sexta-feira, 14 de março de 2008

D.PEDRO I - O VINGATIVO? O JUSTICEIRO? O CRUEL?

Túmulo de D. Pedro I, em Alcobaça
--- Gosto sempre de dar o benefício da dúvida, especialmente a quem não se pode defender de tanto que dele se disse, diz e dirá, enquanto às pessoas se der o direito de opinar.
--- Situando-me no recuado ano de 1355, no mês de Fevereiro de há 653 anos, grassava no Reino de Portugal uma fraticida e pavorosa guerra civil, porque el-Rei D. Pedro - que viveu de 1320 a 1367 -, o herdeiro do Trono, devastava províncias, atacava e conquistava castelos, destruía terraa de cultivo e arrasava as colheitas, possúido de uma fúria incontida que derivava do facto de se pai, o Rei D. Afonso IV, haver mandado matar a jovem Inês de Castro, filha de um nobre fidalgo galego de nome Pedro Fernandez de Castro, que viera até ao Reino de Portugal integrada na comitiva da esposa do Princípe, Dona Constança Manuel, de quem era dama de companhia.
--- Esta Dona Inês era uma jovem dotada de uma beleza extrema, pelo que e breve trecho se tornou amante do Princípe. Dona Constança, conta-se, convidou Dona Inês para madrinha do Princípe D. Luis, segundo filho de D. Pedro que morreu apenas com um mês de vida. Terá sido para "travar" os ímpetos amorosos da jovem Inês e de D. Pedro? Quem o saberá? A própria Dona Constança viria a morrer pouco depois, quando deu à luz o futuro rei D. Fernando, no ano de 1345.
--- Encontrando-se viúvo, D. Pedro resolve dar a cara e assumir a sua concubina, para escândalo da Corte, que vinha acusando Dona Inês de ser a razão para o desinteresse que D. Pedro manifestava pela coisas do Reino, até pelo facto de a Peste Negra grassar de Norte a Sul do País, desde 1348. Alertava-se D. Afonso para os perigos que poderiam advir, como consequência da união de D. Pedro a Dona Inês, que já havia dado quatro filhos ao Princípe, entre os quais dois varões: D. Dinis e D. João. Um dos filhos faleceu ainda criança. Os irmãos de Dona Inês, Álvaro e Fernando Pires de Castro, eram fidalgos influentes em Castela e detinham alguma influência em Portugal e poderiamn tentar retirar os direitos ao trono de D. Fernando, legítimo herdeiro de D. Pedro.
--- É assim que el-Rei D. Afonso aceita os conselhos de Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco - este era um conhecido inimigo de Castela - e manda que matem D. Inês, o que estes fizeram, degolando-a no dia 07 de Janeiro de 1355, na cidade de Coimbra, quando D. Pedro se dedicava ao seu desporto favorito: a caça! Logo que regressa, D. Pedro viu a sua amada morta, desencadeando uma guerra que apenas findou em Agosto de 1356. No ano seguinte morre D. Afonso IV. A primeira decisão do novo Rei é fazer um acordo com seu primo, D. Pedro I de Castela, para a extradição de Álvaro Gonçalves e Pero Coelho, em troca de dois nobre Castelhanos que estavam exilados em Portugal. Diogo Lopes Pacheco logrou fugir para França, escapando assim à vingança de D.Pedro.
--- Conta o cronista Fernão Lopes que aos assassinos, levados para Santarém, o Rei mandou arrancar o coração, a um pelo peito e ao outro pelas espáduas, "e tudo o que se passou seria coisa dolorosa de se ouvir". Não satisfeito, D. Pedro "mandou que os queimassem, o que foi feito no mesmo localonde estava, frente aos paços , para que pudesse, quando dormia, poder olhar aquilo que mandara fazer!"
--- Mas a surpresa estava para vir: D. Pedro, no ano de 1360, decorria o mês de Julho, comunicou à Corte que, seis anos antes, havia casado com D. Inês de Castro, secretamente. Pouco tempo depois mandou trasladar os restos mortais da amada para o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Talvez o trauma fosse apenas o que poderia explicar alguns aspectos relacionados com o carácter de el-Rei D. Pedro I, pois ele revelou ser um excelente monarca, que soube manter o Reino em paz externa e consolidou assim a independência do Reino face à Igreja, através do "Beneplácito Régio", que fazia depender da autorização real a divulgação dos documentos papais.
--- Há uma grande divergência de opiniões sobre qual o cognome a dar a el-Rei D. Pedro, que uns apelidam de "o Cruel" ou "Crú", como o primo castelhano, o "Justiceiro" ou o "Vingativo". Talvez o sentido de justiça, mesmo que manchada pela vingança sobre os que lhe mataram o grande amor, lhe pudesse outorgar o título de "Justiceiro", é certo, mas também temos alguma relutância quando sabemos que ele mesmo gostava de praticar a tortura sobre os presos, a quem feria cruelmente até que confessassem os seus delitos, segundo Fernão Lopes.
--- D. Pedro utilizava a tortura, uma prática medieval muito corrente ao tempo. Ele era um homem epiléptico e gago, que fez jus a todos os cognomes que a História lhe veio a tribuír.

terça-feira, 11 de março de 2008

O 11 DE MARÇO... HÁ 33 ANOS.

