sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

NOVO ANO... QUE VIDA NOVA?

Nestes tempos do Natal de Jesus, que se apresentam como tempos de insegurança, com uma crise geral no campo económico ou no trabalho, instabilidade político/social, com um cotejo de crimes mais ou menos graves, onde encontramos crimes como as mortes, os roubos, a corrupção, a violação dos mais elementares direitos consignados ao Homem, as constantes violações à dignidade da pessoa humana, com os mais necessitados a verem tudo a fugir-lhes por entre os dedos, apenas porque desapareceu a verdade no mais comum dos mortais deste País, que foi, outrora, berço de Heróis, Santos e Sábios, mas onde hoje... nada disso faz mais sentido numa sociedade em que nos tornámos seres ávidos por beber do cálice do facilitismo e nos arrogamos em mostrar que somos acérrimos defensores... da falta de carácter, da insensatez de vida ou de outras aleivosias assaz degradantes, que tendem à destruição de tudo por onde passam.
Passado que foi o Natal, aguardamos a chegada do Ano Novo, cujo 1º. dia de Janeiro começa por um apelo à Paz, apelo esse lançado pela Igreja de Cristo, com intercessão da Virgem Nossa Senhora, Mãe de Deus e Rainha da Paz.
O início de um novo ano traz sempre consigo alguma esperança para os novos tempos que iremos viver, mesmo não sendo crível que irá haver uma nova ordem no quotidiano de 2009, porque os tempos são de crise em todos os sectores da vida dos cidadãos, não só de Portugal como de quase todo o mundo.
É costume fazer-se um juízo final para avaliar o que foram os 365 dias que passaram.
Creio que o saldo do ano será negativo em termos económicos, porque em termos de harmonia e paz familiar, tudo se passa ao contrário, uma vez que o equilíbrio conseguido através do respeito mútuo, do amor ou da felicidade comungada por todos os membros da família, permite assim que tal juízo seja considerado plenamente positivo.
2009 irá ser aquilo que todos possamos fazer por ele. Vai haver paz, entre os Homens de Paz, Justiça entre aqueles que desta são defensores, perdão entre todos aqueles que usam de misericórdia para com o seu semelhante, solidariedade entre os solidários, amor entre todos os cultores de tal sentimento... mas também teremos de esperar por momentos de sofrimento, onde veremos fome, injustiças sociais, incompreensões, desânimo, ódios, desamor e enorme falta se solidariedade entre todos aqueles que vivem mais desligados da comunhão fraterna com os homens capazes de viver a fraternidade, usar a misericórdia, espalhar o amor, porque vivem segundo o Espírito de Deus, que está com eles e os orienta pela vida com rectidão plena.
Que no dia de São Silvestre, de Santa Maria, Mãe de Deus e da Paz, possamos dar as mãos e caminhar ao encontro daquele Menino Deus que, num noite fria de há 2008 anos, veio ao mundo por Amor aos Homens de Boa Vontade!
FELIZ ANO NOVO!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

NATAL...

Com a aproximação da comemoração do Natal de Jesus Cristo, somos levados a recordar outros Natais, quando se fazia do Advento um tempo forte de união da Família, pois era a Festa da Família que estava para se comemorar e não outra festança mundana, onde se ia comer e beber, dançar e cantar... e o resto que se amole, pois o tempo não estaria para chatices. Não! Nesses tempos, por esta altura, a miudagem ia em busca de musgos e arbustos, pedras e outras coisas mais que pudessem ser utilizadas na montagem do Presépio da Sé.
Eram as crianças da Catequese que, a pedido dos Catequistas e do Prior da Sé, o Revº. Pe. Craveiro ou qualquer um dos outros que na Sé trabalharam, iam pela encosta do Castelo, pelos Castelinhos, Alto dos Capuchos ou qualquer outro local onde pudessem encontrar o precioso musgo, que seria de primordial importância para se fazer o Presépio.
No Convento da Portela, os Franciscanos montavam, tradicionalmente, um magnífico Presépio movimentado, que, a troco de uma moedinha de cinquenta centavos, de Escudo ou de 2$50 punha os miúdos de olhos esbugalhados a olhar para aquela maravilha de uns pequenos bonecos, acionados por um complicado sistema de rodas e rodinhas, cordas e cordinhas, luzes e luzinhas, davam vida àquela representação do Natal de Jesus.
As montras estavam todas elas decoradas com temáticas natalícias, vendo-se presépios para todos os gostos - até movimentados, como era o caso da "Novilux"... mesmo sendo os donos desta empresa destacados membros da Igreja Evangélica Baptista de Leiria -, respirando-se um espírito novo de Paz e Amor entre todas as pessoas, que andavam nas ruas com uma expressão de alegria, de partilha solidária com todos os outros, com um cativante sorriso sempre presente em cada rosto: "BOAS FESTAS !!!... FELIZ NATAL !!!..."
No Seminário Maior, ali à Fonte Freire, havia lugar à récita de Natal da Catequese, fazendo-se então a distribuição de prendas pelas crianças, cantava-se o "Alegrem-se os céus e a terra, cantemos com alegria... já nasceu o Deus Menino, Filho da Virgem Maria!"...
Recordo também os "Natais do Polícia Sinaleiro", com as muitas ofertas que se faziam a Guardas da PSP como o Sr. Viola, o Sr. Manuel "Polícia", o Sr. Valente... e outros esforçados Sinaleiros que, naqueles tempos, dirigiam o trânsito junto aos Paços do Concelho ou à Ponte Nova - Igreja do Espírito Santo.
Recordar é viver... e no Natal que se aproxima, poderemos recordar como era bela a Festa da Família em Leiria, com a consoada, a Missa do Galo na Sé, em cujo adro se punha a arder o madeiro de Natal, as Boas Festas que passavam de boca em boca, os sorrisos no rosto, os fatos de "domingar", para ir vêr o Menino Deus que nascia. Não havia lugar para Pais Natal, pois o Menino de Belém era suficiente para nos dar os ansiados presentes... que eram trazidos pela chaminé, durante a noite, e colocados no sapatinho. Mesmo o Pinheiro de Natal veio mais tarde dar um pouco de novidade ao Natal da nossa meninice.
Como então, possamos dizer, do fundo do coração:
FELIZ NATAL !!! BOAS FESTAS !!! BOM ANO NOVO !!!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Dom Francisco Manoel de Melo - nos 400 anos do seu nascimento

