molhava.
Houve muitos estudos, muitas sugestões, muitas hipóteses mais ou menos megalómanas, como a de ser coberto todo o Recinto por uma monumental cúpula, a partir da Cruz Alta, construíndo uma nova Basílica por cima da actual, que ficaria como Altar Mor da que fosse erguida... ou então, a partir das colunas de som do Recinto, erguer pórticos que sustentariam uma cúpula que seria fechada por um cimbre em forma de coroa, rematado por uma cruz iluminada.
Mas imperou o bom senso e construíu-se este Templo, que tem como senão o destoar um pouco do local onde está inserido. Esta nova Igreja tem 125 metros de diâmetro, 130.000 m3 de volume e uma altura de 15 metros, foi desenhada pelo Arquitecto Grego Alexandre Tombazis e tem uma capacidade para 9.000 pessoas sentadas. Custou 80 milhões de Euros, que foram obtidos, integralmente, com as receitas do Santuário resultantes dos donativos dos peregrinos. A colocação da primeira pedra teve lugar a 6 de Junho de 2004, Domingo da Santíssima Trindade, tendo essa 1ª. pedra, do Túmulo de São Pedro, vindo de Roma, como especial oferta do Santo Padre João Paulo II . D. Serafim, Ferreira e Silva, ao tempo Bispo de Leiria-Fátima, afirmou então ser "um símbolo muito eloquente". É o maior recinto público fechado do País. Tem forma circular e é sustentada por um grande pilar que suporta toda a cobertura e evita colunas no interior do templo. No projecto combina-se a luz e a tecnologia, procurando-se respeitar a atmosfera que se vive em Fátima. O interior é iluminado pelo tecto, através de janelas viradas a Norte, dando prioridade à luz natural. É possível mudar a iluminação em diferentes lugares e com diferentes intensidades, com a ajuda de um sistema computadorizado. O projecto inclui ainda um espelho de água, nas duas escadas centrais paralelas da entrada, elemento com que Tambazis admite querer transmitir a calma e serenidade transmitidas pelo local, um recinto que ecoa uma "paz infinita" nas suas palavras.
Além da porta principal, abrindo em vasto adro sobre o Recinto, há doze portas laterais, seis de cada lado. A porta principal é consagrada a Cristo e as laterais aos Apóstolos.
Trabalharam nesta nova Igreja da Santíssima Trindade cerca de 3.300 pessoas, que vão vêr o seu nome gravado na pedra, em monumento a colocar na Basílica. O complexo tem três Capelas da Reconciliação, com valência também para outras celebrações. A nova "Cruz Alta" é da autoria do artista alemão Robert Schad, foi executada em aço corten, tem 34 metros de altura e 17 metros de largura, ao nível dos braços.
Fátima tem agora mais um local de culto... e este continuará a merecer muitos aplausos e censuras, mas será, não se duvide, mais um forte motivo para se fazer uma visita ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, nesta terra que nos convida à oração, tão cheia de insondáveis mistérios quanto às coisas que nos vêm do Alto ... mas, fundamentalmente, uma terra de fé.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

ÁFRICA... ontem...hoje... e amanhã

* Quem não conheça África, fará ideia de que este Continente terá uma grande densidade populacional, se estiver simplesmente a fazer a conta aos milhares de pessoas que morrem de fome, das "novas" doenças ou epidemias a que, um povo que refere enormes carências de toda a ordem, está mais sujeito. Efectivamente não é bem como poderá parecer, pois a baixa densidade é efectivamente grande. Há em África um reduzido número de grandes cidades, no topo das quais vamos encontrar o Cairo, com cerca de 12 milhões de habitantes, seguindo-se Alexandria, com 5 milhões. A maioria das outras grandes cidades, Casablanca, Argel, Orão, Marrakech, Port Said, Fez, Tunes, Rabat, Tripoli, Mesquinez, Tânger, Suez, na zona Norte, e Joanesburg o, Cabo, Pretória, Durban, Port-Elizabeth, Blonfentein, Berminston, na zona Sul, encontram-se fora dos trópicos, tendo esta zona, como mais importantes, Ibadan, Lagos, Abidjan, Cartum, Adis-Abeba, Mombaça, Dakar, Kinshasa, Luanda, Antananarivo, Harare, Kano, Naiorobi e Bulawayo. Para África emigram, sobretudo, gentes da Europa e da Ásia, sendo os Europeus de origem mais recente, que se concentram especialmente na ´´Africa do Sul, nas zonas mediterrânicas do Norte de África, no Quénia, no Zimbawe e na Zâmbia. Para a África Oriental emigram especialmente os Indianos.
* A história fala-nos com algumas certezas de invasões árabes que ocorreram entre os séculos VII e XIX; sabe-se também que foi governada por dinastias árabes até 1500 a.C. e que houve, anteriormente, invasões pré-históricas de povos de uma grande família asiática camito-semítica. A restante população poderá considerar-se aborígena, embora se questione quem foram os povoadores originais do continente e se África foi habitada por povos negróides em tempos paleolíticos. Entre os povos originários de África podem estabelecer-se dois grupos: os negros africanos que habitam a Sul do Sara e os africanos caucásicos, que vivem a Norte do citado deserto e estão representados por berberes, marroquinos e egípcios. A mistura destes povos com os negros é clara nos etíopes, gallas, somalis e massays da África Oriental. Na zona de transição entre os caucásicos e os negros encontram-se também as tribos nilóticas, incluindo od dinkas e os shilluks, caracterizados pela sua estatura elevada. Na África Ocidental os povos detém uma pel mais clara e traços caucásicos, denunciando a existência de uma mistura racial.
* A Sul do Sara é que encontramos o verdadeiro lar dos negros africanos... mas vamos falar deles no próximo trabalho. Tenho a convicção de que será do vosso agrado, pelo que... até lá.
Trabalho de pesquisa de Victor Elias, baseado na Grande Enciclopédia Universal.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

AS ORIGENS DE SINTRA ...

