sábado, 18 de agosto de 2007

A SINA DE QUEM NÃO ACREDITA NISSO

Há dias em que não se pode sair de casa, sob pena de nos cair algum telhado em cima!
Quando se acredita em bruxas, elas podem fazer acreditar que o não são... e nós ficamos na mesma, pois acreditamos em qualquer coisa que não mostra a cara. Dá para entender o que se pretende com esta cantilena ou é necessário pôr explicador? É que eu nunca vi bruxas, mas dizem-me que as há... só que não se deixam ver. Ora se não se deixam ver, como é que se sabe que as há? Em que ficamos, então? Há ou não há bruxas? Se as há, quem as viu e onde? Se não as há, porque se teima em falar daquilo que não existe?
Perguntaram-me mesmo agora o que quero dizer com esta "conversa da treta", que não dava para se perceber se acredito em bruxas ou não, se ainda haverá uma decisão para hoje ou se faço serão, pois já a minha avozinha era pródiga em afirmar coisas desta natureza: "NO LO CRÊS QUE NO TINES BRUGAS POR , MAS LAS TINES SEMPRE A LA PERNA QUANDO LO NO ESPERAS MÁS POR ELAS! TINES MEDO DE LAS BRUGAS OU NON LAS CRÊS QUE AIA EM EL MUNDO?". Perante esta arenga da minha paternal avó... não creio que as haja, mas nunca fiando e portanto o molhinho com figa, corninhos, meia-luas, etc, etc, que se costuma comprar na feira do ano, tem que andar sempre comigo, não vão elas aparecer de surpresa, mesmo não acreditando nelas! Cruzes canhoto! Te arre nego, Satanás ou lá quem manda nelas...

OS ANOS PASSAM, MAS AS SAUDADES...

Não consigo deixar de pensar naquilo que poderia ter acontecido a este País se, quando Norton de Matos e Vicente Ferreira, dois Homens cuja memória não deveria jamais ser olvidada por quantos conheceram a sua obra nas terras vermelhas de sangue da sua amada Angola, quizeram mudar a capital de Portugal para Nova Lisboa.
Talvez a côr natural dessas terras fosse mesmo aquele avermelhado que, do ar, se avistava pelo horizonte sem fim, mas não podem restar dúvidas de que o sangue de milhares de pessoas sacrificadas em nome de uma independência, no que aos naturais respeitava, ou pela continuação daquela Pátria una e indivisível, que Camões imortalizou em verso, como tantos outros poetas de antanho o fizeram também, ao longo dos séculos.
Os anos vão passando, a independência tornou-se uma realidade, mesmo que para tal houvesse necessidade de outra guerra mais sagrenta e destruidora, pois destruiu tudo o que de bom os Portugueses haviam construído em Angola, com bens absolutamente perdidos, dado não ter sido possível salvar o que quer que fosse da sanha assassina independentista, levada ao cúmulo quando a luta "decidiu" lançar irmãos contra irmãos, e as facturas a começarem a ser passadas pelos Países que haviam dado cobertura à bárbara matança dos povos do Norte, com o beneplácito de uma ONU incapaz de isenção, de uns Estados Unidos que se arrogavam em polícias do mundo, convencidos de bastarem os seus dólares para impôr a paz que... nem para eles estava garantida no Vietnam, onde os americanos morriam como moscas, que me desculpem estas, que não têm culpa dos dislates do Tio Sam.
Se alguém pretender colocar em causa a heroicidade dos Portugueses - pretos ou brancos - bastará olhar com olhos desprovidos de "partidarite", de esquerda ou de direita, para a odisseia dos resistentes de Mucaba, para a dignidade das mulheres residentes nos Dembos, em Quipedro, no Quitexe, em Nambuagongo... em suma: por todo o Norte de Angola, em qualquer lado onde houvessem fazendas, bailundos ou brancos.
Cheguei ao Negage e vi sinais evidentes de que o horror tinha passado por ali! Conheci pessoas idosas que ganharam novas forças na ansia de salvar os netos da bestialidade animalesca dos "heróicos homens da UPA do Holden Roberto" ou dos "turras" comunistas do MPLA e assassino Agostinho Neto e dos seus acólitos. Não fosse o generoso contributo de homens rudes como o lendário "Carvalho das Barbas" e dos seus Voluntários, da prontidão dos homens da Força Aérea - Páraquedistas, Pilotos, Mecânicos e todos os demais que "cumpriram para além do dever"... "para que os outros vivam!".
Recordo os passeios pela Serra da Chela ou pelo Planalto da Huíla, as Quedas do "Duque de Bragança", a Restinga do Lobito, as festas de Sá da Bandeira ou de Benguela, o calor do Deserto do Namibe, nas "Terras do Fim do Mundo". E os bailaricos dos Santos Populares no Bairro de São João ou de Santo António... as 6 horas de Nova Lisboa em automobilismo, ou as 24 horas de Luanda... as fitas exibidas no Ruacaná, os acepipes do "Alentejano", as torradas e os batidos da "Diana"... os passeios pela marginal de Luanda, ao entardecer, a imperial fresquinha, acompanhada por um bom pratinho de camarão, dobrada com feijão branco ou "jaquimzinhos" fritos, servidos pelo sorriso bondoso do empregado de mesa João, que era o "mais velho" da "Portugália".
Ainda me vejo deambular pela Mutamba à hora de ponta ou de passeio pela Maianga, pela Cidade Alta, pelo "Salazar" ou pelo "Prenda", pelo São Paulo ou Vila Alice.
Quantos anos ainda perdurará a memória de Angola no coração dos Portugueses? É que não deverá restar muita memória num país em que se demoliram monumentos erguidos por um povo que deixou o coração a Angola, juntamente com uma vida de labuta, de trabalho árduo de que apenas lhe restou a frustração de um retornar à Pátria Mãe de mãos vazias, porque um punhado de pseudo patriotas resolveu capitular perante um inimigo derrotado em todos os campos, quando resolveu convencer-se de que o caminho do fim da guerra em Angola era o da entrega, pura e simples, daquele território que foi Portugal por mais de 500 anos, nas mãos de um grupo completamente enfeudado nos princípios do Marxismo e nas garras do Comunismo, como era o MPLA. Porque o 25 de Abril abriu muitas portas, na realidade, até as da traição a um Povo que acreditou até ao fim poder continuar a ser Português. Quando voltei a Luanda, como doía encontrar "Kokuanas" a mostrar o Bilhete de Identidade Português e a perguntar "quando termina esse coisa do independença, minino? Gente tá farto de sofrê, ué!".
Quando ouço o "Muxima", pelos "Ouro Negro"... a saudade quase mata!
Também o Bonga, o meu Amigo Barceló de Carvalho, quando canta Angola, me tráz à memória uma terra que aprendi a amar... mas que a vontade de alguns levou para longe, tornando sofridos os dias daqueles que se reviam nas terras demandadas por Diogo Cão à mais de 500 anos!
E as saudades de Angola custam tanto...