D. Francisco Manoel de Melo, que nasceu em Lisboa a 23 de Novembro de 1608 e aí veio a falecer em 24 de Agosto de 1666, foi um escritor, político e militar português, ainda que, de igual modo, pertença também à história literária, política e militar da Espanha. Foi historiador, pedagogo, moralista, autor teatral, epistológrafo e poeta, sendo o representante máximo da literatura barroca peninsular.
Dedicou-se à poesia, ao teatro, à história e à epistolografia. Tendo publicado cerca de duas dezenas de obras durante a sua vida, foi ainda o autor de muitas outras, publicadas postumamente. Aliou ao estilo e temática barroca - a instabilidade do mundo e da fortuna, numa visão religiosa - o seu cosmopolitismo e espírito galante, próprio da aristocracia de onde provinha. Entre as suas obras mais importantes, poderá destacar-se o texto moralista contido na sua “Carta de Guia de Casados” ou na peça de teatro “Fidalgo Aprendiz”, que é uma "Farsa", como foi descrita pelo seu autor desde o início e não um "Auto" , como tem vindo a ser designada por edições mais recentes.
D. Francisco Manoel de Melo nasceu em Lisboa, numa família de nobres - pai português - Gonçalo Mendes de Sá e D Inês de Melo. Julga-se que terá tido a educação académica de um colégio de
Jesuíta - talvez no colégio jesuíta de Santo Antão, onde terá estudado humanidades, e adquiriu uma erudição que se tornou patente em todas as suas obras -. Como pretendia seguir a carreira das armas, seguindo o exemplo do pai, estudou matemática. Começou a frequentar a corte, desde bastante cedo.
A vida militar foi feita ao serviço da armada espanhola, na
Flandres e na Catalunha. O episódio mais famoso do período ocorreu em 1627, descrito na sua “Epanáfora Trágica”: estando a servir na esquadra comandada por D. Manuel de Meneses, esteve perto de naufragar no Golfo da Biscaia, tendo atingido a custo a costa francesa. Pouco depois, em 1629, combateu, vitoriosamente, corsários turcos num combate naval no Mar Mediterrâneo e foi armado cavaleiro. Em 1631 recebeu a ordem de Cristo das mãos de Filipe IV de Espanha.
A sua presença na corte de Madrid tornou-se constante. Sendo a capital do Império espanhol, a cidade de Madrid assumia-se como um grande centro político e cultural da Península. Foi aí que D. Francisco Manuel de Melo veio a contactar os mais eminentes intelectuais, incluindo o célebre Francisco de Quevedo.
Em
1637 participou na pacificação da revolta de Évora, acontecimento que preparou a Restauração portuguesa. Assim que esta foi declarada por D. João IV, a coroa espanhola tratou de o mandar prender, por suspeitarem do seu envolvimento na revolução acontecida em Portugal. Conseguida autorização para se deslocar à Flandres, fugiu daí para Inglaterra, e daí regressou a Portugal. Em 1641, livre, foi encarregado de missões diplomáticas em Paris, Londres, Roma e Haia. Neste ano aderiu à causa do rei português, D. João IV, a quem prestou serviços a nível militar e diplomático.
Em
1644, em Portugal, após receber a Ordem de Cristo, viu-se preso por se haver envolvido num caso que levantou bastantes dúvidas e conjecturas. Afirmava-se que terá participado do homicídio de Francisco Cardoso – não se sabem contudo, os motivos – enquanto uns afirmam ser um caso passional, outros defendem haver um móbil político. Foi mantido na prisão até 1655, onde veio a escrever muitas das suas obras mais celebradas. Foi condenado ao degredo em África, mas veio a conseguir, depois, que a pena lhe fosse comutada para exílio no Brasil, onde viveu durante três anos, na Bahia. A influência do Novo Mundo, ainda que pouco acentuada, pode ser encontrada em alguns aspectos da sua obra. Em 1658, logo que morreu D. João IV, regressou a Portugal.
Dedicou-se, então, à “Academia dos Generosos”, que tinha carácter literário. O novo
Monarca demonstrou-lhe a sua confiança quando o encarregou de algumas missões diplomáticas. Foi nomeado deputado da Junta dos Três Estados em 1666, ano em que morreu.
Tendo passado quatrocentos anos do seu nascimento, Portugal quase o ignorou, ao contrário de Espanha, que reeditou algumas das suas obras mais emblemáticas e ciclos de conferências sobre este Português multifacetado... que continua a ser ignorado no nosso País. SIC TRANSIT GLÓRIA MUNDI.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA

  • Com o desaparecimento de El-Rei D. Sebastião, o jovem Monarca de Portugal, que não deixou descendentes, passou para as mãos dos Reis de Espanha. Foi a chamada Dinastia dos Filipes, que se seguiu a um curto reinado do Cardeal D. Henrique, que também não tinha descendentes, dado ser um clérigo da Igreja Católica, obrigado ao celibato.
  • O que acontece é esta situação de dependência de Espanha não ser do agrado da fidalguia portuguesa, pois Espanha estava a subverter as consciências do Povo português, sendo que os mais válidos eram levados para servir na Corte espanhola, como militares a enviar para as frentes em que a Espanha se empenhava ou ainda como marinheiros nas muitas viagens para o Novo Mundo. Este estado de coisas não podia continuar assim, e a fidalguia estava consciente disso.
  • Em Outubro de 1640 realizou-se uma reunião conspiratória nos jardins do palácio de D. Antão de Almada, a S. Domingos, em Lisboa. Assistiram a esta reunião, além dele, D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo, Jorge de Melo, Pêro de Mendonça e João Pinto Ribeiro. (…) Teve também influxo na resolução a mulher do futuro Monarca, Dona Luísa de Gusmão. (…)
  • Logo que chega a Lisboa a 21-XI-1640, João Pinto Ribeiro convoca os conspiradores para uma reunião num palácio que o duque tinha em Lisboa e onde ele, João Pinto, residia. Decidiu-se por se debruçar sobre os pormenores do plano idealizado, tornando-se as reuniões mas frequentes. Finalmente, amadurecido o plano de acção, marcou-se o momento da revolução: seria às 9 horas da manhã de sábado, 1.º de Dezembro.
  • Na noite de 28 para 29 houve algumas complicações, pois havia quem pensasse serem poucos os conjurados; mas João Pinto Ribeiro, a quem pretenderam mandatar para transmitir ao duque de Bragança a necessidade de se adiar a missão planeada, não concordou com tal ideia, e manteve-se irredutível na discussão que se veio a prolongar até cerca das 3 horas da manhã.
  • O dia 1.º de Dezembro amanheceu com uma atmosfera bastante clara e muito serena. Os conjurados confessaram-se e comungaram, acabando alguns deles por redigir o seu testamento. Pouco antes das 9 horas foram-se dirigindo para o Terreiro do Paço os fidalgos e os populares que o padre Nicolau da Maia aliciara. Quando soaram as nove horas, os fidalgos dirigiram-se para a escadaria e subiram por ela a toda a pressa.
  • Um grupo especial, composto por Jorge de Melo, Estêvão da Cunha, António de Melo, padre Nicolau da Maia e alguns populares, tinha como objectivo assaltar o forte contíguo ao palácio e aí dominar a guarnição castelhana, logo que aqueles a quem foi destinado investir no paço, procedessem ao ataque. Estes rapidamente venceram a resistência dos alabardeiros, que acudiram ao perigo, prenderam a Duquesa de Mantua e mataram o traidor Miguel de Vasconcelos, secretário da duquesa, após o que D. Miguel de Almeida assomou a uma varanda de onde falou ao povo. Estava consumada a restauração da independência de Portugal!
  • Isto aconteceu há 368 anos... porque hoje seria impossível, pois os interesses dos Senhores poderosos e o tradicionalmente conhecido desinteresse manifestado pelo Povo português em certas ocasiões, como hoje se pode verificar, mostram preferir entregar-se nas mãos dos Filipes de ontem, de hoje e de amanhã, bandeando-se para lá da fronteira, como tantos fizeram noutros tempos.
  • Bem dizia Camões: "PORQUE TRAIDORES ENTRE OS PORTUGUESES SEMPRE OS HOUVERA!"