* As origens de Sintra remontam ao neolítico, estando um pouco espalhado pela serra com o mesmo nome, objectos e construções deste período, assim como túmulos.
Outros povos passaram por Sintra, nomeadamente Celtas, Romanos, Suevos, Godos e por fim Muçulmanos. Este povo deixou, uma inúmera herança em Sintra, que se foi apagando ao longo do tempo, mas que ainda pode ser observada.
É neste período que surgem os primeiros textos que se referem a Sintra como Vila. O nome desta localidade deriva da palavra árabe Cíntia que em português significa lua. É durante a ocupação dos islamitas, que se constrói o Castelo dos Mouros.
D. Afonso Henriques conquista Sintra em 1147, com o auxílio dos cruzados, passando esta a possuir carta de Foral e de feira, a partir de 1154.
Sintra consolidou todo este legado passando a ser um destino muito procurado pela aristocracia portuguesa a partir do século XIX, que procuravam Sintra devido à sua beleza natural e relativa proximidade de Lisboa.
Muitos escritores, músicos, pintores…, como por exemplo Eça de Queiroz inspiraram-se em Sintra na realização das suas obras. O forte crescimento urbano do século XX, não ocorreu em Sintra, estando esta praticamente com os mesmos edifícios do século XIX.
Para falar do património histórico de Sintra escolhi os monumentos mais emblemáticos desta vila histórica, como o palácio da Pena, Palácio de Monserrate, Castelo dos Mouros, entre outros a tratar ao longo do trabalho.
Dentro desta temática falarei sobre os estilos arquitectónicos e histórias que se passaram nestes edifícios.
----------------------------PALÁCIO DA PENA
* O Palácio Nacional da Pena constitui uma das expressões máximas do Romantismo aplicado ao património edificado no séc. XIX em Portugal. Este Monumento Nacional deve-se inteiramente à iniciativa de D. Fernando, marido da Rainha D. Maria II, em 1836. D. Fernando II apaixonou-se logo por Sintra, ao subir a Serra pela primeira vez.
Pensou, igualmente em mandar plantar um magnífico parque, à inglesa, com as mais variadas, exóticas e ricas espécies arbóreas. Desta forma, Parque e Palácio da Pena constituem um todo magnífico. O Palácio, em si, é um edifício ecléctico onde a profusão de estilos e o movimento dos volumes são uma invulgar e excelente lição de arquitectura. Quase todo o Palácio assenta em enormes rochedos e a mistura de estilos que ostenta (neo-gótico, neo-manuelino, neo-islâmico, neo-renascentista, etc.) é verdadeiramente intencional, na medida em que a mentalidade romântica do séc. XIX dedicava um invulgar fascínio ao exotismo e ao passado. A concepção dos interiores deste Palácio para adaptação à residência de Verão da família real valorizou os excelentes trabalhos em estuque e revestimentos em azulejo do séc. XIX, integrando as inúmeras colecções reais. Palácio Nacional da Pena constitui uma das expressões máximas do Romantismo aplicado ao património edificado no séc. XIX em Portugal.
(Continua)

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

ÁFRICA... ontem, hoje e amanhã

* Fala-se tanto e tão pouco de África... fala-se dela tão bem e tão mal dela, fala-se com saudade ou enfastiado com a conversa, porque a desilusão por vezes acontece! No entanto a África é um continente tão pleno de mistério, tão cheio de interrogações, tão cheio de riquezas e misérias gritantes que nos leva a interrogar as nossas consciências sobre o que terá falhado na estabilização e afirmação de uma zona do planeta tão multifacetada, tão pródiga na descoberta de riquezas cada vez mais sumptuosas, que mais parecem dar razão àqueles vendedores de sonhos que nos tentam vender o mapa do tesouro escondido algures num recanto qualquer das sombrias matas e selvas africanas, numa qualquer caverna escondida algures em qualquer lado, com passagem obrigatória por uma qualquer cidade perdida das muitas que sempre povoaram os nossos sonhos de meninos.
* Espanta saber-se estar a carência de alimentos em África ligada ao valor nutritivo desses mesmos alimentos, pois na maioria dos Países de África é possível fazer-se mais que uma colheita anual dos produtos agrícolas necessários para haver uma alimentação equilibrada... mas talvez os interesses estrangeiros que são colocados no âmbito da produção algodoeira, do café, do chá, do sisal, da copra, do ouro, dos diamantes... mas fundamentalmente do petróleo, não deixa lugar para dúvidas de que os produtos alimentares têm que ser protelados, além de que não há apoios, não há uma política agrícola, não há assistência técnica prestada a quem pretenda trabalhar a terra, acontecendo assim haver falta de bens numa grande parte de um continente que poderia ser um celeiro do mundo!
* A escassez de dados estatísticos impede que se possa determinar exactamente qual a população do continente negro, podendo apenas estimar-se que serão cerca de 800 milhões de pessoas, numero que até não será tão baixo como pode parecer à primeira vista, tendo em conta as densidades médias e a inadequação ao povoamento humano de grandes áreas do continente. Mas há que assinalar a existência de um crescimento bastante rápido, mas a distribuição é bastante irregular, como são os casos extremos dos desertos do Sara, Calaári, Líbia, Namibe, etc que são quase desabitados, excepto nas zonas de oásis, onde, por vezes, acontece o fenómeno da superpopulação. Também as florestas tropicais são pouco habitadas, apresentando muito baixa densidade populacional. Mas de densidades populacionais falaremos um destes dias, prometo, pois está feito o convite: VAMOS DESCOBRIR ÁFRICA! É UM SAFARI ONDE IREMOS FALAR DE COISAS INTERESSANTES, CERTAMENTE.
Trabalho de pesquisa e consulta da Grande Enciclopédia Universal. - Continua

