sábado, 26 de janeiro de 2008

CULTURA MUÇULMANA - O ALCORÃO I

----Data de 1734 a primeira tradução do Alcorão para língua inglesa mais ou menos conseguida, sendo seu autor George Sale, um cristão que pretendeu com esta tradução considerar menos próprias as "designações infamantes e expressões indelicadas" que os cristãos usavam quando se referiam ao Profeta Maomé e ao Alcorão. George Sale chegou, inclusivé, a afirmar que "nenhum cristão deverá recear qualquer perigo vindo da parte dos seguidores do Profeta, pois é uma falsidade grosseira quanto deles e do Alcorão se diz! Só os protestantes são capazes de atacar o Alcorão com sucesso, acreditando até que a Divina Providência lhes terá reservada a glória de os derrubar!". Convenhamos que a Providência não fez nada disso, mas os comentários de SAale acabaram por chamar à atenção a hierarquia das igrejas cristâs.
----Felizmente que nos tempos que correm é dispensável usar os métodos de Sale para a tradução do Alcorão. Edward Gibbon escreveu sobre a vida do Profeta Muhammad, dizendo, a certa altura: "Não é a divulgação mas a perduralidade da sua religião que merece a nossa admiração; a mesma impressão pura e perfeita que ele gravou em Meca e Medina foi preservada, depois de doze séculos de revoluções, pelos prosélitos indianos, africanos e turcos do Alcorão". Talvez haja alguma fantasia nas afirmações de Gibbson, mas como as suas palavras sugerem perfeitamente, o Alcorão constitui um núcleo de identidade e continuidade de uma consistência extraordinária para uma tradição religiosa velhinha de séculos, pois já conta 15.
----Como se saberá, cada cultura civilizacional nos foi deixando textos sapienciais que se foram mostrando de vital importância para a compreensão e progresso da sua identidade como povos. Assim, Os gregos deixaram-nos Homero, os judeus e os cristãos a Bíblia, os zoroastrianos a Avestá, os hindus legaram os seus Vedas, os budistas os Tripitakas, os Chineses os seus clássicos... e os moçulmanos o Alcorão. Analisados entre si, estes textos nada têm em comum, quanto a conteúdo e características. Não estou a vêr ninguém a colocar a Ilíada, o Alcorão e os hexagramas do I Ching na mesma prateleira da biblioteca.
----Não existirá uma palavra designativa para este conjunto de textos canónicos e os distinga da série de canções de embalar, constituições, romances, e assim por diante. Alguns são, habitualmente, designados por "clássicos", pois este termo era utilizado para designar as obras primas da literatura da Grécia e de Roma antigas, as epopeias homéricas e, por analogia, passámos a falar em "clássicos chineses". Aos textos revestidos de uma autoridade rteligiosa mais forte, não nos passará pela cabeça estar a aplicar o termo de "clássicos", pois ficamos deveras manietados na prossecussão desse desiderato. Enfim! Paradigmáticamente, vamos utilizando "escritura" como palavra mais frequente para designar a Bíblia! No entanto, por extensão, também utilizamos a designação de "escrituras zoroastrianas, hinduísta ou budista, mas a sua utilização destoa, uma vez que nas próprias culturas o Avestá, os Vedas e Tripitakas são concebidos não como textos escritos, mas como textos de transmissão oral. Este dilema não acontece com o Alcorão, que é um texto escrito como a Bíblia.
----Voltarei ao tema.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!