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

E CONTINUOU...

..."Está feito!Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim. Àquele que tiver sede, de graça Lhe darei a beber da fonte da água da Vida!" (Apoc. 21-6)

SE...

...ousas ter fraco conceito
dos homens que te rodeiam,
fazendo por demonstrar
de todo o modo possível
jamais poderem contar
contigo, para o que seja;
Se...
...não tens vergonha na cara
e de ti dás mau exemplo,
até por quereres perverter
aqueles que de ti se socorram,
mesmo que só para dizer-te
que querem outra atenção;
Se...
...não sentes pejo ao prejudicar
qualquer pessoa que seja,
fazendo tudo para ferir
alguém que apenas queira
um pouco da tua amizade...
ou queira ser solidário;
Se...
...sentes prazer na maldade,
jamais procurando ser útil
ou usando a caridade...
...mesmo quando vês definhar
alguém com quem te cruzas
quando vais na rua a passar;
Se...
...fazes tanto mal ...sorrindo,
sem sentires dôr de alma
pelo sofrimento semeado,
nunca tentando deter
essa maneira execrável
como vives em sociedade...
...ESCUTA:
Tu és alguém tão mesquinho,
com tal gêlo no coração,
sem alma nem sentimentos!
E assim...
...nem és digno de viver
entre os seres racionais,
porque sómente poderás ser...
...um sonho mau de teus pais!