sábado, 6 de outubro de 2007

AVIAÇÃO - As aeronaves - Parte II

* Depois de se haver falado dos princípios da aeroestatação em Portugal, desde os ensaios de Bartolomeu de Gusmão até aos Zeppelins, chegou a hora de tratar de outros tipos de aparelho para voar: os mais pesados dos que o ar.
A primeira nave mais pesada do que o ar conhecida foi um planador construído pelo inventor britânico George Caylet, no ano de 1808. O conceito foi, mais tarde, desenvolvido pelo piloto alemão Otto Lilienthal, que, em 1877, inventou um planador com uma asa em forma de arco.
O primeiro voo controlado, com motor, teve lugar em 1903, quando os irmãos norte-americanos Orville e Wilbur Wright construiram e pilotaram o seu "Wright Flyer I".
Os Wirght continuaram a aperfeiçoar aeroplanos cada vez mais controláveis, durante a primeira década do século XIX e inspiraram muitos outros a aventurarem-se na conquista e no desenvolvimento do transporte aéreo.
Santos Dumont, um entusiasta Brasileiro, construíu o 14-Bis, o primeiro avião que se elevou e se manteve no ar por si próprio. O francês Blériot atravessou o Canal da Mancha em 1909 e os Portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral cruzam pela primeira vez o Atlântico Sul, no ano de 1922.
Em 1927 é a vez de Charles Lindberg efectuar o primeiro voo zózinho, atravessando o Atlântico. No ano de 1939 o record de velocidade em avião estava situada nos 800 Km/Hora.
Como verificámos, o voo das aves inspirou o Homem a realizar o sonho de voar. No entanto, não se elevou com asas sobre a superfície terrestre, mas sim num balão, que é mais leve que o ar. Os balões mostraram ser veículos perigosos, pois não podiam ser dirigidos, surgindo então os dirigíveis, que eram mais seguros, é certo, mas bastante lentos e aparatosos. Foi esta a razão porque o Homem apostou no "mais pesado do que o ar" e aí dominou o desenvolvimento da aviação.
Para compreender como um avião mais pesado do que o ar pode voar, é necessário entrar nos domínios da aerodinâmica. Quando um avião se locomove pelo ar, este passa pelas partes superior e inferior das asas. Devido à ligeira curvatura (aerofólio) destas e ao seu ângulo, a corrente de ar é mais rápida na parte superior do que na inferior onde se detém. Como resultado dá-se uma forte "aspiração" na parte superior, apoiada por uma menor pressão na inferior. Essas duas razões dão razão ao impilso ascendente das asas do avião. Este é impelido para a frente em virtude do seu próprio peso, como acontece com os planadores, ou pela força do motor. Quando o motor põe o hélice em movimento, as pás desta cortam o ar como se fossem asas. Produz-se então uma força de sucção na parte da frente, a qual diminui à medida que o avião aumenta de velocidade. Essa força faz com que o avião seja impelido para a frente. Logo que a resistência do ar é igual à força de tracção da hélice, o avião alcança então uma velocidade constante.
Em breve falaremos de outros tipos de avião, de aviadores famosos e da importância do avião nos teatros de guerra. Também iremos falar da Força Aérea Portuguesa e da sua evolução, enquanto instituição Militar virada para as coisas do ar.
(Neste trabalho socorreu-se o autor, Victor Elias, da enciclopédia COMBI Visual-Vol. I) CONTINUA

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

LOANDA... O PRINCÍPIO...


Quem chega à maravilhosa baía de Luanda ou percorre a Marginal, não irá ficar indiferente à extraordinária obra que os Portugueses ali souberam eregir . Na gravura apresentada tem-se uma ideia de como seria a então recem criada "Vila de Loanda", junto à ermida de Nossa Senhora da Nazaré. A construção desta pequena relíquia da arquitectura religiosa Portuguesa data do século XVI, quando Paolo Dias de Novais, a mando do Rei de Portugal, fundou a povoação de "S. Paolo de Loanda".

Foi a partir da fixação Portuguesa em Benguela-a-Velha, em 1578, que se veio a dar a exploração de todos os territórios no Sul de Angola.

Em 1623, a princesa Nijinga Mbandi, irmã do N'gola, foi enviada a Luanda, com o o intuito de firmar um tratado de aliança com os Portugueses. É recebida com toda a pompa e circunstância que aquele momento exigia... e nesta visita veio a converter-se ao catolicismo.

Em 1625 os Portugueses designaram como Rei do Ndongo um seu "homem-de- palha". A Rainha Njinga, que tomou conta do trono por morte do irmão, inicia de imediato uma longa luta de resistência, acabando por ocupar importantes territórios. Aproveita-se ainda da presença dos Holandeses (1641-1648) para fazer uma aliança com eles para combater os Portugueses.

