domingo, 4 de novembro de 2007

ANGOLA: TANTO TEMPO JÁ PASSADO...

..."A chamada 'Comissão das Lágrimas' foi criada pelo Bureau Político do MPLA, com o objectivo de seleccionar os despoimentos dos presos do 27 de Maio. No entanto, como veremos, alguns dos seus membros interrogaram ou provocaram os detidos. Dela fizeram parte Iko Carreira, Henrique Santos (Onambwé), Ambrósio Lukoki, Costa Andrade (Ndunduma), Paulo Teixeira Jorge, Manuel Rui. Diógenes Boavida, Artur Carlos Pestana (Pepetela), José Mateus da Graça (Luandino Vieira) Mandes de Carvalho, Henrique Abranches, Eugénio Ferreira, Rui Mingas, Beto Van Dunem, Cardoso de Matos, Paulo Pena e alguns outros não identificados. Como inquiridor principal foi nomeado Artur Carlos 'Pepetela', que num registo bastante agressivo pretendia saber quais eram as actividades dos detidos e se e quando tiveram reuniões, quem conctavam, como funcionavam as ligações entre sectores da educação, da saúde ou da função pública."
...sabe-se que Pepetela usava de sadismo autêntico na sua relação com os detidos. Quando estes não colaboravam, dizendo-lhe aquilo que pretendia, não hesitava em dizer que a vontade que tinha era espetar-lhes um par de bofetadas, pois estavam a mentir-lhe e ele não permitia isso. Terminava o interrogatório com esta frase lapidar: 'Você não colabora, pelo que vou entregá-lo aos militares!'. E os detidos eram então entregues aos militares... e à tortura. Os presos eram atirados pelas escadas abaixo, indo caír num pátio onde os espancavam brutalmente. Ouviam-se gritos a pedir misericórdia, clemência, piedade... mas para quê? Assim que caíam desfalecidos, eram imediatamente colocados dentro de viaturas e estas eram incendiadas ou atiradas por um precipício, sem que os presos se pudessem defender. Há notícia de serem vários presos atirados de bordo de aviões, uns sobre o mar e outros para zonas de mata densa ou escarpados rochosos.
Em Malanje foram fuziladas mais de 1.000 pessoas, tal como no Moxico, no Huambo, Lobito, Benguela, Uíje ou Ndalatando. No Bié há notícia de cerca de 300 pessoas fuziladas e em Luanda o mesmo aconteceu durante meses seguidos. As cadeias eram cheias e logo esvaziadas, desaparecendo os presos sem que se saiba para onde. Um grande grupo de militares foi morto nos subúrbios de Luanda, junto a uma praia. Eram abatidos um a um, com um tiro na cabeça, com a assistência de outros detidos, que pediam clemência, para gáudio dos seus verdugos, que continuavam a matar, um a um, com o tal tiro na cabeça, sem tirar o sorriso dos lábios, como se lhes desse prazer assassinar irmãos do mesmo Partido, talvez até da mesma terra... e porque não da mesma família? Os jovens, alguns milhares, que na manhã de 27 de Maio circulavam pela Baixa de Luanda, foram sendo presos e enviados para um Centro de Instrução Revolucionária, sito na Frente Leste, onde os dirigentes locais os iam assassinando, friamente, sem contremplações nem interpelações. Eram para matar... matavam-se, pois essas eram as ordens emanadas do Poder.
Os estudantes que estudavam na União Soviética, Bulgária ou Checoslováquia ou noutros países do Leste Europeu, foram mandados regressar a Luanda. No aeroporto da capital eram presos de imediato, sendo muitos deles decapitados sem saberem porque razão. Desapareceram cursos inteiros das Faculdades. No Lubango, os dirigentes e quadros da juventude foram atados de pés e mãos e lançados do alto da Tundavala... sem páraquedas.
Segundo o Juiz de Direito do Tribunal de Luanda, Dr. José Neves, terão morrido em Angola, por causa do 27 de Maio, mais de 30.000 pessoas, porque aconteceu um verdadeiro genocídio. Mas os números são assustadoramente mais elevados, segundo a Amnistia Internacional.
Muitos dos chamados "libertadores" sonhavam ter a casa, o carro, os privilégios ou posição dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores que estes. Dizem, como desculpa, que foi por causa da guerra, mas a guerra, que a tantos matou e estropiou, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas.
Será que alguma vez se conseguirá saber a verdadeira extensão do que foi o massacre de inocentes causado pelo 27 de Maio de 1977? Temos a esperança de que venha a aparecer alguém probo e sem medo de dizer ao mundo que Angola é administrada por um Presidente cúmplice de assassinios, que não tem escrúpulos e está ladeado por um Governo fantoche, formado por marionetas que se deixam manipular a partir do Futungo de Belas, pela inefável família Dos Santos.
O sangue dos inocentes continuará a clamar por uma justiça que tarda. Talvez tenha sido o medo de que Savimbi pudesse vir a conseguir virar o Povo contra o Presidente, que este sentiu a premente necessidade de o vêr morto e enterrado! Mas o Povo poderá vir a despertar do torpôr em que tem vivido os últimos anos. Será que vai a tempo de mudar as coisas e salvar-se da extinção a que parece estar votado?
Aguardemos. Creio que ainda virei aqui falar deste tema.

sábado, 3 de novembro de 2007

ANGOLA: TANTO TEMPO JÁ PASSADO...