Poema de Victor Elias,
inspirado no "IF",
de Rudyar Kiplling


quinta-feira, 16 de agosto de 2007

100 ANOS DE ESCUTISMO...

Quando Lord Robert Cecil Smith Stephenson Baden Powell of the Gilwell escreveu o seu "Scouting for Boys" ("Escutismo para Rapazes", na versão Portuguesa), que continua a ser apenas uma das obras literárias mais traduzidas em todo o mundo, pois sómente a Bíblia Sagrada a supera, certamente não fazia ideia de que o método implementado quando, de 15 de Julho a 09 de Agosto de 1907, juntou alguns jovens Londrinos, provenientes das categorias sociais mais degradantes da capital Inglesa, e os levou a acampar na pequena ilha Britânica de Brownsea. Aí os divide em pequenos "bandos", liderados por um rapaz eleito entre todos, formando assim as primeiras "Patrulhas" , que ainda hoje são a base do Sistema implementado por Baden Powell (B.P.). Estes "Chefes" de Patrulha, os Guias, tinham uma notável autonomia, porque o Fundador do Escutismo era apologista de que o "Chefe", sendo mais velho, controla os rapazes, mas, sob a sua responsabilidade pedagógica, a Patrulha vive com outra desenvoltura e outros valores, pela confiança neles depositada pelos mais velhos.
100 anos depois, continuam os rapazes a seguir os "Sinais de Pista" que B.P. lhes deixou marcadas em todo o mundo, fiéis aos Princípios, à Lei e à Promessa!
O Escutismo é uma escola de virtudes doada ao mundo por um Homem que, não professando a fé católica, soube dar ao rapaz uma prespctiva de que o sentido de Deus deve estar sempre presente no dia-a-dia do Escuteiro, assim como o sentido da Igreja, fosse de que credo fosse, e da Pátria, merecedora de total fidelidade dos seus cidadãos.
Na Boa Acção de cada dia, B.P. ensina o modo de evitar excessos de individualismo por parte do Escuta. A Boa Acção deverá servir, pelo menos, como forma de levar o rapaz a auxiliar o próximo "Da melhor vontade", como se ensinam os Lobitos, os mais pequenos elementos na vida de um Agrupamento.
OS PRINCÍPIOS DO ESCUTEIRO:
1º. - O Escuta orgulha-se da sua Fé, e por ela orienta toda a sua vida;
2º. - O Escuta é filho de Portugal (Espanha, França, etc) e bom cidadão;
3º. - O dever do Escuta começa em casa.
Um Homem que faz da sua fé um princípio de vida, que se orgulha da Pátria que lhe foi berço ou que sabe dever ser no lar o primeiro local onde demonstrar o porquê de uma Lei e de uma Promessa, porque são o seu Próximo imediato.
100 anos a formar o carácter de milhões de jovens, a torná-los capazes de tentar renovar este Mundo, deixando-o um pouco melhor do que o encontrámos, conforme a mensagem do Fundador:
AOS EXPLORADORES
"Queridos Escutas:
Talvez já tenhais assistido a uma representação de "Peter Pan"? Então lembrai-vos que o chefe dos piratas sempre que saía fazia um discurso fúnebre porque receava não ter tempo nem possibilidade de o fazer no momento de morrer. Eu estou quase na mesma situação e, embora não esteja a morrer, procederei como se isso fosse acontecer um destes dias. Também desejo dizer-vos o meu adeus. Pensai bem que estas serão as minhas últimas palavras para vós: meditai-as cuidadosamente.Eu tive a sorte de viver feliz e desejo que cada um de vós possa dizer o mesmo. Creio que Deus nos pôs na terra para sermos felizes e termos gosto de viver! A felicidade não vem da riqueza, nem do êxito que possa ter a nossa carreira, nem do alto conceito que nos tenham. Dareis um grande passo para a felicidade se formardes um corpo vigoroso e são na juventude, para que possais ser úteis e viver felizes quando fordes homens. O estudo da natureza mostrar-vos-á quanto Deus encheu o mundo de coisas explêndidas e maravilhosas para nosso prazer. Contentai-vos com o que tendes e dai-lhe o melhor uso possível. Olhai sempre o lado luminoso em lugar do lado sombrio das coisas. Mas o verdadeiro caminho da felicidade é dar felicidade aos outros! Procurai deixar este mundo depois de o tornardes um pouco melhor do que o encontrastes. E, quando chegar a vossa vez de morrer, morrei felizes pensando que não perdestes o tempo, que fizestes o melhor que pudestes.Estai Prontos nesta vida de modo a viverdes e a morrerdes felizes. Lembrai-vos da vossa Promessa Escuta... sempre! mesmo quando já não fordes um rapaz, e que Deus vos ajude a cumpri-la.
Vosso amigo
BADEN-POWELL"

OS AMIGOS... SEMPRE O SERÃO!

Quando se tem um amigo, ele será amigo para a vida, porque um amigo jamais deixará de o ser,quando o é pelo coração!

Uma terra jamais deixará de nos tocar o coração, ainda que venha a ser levada na enxurrada da vida e deixe de contar como coisa física, porque o local local sempre nos recordará o que foi e como foi aquele rincão saudoso.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!