quinta-feira, 24 de abril de 2008

DIA DO QUÊ?... LIBERDADE?... QUAL?

  • * Faz amanhã trinta e quatro anos que um grupo de militares, "de consciência cívica acima da média!" - segundo se dizia na Comunicação Social de então - resolveu fazer um golpe de Estado para derrubar o regime vigente ao tempo. Não se pode dizer que não fosse necessária alguma temeridade para levar a missão por diante, mas, porque o Povo estava cansado de vêr partir os seus filhos para as terras distantes a que, mercê das incalculáveis riquezas produzidas pela terra, algumas potências tinham intenção em deitar as mãos, para conseguir aquilo que tantos anos levou e tantas traições suscitou para correrem com os Portugueses de lá, a tarefa dos "gloriosos militares de Abril" estava por demais facilitada.
  • * Foram os militares de Abril quem abriu as portas às independências, com todas as consequências que se conhecem, tais como as guerras civis... que acabaram por acontecer em Angola e Moçambique, o regresso à Metrópole de milhares de retornados, que deixaram para trás o fruto de muitos anos de trabalho, para não falar das muitas vidas que se destruiram no holocausto de umas independências que custaram a Portugal um preço incalculável... e que ainda hoje estamos a pagar.
  • * Se alguém, de bom senso, reflectir naquilo que foi o pós Revolução de Abril, com um PREC de fazer medo às pedras da calçada, onde as perseguições, os ajustes de contas, as amplas liberdades, os assassinatos políticos, de corpo e de espírito, as greves, os comícios, as manifestações e contra-manifestações, as canções (?) de intervenção, os debates, os mil e um rótulos com que se mimoseavam os patrões, os proprietários, os que procuravam viver acima de qualquer suspeita, apenas com o fruto do seu trabalho... certamente que se interrogará o porquê de tantas coisas que aconteceram neste País, apenas porque se falava de liberdade... mas ficou-nos a noção de que imperava a anarquia, a falta de vergonha política, o vale tudo para fazer prevalecer ideologias as mais dispares. O Povo estava embriagado por tantas promessas que lhe eram feitas, umas demagógicas, outras irrealistas, umas ditadas pela razão e pelo coração, outras apenas como manipulação. As massas trabalhadoras estavam a ser esmagadas pelo oportunismo de muitos, que não pensavam noutra coisa que não fossem votos. Porque o voto é a arma do Povo, dizia-se. E o Povo, sempre o Povo, lá vai como cordeiro a caminho do redil... mas o lobo apenas espera a oportunidade para se banquetear.
  • * O 25 de Abril será sempre uma data em que a realidade é o Povo continuar a viver com a esperança de que a democracia um dia chegará! Mas o que é real é ela estar a tardar para aqueles que por ela mais anseiam, como sejam os carentes da justiça social, da saúde, da educação, da justiça, da segurança do posto de trabalho, do inalienável direito de serem cidadãos de corpo inteiro no seu próprio País.
  • * Quando os direitos dos Portugueses forem de igualdade de oportunidades, sem olhar à cor partidária, então é porque chegou finalmente o 25 de Abril a todos os cidadãos... e isso será bom!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O INFANTE ...


Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

(Fernando Pessoa)

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!