...mas não terminou ainda esta saga de um Povo na busca de um futuro, após haver feito uma caminhada sem fim em busca de uma identidade, que nunca havia sido perdida, apenas adiada. E isto para se dizer que Angola sempre soube quem era, porque o era e para que foi necessária uma caminhada de 500 anos, sob orientação de um "tutor" cujo nome era Portugal.
....Quando tudo parecia estar no "bom caminho", depois da revolução acontecida no Continente Português, a 25 de Abril, eis que tudo se precipita e recrudesce a guerra, mas agora entre os Movimentos independentistas - dizer "terroristas" parece mal, especialmente para quem não viveu os horrores do 15 de Março no Norte de Angola - que desrespeitaram, por completo, aquilo que haviam acordado em Alvor e depois em Bicesse, e se lançaram numa luta fraticida que "apenas" veio aumentar o caudal do sangue derramado pelo Povo mártir de Angola, de uma forma bastante significativa. As lutas pelo poder encontravam contendores à altura, pois apenas a vitória, - a qualquer preço, diga-se - poderia conduzir à independência, mesmo que para isso contassem já com os tradicionais "vende pátrias", os sabujos do costume que aparecem, nestas ocasiões, a "vender-se por um prato de lentilhas", obedecendo às ordens emanadas pelos"Partidos" a que costumam reportar todos os seus actos.
....É assim que vamos encontrar os "Almirantes Vermelhos", os "Generais Xonés", os "Democratas Oportunistas" e todo um rol de gente sem princípios, sem ética nem moral, que hipotecam as consciências de uma forma assaz repugnante: Angola só pode ser entregue a um Partido que professe ideais comunistas, que conduzam à proclamação de uma República Socialista que seja fiel intérprete das ordens emanadas de Moscovo. Para tal, até as armas que foram dos Portugueses foram entregues aos "vencedores", escolhidos de antemão: O MPLA!
....O desplante foi tal que levou o MPLA a tentare fazer o Povo acreditar serem eles o único Movimento que jamais fez a guerra contra os civis, mas apenas aos militares, pois este seriam os verdadeiros representantes do Governo de Lisboa, sendo portanto os agentes do colonialismo contra o qual combatiam.
....A convulsão resultou na Independência proclamada por Agostinho Neto... mas ainda havia muito para sofrer, pois as dissenções não se ficavam por aqui. Os ventos da guerra parece que se estenderam por todo o território e chegaram a Cabinda, onde o Povo exige que seja considerado o Tratado de Simulambuco, porque jamais Cabinda foi pertença de Angola. Era (é) um território sob protecção de Portugal, mas nunca foi parte deste.
....Os anos foram-se passando... e Angola encontrou alguma estabilidade, mas nunca foi explicado aquilo que aconteceu a 27 de Maio de 1977 e se foi prolongando até ao ano de 1979, período em que o MPLA praticou tremendas atrocidades contra os seus próprios militantes, havendo pessoas que foram presas, torturadas e até mortas apenas porque eram amigos ou parentes afastados da família de Nito Alves... porque os parentes próximos eram única e simplesmente mortos da forma mais atróz que alguém possa imaginar. A maioria dos presos, e dos mortos, nem sequer tinha 18 anos. Alguns até estavam fora de Luanda, soldados das FAPLA ou civis, no início dos acontecimentos... mas eram gente para morrer, não havia volta a dar. Foi assim que o MPLA fuzilou milhares de pessoas durante meses. Os mortos calcularam-se em cerca de 50.000, mas há indicadores que apontam para os 80.000. Para um Partido que não tinha sangue de Angolanos nas mãos, estavam a recuperar bem de tal handicap.
....E Angola não merecia esta humilhação para o seu Povo, bom e hospitaleiro. Angola teve na DISA e nos Comissários do Povo os "Robespierres" africanos, que lançaram o terror sobre toda a Nação... não se sabendo ainda quando se sentirá o clamôr dos mortos por todo o sangue derramado, e se exija a constituição de um Tribunal da Memória que julgue esta infâmia, que foi apadrinhada por Pepetela, Luandino Vieira, Rui Mingas, Diógenes Boavida e algumas outras figuras gradas da sociedade Luandense, pessoas que muitos haviam aprendido a respeitar... mas que se revelaram uma verdadeira fraude, porque não passavam de um corpo de traidores aos ideais de liberdade da maioria do Povo, que neles havia confiado! E eram escritores, atletas, cantores... diabos com rosto de santo.
....Entretanto... o Povo vai sofrendo na carne os crimes praticados em seu nome. ....Até quando? Quem souber que o responda!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