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

LEIRIA, CIDADE ANTIGA... I

* A região onde se situa Leiria, é habitada há muitos e longos tempos, mas a sua história é bastante precoce e... quiçá obscura.
* Os Turduli, um povo indígena da Ibéria, havia-se estabelecido num povoado que se situava num local a mais ou menos 7 km daquele onde hoje está situada a Leiria actual. Esta povoação veio a ser ocupada pelos Romanos, que trataram de a fazer expandir com o nome de Collippo. Algumas pedras da anciã cidade romana vieram a ser usadas, na Idade Média, na construção de uma parte de Leiria.
* Pouco se sabe sobre aquela área nos tempos dos
Visigodos. No entanto, durante o domínio árabe, Leiria era já uma vila com praça, que veio a ser capturada em 1135 pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, no período da Reconquista. Mas a localidade veio a ser retomada pelos mouros em 1137 e em 1140. No ano de 1142, Afonso Henriques voltou a reconquistar a cidade de Leiria, que veio a receber, nesse ano, o seu primeiro foral, atribuído para estimular a colonização daquela área.
* Os reis esforçaram-se na reconstrução das muralhas e do castelo da vila, para evitar novas incursões mouras. Na sua maioria, a população vivia dentro das muralhas protectoras da cidade, mas no século XII já uma parte da população vivia na parte exterior da muralha. A mais antiga igreja de Leiria, a Igreja de São Pedro, que foi construída em estilo românico no último quartel do século XII, servia a freguesia exterior às muralhas.
* Durante a Idade Média, a importância da vila aumentou, e foi a sede de diversas Cortes. As primeiras Cortes realizadas em Leiria realizaram-se em 1254, durante o reinado de D. Afonso III.
* No início do século XIV (1324), D. Dinis mandou erguer a torre de menagem do castelo, como poderá ser constatado numa inscrição existente nessa torre. O mesmo rei mandou também construír uma residência real em Leiria - actualmente completamente perdida -, e veio a viver longos períodos na cidade, a qual veio a doar como feudo à esposa, a Rainha Santa Isabel.
* Este rei ordenou igualmente a plantação do Pinhal de Leiria, junto à costa com o Oceano Atlântico. As madeiras produzidas neste pinhal foram usadas, anos mais tarde, na construção das naus com que se fizeram os Descobrimentos portugueses, nos séculos XV e XVI. No século XV, os judeus vieram a desenvolver nesse concelho uma das suas mais notáveis comunidades, chegando a empreender uma florescente actividade industrial.
* Em finais do século XV, el-Rei
D. João I mandou construir um palácio real dentro das muralhas do castelo. Este palácio, com elegantes galerias góticas, possibilita vistas maravilhosas da cidade e do meio envolvente, mas degradou-se totalmente e ficou em completa ruína... que veio a ser parcialmente reconstruído no século XX, graças à acção do Arquitecto Suiço Ernesto Korrody, que fez o levantamento e dirigiu a reconstrução possível.
*D. João I terá sido também o responsável pela reconstrução da Igreja de Nossa Senhora da Pena, que fica dentro do perímetro do castelo e está construída em estilo gótico tardio.
*No século XV, a cidade continuou a crescer e veio a ocupar uma área que vai desde a colina do castelo até ao rio Lis.
*Foi em Leiria que se imprimiu o primeiro livro em Portugal, na tipografia do judeu Abraão Zacutto.
*Em 1510, el-Rei D. Manuel I outorgou à vila um novo foral. Em 1545 foi Leiria elevada à categoria de cidade, tornando-se sede de Diocese. A Sé Catedral foi construída na segunda metade do século XVI, numa mistura dos estilos renascentista e maneirista.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

É DIA DE SÃO MARTINHO...

Estávamos no São Martinho, no tempo dos magustos escolares, do assar das castanhas nas colectividades, no Seminário Diocesano ou na Catequese.
Quem passava pelas tascas dos Porto Artur ou pela Adega dos Caçadores, a Teresa do Rito ou a Capelinha do Monte, não falando no armazém de vinhos do Tenente Miranda, as tabernas do Escondidinho, do Prior ou do Gato Preto, deliciava-se com a bela castanha assada ou cozida com perfumada erva doce, fazendo-a acompanhar com água-pá, jeropiga ou abafado... ou com o tradicional jarro ou pelos copos de três, porque era preciso é cumprir o rifão" PELO SÃO MARTINHO, COME AS CASTANHAS E PROVA O VINHO". E o Zé Povo não deixava de cumprir o que a tradição ordenava na sua sabedoria. Mas... não eram apenas estes a cumprir, pois as várias Escolas não deixavam caír esta "devoção" àquele Santo esmoler, que não teve pejo em cortar a sua capa ao meio para cobrir com ela um pobre que tiritava de frio. Esta é apenas uma parte da lenda, que nos afirma também que Deus, quando viu o gesto deste Oficial, que foi elevado à dignidade dos altares com o nome de São Martinho, resolveu conceder a graça de uns dias de sol durante uns dias, homenageando deste modo o gesto do Santo.
Foi assim que nasceu o Verão de São Martinho.
As castanhas assavam-se nos grandes magustos, envoltas em sama de pinheiro que se queimava ao ar livre, com muitas pessoas ao redor... para aproveitar o calor reconfortante, pois o tempo a isso convida.
No magusto do Seminário ou no da Catequese, costumavam-se assar as castanhas no forno, envolvendo-as depois em sacos de linhagem, para se manterem quentinhas.
Mas a castanha era boa de qualquer maneira, fosse assada de forma tradicional, cozida em água e sal, com erva doce, ou assada no forno, crua, pilada, em sopa, ou guisada com carne de porco, em doce, etc...etc...
Quando no dia do "Bolinho" ou do "Pão por Deus", juntavam-se muitas castanhas nos sacos dos miúdos, para serem degustadas pelas famílias contempladas com aquele manjar retirado aos ouriços dos inúmeros soutos de castanheiros que proliferam por esse País fora.
Dois tipos de magusto:
MAGUSTO FAMILIAR
Reuniam-se os familiares na casa de um deles, principalmente no dia de S. Martinho. Assavam-se as castanhas, pois costumava-se dizer que as castanhas cruas faziam piolhos. Na lareira pendurava-se uma panela furada, a que, pomposamente, se chamava assador e metiam-se para lá as castanhas, após serem retalhadas e temperadas com bastante sal. Depois de assadas, toca a comer à fartazana, pois o Natal ainda está longe. Jogavam-se vários jogos e havia uma grande alegria entre todos .
MAGUSTO CONVÍVIO
Juntavam-se os rapazes e as raparigas num sítio préviamente combinado. Cada um levava o seu saco de castanhas. Preparavam-se as fogueiras, mas antes tinha de se ir ao pinhal buscar caruma, que era uma tarefa bastante divertida.
À volta da fogueira cantavam-se alegres canções. Quando as castanhas já estavam assadas, tiravam-nas do monte de cinzas e comiam-nas.
Brincavam, enfarruscando-se uns aos outros. Com as castanhas bebiam jeropiga. Também se dizia a uma pessoa para ir molhar o "vassouro" para apagarem a fogueira, mas quando chegava, os outros já tinham comido as castanhas.

domingo, 2 de novembro de 2008

OS MILITARES...ONTEM...HOJE...