Erguendo-se em redor da Fortaleza de S. Miguel, Luanda veio a ser elevada a cidade em 1606, tendo a sua população aumentado de 650 habitantes, em 1621, para 6.500 no ano de 1800. Desde a sua fundação, foi Luanda uma cidade bastante cobiçada por Franceses, Holandeses e Ingleses, por causa do comércio de escravos.

A 24 de Agosto de 1641 os Holandeses conseguem apoderar-se de Luanda, porque o sonho da conquista de Angola viria permitir-lhes o poder dominar totalmente a fonte de abastecimento de escravos para o Brasil, mas Salvador Correia de Sá e Benevides, que entretanto fôra nomeado o Governador de Angola, no ano de 1647, vem a expulsar os Holandeses, de quem veio a conseguir uma total rendição no dia 21 de Agosto de 1648.

Logo em seguida, Salvador Correia seguiu para o Sul, levando como missão a expulsão da guarnição Holandesa que se encontrava estacionada em Benguela. Após concluída a libertação do território, continou o seu trabalho de conduzir os destinos de Angola, vindo a fomentar o seu progresso de uma forma extraordinária.

D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho foi nomeado pelo Marquês de Pombal como Governador de Angola, decorria o ano de 1764. Ficou à frente dos destinos de Angola até ao ano de 1772, sendo então reogarnizadas as defesas militares de Angola, promovido o desenvolvimento comercial, industrial e mineiro, procurando de igual modo encontrar a forma capaz de levar o Brasil a não ser mais abastecido da mão de obra escrava que vinha de Angola. Construiu-se a Fortaleza do Penedo e a Igreja do Carmo. O Liceu Salvador Correia de Sá veio a ser construído em 1919. Luanda torna-se a Capital de Angola em 1940, possuíndo já bons Liceus e Escolas Técnicas, porque a Universidade apenas foi criada em 1962. É a partir de 1945, com a expansão do cultivo do café no Norte de Angola, que Luanda se desenvolve de uma forma definitiva. Possui uma refinaria petrolífera, indústria alimentar, metalúrgica, têxtil e cimenteira. É servida pelos caminhos de ferro de Luanda a Malange e possui um excelente aeroporto internacional. O seu porto está considerado como um dos mais importantes da costa ocidental de África. Luanda é um mundo, uma verdadeira Capital cosmopolita, que não fica a dever nada a muitas capitais europeias. E isso foi obra de Portugueses, que foram para Angola visando "dar novos mundos ao mundo" com os olhos postos na dilatação das fronteiras de um Portugal espalhado pelos quatro cantos do hemisfério, como sonhara o Infante.

Luanda é bem um símbolo do querer que os Portugueses levaram nas caravelas de saídas de Lisboa para a descoberto de novos mundos... pois "se mais terras houvera, lá chegariam!", como cantou o Poeta.

Um grande Português e Patriota disse um dia: "Se alguém murmurar ao pé de ti palavras de desânimo, referindo-se a Luanda, bane-o do teu convívio, pois não será alguém digno de se chamar Português... e muito menos de participar nos destinos deste grande território, obra e orgulho da Pátria Portuguesa!". Esse Homem chamava-se Norton de Matos, era um ilustre General e foi um dos mais notáveis obreiros de uma Angola moderna, toda virada para o futuro, com uma confiança própria de quem sempre acreditou no porvir.

SÃO PAOLO DE LOANDA...

A cidade de Luanda, que tem por nome São Paulo... talvez em homenagem ao seu fundador, Paulo Dias de Novais, tem uma superfície de 127,29 Km2, e é composta por 4 grandes bairros que englobam 16 freguesias. Tem um clima tropical, com a temperatura média anual de 24ºC.
Quando Salvador Correia de Sá reconquistou a cidade, concedeu-lhe o nome de São Paulo da Assunção de Luanda. Em 1621 já se conhecia o colégio Jesuíta de Nossa Senhora do Loreto e uma Igreja. A supremacia Portuguesa na reconquista foi imposta em combates com o gentio e com a tomada de Pedras Negras, em 1671, por Luis Lopes de Sequeira.
São então construídas as fortificações de S. Miguel, São Pedro e Penedo, ao mesmo tempo que a vida comercial se vai desenvolvendo e a cidade vai crescendo, alastrando ao longo da baía e prolongando-se do morro para outras zonas altas. A arquitectura civil e religiosa sofreu um enorme impulso entre os séculos XVIII e XX, surgindo então Palácios como o do antigo Governador Geral, o Paço Episcopal, templos como a Ermida de Nª. Senhora da Nazaré, datada de 1664, data em que também se dá a construção da Igreja do Carmo. A sede da Diocese, que se situava em São Salvador do Congo, foi transferida para Luanda em 1676, tendo esta cidade sido elevada à dignidade metropolítica pela bula Solemnibus Conventionibus, de 1940, sendo nomeado então, como 1º. Arcebispo de Luanda, D. Moisés Alves de Pinho, que já era Bispo de Angola.
A vida social do quotidiano Luandense era similar à da sociedade brasileira de então. Via-se luxo e indolência nos grandes senhores e nas damas, fazendo-se acompanhar de grandes cortejos de escravos negros e forros, e porque também abundava um número enorme de degredados do Reino, condenados que chegavam em levas sucessivas a S. Paulo de Luanda, onde muitos acabavam por assentar praça nas Unidades Militares locais, passando depois a ser distribuídos pelo interior da Colónia. Só em 1932, e depois de contínuos protestos, foi esta prática suspensa, ao mesmo tempo que a cidade progredia abrindo novos espaços e criando polos de lazer e veraneio na ilha de Luanda, a que a cidade ficou ligada. A parte alta sofreu a intervenção de capitais particulares e do Estado, que muito a embelezaram, tornando-a fortemente atractiva, enquanto o aumento do Porto (1946) com a intensificação da sua utilização para servir o desenvolvimento de Angola, fez crescer demográficamente o perímetro da cidade, atraíndo gentes dos diferentes povos da que foi Província Portuguesa de Angola.
Quando se pensa no Prenda, no São Paulo, no Fomento, na Corimba, na Samba, no Salazar ou em qualquer outro aglomerado populacional daqueles que vieram a constituír os Bairros desta grande Capital de Angola, por certo pensamos nos sacrifícios dos "odiados colonizadores" que criaram condições para que Luanda possa mostrar-se ao mundo como uma metrópole orgulhosa do seu passado e confiante no futuro! Assim os homens se entendam e dêem as mãos para a construção de espaços onde a paz seja possível... sempre! Nos tempos coloniais ter casa no Mussulo era utópico, mas o querer dos Portugueses tornou essa utopia numa realidade, porque Portugal esteve em Angola com verdade e construiu um País com o amor de um pai que quer sempre o melhor para os seus continuadores!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não

Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.



Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.



Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

...TEMPOS DE LUANDA

-----Naquelas horas da minha saudade, vejo a Luanda da minha juventude, onde um dia, por contigências de uma guerra que nos foi imposta, não importa saber por quem nem porquê, uma vez que a traição não se justifica... e Angola sofreu na carne a mais vil das traições que alguém lhe poderia fazer, quando foi vendida, por um prato de lentilhas, quando alguém a entregou em mãos que desde há muito tempo estavam ávidas por deitar as garras aos imensos interesses nos mais ricos minerais nobres, no petróleo, nas madeiras das florestas do Maiombe, nos varidíssimos produtos de uma terra fértil e generosa, que jamais regateou a abundância das colheitas... e fundamentalmente naquilo que ao café ou ao algodão diz respeito, tal como o sisal, o abacaxi, a banana... ficando fora das riquezas da terra os diamantes, pois eram um produto que estava em mãos "mistas", porque se haviam dividido por vários interesses os celebrados "feijões" que iam aparecendo na vasta região da Lunda.
-----Também o "ouro negro", saído das entranhas das terras de Cabinda para gáudio dos interesses americanos, tem contribuído para aumentar a corrupção entre vários sectores da vida angolana, pois o Povo continua a não sentir os benefícios provenientes do petróleo. Que "os preços de produção são brutais e ainda não são mais valias para o País", dizem os senhores que estão à frente dos destinos da Pátria Angolana, como se não fosse conhecida a colossal fortuna acumulada pela família Dos Santos, com interesses espalhados por tudo o que seja rentável para si mesmo, não importando com o sacrifício de quem. Esse quem é o Povo, que é sempre quem sofre as consequências da avareza daqueles que detêm o monopólio dos meios de produção mais rentáveis.
------Porque nunca foi o Povo consultado quando se fizeram os acordos para estes negócios? Porque está a família Dos Santos a dominar económicamente Angola, tal como o chefe do clã o tem feito a nível político? Será porque têm vergonha de terem de mostrar à sociedade as suas humildes posses, a indigência com que vivem num qualquer "Muceque", como acontecem nos seus casebres do Futungo de Belas ou nas "palhotas" de Luanda Sul, onde lhes falta tudo, e isto por causa das sequelas deixadas por um colonialismo feroz, que lhes retirou a esperança de, um dia, virem a ter uma vida com um mínimo de dignidade?
------Eu não queria ter a vida deles, palavra de honra, mas apenas e só por ter vegonha, isso sim, de estar a "matar" de muitas formas um Povo que já merecia que lhe dessem isso mesmo:
-------UM POUCO DE DIGNIDADE PARA VIVEREM A PAZ, FINALMENTE, E CRIAREM OS SEUS FILHOS COM ESPERANÇA NO PORVIR!
------Será isso assim tão utópico?


domingo, 9 de setembro de 2007

SAUDADE ...



E como a saudade é uma melancolia ...que se sente pela ausência de ... transcrevo para aqui uma obra de um poeta angolano (Tio Aires), que conheci e com quem convivi durante a minha passagem por Angola.



.... A MULEMBA SECOU

A mulemba secou.
no barro da rua,
pisadas
por toda a gente,
ficaram as folhas
secas, amareladas
a estalar sob os pés de quem passava.
Depois o vento as levou...
como as folhas da mulemba
foram-se os sonhos gaiatos
dos miúdos do meu bairro.
(De dia,
espalhavam visgo nos ramos
e apanhavam catituis,
viúvas, siripipis
que o Chiquito da Mulemba
ia vender no Palácio
numa gaiola de bimba.
De noite,
faziam roda, sentados,
a ouvir,
de olhos esbugalhados
a velha Jaja a contar
histórias de arrepiar
do feiticeiro Catimba.)
Mas a mulemba secou
e com ela,
secou também a alegria
da miudagem do bairro:
O Macuto da Ximinha
que cantava todo o dia
já não canta.
O Zé Camilo, coitado,
passa o dia deitado
a pensar em muitas coisas.
e o velhote Camalundo,
quando passa por ali,
já ninguém o arrelia,
já mais ninguém lhe assobia,
já faz a vida em sossego.
Como o meu bairro mudou...
como o meu bairro está triste
porque a mulemba secou...
Só o velho Camalundo
sorri ao passar por lá!...

sábado, 8 de setembro de 2007

E SE UM DIA LÁ VOLTAR?


