domingo, 2 de março de 2008

RELENDO A HISTÓRIA...

-------------------------D. Miguel I - Rei de Portugal
---- Para quem esteja um pouco mais atento a quanto todos os dias se diz, escreve ou ouve dizer da Monarquia, da República, dos "Sistemas políticos", das "Direitas" ou das "Esquerdas" que se têm constituído como Poder neste "Reino" de Portugal, certamente estará de pé atráz e perguntará para si mesmo: "O QUE DIABO É ISTO?", dada a profusão de candidatos ao "Trono Português" que se vêm perfilando para reclamar um lugar que lhes permita alimentar a enorme esperança de, um dia, poderem ser Duques de qualquer coisa, e não importa de quê... desde que se tenha o direito de ostentar um brazão por cima da porta, usar um anel com o mesmo adereço e poder anteceder o nome de um "D.", como todos os Monárquicos de boa cepa que se prezem!
---- E à memória deste escriba vem a figura veneranda de D. Miguel, o Rei Absoluto, que dizem ter sido farto em enforcar e povoar prisões... mesmo que o Povo o houvesse chamado de "SALVADOR DA PÁTRIA".
---- Tendo chegado a Lisboa no dia 22 de Fevereiro de 1828 - há 180 anos feitos no passado dia 22 - vindo do exílio em que se manteve durante quatro anos, logo a violência se fez convidada da festa das boas vindas. Desembarcou da fragata que o havia transportado, a "Pérgola", no cais de Belém, tendo seguido para o Palácio das Necessidades debaixo de um enorme "triunfo", com aplausos e vivas de verdadeira apoteose, onde se gitavam bandeiras, se estendiam colchas , se lançavam foguetes, pois o Infante, que teria então cerca de 25 anos, fardado com uniforme de gala. No entanto, como é costume acontecer nestes momentos, já se espalhavam pela cidade grupos de "absolutistas" oriundos da "populaça", devidamente armados de toda a espécie de "armas" com que pudessem acertar contas com os "Liberais" ou os Maçons. No ar os gritos ululantes de "Morte aos 'Malhados'", nome dado aos defensores da Carta Constitucional, ou à "canalha pedreiral", significando "Pedreiros Livres", ou seja a Maçonaria.
---- Este foi o prenúncio de anos de repressão feroz contra os Liberalistas. D. Miguel, que vira o pai, D. João VI, ser obrigado a jurar aderir à revolução portuguesa, era um homem traumatizado. Estivera no Brasil desde os cinco anos, e viu os tumultos do Rio de Janeiro em Fevereiro de 1821. Tinha então 18 anos. O irmão mais velho, D. Pedro, resolveu ficar no Brasil, regressando então D. Miguel a Portugal e tornando-se o chefe do Partido Absolutista. Foi desterrado para a Áustria, após a Abrilada, em que tentou derrubar o pasi, D. João VI, que viria a morrer dois anos após, sendo substituído por D. Pedro... que era então Imperador do Brasil, depois de ter sido o principal obreiro da independência desta antiga Colónia Portuguesa. Para que viesse a ter o Povo do seu lado, jurou a Carta Constitucional... e entregou o Reino nas mãos da filha D. Maria, uma garota com 8 anos de idade. Para tentar reconciliar Liberais e Absolutistas, tentou "comprar" D. Miguel, nomeando-o lugar tenente e dando-lhe D. Maria II como esposa. Com a promessa do perdão de D. Pedro, D. Miguel jurou aderir à Carta Constitucional.
---- Como vimos, D. Miguel, ao ser recebido de forma apoteótica na cidade capital do Reino, acabou por renegar a Carta Constitucional, com o beneplácito da mãe, D. Carlota Joaquina. Em 1828 é D. Miguel aclamado Rei absoluto pelas Cortes, com a presença do Clero, da Nobreza e do Povo, comos nos tempos do inicio da Portugalidade, passando o Rei a reprimir de forma cada vez mais cruel os Liberalistas. No Cais do Sodré as forcas não tinham parança, tal como as prisões do Limoeiro e do Forte de São Julião da Barra não paravam de receber novos detidos, abarrotando. Muitos milhares de Portugueses acabaram por emigrar, fugindo às perseguições. Em 1831, D.Pedro abdicou do trono do Brasil e veio para tornar a filha Rainha constitucional do Reino de Portugal. Formou um enorme exército de emigrantes e mercenários recrutados na França e na Inglaterra e iniciou uma guerra civil que durou dois anos. Derrotado, D. Miguel assina a Convenção de Évora Monte e parte para o exílio, em Maio de 1834, não voltando à Patria a não ser depois da morte, que ocorreu na Alemanha, com a idade de 64 anos.
---- El-Rei D. Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Gabriel Rafael Gonzaga Evaristo de Bragança e Boubon nasceu no dia 26 de Outubro de 1802 e faleceu no dia 14 de Novembro de 1866. Jaz no Panteão de S. Vicente de Fora.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!