quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

CONTINUANDO A FALAR DE ARTE...


---- Conforme prometido, aqui estou a cumprir... e a voltar a falar-vos de arte, com uma análise sucinta da sua história, pois o espaço é curto para tanto que há para dizer.
---- É importante discutir-se em que tipo de arquivo a história da arte se pode basear, uma vez que a série de material utilizado na construção destas histórias se estende muito para além das próprias obras. Por exemplo, a história tem os seus documentos, registos escritos do passado, a arqueologia concentra-se no registo material, nos despojos físicos do passado, ao passo que a antropologia analisa os rituais sociais e as práticas culturais como forma de compreender os povos do passado e do presente. A história da arte pode basear-se em todos estes arquivos para além do arquivo primitivo que é a obra de arte. Assim, a história da arte é o degrau que nos permite a incursão por caminhos diferentes de interpretar e compreender o passado.
---- Por oposição, aquilo que é conhecido como o "canone" da arte rege o nosso entendimento e a nossa interpretação da evidência. Neste plano, o cânone é a obra de arte perspectivada por indivíduos influentes - e, adicionalmente, por especialistas - como sendo da mais alta qualidade. Na história da arte, o cânone tem estado, geralmente, mas não exclusivamente, associado aos valores "tradicionais" da arte. Desta forma, o cânone desempenha um papel fundamental na institucionalização da arte, uma vez que novas obras podem ser avaliadas pela referência existente. Como tal, é um meio de imposição de relações hierárquicas aos grupos de objectos. Esta hierarquia favorece o génio individual e a ideia de "obra de arte excepcional". Além do mais, o cânone promove a ideia de que determinados objectos culturais ou estilos de arte sejam mais valiosos (quer do ponto de vista histórico, quer do monetário) que outros. Um dos meus principais focos de interesse neste trabalho é o impacto das obras canónicas, que são consideradas exemplos definidores do gosto e da importânciahistórica na história da arte.
---- Aperceberam-se, por certo, que se tem vindo a utilizar as palavras "arte" e "visual" quase alternadamente, e isso leva a uma questão bastante pertinente - QUAIS OS OBJECTOS QUE MAIS INTERESSAM NA HISTÓRIA DA ARTE? Como norma, a tradição aponta para o facto de a história da arte se ter preocupado com a "arte superior". Mas têm sido incluídos na disciplina uma série de artefactos, e estes têm-se alterado ao longo dos tempos. Quando falamos do Renascimento, por exemplo, torna-se relativamente simples reduzir a discussão a artistas conhecidos, como será o caso de Rafael ou de Miguel Ângelo, e a obras de pintura ou escultura , ou aos processos preparatórios, como os desenhos. Todavia, os despojos do produto visual das diferentes culturas e épocas são bastante vatiados e convidam a uma série de interpretações. Todos nós conhecemos a arte da pedra da época pré-histórica, mas os motivos que se escondem por detrás da sua produção e quem a produziu mantêm-se enigmáticos. Quando observamos as pinturas rupestres existentes em Lascaux, na região de Dordogne, na França, verificamos que se trata de imagens de caça - representações da vida quotidiana. Mas a arte rupestre engloba também desenhos e formas abstractas. Poderia este tipo de arte demonstrar uma função mais mística? Há quem defenda que estas imagens eram produzidas por xamãs - membros de uma culto religioso que utilizava drogas alucigénias como parte integrante da sua prática religiosa - sendo essas imagens o resultado da manifestação do inconsciente! Seriam mesmo ?
---- Falar de arte é isto! Aos poucos iremos interiorizando, compreendendo, analizando, valorizando... e isso será meio caminho andado para o meu desejo de vos dizer: CONTINUA.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!