- Mesmo que os meus dias já se estejam diluíndo no tempo que passa, jamais deixarei de olvidar um sonho que se transformou num propósito, um propósito que deu azo a um tormentoso e obsessivo desejo de voltar a Angola... ainda que este propósito esteja cada vez mais longe do meu horizonte, porque a utopia não encurta as distâncias, e os propósitos, contidos no mais recôndito lugar do meu cérebro, não se irão concretizar só porque há uma vontade de que tal possa acontecer.
Imagino a Luanda dos anos 60 e início de 70, onde há o bulício dos "machibombos" na Mutamba, um aglomerado de pessoas que demandam o Prenda, o São Paulo, o Cuca ou o Vila Alice! A Ilha está repleta de banhistas, que, enquanto bebem uma Nocal bem geladinha e degustam uns "peceves", olham a Baía embevecidos com a beleza do pôr-do-sol, que vai tingindo o céu com tonalidades entre o ouro e o sangue, talvez para recordar que aquela guerra que vai decorrendo nas matas e faz correr o sangue de tantos inocentes, terá algo a vêr com as incomensuráveis riquezas do sub-solo de Angola.
Se um dia lá voltar, sem ser nestes nostálgicos momentos de sonho e fantasia, quero fazer a promessa a Nossa Senhora da Muxima de que jamais irei sentir o intuito do regressar por regressar, pois quero dar corpo e alma a uma terra que nunca deixou de ser da minha esperança no porvir, pois sempre foi um espaço de saudade incontida nos anos em que me vi ausente. Não será por qualquer sortilégio das águas do Bengo, que dizem fazer sentir uma enorme vontade de regressar, mas sim porque o meu coração havia ficado dividido na hora da partida... e é chegada a hora para se unirem os pedaços...
Quero que Nossa Senhora da Muxima me deixe dizer-lhe, a Seus pés, que pretendo sentir-me sempre junto d'Ela, que me protegerá para todo o sempre, como o faz à terra Angolana.
- Se um dia lá voltar, quero voltar a vêr florir as campas daqueles que tombaram para que Angola pudesse existir como um espaço de paz!
- Se um dia lá voltar, pretendo que todos os Homens de boa vontade possam dar as mãos, e irmanados num mesmo desejo de vêr Angola como a terra das oportunidades para aqueles que a trazem dentro do peito, sejam eles da raça, da côr, da religião, do sexo ou da língua que forem, porque a vastidão de Angola a todos pede apenas uma coisa: que todos os Homens saibam dar as mãos para construír um País de que se possam orgulhar e transmitir aos vindouros.
- Se eu um dia lá voltar... Angola não será mais uma saudade, mas a realidade perene, que dará os frutos que só o amor àquela terra poderá justificar.
- Se um dia lá voltar, Angola será o meu adeus às coisas do mundo, porquanto o meu espírito percorrerá todos os caminhos que vão das imensas florestas do Maiombe às terras vermelhas do deserto do Namibe... e por lá irá permanecer até à consumação dos séculos.
...
- Se eu um dia lá voltar...



quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Por Vales e Montanhas...




Perdi-me pelos vales e montanhas
Andei pelas veredas sempre só
E tropecei nas pedras comi pó
Sem nunca desistir dessas façanhas

Buscava eu riquezas e tamanhas
Mas não as que em dinheiro nos ofuscam
Tão só essas que as almas sempre buscam
E enchem bem de amor suas entranhas

E vi-te na procura.E me quedei
Deste-me o teu amor e me orgulhei
De ver que minha busca já foi história...

Veredas...estão bem cheias de carinhos
Os vales... de ternura são verdinhos
Montanhas... só se forem as de glória.



