segunda-feira, 12 de novembro de 2007

ANGOLA... A TRANSIÇÃO INCONSEQUENTE!

------É costume dizer-se que "Quem torto nasce... tarde ou nunca se endireita", quando se depara com os comportamentos desviantes de alguém que, tendo tido uma infância "complicada", leva as complicações pela vida fora, sem que faça algo para mudar a sua maneira de ser e estar perante a vida.
------Angola nasceu da "conversa" tranquila de Diogo Cão, um navegador ao serviço do Reino de Portugal, que mal chegado à Foz do Zaire, resolveu entabular negociações com Nzinga Nkuvu, o Rei do Congo, estabelecendo algumas feitorias para o sul de Santo António do Zaire. Dessas feitorias veio a surgir Luanda e Benguela, que se tornaram pontos importantes do desenvolvimento do território, até que Salvador Correia de Sá e Benevides se "lembrou" de erguer uma cidade nas terras do clã de Loanda, chefiado por Bembo Kalamba, a qual veio a chamar-se "Cidade de São Paolo da Assunção de Loanda". Este povo vivia harmoniosamente com os vizinhos, conhecia o uso da forja, pois já sabia trabalhar o cobre e o ferro, apesar de basear a sua economia na agricultura. Também era ali praticada a escravidão, pelo que os Portugueses, que necessitavam de mão de obra para as ilhas de São Tomé e do Príncipe, em fase de povoamento, não deixaram de se aproveitar desta circunstância e requisitaram ao Rei do Congo os escravos necessários para esse fim.
------Como resultado desta actividade passaram a sentir-se os primeiros sinais da resistência dos povos Angolanos, quando a Princesa N'Jinga Mbandi, procurou convencer seu irmão, o N'Gola Mbandi, a expulsar os Portugueses das suas terras. Esta Princesa, que veio a ser Rainha do seu povo durante cerca de 40 anos, aliou-se a vários outros Reinos, entre os quais Garcia II, do Congo, e aos próprios ocupantes Holandeses, que chegaram a dominar Luanda e Benguela após o período Filipino em Portugal. entre 1641 e 1648, tendo sido libertada por acção de Salvador Correia de Sá. A consolidação do sistema administrativo Português continuou a suscitar a oposição por parte dos naturais, muitas vezes apoiados pelos inúmeros degredados que encontravam forma de mostrar a sua revolta causando distúrbios e opondo resistência ao governo central instalado em Luanda.
------Nos anos trinta surgem as primeiras organizações de carácter político-cultural e na década de 50 e 60 surgiram os movimentos nacionalistas que se opunham à dominação Portuguesa: o Movimento Popular de Libertação de Angola - MPLA, criado por Viriato da Cruz e Mário Pinto de Andrade, que veio a ser liderado, posteriormente, por Agostinho Neto, apoiado pela União Soviética; a União dos Povos de Angola - UPA, de carácter tribalista, mais tarde tranformada em Frente Nacional de Libertação de Angola - FNLA, liderada por Holden Roberto, apoiada pelos Estados Unidos; e a União Nacional para a Independência Total de Angola - UNITA, liderada por Jonas Malheiro Savimbi, apoiada pela China. Estes movimentos lançaram o caos em Angola, colocando o território a ferro e fogo, em combates travados contra Portugal... por muito que dissessem ter lutado apenas contra o regime colonialista e afirmando que, não sendo Portugueses, não seria contra esse regime que estavam a lutar mas contra o País que o impunha, e esse era Portugal.
------Passou-se a um período de selváticos massacres de brancos, fazendeiros Portugueses, homens, mulheres e crianças, tal como de trabalhadores pretos, naturais do Bailundo, que trabalhavam nas fazendas do Norte. Todos foram assassinados bárbaramente a tiro ou à catanada, tal como aconteceu com os negros e mulatos naturais de Luanda. Por mais que se tente afirmar o contrário, o terror foi instituído em Angola como forma de combater o colonialismo. Não se respeitou ninguém , pois matavam-se os "colonialistas" ao mesmo tempo que se matavam uns aos outros, entre eles. Era notório um ódio étnico alimentado através de várias gerações, sobrepondo-se este, por completo, às divergências ideológicas e religiosas.

------A FNLA é um movimento de arreigado sentimento étnico, herdeiro da aristocracia rural do antigo Reino do Congo, que nunca se conseguiu expandir para além da sua área dita de influência, enquanto o MPLA é um movimento citadino da capital Angolana, com impacto numa sociedade euro-africana de cariz crioulo, pois iniciou a sua acção com brancos e mestiços, até que expandiu a influência também aos pretos dos campos, passando a dizer-se um movimento nacional. Os seus membros desde sempre se revelaram como detentores de graves distúrbios de identidade, pois eram Angolanos... mas de origem Portuguesa, ou formados num universo de matriz Portuguesa, pelo que o seu combate teve de ser, em princípio, contra eles mesmos, pela ruptura que tiveram de fazer consigo próprios. E há casos gritantes de como essa luta interior foi necessária, em absoluto. Já a UNITA, surgida uns tempos mais tarde, cerca de 1967, é um movimento fundado por gentes provenientes de várias etnias Angolanas, de Norte a Sul, todos de origem camponesa e com educação obtida em Missões Evangélicas Protestantes.
------Haverá possibilidades de dissecar este assunto em próximo escrito, pelo que só me resta dizer: CONTINUA!

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!