sábado, 24 de maio de 2008

HISTÓRIAS QUE A HISTÓRIA ESCONDE... I

BRASÃO DO INFANTE D. PEDRO
















--- Quando me debruço sobre os "Altos Infantes", a "Ínclita Geração" dos filhos do rei de Boa Memória, João I, fico sempre em riscos de caír, pela constante descoberta de que estes Infantes não eram, em absoluto, irmãos iguais aos outros, pois viviam por demais sujeitos àquilo que de bom ou de mau vinha da Côrte.
--- Após haver descoberto os podres que levaram ao sacrifício do Infante Santo, D. Fernando, tenho agora o desconsolo de descobrir que o Infante D. Pedro, Duque de Coimbra, que terá sido dos mais lúcidos governantes do Reino de Portugal, foi também ele vítima da sordidez de uma Corte apodrecida, onde a inveja de um infame de nome Afonso, conde de Barcelos e meio irmão de D. Pedro, tornou impossíveis as relações entre este e o jovem rei D. Afonso V. Tudo por causa das calúnias lançadas sobre, fazendo acreditar aquele garoto de 14 anos, que até era o rei de Portugal, de que havia chegado o momento de castigar D. Pedro pela sua malvadez.
--- Em 1448, dois anos após a subida ao trono, D. Afonso V exalta-se e dispensa os serviços do sogro. Dizia-se que seria por D Pedro haver tomado o lugar do seu falecido pai ou por haver provocado a fuga e morte de sua mãe. O Infante D. Pedro está incrédulo e pensa que "...este reizinho merece é umas palmadas".
--- Magoado, mas não desejando criar problemas, pois acreditava que o jovem rei cairia em si, D. Pedro retirou-se para Coimbra, abandonando a Corte. O seu sobrinho e genro, Rei D. AfonsoV, casara com a filha de D. Pedro, Dona Isabel, andava a dar rédea solta às intrigas contra si urdidas pela nobreza caluniadora, esta orientada pelo conde de Barcelos, tornado duque de Bragança graças a D. Pedro, pelo conde de Ourém ou pelo arcebispo de Lisboa. Estes nobres adulam e enredam o moço rei, assustam-no e vão-lhe dizendo que D. Pedro apenas pretenderia derrubá-lo para assim poder entregar a coroa a um dos seus filhos. Diziam-lhe que el-Rei deveria tratar de se livrar de seu tio e sogro, porque não seria homem de confiança, acusando-o até ser culpado por, no ano anterior à coroação, D. Leonor de Aragão, a rainha-mãe, haver morrido envenenada em Toledo, a mando do Infante D. Pedro.
--- O rei, embriagado pela intriga urdida pelos caluniadores, que mantinham D. Afonso V refém dos seus embustes, tratou de afastar todos os que eram fiéis partidários do Infante D. Pedro, que pediu a intercessão do Infante D. Henrique, seu irmão, para que o ajudasse a desenlear aquele mal entendido com o sobrinho... mas o Infante D. Henrique disse-lhe que sim... mas nada faz. Mostrava ser mais um dos vendidos da Corte, esquecendo tudo o que o irmão fizera pelo seu empreendimento dos Descobrimentos. Quem acaba por sair em defesa de D. Pedro, de forma desassombrada, denunciando o enxovalho feito por D. Afonso V ao sogro, é o Conde de Avranches, um herói cavaleiro, armado quando da conquista de Ceuta. Igualmento o conde de Arraiolos se desloca de Ceuta a Lisboa para tentar a reconciliação entre o Rei e o antigo regente, mas o monarca repudia esta tentativa.
--- O duque de Bragança sempre ambicionara ser um senhor de terras absoluto, que dispuzesse de tudo e todos a seu bel-prazer. Ele pretendia o predomínio da nobreza contra a centralização régia. No entanto, receava o prestígio do Infante D. Pedro, não lhe bastando que este houvesse retirado para Coimbra, pois achava que ele poderia, mesmo de longe, influenciar a Corte. Atiça então D. Afonso V, e o Rei, escarmentado, exige que o sogro entregue as armas que tem armazenadas em Coimbra. D. Pedro recusa tal ordem e oferece o seu seu valor em numerário, tentando mostrar a sua lealdade ao Rei. Este, não ficando contente com a resposta do sogro, ordena que o Infante consinta que o duque de Bragança e os seus homens atravessem, armados, as terras do Mondego, rumo a Lisboa. "Isto é uma provocação", murmura o Infante. "Esse traidor por aqui não passará!". Recusa a obediência ao Rei, pois recusar é uma prerrogativa senhorial que lhe pertence e dela não abre mão.
--- Para evitar ter de terçar de armas com o Infante, o duque de Bragança desvia-se de Coimbra e contorna a Serra da Estrela, rumo a Lisboa. O Rei, enfurecido, decidiu que o Infante seria condenado à morte, a prisão perpétua ou ao desterro, deixando que fosse D. Pedro a escolher a pena. O Rei manda a esposa, D. Isabel, ir a Coimbra, para transmitir ao Infante a decisão que havia tomado. D. Isabel, em lágrimas, insiste com o pai para que vá para Inglaterra, onde seu primo é o rei, ou para Bruges ou para a Hungria, onde é duque de Treviso, mas o Infante não aceita qualquer castigo. Com a sua companhia marcha para a Corte, onde pretende exigir justiça.
--- A 20 de Maio de 1449, em Alfarrobeira, perto de Alverca, surge-lhe o exército do Rei, com 30.000 homens. O reizinho imberbe levanta o braço e os besteiros disparam. Um virote trespassa e mata o Infante D. Pedro bem como a maioria dos seus acompanhantes, entre os quais D. Álvaro Vaz de Almada, conde de Avranches. Aquele garoto coroado Rei, que tudo devia ao tio, ordena uma chacina de agradecimento pelo facto.
--- Em 1483, 34 qanos após Alfarrobeira, el-Rei D. João II, o Príncipa Perfeito, filho de D. Afonso V, vinga o avô materno ao mandar executar, em praça pública, todos os cabecilhas da odiosa conspiração. Ele próprio tratou de matar, à punhalada, em pleno Paço, o duque de Viseu, seu cunhado.
--- Quando passares em Alverca, procura visitar o memorial da Batalha de Alfarrobeira, ocorrida fez, no dia 20 deste mês, 559 anos.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!