Da tua mulher Antonieta


terça-feira, 28 de agosto de 2007

AVIAÇÃO - As aeronaves - Parte I


Não há memória de tudo o que o Homem usou como "modelo" para as suas tentativas de imitar os pássaros sulcando os ares, pois até na lenda se fala de Ícaro como o primeiro ser a tentar voar... na ânsia de chegar ao sol!
Manias, dirão alguns, mas não tão grandes que não viessem a obter resultados positivos essas "maluquices" que foram sendo experimentadas através dos tempos, até aos voos em demanda da lua ou de outros planetas mais ou menos conhecidos. O homem pré-histórico já havia descoberto que, ao insuflar ar numa pele de animal, esta flutuava e ajudava-o a nadar mantendo-o à superfície das águas. Muito mais tarde, já no século XVII, descobriu-se que um saco cheio de gás se eleva do chão, graças aos estudos de alguns eruditos que estudavam a atmosfera e os seus gases, salientando-se, entre estes, o italiano Torricelli. O químico inglês Robert Boyle isolou o mais leve dos gases, o hidrogénio e enunciou então a lei com o seu nome, que diz que "Para uma dada quantidade de gás, o volume aumenta à medida que a pressão desce, sendo o inverso também verdadeiro!". Em 1709, a 8 de Agosto, o Português, nascido no Brasil, Padre Bartolomeu Lourenço, que mais tarde adoptou "de Gusmão", inventou o aeróstato, ao construir um balão que conseguiu elevar-se a 4 metros de altura. Esta experiência foi feita numa sala da Casa da Índia, no Terreiro do Paço, tendo o inventor utilizado um balão cheio de ar aquecido "pelo fogo material contido numa tigela de barro incrustada na base de um tabuleiro de madeira encerada", que subiu até ao tecto. Antes de fugir de Portugal, alguns anos mais tarde, Bartolomeu de Gusmão destruiu todos os seus arquivos, pelo que não há uma certeza quanto à forma exacta da sua "Passarola", na qual tentou voar largando-se do Castelo de S. Jorge, sem que tenha obtido um êxito total, pois a Passarola, "depois de percorrer 1 quilómetro, veio a cair no torreão da parte ocidental da praça que então era o Terreiro do Paço!". O "aeronauta" saiu ileso desta aventura.Em 1782 é a vez de os irmãos Joseph e Étienne Montgolfier, dois franceses fabricantes de papel, conseguem fazer voar, dentro de um quarto, um balão cheio de ar quente. O saco de seda e com uma abertura no fundo, tinha uma capacidade de 1,1 m3. Queimando papel na abertura, o saco enchia-se de ar quente e subia até ao tecto. Na Primavera do ano de 1783 os irmãos voltaram a realizar tal experiência, mas num balão de escala maior e em campo aberto. O papel do balão foi revestido de tecido e tinha 620 m3 de capacidade, tendo atingido uma altura de 1.800 metros. Depois de várias outras experiências, com balões de cada vez maior capacidade, os balões tornaram-se meios de transporte ou de auxilio à ciência, pois o francês Henri Giffard construiu o primeiro dirigível propulsionado mecânicamente, tendo levantado voo e voado cerca de 25 quilómetros, à fantástica velocidade de 8 Km/h. O aparelho tinha 43 metros de comprimento e era propulsionado por um motor a vapor com 3 cv, que accionava uma hélice de 3,5 m de diâmetro.Com Ferdinand Zeppelin, um antigo oficial do Exército Alemão, , o dirigível passou a ser conhecido... com o seu nome. Em 1900 construiu um protótipo cilíndrico com 128 metros, feito com uma armação de alumínio revestido de tela de algodão. Levava 11.320 m3 de hidrogénio, em 17 sacos estanques, sendo movido por 2 motores Daimler de 14 cv.Durante a 1ª. Guerra Mundial os Zeppelins foram utilizados para realizar os primeiros ataques aéreos da História, ao largarem bombas sobre Londres.Nos anos 30 eram moda as viagens no Zeppelin, com aparelhos de dimensões fabulosas que transportavam um pequeno número de privilegiados, que "voavam" de capital em capital ou através do Atlântico. Estes modelos tinham 250 metros de comprimento.
Os acidentes com estes aparelhos atingiam grandes proporções. Em 1937 , o Hindenburg, o maior e mais moderno dirigível do mundo, começou a arder quando preparava a aterragem em Lakehurst - Nova Jerséi - EUA. Cheio de hidrogénio, altamente inflamável, em virtude de o hélio - gás que oferecia menos riscos - ser muito caro e difícil de obter. Pereceram 35 passageiros neste primeiro grande acidente aéreo da História... que também ditou o desaparecimento deste aparelho como meio de transporte apenas oito anos depois de ter efectuado a sua primeira volta ao Mundo.
Mas a conquista do ar não estava morta, pois o Homem não desistia do seu sonho: VOAR!
Sabe-se que os primeiros estudos para a construção de um avião foram feitos por Leonardo da Vinci, no século XVI... mas não vamos agora falar disso, porque é preciso descansar um pouco, tomar embalagem para, logo que seja oportuno, continuar a falar deste tema, que sempre apaixonou o Homem de todos os tempos... não fosse o "escriba" deste texto um apaixonado pelas coisas do ar, a pontos de ter passado uma vida ao serviço da Força Aérea.

Um trabalho de Victor Elias
- inspirado na História dos Grandes Inventos, das Selecções RD