Hoje é o dia de Fiéis Defuntos! Neste dia, desde há muitos anos, é tradição recordarem-se aqueles que já partiram para o Pai, cumprida que foi a sua missão terrena. E na "Tropa" não é excepção, até pelo facto de haver muitos Militares que deram a vida pela Pátria... que tão mal vem reconhecendo aquilo que tantos dos seus filhos por ela fizeram, em tempos não muito recuados, mas que a insensibilidade de alguns teima em tentar apagar da memória colectiva "AQUELES QUE POR OBRAS VALEROSAS, SE VÃO DA LEI DA MORTE LIBERTANDO"!
Julgo que talvez fosse oportuno pararmos um pouco para meditar até que ponto há justiça no ostracismo a que são votados os antigos Combatentes do Ultramar, enquanto tratam de elevar à categoria de "Militares de élite, que honram a farda envergada e dignificam o País e as mais nobres tradições das Forças Armadas Portuguesas" - segundo o Ministro da Defesa diz dos que andam agora, por terras estranhas, a defender interesses que nada terão a vêr com Portugal, mas que dão um certo jeito a alguns governantes, que nem sequer terão servido a Pátria como Militares, pois considerariam ser "chato" ir bater com os costados numa guerra que não lhes daria qualquer prestígio internacional e dinheiro... muito menos, pois apenas poderia servir para que pudessem vir a engrossar o número daqueles que no dia de hoje se recordam...
Os Militares de hoje, como profissionais que são, vão voluntáriamente morrer pelos interesses de outros, que lhes pagam generosamente para, como mercenários, embarcarem naquela já estafada cantilena de que estarão ao serviço das Nações Unidas, a contribuír para a paz entre aqueles povos... mesmo que seja numa terra que não nos diz nada, como diziam, históricamente, as terras do antigo Ultramar. Sabe-se que o anátema teria de caír sobre alguém, havendo assim necessidade de se acabar com as esperanças de que os antigos Combatentes possam almejar alcançar um final de vida em que tenham um pouco mais da dignidade que, pelo facto de terem ousado andar por terras de África a lutar em defesa do solo Pátrio, porque o eram, de facto e de jure, a Guiné, Angola, Moçambique, Macau, Timor, São Tomé, Goa, Damão e Diu... e sabe-se que nenhum Tribunal Internacional deixou alguma vez de reconhecer estarem esses território debaixo da soberania portuguesa.
Há o direito inalienável de qualquer povo vir a adquirir a sua autonomia e independência, mas isso é um outro caso, totalmente distinto dos direitos de soberania consignados a Portugal. O que agora está em causa é se terão, ou não, os antigos Combatentes do Ultramar o direito a poderem morrer com dignidade, a serem respeitados pelo seu passado, que não escolheram, antes lhes foi imposto pela inerência da sua condição de Homens... e por tal razão terão visto a sua vida passar sem que tivessem a oportunidade de viver a sua juventude, pois não puderam andar a coçar o rabinho pelas esquinas ou naquele "dulce-fair-niente" vivido pelos actuais "filhos da noite", que prestam culto às drogas, aos shot's de toda a ordem, à cerveja a rodos, aos piercing's e tatuagens, à vida dissoluta e desregrada de uma juventude que não cultiva quaisquer valores... porque estes não lhe são incutidos por aqueles que vão contribuíndo para que tenhamos um Portugal moribundo, a definhar cada vez mais e mais, a pontos de não se encontrar, daqui a nada, uma data conveniente para se possam comemorar todos os que já partiram deste mundo caótico, porque seremos mais um País de mortos vivos, onde apenas se pode esperar por uma vaga nos crematórios ou nos cemitérios, para, finalmente, se poder descansar.
Aos Militares mais velhos, aqueles que lutaram por Portugal em África, restará apenas a consolação de que não lhes poderão colocar rótulos de cobardia por terem movido os céus e a terra para não irem parar à guerra, ou haverem desertado, usando os mesmos argumentos, ou usado outras daquelas matreirices que muitos arranjaram para fugir à vida dos quartéis... porque a estes isso retira-lhes qualquer direito a julgarem aqueles que conquistaram, pelo sacrifício das suas vidas, da sua juventude perdida, do envio para as terras do fim do mundo, a destruição da saúde, para sempre afectada pelo stress de uma guerra que não quizeram, mas em que se sacrificaram pela salvação de muitos seres que deles receberam a dádiva da vida, o direito a viverem o resto dos seus dias sem terem que mendigar um pedaço de pão, apenas e tão só porque o Governo do seu País os abandonou.
Àqueles que tombaram em holocausto da Pátria, "DAI-LHES, SENHOR, O ETERNO DESCANSO, ENTRE OS EXPLENDORES DA LUZ PERPÉTUA! QUE AS SUAS ALMAS DESCANSEM EM PAZ!"

terça-feira, 28 de outubro de 2008

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS


Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre,

fazei com que eu procure mais consolar que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.
***
São Francisco de Assis

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

COISAS DO PASSADO

* Muita gente se interroga sobre a verdade ou mito da existência do celebrado Viriato, o heróico chefe dos Lusitanos que ousou medir forças com o poderio da Roma imperial, decorria o século II a.C., ou seja... há mais de 2.100 anos.
* Há notícia de que a antiga Lusitânia
estaria situada nos Montes Herminius, nas faldas da Serra da Estrela, sendo certo que até se fala na Cava de Viriato, que estaria situada perto da cidade de Viseu, no local onde hoje existe uma estátua ao Chefe Lusitano... mas também há outras histórias que teimam em contrariar a História, como é o caso da que nos conta o historiador espanhol Maurício Munõz, tendo como acólito ou sacristão ou lá o que ele pense que é, o sempre espantoso Diogo Freitas do Amaral, que nos dizem que Viriato não viveu em Viseu, nos Herminios, não era pastor e teria vivido lá para as bandas do Sul, entre a Estremadura espanhola e a Andaluzia, perto do Alentejo.
* Dizem ainda que o pai era um chefe tribal de nome Cormínio, e que teria sido casado com Tangina, filha de um ricaço da Bética - Andaluzia - de nome Astolpas. Que o nome Viriato é de origem celta e que, porque não herdeiro do pai, se tornara um salteador, de onde lhe vinha a excperiência com as armas. Já Possidónio e Cássio, historiadores de origem romana, assim como outros, o chamavam de "dux latronorum", ou seja CHEFE DE LADRÕES.
* Seria um homem corajoso, muito leal e com enorme capacidade de chefia, que foi pastor, guerrilheiro e general. Foi após o massacre dos Lusitanos perpetrado pelos legionários do general romano Sérvio Galba, no ano de 150 a.C., que o nome de Viriato foi colocado nas páginas da História. Sobrevivendo ao massacre, logo encabeçou a resistência aos romanos, a quem consegue derrotar nos vários recontros que vão acontecendo entre 147 e 140 a.C., chegando ao ponto de conquistar Segóbriga - a actual Cuenca - e tomando em mãos o controle de grande parte da Andaluzia. É assim que veio a conseguir que Roma lhe pedisse tréguas, que concedeu. Por via dessas tréguas, o Senado romano mandou à Hispânia o general Quinto Cipião, que ataca de surpresa Viriato e o obriga a negociar a paz.
* Viriato mandou três emissários para as negociações, de seu nome Audaz, Minuro e Ditalco, mas estes, aliciados por Cipião, acabaram por assassinar o seu Chefe. Quando pediram a Cipião a recompensa por este prometida, Cipião terá respondido que "ROMA NÃO PAGA A TRAIDORES!"
* O corpo de Viriato foi queimado segundo os costumes dos heróis: - Ergueu-se uma enorme pira onde o corpo foi cremado, enquanto os guerreiros iam imolando vítimas em sacrifício, como homenagem ao grande Chefe, que partira.
* RESUMINDO: Viriato era apenas um pastor, habituado desde criança a percorrer as altas montanhas dos Hermínius (actual Serra da Estrela), onde nasceu, e que conhecia como a palma das suas mãos. Foi naquelas montanhas que os que os Romanos tiveram mais dificuldades na sua luta para subjugar os Lusitanos.
* À terra-natal de Viriato, a localidade mais próxima do ponto mais alto dos Hermínius , os Romanos puseram o nome de Lorica, nome de antiga couraça guerreira. Hoje chama-se Loriga.

domingo, 5 de outubro de 2008

5 de OUTUBRO de 1910 = REPÚBLICA

* Leiria, mesmo não havendo muitos escritos sobre a sua participação no Movimento de 05 de Outubro de 1910, que implantou a República em Portugal, também teve a sua quota-parte nesse evento, até na consolidação dessa mesma República, como passo a relatar.
* Quando da proclamação da República, houve necessidade de explicar às populações das aldeias sobre as vantagens do novo sistema político, procurando-se algumas colectividades do concelho para esse efeito, especialmente aquelas que tinham já uma vida regular de associativismo, uma vez que era importante juntar o Povo.
Foi o caso ocorrido nas Cortes: realizou-se lá um comício de propaganda republicana no dia 29 de Janeiro de 1911, uns escassos quatro meses após a implantação da República, e a imprensa local, na circunstância o semanário “Leiria Ilustrada”, tratou de fazer a competente reportagem, até porque o seu director, Tito Larcher, era um republicano dos mais activos e fez ponto de honra na sua presença.
* Passada uma semana sobre este evento, no dia 5 de Fevereiro, foi à Barreira que foram cometidas as honras de vêr ser publicada uma reportagem na imprensa sobre a República.
* Curiosamente, o entusiasmo foi tão generalizado e contagiante que a própria Filarmónica das Cortes tratou de vestir galas e “enfileirou” na animação dos comícios, deixando para a posteridade a informação de que estava viva e actuava como também acompanhava os movimentos sociais e políticos do seu tempo.
* A Filarmónica das Cortes, que tinha já uns consideráveis 30 anos de vida e tinha um histórico de actuações bastante intermitentes, tratou de animar o comício das Cortes, tal como depois o fez também na Barreira. Desconhece-se se foi uma adesão espontânea da banda ou se foi contratada... tal como não se sabe se, por essa altura, ela participou noutros comícios ou nas manifestações políticas que ocorriam um pouco por toda a parte. Mas que esteve presente nestes, não restam dúvidas. E que os seus dirigentes e mentores, designadamente o professor João Cordeiro Gonçalves, a quem se juntou Manuel Carvalheiro, Manuel Cordeiro Gonçalves e Luís de Oliveira, entre outros, eram “ferrenhos” republicanos também restarão dúvidas, até pelo facto de eles terem vindo a constituir a comissão partidária local.
* Mas vejamos o que se escreveu sobre estes assuntos num dos jornais da época – o “Leiria Ilustrada”, como já foi referido.
A primeira notícia, sobre o comício nas Cortes, vem inserida no “Leiria Ilustrada” n.º 267, de 4-2-1911, com o antetítulo “
Vida Partidária” e dela consta o seguinte:

