sexta-feira, 30 de maio de 2008

LEIRIA E O CASTELO...

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* Um dia, era eu ainda criança, vi parar junto ao Jardim da cidade de Leiria, uma excursão de jovens estudantes de um colégio religioso de Espanha. Uma das religiosas que acompanhavam as alunas, olhou ao redor, olhou para o jardim... e concluiu "... no tene nada para mirar! Mientras... nosotros nos vamos a caminar hasta Nazaré, que será una villa bien hermosa!...". Revoltei-me e logo ali, em perfeito 'Espanholêz', tratei de lhe dizer: - "Mira, senõra...la Nazaré no tiene nada para hustedes mirarem ! Leiria és una cidade buena, guapa! És la capital del distrito...". A religiosa talvez tenha ficado impressionada (?) com a minha veemência, pois pediu para lhes mostrar a cidade. Partimos de imediato, na direcção do Castelo. Julgo que ganhei para Leiria mais um grupo de entusiastas, porque ainda hoje lá estariam se não fosse já tarde para prosseguir a viagem de fim de curso.
* O Castelo de Leiria, queira-se ou não, é um ex-libris que se identifica com a história da cidade. Trata-se de um monumento medieval ímpar, que faz parte da história das conquistas cristãs e das guerras com a mourama, desde a fundação do Reino de Portugal. Está situado num belíssimo morro, de onde domina completamente a cidade, correndo-lhe aos pés o bucólico Rio Lis, tão cantado por Rodrigues Lobo. Foi conquistado aos mouros em 1135, por el-Rei D. Afonso Henriques, foi reconstruído em 1192, sendo a sua muralha reforçada por ordem de D. Sancho I. Foi 1º. Alcaide D. Paio Guterres, que tem o seu nome inscrito numa artéria da zona histórica de Leiria.
* Em 1195, após o último ataque muçulmano ao pequeno burgo, que se erguia dentro das muralhas do vestuto castelo, deu-se a expansão para fora de portas, estendendo-se aos chamados "Castelinhos", no sope do morro.
* Em 1254 el-Rei D. Afonso III reuniu as primeiras cortes em Leiria. D. Dinis e sua mulher, a Rainha Santa Isabel, juntamente com os filhos, decidiram residir no Castelo, promovendo-se então um enorme desenvolvimento em todos os sentidos, pois as populações sentiam-se em segurança contra os ataques mouriscos.
* No século XV começam as primeiras feiras medievais, que tiveram lugar nas ruas e vielas ao redor do Castelo, especialmente nas praças que foram construídas fora de portas. Defendido externamente por uma barbacã, a muralha é reforçada por torreões de planta rectangular. Incluídas na cerca externa temos a Porta do Sol - no Sul - onde está a Torre sineira da Sé de Leiria, e a Porta dos "Castelinhos" - a norte. No interior pode ver-se o Paço da Alcáçova ou da Rainha Santa, também conhecido por Paço Real, com diversas salas góticas e uma galeria panorâmica, com oito arcos ogivais apoiados em capitéis duplos, que mostram uma magnífica penorâmica da cidade, realçando-se o Centro Histórico com o Terreiro, a Sé, o Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, o Lis atravessando a cidade, a Praça Rodrigues Lobo...
* A Torre de Menagem do Castelo tem 17 metros e nela está instalado um pequeno núcleo museológico. Há ainda para admirar a Igreja de Nossa Senhora da Pena, em estilo gótico, os antigos celeiros medievais - hoje transformados em atelieres de arqueologia da edilidade - o Pátio Interior, a Portinha da Traição e muitas outras surpresas que fazem o Castelo ser merecedor de uma visita atenta.
