quarta-feira, 9 de abril de 2008

LEIRIA NO TEMPO...SEM TEMPO...

O Teatro Dona Maria Pia... ontem
O local do Teatro D. Maria Pia... hoje
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  • * Quando, decorria o ano de 1958 - já lá vão 50 anos - se encerrou para sempre o Teatro Dona Maria Pia, passaram os filmes a ser projectados num velho "barracão" adaptado, que, noutros tempos, havia servido como "casa de espectáculos" itinerante e foi adquirido pela Associação do Teatro D. Maria Pia pela "módica" quantia de 100 contos de réis, dado o "imóvel" se encontraar, a apodrecer, no Montijo, depois de anos antes ter estado na cidade como "Teatro Desmontável da Companhia Rafael de Oliveira", a quem o País tanto ficou a dever pela extraordinária divulgação feita do teatro português... e dos actores e actrizes nacionais.
  • * Dizem as crónicas que o benemérito Leiriense, Comendador José Lúcio da Silva, resolveu "mudar as coisas" de uma forma radical: Prontificou-se a construir, co0m urgência, um novo Teatro, a ser entregue ao Município de Leiria, que das receitas potenciaria assistência social aos mais carenciados da cidade. Para cumprir a oferta feita, de que a Comunicação Social fez eco, contando a história do "Cine Barracão" e da oferta de novo espaço de cultura, tratou-se de comprar uma vinha antiga , anterioriormante pertençente à família Marques da Cruz, logo a seguir ao chamado "Pátio dos Burros" e ao Campo da Feira. Procedeu-se de imediato ao lançamento da 1ª. pedra e dezoito meses após esta, numa noite "mágica" de sábado, dia 15 de Janeiro de 1966, o então Presidente da República, Almirante Américo Thomaz, preside à inauguração do cine-teatro, que acabou por se chamar "José Lúcio da Silva", como agradecimento da dádiva.
  • * Segundo a opinião de alguns leirienses ilustres, e não só, a demolição do Teatro de Dona Maria Pia foi um crime de lesa-cidade, quiçá lesa-Pátria, pois com ele desapareceu uma das mais importantes salas de espectáculos deste País. O "Dona Maria Pia" foi um dos primeiros teatros de concerto que se erigiram em Portugal, ainda nos tempos da Monarquia, possuíndo um palco à italiana, onde se podia fazer teatro, concertos musicais de alto gabarito, ópera... enfim: todo o tipo de espectáculo. Era uma sala com micro clima requintado, inolvidável, com cheiro e charme, que possuía uma utilidade e tradições culturais sem medida... mas foi bárbaramente deitado abaixo para que, em seu lugar, se pudesse fazer... nada de importante.
  • * Alguém escrevia assim: "O meu cinema por excelência foi o saudoso e portentoso 'Teatro D. Maria Pia', assassinado de uma forma ignóbil por gente estupidamente inculta e sem um mínimo de sentido de conservação do património!" ... " Um dos momentos mais conturbados da história sócio/cultural da cidade de Leiria, foi a demolição do Teatro D.Maria Pia. Este teatro já vinha de tempos idos, pois a sua história começou nos finais do séc. XIX. As gerações mais recentes, provavelmente, nem ideia fazem do seu enredo e das consequências futuras para a a cidade e região limítrofe, tendo em conta que ficámos sem Teatro durante muito tempo e que uma referência incontornável da história de Leiria despareceu, completa e definitivamente, da paisagem do centro da cidade. Estou a falar de um Teatro, que existiu em Leiria, e que poderia e deveria ter sido preservado. O que, desgraçadamente, não aconteceu. Por obra e graça da estupidez e ganância dos homens.
    O aspecto exterior do Teatro não era nenhuma obra de arte, como se pode vêr na fotografia... Mas o seu interior era deslumbrante. Ainda hoje, se tivesse sido preservado, seria um dos espaços teatrais mais emocionantes que existiria em Leiria."
  • * Muito mais haverá para dizer sobre este caso... mas a seu tempo se irá fazendo a história do Teatro D. Maria Pia. Quanta saudade: O Senhor Paiva, o Tenente Miranda, o Senhor Tótó, o João "Alemão", o Senhor Emílio da bilheteira... aquele cheiro tão característico de uma sala antiga, o magnífico pano de cena, o gongue a convidar a entrar para se iniciar a sessão. É bem verdade que também se morre de saudade... e a saudade do D. Maria Pia é tremenda.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!