«Comício nas Cortes
«No pitoresco lugar e freguesia das Cortes, deste concelho, realizou-se no domingo último [29-1-1911] um comício de propaganda republicana, em que falaram vários oradores, entre eles o fundador e director deste semanário [Tito Larcher] e dois novos com aptidões, os cidadãos Manuel d’Assunção e Fernando Santa Rita.
«Foi uma sessão esplêndida, não só pelos assuntos versados, mas principalmente pelo grande número de pessoas que assistiu e que, com a máxima atenção, escutou a palavra dos propagandistas.
«Os oradores e outros cidadãos foram recebidos pela filarmónica da terra.
«Após o comício, instalou-se a respectiva comissão partidária que ficou composta dos seguintes cidadãos: João Cordeiro Gonçalves, presidente; José Lopes Ribeiro, secretário; Manuel Carvalheiro, Manuel Cordeiro Gonçalves e Luís de Oliveira, vogais.
«A posse foi dada pelo cidadão presidente da Comissão Municipal, Pires de Campos.
«Constituída a comissão, os oradores e outros correligionários de Leiria foram acompanhados até à saída por grande número de indivíduos das Cortes e a mesma filarmónica que os tinha recebido.
«Foi uma bela jornada que deixou em todos as mais gratas impressões.»
Quanto à segunda notícia, relativa a idêntico comício na Barreira, pode ler-se no mesmo jornal, na sua edição n.º 268, 11-2-1911, desta vez com o antetítulo “Propaganda Republicana” que é do seguinte teor:
«Comício na Barreira
«Como foi anunciado, realizou-se no domingo último [5-2-1911] o comício de propaganda republicana, na vizinha freguesia da Barreira. Às 8 horas da manhã, e quando o povo saía da igreja e num estrado previamente arranjado e engalanado, usaram da palavra por sua ordem os cidadãos: Tito Larcher, Manuel d’Assunção, Silvério dos Reis e Pires de Campos.
«O reverendo coadjutor padre Bernardes, à hora da missa fez uma pequena prática aos seus paroquianos sobre a missão dos propagandistas e a forma do governo actual.
«Em palavras de verdade, os propagandistas, em linguagem chã, estigmatizaram o falido regimen e demonstraram a superioridade da forma republicana. Os oradores e outros cidadãos de Leiria foram esperados pela filarmónica das Cortes que, antes e depois do comício, tocou a “Portuguesa” e a “Maria da Fonte”. Depois do comício, procedeu-se à instalação da Comissão Paroquial Republicana da Barreira que ficou assim composta: António Ferreira da Cunha, presidente; José Alves Gomes Batalha, secretário; os dois da Barreira; vogais: Manuel Henriques e António Bento, dos Andreus; e Joaquim da Cunha, do Pinhal Verde.»
De notar a referência ao pároco que, com o bom senso que aconselhavam os tempos, «à hora da missa fez uma pequena prática aos seus paroquianos sobre a missão dos propagandistas e a forma do governo actual». E também a linguagem empolgada do repórter que refere as “palavras de verdade” dos propagandistas com que «estigmatizaram o falido regimen e demonstraram a superioridade da forma republicana».
* Ainda uma nota para o facto de a Filarmónica das Cortes, nessa altura, já ter no seu repertório “A Portuguesa”, o hino da República!
* Este foi um bom momento, dos, aliás, muito raros, da imprensa local sobre a vida social e política das comunidades rurais do nosso concelho. Ficaram registados dois acontecimentos significativos e emblemáticos de duas comunidades vizinhas – Cortes e Barreira –, e isso ajuda-nos a compreender melhor a nossa história local e a forma como os nossos patrícios contribuíram para a fazer.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

AINDA O POVO ASTECA

* A arquitectura Asteca deriva da arte clássica de Teotihuacán e da dos Toltecas, contando também com contribuíções da tradição huaxteca; poucos edifícios escaparam à destruição completa - templos de Tlaloc e de Huitzilopochtli sobre uma mesma pirâmide, na cidade do México; templo rupestre de Malinalco, a sudoeste da capital -. A escultura em pedra, simultâneamente severa e simbólica, é poderosamente realista (estátua gigante do Coatlicue, no Museu de Antropologia da Cidade do México).
* Os Astecas eram muito hábeis na execução de máscaras e outros objectos de pedras semi-preciosas. Os palácios e santuários eram ornamentados com frescos, enquanto os textos sagrados e profanos, manuscritos em hieróglifos, eram enfeitados com gravuras policromas.
* Nos tempos de hoje, a fazer fé nos relatos que nos chegam do comportamento dos conquistadores de Cortés, que no século XV conquistaram e destruiram Tenochtitlán, a capital do império Asteca, a Espanha estaria a contas com um qualquer Tribunal Internacional de Haia ou coisa parecida, acusada de crimes contra a vida, pelo extermínio dos povos que conquistaram.
* A Tenochtitlán dos Mexica - nome dado ao Povo Asteca, como foi dito noutra postagem -, estava instalada nalgumas ilhotas de uma laguna, tornou-se uma enorme cidade lacustre e verdejante, graças aos 'chinampas ', os jardins flutuantes formados por jangadas cobertas de terra, onde eram plantadas flores, frutas e legumes. Uma rede de canais, de aterros e de pontes ligava as ilhotas entre si. A cidade era dominada pela alta pirâmide que suportava o templo grande (Templo Mayor), que foi inaugurado em 1370.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