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--- Já se passaram 33 anos sobre um acontecimento que foi pouco explicado ao Povo Português, pois o 11 de Março de 1975 marcou o PREC de forma indelével! "Intentona" ou "Inventona" . Algum dia se saberá a verdade dos factos? No entanto, a partir do dia 12 de Março, o terror reinou em Portugal, com a exorbitante actuação da "Comissão de Inquérito", que enveredando por um critério que se lhe afigurasse mais cómodo, viu esse mesmo inquérito arquivado, por ordem de... Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves. E a frustração terá sido bem maior quando, logo a seguir, souberam que o Major Ramalho Eanes era requisitado pelo General Costa Gomes, Presidente da República e CEMGFA, para prestar serviço no seu staff, mantendo esta situação durante todo o processo de descolonização, colaborando com o General Carlos Fabião e na estruturação da tristemente célebre "5ª. Divisão", etc...etc... até ao dia 25 de Novembro.

--- Mas a "Comissão de Inquérito" - nas suas conclusões finais - já havia dado o primeiro "tiro" e acertou no alvo: acusa o Director da Rádio Televisão Portuguesa de implicação no 11 de Março... e o Conselho da Revolução considera válidas e pertinentes as razões apresentadas, demitido assim o Major Ramalho Eanes da direcção da RTP, por proposta da Comissão.

domingo, 9 de março de 2008

BRASIL...CAPITAL DO REINO



----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Rainha Dona Carlota Joaquina------------------------- Rei D. João VI
---A 8 de Março do ano em curso, ontem, comemoraram-se 200 anos sobre a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, para fugir às forças de Napoleão que, comandadas pelo General Junot, haviam invadido Portugal. Pelo seu secretismo, a fuga da Rainha D. Maria II, do princípe regente D. João e de Dona Carlota Joaquina, mais os filhos, os familiares e toda a aristocracia do Reino e toda a criadagem, não tiveram repercussões imediatas sobre a populaça, que foi assim abandonada à sua sorte. Essa coisa de os historiadores atribuirem à Rainha a vontade de, a partir do Brasil, governar Portugal, não é para se acreditar ser possível, porque jamais seria crível poder governar a tal distância.
--- No dizer do Embaixador de Portugal, Seixas da Costa, "O Brasil comemora os impactos no tecido nacional da presença da Corte. Eles tinham sido mantidos num estádio muito primário da organização institucional e a vinda da Corte provocou um choque inusitado. Esse choque é, ao mesmo tempo, o que leva à independência. E, tudo somado, leva a olhar para a vinda da Corte como um momento quase fundacional da sua própria autonomia e identidade no quadro interno."
--- Ainda estaria longe "o grito de Ipiranga", mas já havia amarras que se iam soltando, pois a influência da família real no Rio de Janeiro e o seu estabelecimento levaram a que as outras potências europeias começassem a negociar directamente com os Brasileiros, pois o Brasil havia adquirido as instituições própria de um Estado, como sejam o governo, tribunais, imprensa, banco, etc, no dizer do historiador Rui Ramos.
--- É que a Corte veio dar ao Brasil um estatuto que este nunca esperou: o estatuto de Reino. Com a morte da Rainha Dona Maria II, em 1816, D. João, que era regente do Reino, torna-se Rei, como D. João VI, passando então a Monarquia Portuguesa a designar-se Reino Unido de Portugal, do Brasil e dos Algarves.
--- Com o regresso a Portugal de D. João VI, em 1821, o Brasil tenta resistir à dependência que voltava... e acabam por proclamar a independência logo no ano seguinte, não sendo por acaso que um membro da família Real portuguesa encabeça o movimento independentista, porque o Princípe D. Pedro identificou-se imediatamente com as aspirações do Povo do Brasil na resistência à integração.
--- Pode-se contestar a justeza do acto de fuga para o Brasil, por parte da Família Real, mas se tal não acontecia, teriam a mesma sorte da família real Espanhola, que foi levada cativa pelas forças de Napoleão, tendo o governo caído na rua. Talvez tivesse acontecido o mesmo que às colónias espanholas da América Latina, que se desagregaram por completo.
---O certo é que, a partir do momento da fuga para o Brasil, jamais a Monarquia Portuguesa mereceu a confiança dos Portugueses, que não esqueciam haver da parte da Família Real uma verdadeira preferência pelo Brasil, em detrimento de Portugal. Não esqueçamos que a ida da família Real para o Brasil levou à revolta Liberal de 1820. Para além de terem deslocado para o Brasil a fina flôr do Reino, em damas e gentil-homens, também o tesouro do Reino foi levado para lá, tal como importante acervo literário, virtualhas, obras de arte... e toda uma gigantesca frota marítima, tornada necessária para transportar tudo de Portugal para o Brasil. Sabemos que a maior biblioteca existente no Brasil, é totalmente composta por alguns milhares de exemplares levados daqui... sem retorno.
--- O que Portugal fez pelo Brasil jamais será, verdadeiramente, apreciado pelo Povo Brasileiro... que até se afirma Povo irmão, convenhamos, mas que, a avaliar pela prática de muitos anos de anedotas, onde se procura ridicularizar os Portugueses - que são, depreciativamente, tratados por "portugas" - fazem que mais pareça seguirem a história de Caim e Abel. Talvez o facto da amálgama de emigrantes, vindos de todos os lados do mundo, que forma o Povo do Brasil, leve muitos a nutrir sentimentos diferentes para com os Portugueses, porque do seu legado pátrio não parte a história da Descoberta do Brasil, a sua colonização e evangelização... nem tampouco têm a seu crédito qualquer contributo para a Independência do Brasil.
--- E isso é, para nós, motivo de orgulho!

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!