FÁTIMA ...E A IGREJA DA SANTÍSSIMA TRINDADE

No dia 12 de Outubro de 2007, na Cova da Iria, o Cardeal Tarcísio Bertone, Secretário de Estado da Santa Sé e Legado Pontifício do Santo Padre, durante a Peregrinação Internacional ali realizada, comemorativa da 6ª. Aparição aos Pastorinhos, procedeu à inauguração da Igreja da Santíssima Trindade, também já apelidada de 2ª. Basílica de Fátima.
Para quem conheça o que foi toda a extraordinária evolução verificada naquele local, ao longo dos 90 anos das Aparições, talvez pense que esta infraestrutura religiosa é "um insulto para os mais pobres e a clara demonstração da ostentação da Igreja", enquanto outros se limitarão a dizer, apenas e só, que "é uma necessidade de há muito sentida, considerando-se as deficientes condições que eram oferecidas aos peregrinos no Centro Pastoral Paulo VI "... o que é uma verdade insufismável... e não acredito que haja um meio termo de análise, porquanto nos dias de intempérie tornava-se por demais sentida a necessidade de se construír um amplo espaço onde os fiéis não ficassem à chuva, como acontecia na Capelinha, quando das Peregrinações Aniversárias, pois ali não havia hipóteses de se fugir da chuva, que a todos molhava.
Houve muitos estudos, muitas sugestões, muitas hipóteses mais ou menos megalómanas, como a de ser coberto todo o Recinto por uma monumental cúpula, a partir da Cruz Alta, construíndo uma nova Basílica por cima da actual, que ficaria como Altar Mor da que fosse erguida... ou então, a partir das colunas de som do Recinto, erguer pórticos que sustentariam uma cúpula que seria fechada por um cimbre em forma de coroa, rematado por uma cruz iluminada.
Mas imperou o bom senso e construíu-se este Templo, que tem como senão o destoar um pouco do local onde está inserido. Esta nova Igreja tem 125 metros de diâmetro, 130.000 m3 de volume e uma altura de 15 metros, foi desenhada pelo Arquitecto Grego Alexandre Tombazis e tem uma capacidade para 9.000 pessoas sentadas. Custou 80 milhões de Euros, que foram obtidos, integralmente, com as receitas do Santuário resultantes dos donativos dos peregrinos. A colocação da primeira pedra teve lugar a 6 de Junho de 2004, Domingo da Santíssima Trindade, tendo essa 1ª. pedra, do Túmulo de São Pedro, vindo de Roma, como especial oferta do Santo Padre João Paulo II . D. Serafim, Ferreira e Silva, ao tempo Bispo de Leiria-Fátima, afirmou então ser "um símbolo muito eloquente". É o maior recinto público fechado do País. Tem forma circular e é sustentada por um grande pilar que suporta toda a cobertura e evita colunas no interior do templo. No projecto combina-se a luz e a tecnologia, procurando-se respeitar a atmosfera que se vive em Fátima. O interior é iluminado pelo tecto, através de janelas viradas a Norte, dando prioridade à luz natural. É possível mudar a iluminação em diferentes lugares e com diferentes intensidades, com a ajuda de um sistema computadorizado. O projecto inclui ainda um espelho de água, nas duas escadas centrais paralelas da entrada, elemento com que Tambazis admite querer transmitir a calma e serenidade transmitidas pelo local, um recinto que ecoa uma "paz infinita" nas suas palavras.
Além da porta principal, abrindo em vasto adro sobre o Recinto, há doze portas laterais, seis de cada lado. A porta principal é consagrada a Cristo e as laterais aos Apóstolos.
Trabalharam nesta nova Igreja da Santíssima Trindade cerca de 3.300 pessoas, que vão vêr o seu nome gravado na pedra, em monumento a colocar na Basílica. O complexo tem três Capelas da Reconciliação, com valência também para outras celebrações. A nova "Cruz Alta" é da autoria do artista alemão Robert Schad, foi executada em aço corten, tem 34 metros de altura e 17 metros de largura, ao nível dos braços.
Fátima tem agora mais um local de culto... e este continuará a merecer muitos aplausos e censuras, mas será, não se duvide, mais um forte motivo para se fazer uma visita ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, nesta terra que nos convida à oração, tão cheia de insondáveis mistérios quanto às coisas que nos vêm do Alto ... mas, fundamentalmente, uma terra de fé.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!