LEIRIA DE ONTEM E HOJE... I

Vista aérea do centro de Leiria
:
- Quem tenha estado ausente de Leiria, nos últimos 20 anos de vida, quando regressa não conhecerá a cidade de onde partiu, tal a mudança operada na bela paisagem citadina que se lobrigava a partir das muralhas do Castelo.
- Eu, que saí de Leiria nos finais dos anos 60, fiquei boquiaberto com aquilo que os meus olhos puderam constatar: - esta não era a minha Leiria, aquela cidade que se estendia pelas duas margens do bucólico Lis, que se revia nas suas ruas e vielas, muito ufana do Terreiro, do tipicismo do Bairro dos Anjos, na pacatez do Bairro da Restauração... e tantas outras coisas que vi mudadas, ainda me pergunto se para bem ou para mal da fisionomia da minha cidade.
- Fui rever a Rua Damião de Góis, onde fui uma criança feliz... e já não conhecia lá ninguém, porque apenas a memória perdurava naquelas paredes onde eu encostando a cabeça sobre o braço contra a parede, contava até 10, no jogo das escondidas, ou o portal do Carlos Silva da Tipografia a fazer de baliza... sentindo-me muitas vezes um João Azevedo em miniatura, aquelas ruas muito empinadas, empedradas a seixo redondo, tirado do Lis, onde se escorregava em tábuas bastante bem enssaboadas... muitas vezes com uns galitos na cabeça ou uns arranhões nas pernas e braços!
- O velho Seminário Maior de Leiria, ali à Fonte Freire, paredes meias com a casa da palmeira do Dr. Acácio da Luz, onde tantas vezes brinquei ou assisti a grandiosas representações teatrais, quando aluno da Catequese... simplesmente estava reduzido a uma ruína provocada pelo incêndio que o destruíu. Onde outrora era o Externato D. Diniz, instalou-se o Grémio da Lavoura, mas agora era a EPAC que ali "reinava".
- Antigamente, logo pela manhã, podia ver-se a rapaziada a lançar olhinhos às moças que iam fazer compras ao Mercado de Santana. Era um mercado farto, onde havia uma mistura de cheiros que se espalhavam pelo ar... ressalvando o Mercado do peixe, que rescendia a maresia, a pescado chegado pela madrugada vindo dos mares da Vieira, Nazaré ou Peniche! As lojas ao redor do Mercado estavam sempre cheias, fosse o Baltazar, onde se comprava a fita de retrós, a camisa de popeline, a carta para a namorada ou o cartão de aniversário... sem esquecer os postais com vistas da cidade, para enviar aos filhos que trabalhavam lá para a França!
- O café Avenida, o Aviz, o Colonial, o Liz Bar, as tascas e os comes e bebes em volta da velha Praça de Santana, estavam sempre cheias de comensais, que aproveitavam a vinda à cidade para fazer as compras da semana, mas também para saborear os petiscos que enchiam a cidade de odores a iscas, a morcela assada, ao bacalhau com grão ou na brasa, ao chicharro com todos, às febras, frango de churrasco, coelho à caçadora ou dobrada com arroz branco. Cada casa com a sua especialidade, que a fome é para matar!
- Tudo está tão mudado! O Mercado de Santana é agora apenas uma saudade, onde se fazem exposições, manifestações culturais das mais diversas, porque a cidade de Leiria é uma outra realidade.
- Disso continuarei a falar num próximo escrito.

domingo, 7 de setembro de 2008

O IMPÉRIO E A CIVILIZAÇÃO ASTECA...

* ...foram destruídos pelos conquistadores espanhóis, que deram o golpe de misericórdia quando enforcaram o último imperador Asteca Cuauhémoc, decorria o ano de 1525. Mal sabia o imperador Moctezuma II que, ao receber os invasores da forma inadequada como recebeu, estava a condenar o seu povo à extinção.
* O povo Asteca, que era um povo sem cultura, conseguiu, em dois séculos, ascender a um alto grau de civilização, e deram o seu nome, Mexica, a toda uma região.
* Vindos do Norte, os Astecas, ou Mexica, um ramo dos Chichimecas, penetram durante o Século XIII no actual vale do México e aí fundaram, em 1325 (ou 1345 ?), a cidade de Tenochtitlan (Cidade do México). Em 1428 formou-se a Federação dos Estados de Tenochtitlan, Texcoco e Tlacopan, ficando debaixo da alçada do soberano dos Mexica.
* Este soberano era um chefe guerreiro, que resolveu empreender a conquista das regiões vizinhas; no início do Século XVI, quase todo o México Central se encontrava submetido, desde a costa do Golfo até à do Pacífico... até que os Espanhóis invadem este vasto império e tomam para si os territórios dos Astecas.
* Era uma sociedade cuja célula era o clã, que era governado por um ancião, sendo composto por pessoas da mesma linhagem. Progressivamente, iam sendo formados novos grupos sociais, mais previlegiados, compostos por funcionários, artesãos, mercadores (simultâneamente agentes do recenseamento), acentuando-se assim as diferenças entre a nobreza e as gentes do povo. Abaixo deles estavam os cidadãos livres, que eram sujeitos ao tributo e às corvelas, os camponeses sem terra, que trabalhavam para um senhor, e, por fim... os escravos.
* À cabeça do Estado estava o soberano, todo poderoso, rodeada por um complicado protocolo, que era assistido pelo primeiro ministro, que era também o juiz supremo e comandante dos exércitos. Era igualmente assessorado por quatro conselheiros eleitos ao mesmo tempo que o soberano. A nobreza não era uma casta inteiramente fechada, pois podia ascender-se a ela através de feitos guerreiros.
* Os Astecas praticavam uma agricultura de queimadas para o milho, o feijão, os pimentos, as abóboras, etc, e cultivavam também jardins flutuantes (chinampa) na lagoa da Cidade do México, tinham poucos animais domésticos, como o perú e o cão. O comércio estava muito desenvolvido e os tributos, que eram pagos em espécie pelas trinta e oito províncias do império, forneciam também enormes riquezas.
* Eram um povo politeísta, que atribuía uma divindade ou um ritual a cada instante da semana. O poder do clero era bastante e tinham um calendário litúrgico bastante preciso, que regulava todas as cerimónias. De entre as divindades do panteão mexica, que eram em número apreciável, podemos destacar Huitzilopochtli, deus da Noite e da Guerra, que era rival de Quetzalcóatl, o deus civilizador; Tlaloc, o deus da Chuva, etc. Uma das práticas mais correntes era o sacrifício humano, pelo que nas guerras era feita a captura de vítimas sempre em número crescente.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

LEIRIA ... na poesia


Em terras do meu País
Airosa nasceu um dia
Nas margens do rio Lis
A cidade de Leiria...

Aqui...nosso Rei Primeiro
Constroi em ar triunfal
O seu castelo altaneiro
Relíquia de Portugal.

O rei D. João Terceiro
Cedo a eleva a cidade
Da Sé foi também obreiro
Pra lhe dar tranquilidade.

Sua beleza era tanta
Que a preferiu D. Dinis
Pra com a Rainha Santa
Viver a vida feliz !...

Reza também a história
Da cidade de Leiria
Que a ela cabe a glória
Pioneira em tipografia.

Entre ilustres do seu Povo
De que Leiria é herdeira
Ressaltam Rodrigues Lobo
E Afonso Lopes Vieira!
..
Um poema de
Euclides Cavaco

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

SONETO SOBRE LEIRIA

Casa de Acácio de Paiva
.
Minha terra velhinha! Assim te quero,
Ente as olhalvas frescas, pequenina,
Teu Lis saudoso, teu castelo em ruína,
Teu ar de monja, tímido e severo.

-
Assim te represento e te venero,
Te possuo em minh'alma e na retina.
Deixei-te muito cedo, porque é sina
Fugir de quem mais amo e mais espero.

-
Ela me arrasta, força e descaminha,
Mas não me esqueces, terra doce e triste,
Vetusta jóia de precioso engaste.

-
Em cada pedra tua, em cada ervinha,
Quantas vezes comigo tu sorriste
E, só porque eu chorava, tu choraste!