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

LEIRIA...UMA CIDADE MEDIEVAL


Situe-se Leiria e a sua função de cidade na História Pátria. Poderá verificar-se aquilo que ela representa no conceito do País, medindo-se o significado dos acontecimentos que lhe são respeitantes e escalonam a sua vida local no decorrer dos séculos passados.
Pode-se afirmar que a história de Leiria começa, sem qualquer dúvida, no ano de 1135, data que os "Anais de D. Afonso, Rei dos Portugueses", também chamados de "Chronica Gothorum"`, atribuem a construção do Castelo de Leiria pelo Príncipe D. Afonso Henriques, que foi erguido num local amplamente deserto e numa terra deserta, segundo a carta do Príncipe ao Papa Adriano IV, cerca de vinte anos depois. No entanto, porque há sempre detractores, vários autores põem em causa tal afirmação, pois não era possível a zona estar totalmente despovoada tendo-se em conta as lutas travadas entre Santa Cruz e o Bispo de Coimbra para a manutenção da jurisdição eclesiástica no termo de Leiria, motivo porque convinha acentuar-se haver sido toda a vida humana uma iniciativa do Rei benfeitor, não sendo fácil justificar que o Rei houvesse concedido a jurisdição eclesiástica fosse a quem fosse, sendo esta pertença da autoridade da Igreja. O que se pode afirmar é ter sido voz corrente, na literatura dos séculos XI e XII, haver sido feito o povoamento de um lugar deserto, mas não se pode tomar a afirmação como uma verdade inquestionável.
Os cónegos regrantes de Coimbra estabeleceram tal vínculo à cidade que acabaram por apagar da memória tudo o que, vindo do passado, pudesse enfraquecer, mesmo no domínio da história militar do Castelo, pondo em causa o seu completo domínio sobre os cristãos que formavam a comunidade citadina. A construção do castelo constituiu um corte com o passado, é definitivo, como também é certo que o lugar não era ermo e despovoado.
A fortificação erguida era uma construção que visava ser ponto estratégico para a defesa do sul de Coimbra, que era assolada, com muita frequência, por guerreiros mouros vindos de Santarém para destruir os campos do vale do Mondego. A construção de um castelo em Leiria faz parte da estratégia de defesa de Coimbra, sendo uma linha avançada em relação a Soure, que foi, até aos anos 30 do século XII, o ponto fortificado mais adiantado na extrema meridional do Reino. Este avanço agressivo, porque o era, entrava nitidamente em choque com as linhas de defesa dos islâmicos, que viam a sua posição em Santarém e mesmo em Torres Vedras, bastante fragilizadas, pois os cavaleiros cristãos podiam agora, a partir de Leiria, realizar fossados em direcção a Santarém, contornando a Torre de Toxe, que defendia a cidade do lado norte... e daí até Lisboa seria um "salto de cavalo" no jogo deste xadrês em que o jovem Afonso Henriques pretendia dar "xeque-mate" aos mouros. Assim que Santarém viesse a cair nas mãos dos Portugueses e Torres Vedras fosse tomada... Lisboa ficava apenas defendida por Sintra, à mercê dos cristãos, que de há muito a cobiçavam.
Por várias vezes teve o Rei D. Afonso I que vir em socorro do povo que estava acolhido no castelo de Erena (o nome árabe de Leiria), que havia sido construído frente ao castelo de Santarém com a intenção de combater os infiéis nesta cidade e daí conquistar as posições de Lisboa e Sintra e todas as fortificações castrenses que os Mouros tinham estabelecido na região.
Em 1144 os Mouros atacaram o castelo de Soure. No ano seguinte corria o apelo em Coimbra para se socorrer o castelo de Leiria, prometendo-se que quem viesse a morrer nesta empresa, teria o mesmo merecimento que poderiam obter nas lutas em Jerusalém. Era uma forma de aliciamento das populações coimbrãs para as lutas que aconteciam bem perto das suas terras, dissuadindo-as de irem para a Terra Santa como Cruzados... porque era aqui mais que necessários.
Até 1147, ano em que se dá a conquista de Santarém e Lisboa, as lutas por Leiria foram uma constante. Desde a sua fundação, em 1135 e 1147, foram doze anos em que houve a preocupação de manter uma guarnição militar, procurando esta encontrar no local meios de subsistência imediata, pois nos meses de Primavera e Verão viviam dependentes dos assaltos e pilhagens às terras mais férteis de além-fronteira, apreendendo cavalos e objectos de valor que vendiam por bons preços, tal como faziam prisioneiros que vendiam ou pelos quais pediam avultados resgates. Eram estas as principais ocupações dos primeiros habitantes de Leiria, por muito que custe dizê-lo a quem é da cidade, como é o meu caso.
Este ano de 1147 foi de mudança radical. A linha do Tejo ficou uma fronteira estável, mais difícil de transpor pelos vales e montanhas das serras de Aires e Candeeiros, pelo que as pessoas puderam, finalmente, fixar-se no amanho da terra, sair para fora das muralhas e começar a criar estruturas mais produtivas, que eram fundamentais para a sua existência.
Assim, a população da cidade foi crescendo com acentuada rapidez. A Igreja de Nossa Senhora da Pena foi sagrada ainda antes de 1147. Cinco anos depois já aparecem referencias à vila e muralhas. O Papa Adriano IV confirmou, em 1157, a doação feita por D. Afonso Henriques ao Mosteiro de Santa Cruz dos direitos eclesiásticos sobre Leiria, referindo-se então a todas as igrejas existentes no Castelo de Leiria e às que ficavam no seu termo.
O facto é que os rendimentos das igrejas cresceram rapidamente... o que agravou as questões entre o prior de Santa Cruz e o Bispo de Coimbra acerca da aludida jurisdição eclesiástica. Mesmo com a doação do Rei e a confirmação papal e apesar de ter havido também a doação dos respectivos direitos pelo Bispo de Lisboa, em 1156, o Bispo de Coimbra dizia-se lesado e tentou por todas as formas recuperar esses direitos.
A luta pelos direitos eclesiásticos de Leiria foi tomada aqui como um sinal de consideráveis interesses materiais em jogo... mas estes eram realmente um sinal do crescimento rápido da população da cidade, o que se deduz pela referência à ponte de Leiria nos forais de 1142 ou 1144 e à prescrição do mesmo diploma que isenta os mercadores da cidade de portagens em todas as terras do Rei. Estes pormenores demonstram a existência de uma actividade comercial bastante importante, acontecida depois da reconstrução da povoação, sendo baseada nos objectos e bens capturados aos Mouros ou em perigosas mas rentáveis operações de transferência de bens entre os campos inimigos.
Por agora me fico nesta análise da Leiria medieval... desde a sua fundação! Outras ocasiões haverá para dela voltar a falar, como convém!

(Um trabalho inspirado na obra de J. Mattoso)

NO MUNDO ASSIM...

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era bom viver nesta terra... bonita!