* O Castelo de Leiria está classificado como Monumento Nacional.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Dona Catarina de Bragança


* Quando da Guerra da Restauração, a maior vitória foi a desempenhada pela diplomacia portuguesa ao conseguir o casamento entre a filha de D. João IV, a princesa D. Catarina, e o monarca de Inglaterra, Carlos II. Este matrimónio, que teve lugar em Portsmouth, no dia 30 de Maio de 1662, foi o responsável imediato do reconhecimento, por parte das principais coroas europeias e do mundo, da restauração da independência de Portugal, reconquistada em 1640. A Inglaterra imediatamente tratou de enviar, para o Reino de Portugal, muitos soldados para guarnecer os pontos mais desguarnecidos de defesas, especialmente no Alentejo.
* Mas ninguém pense que tudo foram rosas neste casamento, porque Dom Carlos II, a quem os ingleses do século XVII chamavam de "O Rei Alegre" ou "O Folgazão", pois ele era um homem que ia contra todos os conceitos de puritanismo de Cromwell, que foi o mandante da decapitação de Carlos Ilevando a que seu filho, vivesse o seu exílio em França e na Holanda.
* Dona Catarina tinha 23 anos ao casar e viveu nesta situação, de casada, outros 23. A saída de Lisboa foi efectuada com enorme pompa... mas Carlos II nem se dignou receber a sua noiva no porto, quando esta desembarcou, a 25 de Maio. A entrada triunfal em Londres deu-se no dia 02 de Setembro, depois de várias peripécias relacionadas com a saúde da princesa e a libertinagem d'el-Rei Carlos II, que jamais se coibiu de exibir por toda a parte a sua cortesã mais badalada, Lady Palmer, que foi duquesa de Cleveland e mãe de 5 dos doze filhos ilegítimos do rei.
*Dona Catarina foi práticamente obrigada a aturá-la como sua dama de companhia. Foi vexada e humilhada ao longo dos anos, especialmente por outra venenosa amante do rei, de sua graça Louise de Keroualle, duquesa de Portsmonth. Assim que o convívio entre o rei e as amantes começava a tornar-se maçador, tratava de arranjar novas amantes, como foi o caso de Neill Gwin ou Moll Davies, actrizes que se haviam envolvido com Carlos II, ou Catherine Pegge e "mil outras" que passaram pela sua alcova.
* Dona Catarina conformava-se com esta infidelidade do seu esposo, que se defendia com o facto da Rainha não lhe dar um filho, tendo de se socorrer de outras mulheres para arranjar um possível herdeiro da coroa entre os diversos bastardos. Também os protestantes atiravam à cara do rei o facto de que, porque casara com uma católica por causa do dote, calculado em dois milhões de cruzados em dinheiro vivo, que a Inglaterra receberia, bem como Tanger, em Marrocos e Bombaim, na Índia.
* A pobre Rainha foi ainda alvo de acusações, no âmbito das lutas entre os Whigs - protestantes radicais - e tories - partidários do rei -, que diziam ser Dona Catarina uma agente do Papa de Roma, estando ali com a finalidade primeira de lançar conspirações papistas contra as liberdades parlamentares. Carlos II protegeu sempre a sua rainha destas calúnias, defendendo-a de forma ardorosa.
* Dona Catarina de Bragança foi a introdutora do chá na corte britânica e do uso das loiças de porcelana em vez do metal. Era uma apaixonada pelas artes em geral e pela música em particular.
* Pouco antes da sua morte, o rei Carlos II converteu-se ao catolicismo, por influência de D. Catarina, que ainda veio a viver as agitações acontecidas no reinado de Jaime II, seu cunhado, que os protestantes queriam vêr destronado e substituído por um protestante holandês, Guilherme de Orange, o que veio a acontecer na "Gloriosa Revolução" de 1889. Catarina, sempre suspeita aos olhos protestantes, conseguiu regressar a Portugal em 1692, recolhendo-se ao Palácio da Bemposta. Foi regente do Reino de Portugal por duas vezes, nas ausências de seu irmão, D. Pedro II. Morreu com 67 anos, no dia 31 de Dezembro de 1705.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A encruzilhada de Leiria? É isso?