-
Acácio de Paiva

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

"ARRAIAL... ARRAIAL... PELO MESTRE D. JOÃO - REI DE PORTUGAL"

Iluminura que descreve a batalha de Aljubarrota
***
  • No próximo dia 14 de Agosto passa mais um aniversário da batalha de Aljubarrota, que veio confirmar a independência do Reino de Portugal e o Mestre de Aviz D. João, o Defensor e Regedor do Reino, como seu Rei, tendo sido o primeiro deste nome.
  • Muito se escreveu e disse sobre esta batalha, acontecida vai fazer já 623 anos. Pelos relatos sabe-se que um 1º. ataque foi feito por uma carga da chamada cavalaria francesa: lançados a toda a brida e em força, de forma a romper a linha de infantaria adversária. Contudo as linhas defensivas portuguesas repeliram este ataque.
  • A pequena largura do campo de batalha dificultava as manobras da cavalaria, as paliçadas (feitas com troncos erguidos na vertical, separados entre sí apenas pela distancia necessária à passagem de um homem, o que não permitia a passagem dos cavalos) e a chuva de virotes, lançada pelos besteiros (auxiliados por 2 centenas de arqueiros ingleses) fizeram com que, muito antes de entrar em contacto com a infantaria portuguesa, já a cavalaria se encontrasse completamente desorganizada e confusa. As baixas da cavalaria foram bastante pesadas e o efeito do ataque... nulo.
  • Ainda não perfilada no terreno, a retaguarda castelhana demorou a prestar auxílio e, em consequência, os cavaleiros que não morreram foram feitos prisioneiros pelos portugueses.
  • Depois deste revés, a restante e mais substancial parte do exército castelhano atacou. Formavam uma linha bastante extensa, pelo elevado número de soldados. Ao avançar, em direcção aos portugueses, os castelhanos foram forçados a apertar-se (o que desorganizou as suas fileiras) de modo a caber no espaço situado entre os ribeiros.
  • Enquanto os castelhanos se desorganizavam, os portugueses redispuseram as suas forças, dividindo a vanguarda de D. Nuno Álvares em dois sectores, de modo a enfrentar a nova ameaça. Vendo que o pior ainda estava para chegar, D. João I de Portugal ordenou a retirada dos besteiros e archeiros ingleses e o avanço da retaguarda através do espaço aberto na linha da frente.
  • Desorganizados, sem espaço de manobra e finalmente esmagados entre os flancos portugueses e a retaguarda avançada, os castelhanos pouco puderam fazer senão morrer.
  • Ao pôr-do-sol a batalha estava já completamente perdida para Castela. Precipitadamente, D. João de Castela ordenou a retirada geral, sem organizar uma cobertura.
  • Os castelhanos debandaram, então, desordenadamente do campo de batalha. A cavalaria Portuguesa lançou-se em perseguição dos fugitivos, dizimando-os sem piedade. Alguns fugitivos procuraram esconder-se nas redondezas, apenas para acabarem mortos às mãos do povo.
  • Apenas na manhã seguinte as forças Portuguesas se aperceberam que tinham vencido o exército de Castela.
  • A perpectuar a memória deste feito de armas, está o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, ou da Batalha, bem como a pequena capela de S. Jorge, mandada erguer por D. Nuno de Santa Maria.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Há 40 anos... UMA CADEIRA?

representação cénica da queda (?) da cadeira

h
* Por muito que se possa pensar o contrário, continua a haver a impressão de que se estigmatizou Oliveira Salazar durante muitos e demasiados anos, mais parecendo que alguém ficou temeroso de que o seu "fantasma" possa dar início a um processo conducente à reabilitação total da figura do ex-Presidente do Conselho de Ministros.
* Nos primeiros tempos da Revolução, acontecida em Abril de 1974, a Ponte Salazar viu-se rebaptizada e passou a chamar-se... Ponte 25 de Abril. Curioso é não ter havido um só pedido de parecer ao Povo sobre tal mudança, porque a revolução tudo permitia. Sabemos que Salazar havia criado a Comissão de Censura... mas alguma vez ele mudou o nome de algum lugar ou de alguma construção? Onde? Quando?
* Pensemos um pouco: - haverá algum caso parecido, em algum país dito democrata, que tenha no seu seio uma proliferação de partidos de esquerda e partidos de extrema esquerda, que nos ocupam quase metade dos lugares da Assembleia da República.
* Sendo Portugal um país em crise, desde há muitos anos, detentor de uma produtividade abaixo dos padrões necessários para o equilíbrio económico/financeiro, apesar de os portugueses se queixarem que trabalham durante mais tempo, por dia, que "nuestros hermanos" aqui do lado... porque se usa a greve como forma de pressão de um povo que não tem trabalho... nem pão?
* Fazem-se imensas greves na Função Pública, não sei se por tradição se por cisma. É que não resolvem absolutamente nada, especialmente por enfrentarem um Governo cuja maioria o torna autista. Opondo-se, sem critério, a tudo o que faça recordar Salazar, leva a que tudo funcione mal, sem rigor... mas Salazar tem as costas largas, apesar de nos ter deixado já há muitos anos, e leva com as culpas de tudo o que vai mal no reino de Portugal!
* A excelência da Ministra da Educação propõem aos alunos ganharem competências, não sendo necessários exames e dando-se por garantida a passagem nas disciplinas onde haja pouco conhecimento. Há sempre um jeitinho que se dá. Nas ciências naturais... interessa apenas e tão só aprender-se o sistema reprodutivo, ter preocupações ambientais, estar atento à educação sexual e civil. Tudo o resto... que interesse tem?
* Há burocracias constantes e de uma inutilidade gritante, que levam os professores a perder tempo com questões de "lana caprina". Autoridade sobre os alunos... onde está? "Os pais que avaliem os professores", sugerem!
* Estou convencido que a maldita cadeira provocou mais mal a este País do que se poderá pensar! Portugal sem Salazar ficou como um barco sem timoneiro... e nós sabemos que os escolhos são imensos, as escarpas estão sempre prontas para acolher o acidentel.
* Os corvos e os abutres, que do alto sobrevoam as presas, cientes de que a carniça, mais tempo, menos tempo, não deixará de lhes encher o bandulho! Muitas vezes ainda com as vítimas vivas, mesmo que agonizantes.
* Há 40 anos, no dia 03 de Agosto, no Forte de S. Julião da Barra, uma cadeira de praia, dessas banais cadeiras com uma armação de madeira e um pedaço de lona, deram azo a que Portugal se pudesse tornar um poleiro apetecível a todas as aves de rapina... que ainda hoje disputam os despojos dos mais frágeis entre os Portugueses... e esses são os pobres, os reformados, os desempregados, os sedentos de justiça, os que têm fome de alimentos e de amor.
* Há 40 anos atrás, Portugal também caíu com Salazar, e ainda não conseguiu reerguer-se... mas um dia o fará, estou certo!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A CARTA-BOMBA DO BISPO DO PORTO

