domingo, 6 de janeiro de 2008

RECORDANDO O "SR. BASÍLIO"...

----Quem lê o título, decerto se perguntará: - "Mas quem diachos é este Senhor Basílio?". E acreditem que perguntam bem... mesmo que não seja possível haver quem o não tivesse conhecido. Era um daqueles Homens cuja "forma" foi destruída no momento da concepção, para que não pudesse aparecer, sequer, um sósia daquele que foi das figuras mais carismáticas da cidade de Leiria. Tenho para mim que num concurso de popularidade haveria um pódio em que Basílio Artur Pereira subiria ao lugar mais alto, deixando os outros lugares para disputa entre tantos ilustres Leirienses que me dispensarei de enunciar um nome que seja, tal o respeito que todos me merecem. Se bem que tenha uma preferência... mas ficamos por aqui.
----Desde a minha meninice que conheci este Homem, seco de carnes, sempre afável, mecânico de motos de excepcional categoria, apaixonado do Castelo que desde sempre foi o seu "menino" e a quem amou como à "Lenita", a extremosa Filha dos seus encantos. Leiria tratava-o por "Alcaide", porque apenas quem exercera tal mercê seria capaz de guardar tão ciosamente o castro que lhe havia sido mister cuidar. Havia sempre um afago, um carinho, uma palavra de ternura para com os miúdos que com ele se cruzavam, quando conduzia a velha companheira de tantas jornadas, uma mota INDIAN antiga, máquina tratada com o desvelo que se deve a um filho.
----Homem versátil, curioso, inteligente que baste para saber que a sua cidade seria tanto mais conhecida quanto os seus habitantes a soubessem levar ao conhecimento dos outros. Assim se dedicou à rádio, de que foi precursor, pois foi a alma e essência do Rádio Clube de Leiria. As suas crónicas acabaram por ser publicadas em livro, com o título "As minhas lembranças", que nos levam a lugares desconhecidos de muitos Leirienses, porque já se haviam perdido na poeira dos tempos... mas a tenaz pesquisa do Senhor Basílio conseguiu recuperar.
----Depois que abandonou o Castelo, que havia defendido e difundido como poucos o haviam feito, a sua força de ânimo, muito pouco imaginável num Homem com a sua compleição física, virou-se inteiramente para o seu Bairro dos Anjos, que o havia visto nascer em 1913, e para o quotidiano da cidade, que jamais o deixará morrer, porque Homens como Basílio Artur Pereira jamais se podem esquecer!

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

SABER LER A ARTE...

-----Não se torna fácil aquilatar-se qual a verdadeira representação de uma obra pictórica que se nos apresente pela frente, e sabemos que haverá muitas perguntas que irá ser necessário fazer, quando olhamos uma pintura ou uma escultura. Gostava agora de pensar sobre a forma como respondemos à pergunta " qual o significado desta pintura?", ou seja, explorar os níveis de significado que podemos encontrar numa obre de arte e as diversas formas como podemos começar a entendê-la. Ao longo deste escrito irei utilizar o termo "ler" como a interacção entre o verbal e o virtual. É impressionante recordar que a arte - um fenómeno visual - é descrita, historiada e apresiada através de palavras. O visual traduz-se para o verbal e os significados revelados tornam-se parte da história da arte.
-----Ao trazer a discussão de novo para as próprias obras de arte, o realce transfere-se para aquilo que podemos ler dos objectos, em vez daquilo que podemos ler à volta deles ou no seu interior. Estas últimas ideias trouxeram informação à discussão que se pretende fazer, sendo úteis na medida em que fornecem contextos intelectuais para a história da arte, voltando , dessa forma, aos próprios objectos para ver como o assunto, os materiais e os métodos se combinam no processo da leitura da arte.
-----As obras de arte podem ser lidas numa série de níveis que podem derivar dos próprios objectos, e isto é útil para os delínear. Talvez o ponto de partida mais óbvio seja a noção do significado representativo da arte. A ideia de representação relativamente à arte está frequentemente ligada à percepção de uma imagem do mundo, que pensamos que vemos. Tendo isto em atençãovamos centrar-nos na arte figurativa - quer dizer, trabalho que representa algo que pensamos que vemos, em vez de uma imagem abstracta. Não há dúvida de que a arte abstracta ou conceptual tem o mesmo tipo de qualidades representativas que aqui poderão ser discutidas, e que pode ser lida de muitas maneiras.
-----Para introduzir estas ideias, limito a minha discussão a um tipo de representação figurativa - a forma humana. E é uma verdade que certos períodos parecem preocupar-se mais do que outros com a representação da realidade ou a natureza da forma humana. Dou o exemplo da arte holandesa do século XVII, conforme se vê nas pinturas de Vermeer, é considerada como sendo realista na sua utilização da perspectiva e na atenção aos pormenores. Da mesma maneira, o interesse pelo naturalismo da arte renascentista italiana evidencia-se no tratamento do corpo humano, bem como da paisaigem - sendo ambos retirados da vida.
-----A arte é uma ilusão - pintura em telas, mármore esculpido ou giz sobre papel - é aquilo que o observador lhe traz que a faz "representar". Nítidamente, este acto de lêr é determinado culturalmente - as circunstâncias culturais e sociais de quem me lê ou observa são inextricáveis deste processo. E isso afecta a apresentação e a interpretação dos objectos de arte nun contexto globa.
-----E por aqui me fico, na certeza de que este escrito CONTINUA.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!