terça-feira, 1 de janeiro de 2008

SABER LER A ARTE...

-----Não se torna fácil aquilatar-se qual a verdadeira representação de uma obra pictórica que se nos apresente pela frente, e sabemos que haverá muitas perguntas que irá ser necessário fazer, quando olhamos uma pintura ou uma escultura. Gostava agora de pensar sobre a forma como respondemos à pergunta " qual o significado desta pintura?", ou seja, explorar os níveis de significado que podemos encontrar numa obre de arte e as diversas formas como podemos começar a entendê-la. Ao longo deste escrito irei utilizar o termo "ler" como a interacção entre o verbal e o virtual. É impressionante recordar que a arte - um fenómeno visual - é descrita, historiada e apresiada através de palavras. O visual traduz-se para o verbal e os significados revelados tornam-se parte da história da arte.
-----Ao trazer a discussão de novo para as próprias obras de arte, o realce transfere-se para aquilo que podemos ler dos objectos, em vez daquilo que podemos ler à volta deles ou no seu interior. Estas últimas ideias trouxeram informação à discussão que se pretende fazer, sendo úteis na medida em que fornecem contextos intelectuais para a história da arte, voltando , dessa forma, aos próprios objectos para ver como o assunto, os materiais e os métodos se combinam no processo da leitura da arte.
-----As obras de arte podem ser lidas numa série de níveis que podem derivar dos próprios objectos, e isto é útil para os delínear. Talvez o ponto de partida mais óbvio seja a noção do significado representativo da arte. A ideia de representação relativamente à arte está frequentemente ligada à percepção de uma imagem do mundo, que pensamos que vemos. Tendo isto em atençãovamos centrar-nos na arte figurativa - quer dizer, trabalho que representa algo que pensamos que vemos, em vez de uma imagem abstracta. Não há dúvida de que a arte abstracta ou conceptual tem o mesmo tipo de qualidades representativas que aqui poderão ser discutidas, e que pode ser lida de muitas maneiras.
-----Para introduzir estas ideias, limito a minha discussão a um tipo de representação figurativa - a forma humana. E é uma verdade que certos períodos parecem preocupar-se mais do que outros com a representação da realidade ou a natureza da forma humana. Dou o exemplo da arte holandesa do século XVII, conforme se vê nas pinturas de Vermeer, é considerada como sendo realista na sua utilização da perspectiva e na atenção aos pormenores. Da mesma maneira, o interesse pelo naturalismo da arte renascentista italiana evidencia-se no tratamento do corpo humano, bem como da paisaigem - sendo ambos retirados da vida.
-----A arte é uma ilusão - pintura em telas, mármore esculpido ou giz sobre papel - é aquilo que o observador lhe traz que a faz "representar". Nítidamente, este acto de lêr é determinado culturalmente - as circunstâncias culturais e sociais de quem me lê ou observa são inextricáveis deste processo. E isso afecta a apresentação e a interpretação dos objectos de arte nun contexto globa.
-----E por aqui me fico, na certeza de que este escrito CONTINUA.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!