* Quando vejo qualquer coisa escrita sobre a minha cidade, "devoro" esse escrito com a avidez própria de quem ama a sua cidade-berço, seja ela qual seja.No meu caso... é Leiria! Feliciano Barreiras Duarte, um lustre lente universitário, escreveu, no "Passeio Público" do Jornal de Notícias de hoje, um artrigo de opinião subordinado ao título "A Encruzilhada de Leiria", onde diz algumas verdades que devem ser ditas, para o bem ou para o mal. Isso se lhe agradece, pois são subsídios importantes para que Leiria não perca o estatuto de "Cidade 5 estrelas" que de há muito lhe sei atribuído.
* Diz o articulista que "...o aroma da mudança anda no ar. Que já se sente mas que ainda não se vê convenientemente. Os fundamentos suporte, para estas preocupações e opiniões são dispares e na generalidade são conhecidos. Salvo melhor opinião, isto tudo é o corolário de um adormecimento de grande parte dos protagonistas da vida (sobretudo) política do concelho, que têm contado (com honrosas excepções que já vêm de longe) com o "deixar andar" de alguns dos protagonistas representantes de alguns dos poderes facticos ... É que Leiria vive uma situação de encruzilhada... que, em particular, Leiria distrito, atravessa há já vários anos. Mas que só agora se tem feito sentir de uma forma mais acentuada...".
* E é uma pena ter de dar razão ao Dr. Feliciano Barreiras Duarte, pela brilhante exposição onde demonstra que a minha cidade precisa de tomar decisões importantes quanto ao caminho a seguir nesta encruzilhada. Sendo um distrito, um concelho, uma cidade exemplar durante muitos anos, com um crescimento sustentado no respeito pelas pessoas e pelas coisas, "...é visível a perda de força e de influência política, social e até mediática de Leiria cidade e concelho, na região e no país... Acresce, a esta situação de encruzilhada, uma certa resignação... é uma pena porque Leiria continua a ter um lado bom. Com dinamismo e empreendorismo. E que quer contribuír para uma nova ambição..."
* Quem tenha estado atento, sabe que Leiria foi bastante "intervencionada" graças ao programa POLIS, que deu uma imagem diferente à cidade... mas não a ponto de sanear a ruína que a zona histórica vem desde há muito sendo transformada. Ao passar na Rua Barão de Viamonte (Direita), fico triste pelo espectáculo que me é oferecido pelas casas em ruínas. A fotografia da antiga Associação de Futebol de Leiria, mesmo em frente à Sé Catedral, é por demais conhecida dos cibernautas, não abonando muito em favor da Edilidade Leiriense, pelo abandono a que votou aquele edifício, e bem assim o prédio onde funcionava a oficina do "Afonso das biciletas", para o qual o fogo "chamou" à atenção de forma trágica.
* Mas Barreiras Duarte termina o seu trabalho com alguma esperança, quando diz: "...poucos têm dúvidas, que Leiria vai continuar por alguns anos a ser um concelho e cidade, onde as pessoas vivem melhor do que a maioria das outras zonas de Portugal." para logo a seguir dizer: " Mas, o termo de comparação e o espaço mediático regional e nacional, têm-se encarregado de mostrar realidades comparáveis. Daí que esta encruzilhada de Leiria deva, quanto a mim, ser olhada não só como um problema mas também uma oportunidade.".
* Leiria tem, na realidade,uma grande oportunidade para arrepiar caminho e tornar-se num dos melhores distritos, concelhos e cidades do país, não apenas económicamente, mas também cultural e socialmente, enchendo os seus naturais de um intenso orgulho de serem leirienses, como outrora acontecia.
* A encruzilhada para Leiria deverá ser apenas e tão só uma encruzilhada em que reencontre o seu sentido único, que será o saber-se impôr -se como uma região em que os índices de desenvolvimento em todos os parâmetros estarão direccionados para o bem estar das populações.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!