D. António Ferreira Gomes
- Bispo de Portalegre de 1949 a 1952
- Bispo do Porto de 1952 a 1982
O Bispo D. António Ferreira Gomes, que nasceu em Penafiel em 10 de Maio de 1906 e faleceu em Ermesinde a 13 de Abril de 1989, foi uma voz desassombrada da Igreja num período em que o Presidente do Conselho, Oliveira Salazar, "manipulava" o Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira. Da sua célebre carta se dão à estampa pequenos trechos, onde ressalta uma intervenção política que o conduziu ao exílio. Atentemos naquilo que escreveu:
"...A grande e trágica realidade, que já se conhecia mas que a campanha eleitoral revelou de forma irrefragável e escandalosa, é que a Igreja em Portugal está perdendo a confiança dos seus melhores. Não direi se este processo está, em princípio, no meio ou perto do fim; o que é evidente é que tal processo está em curso, por mim penso que muito e muito adiantado. Apresentarei apenas dois factos, que, podendo servir de símbolos, são já de si realidades enormes.No Minho, coração católico de Portugal, onde se pensava que bastaria sempre o Abade dar o «lá-mi-ré» e todos entravam imediatamente no coro, no Minho Católico, mal os padres começavam a falar de eleições, os homens, sem se importarem com o sentido que seria dado ao ensino, retiravam-se afrontosamente da Igreja.Nas juventudes da Acção Católica, onde tanto se quis dizer que os padres andavam a lançar inquietações e dúvidas, os dirigentes mais responsáveis saltam fora dos quadros e da disciplina, para manifestarem a sua inconformidade e desespero, fugindo ao conhecimento dos assistentes (que, apesar de tudo, lhes aconselhariam paciência)."
" – São os dois pólos, o da tradição e o da recristianização. Do que fica no meio, facilmente se poderá julgar.Está-se perdendo a causa da Igreja na alma do povo, dos operários e da juventude; se esta se perde, que podemos esperar nós da sorte da Nação?Como meio único de salvação, querem que cerremos fileiras em volta do Estado Novo. E apontam-nos os dentes das feras, que já se aguçam, e previnem-nos contra o masoquismo do martírio e lembram-nos os frades espanhóis que votaram pela república em lista aberta... Tudo isto para que as ovelhas se congreguem em volta do Pastor. Não me compete examinar nem discutir todos estes conselhos enquanto dirigidos aos fiéis da Santa Igreja, como tais e indistintamente como tais.Temos obrigação de pedir, e realmente pedimos a Deus que nos dê força e constância para afrontarmos a incompreensão e mesmo o martírio pela causa da Verdade e da Justiça. Mas poderemos traduzir esta imediatamente em termos de Estado Novo?... Ou, em atitude aparentemente contrária, abrigarmo-nos à sombra da Pax Augusta do Estado Novo, haja o que houver com a Verdade e com a Justiça?...Como terei de dizer que não identifico as duas causas, e como discordar em geral da Situação é discordar de V. Excelência, permita-me que apresente aqui umas recordações pessoais..."
– "...«Nós não podemos perder uma hora de trabalho; nós não podemos diminuir o ritmo do nosso esforço...»Parece-me, numa justa hermenêutica, estas palavras se devem tomar antes na sua tendência, que é de justificar a atitude que se vem defendendo, do que na sua materialidade de expressão...Como porém essa tendência vem já sendo objecto da minha discordância, permita-me V. Ex.ª que me cinja por um momento ao conteúdo material que se assinala.Apesar do meu feitio sedentário, não tenho nos últimos anos recusado as oportunidades que se me oferecem de viajar pela Europa, o que tenho feito ao rés da terra e da gente e com toda a possível atenção. Nem por isso seria necessário o conselho discreto de vários sociólogos, amigos de Portugal, que por delicadeza nem sequer me dizem as razões desse conselho.Não poderei dizer quanto me aflige o já exclusivo privilégio português do mendigo, do pé descalço, do maltrapilho, do farrapão; nem sequer o nosso triste apanágio das mais altas médias de subalimentados, de crianças enxovalhadas, exangues e de rostos pálidos (da fome, do vício).Mas, precisamente no ponto preciso do trabalho e do seu ritmo, tenho colhido a impressão espontânea, que pode ser ilusória mas não tem sido desmentida, de que em parte alguma, mesmo no Sul da Espanha ou da Itália, se nota como entre nós o ritmo lento do trabalho, um aspecto de desemprego larvado, a pequena diferenciação ou quase confusão entre as horas de trabalho e o tempo de lazer – ou lazeira, como melhor se diria – com a voz do povo..."

sexta-feira, 18 de julho de 2008

A LITERATURA BARROCA...

Pe. António Vieira
* O barroco literário, teorizado em Espanha por Batazar Gracián e ilustrado pela poesia labiríntica de Góngora, anima em Itália as subtilezas de Marino, na Alemanha o patético de Andreas Gryphius e o humos picaresco de Grimmelshausen, em Inglaterra as delicadezas do eufuísmo. Inspirou, em França, o hemetismo de Maurice Scève, os refinamentos macabros de Jean de Sponde, a mitologia sensual de Theóphile de Viau, as violências visionárias de Agripa d'Aubigné.
* Em Portugal, a Corte na Aldeia (1619), de Francisco Rodrigues Lobo, teoriza o cultismo e o conceptismo que estão na base do jogo poético que será desenvolvido nas academias que, a partir da dos Singulares (1628), florescem em Portugal e no Brasil. Essa produção será recolhida em dois cancioneiros, a Fénix Renascida (4 volumes, de 1715a 1728) e o Postilhão de Apolo (2 volumes, de 1761 e 1762), onde se revelam poetas notáveis como D. Tomás de Noronha, António Barbosa Bacelar, Frei Jerónimo Baía, António Fonseca Soares (que depois acabará por professar, tomando o nome de Frei António das Chagas). Também algumas mulheres se destacam na produção poética do barroco, como Sóror Violante do Céu e Sóror Maria do Céu.
* A literatura religiosa utiliza a estética barroca, que adquire um papel nuclear nos sermões e escritos doutrinários do Padre António Vieira, Manuel Bernardes e António das Chagas.
* Arte do reflexo e da aparência, através dos temas favoritos da água, do espelho e da máscara, o barroco éna realidade um estilo fortemente estruturado que se funda num sistema de antíteses e de simetrias. As metáforas e as perifrases desempenham aí o mesmo papel que as volutas e as espirais na organização dos volumes arquitecturais, assegurando ao mesmo tempo a presença constante da imaginação e da surpresa.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A DESCIDA DE PORTUGAL AO INFERNO...

Pessoa no Chiado
* A 29 de Novembro de 1938, Fernando Pessoa escreveu, com um lápis, a sua última frase: - "I know not what tomorrow will bring" (não sei o que o amanhã me trará). Havia sido internado no Hospital de S. Luis dos Franceses, no Bairro Alto, em Lisboa, com uma cólica hepática. Às 20H00 do dia seguinte, pediu os óculos para ver melhor... e meia hora depois morria aquele que fora o maior poeta, tradutor e amador de astrologia que traçou a carta astrológica de Portugal.
* O mapa astrológico de Portugal pressagia um momento de grande escuridão, uma espécie de descida aos infernos, num período anterior a 2088, embora o seu autor não tivesse especificado a data. Escândalos, perda de moralidade e, sobretudo, de nacionalidade foram alguns dos maus presságios.
* O historiador António Telmo baseou-se nas pistas deixadas pelo Poeta e no seu livro "HORÓSCOPO DE PORTUGAL", editado em 1996, conta como descobriu os métodos dos cálculos astrológicos de Pessoa. Através do mapa astral pessoano, onde só estão casas assinaladas e seus graus e uma coluna ao lado com datas, Telmo elabora o seu mapa astral e apoia-se, igualmente, na própria interpretação feita pelo Poeta numa carta dirigida ao Conde Keiserling (encontrada no espólio de Teixeira da Mota).
* Na feitura do mapa, Fernando Pessoa valoriza duas datas: a de 05 de Outubro de 1143 e a data de 1096 como o verdadeiro começo do Condado Portucalense. O signo do Sol corresponde a Sagitário e o ciclo de vida de Portugal será de 992 anos, que é o tempo de uma revolução solar. Tudo isto quer dizer: Quando o Sol, na sua revolução solar, voltar ao 7º. de Sagitário, em 2086, termina o ciclo, embora Pessoa diga que este não se fecha sobre si próprio porque chegado o fim, haverá o segundo e o terceiro Portugal. Por isso, assegura, o país continua a ser uma nação até 2136.
* Mas... o que é isso de 1º., 2º. e 3º. Portugal? Simplificadamente, são ciclos de vida do país que se poderão repetir. Confuso? A explicação: o 1º. Portugal, "nasceu com o próprio país", diz Pessoa. O 2º. Portugal, explica, é a "segunda alma portuguesa, nascida com o começo da nossa segunda Dinastia" e finda com a morte de D. Sebastião. Quer isto dizer, segundo o Poeta, que Portugal entrou num mundo subterrâneo por causa da perda da independência. "O terceiro Portugal... é aquele que, depois de uma curta dominação espanhola, e durante todo o curso inanimado da dinastia de Bragança, da sua decomposição liberal , e da República, formou esta parte do espírito português moderno, que está em contacto com a aparência do mundo. Esta terceira alma portuguesa é apenas um reflexo mal compreendido do estrangeiro; segue a civilização como uma criança segue o estrangeiro que passa, por uma hipnose, não só do homem, mas só do seu caminhar".
* Na descrição do 3º. Portugal, Pessoa considera os portugueses superficiais, com pouca consciência, ainda entretidos com o mundo das aparências, em que os intelectuais e não só estão hipnotizados pelos estrangeiros, esquecendo a sua cultura, imitando e importando tudo quanto vinha de fora.
...
Texto de M.Fernanda Birrento - Domingo Magazine

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!