sábado, 7 de junho de 2008

DONA CARLOTA JOAQUINA... a verdade sem floreados!



* Carlota Joaquina de Bourbon e Bragança, nasceu no Palácio de Aranjuez, em Madrid, a 22 de Abril de 1775. Era filha primogénita (mercê dos vários abortos sofridos por sua mãe) do Rei D. Carlos IV de Espanha e da Rainha Dona Maria Luisa Teresa de Parma e Bourbon. Sua mãe, assim que ela nasceu, levou-a à presença do famoso místico - bruxo, se assim o entenderem - Conde de Sant Germant, para que ele lesse a mão da pequenita Carlota e dissesse qual o futuro que lhe estava destinado. Sant Germant terá então dito à Rainha Luísa de Parma: "...Senhora... a vossa filha será uma rainha sem coroa, será uma mulher sem amor e será uma mártir... martirizando os outros!"

* Não sabemos se houve ou não tal premonição... mas a verdade é que estas palavras se cumpriram, fosse como fosse. Esta Infanta de Espanha e princesa de Portugal, Rainha de Portugal e dos Algarves e Imperatriz honorária do Brasil, não passou de uma mal amada e por demais enigmática figura da nossa História. Dela se dizia que nunca soube escolher o lado correcto dessa mesma História e muitos usaram e abusaram desse velho slogam: "DE ESPANHA... NEM BOM VENTO NEM BOM CASAMENTO!". À sua volta foram sendo criadas muitas histórias... e uma "lenda negra" como que perpassava pela sua vida. Sendo feia a mais não poder, uma depravada sexual, ninfomaníaca notória, coleccionando mais adultérios que jóias ostentava a Coroa do Reino, uma traidora até mais não poder e uma completa nulidade culturalmente, podendo afirmar-se que a ignorância poderia ser o seu brasão, no dizer dos detractores. Era justa ou injustamente acusada? Como quer que seja...

* Carlota Joaquina casou com o Príncipe D. João - que viria a ser, mais tarde, D. João VI - no dia 09 de Junho de 1785. D. João tinha 18 anos e Dona Carlota não passava de uma miúda com 10 anos, havendo até necessidade de aguardar que ela completasse 15 anos para que fosse feita a "confirmação matrimonial" no régio leito. A jovem Carlota passou a infância e adolescência afastada da família... mas tal não evitou que viesse a herdar da mãe toda a arte da promiscuidade e devassidão adúltera. Era uma mulher de insaciáveis apetites... mesmo que se apresentasse senhora de um corpo repugnantemente feio, mal feito, mais se parecendo com uma megera horrendamente magra e desdentada . Dizia-se que pelas veias apenas corria podridão e não sangue, porque havia uma viciação sanguínea nos Bourbons já com três séculos de existência, mercê dos casamentos contra natura por eles praticados.

*Mesmo havendo um casamento de 36 anos com D. João VI, a vida em comum foi bastante curta, porque, depois da conspiração de 1805/06, D. João perdeu toda a confiança em Dona Carlota... e separaram-se, passando o casal real a viver cada um para seu lado. Diz-se que el-Rei D. João VI passou a dedicar-lhe um ódio de morte, chegando ao ponto de, sempre que via o coche de sua mulher aproximar-se, nas estradas que o levavam ao Palácio de Queluz, gritar, indignado, para o cocheiro: - "Volta para trás! Vem aí a puta e não me quero cruzar com ela!". Dizia-se ainda que, em relação aos nove filhos do casal - estavam zangados, vejam só se não estivessem -, é muito provável que o futuro D. Pedro I do Brasil - IV de Portugal - fosse mesmo filho de D. João VI. Quanto aos outros... um seria até filho do almoxarife do Paço, conta-se, e os outros teriam parecenças com alguns dos oficiais da guarda. Cala-te já, boca víperina!

* Entre os muitos amantes, atribuídos a Carlota Joaquina, estariam o 6º. Marquês de Marialva, Junot - Marechal de Napoleão -, o Almirante Sidney Smith, da Marinha Inglesa, Manuel Sabatini - oficial da Guarda de Dona Maria I -, mas também se falava do cocheiro João dos Santos, da Quinta do Ramalhão - Sintra. El-Rei, que gostava de se manter informado sobre os romances da esposa, dizia apenas: - "Na vida de Carlota, a moralidade está morta...!"

* O humor de Carlota Joaquina era bastante inconstante. Quando estava de péssimo humor, tinha a capacidade de mandar castigar, com chicotadas, os viandantes que não dobravam os joelhos à passagem da sua comitiva. O Princípe não podia colocar a sua autoridade em risco e procurava manter Dona Carlota sempre bem vigiada pelos seus agentes secretos, que contratava para o informarem sobre todos os passos da esposa. No entanto, a voluntariosa Carlota Joaquina logo tratava de comprar alguns desses espiões, para que a fossem mantendo informada sobre tudo o que se ia passando no Palácio Real ou na Quinta da Boa Vista. Um espião, em particular, ficou muito conhecido na época, por trabalhar para ambos os lados, em simultâneo. Era ele Francisco Gomes da Silva, por alcunha "O Chalaça". Das várias informações relatadas ao Príncipe, algumas eram irrelevantes, mas havia outras bastante graves, como era o caso dos vários amantes de sua real mulher ou as tramas que ela articulava contra o Princípe, no intuito de lhe conseguir retirar o poder das mãos.

* Em 1816, após o falecimento de Dona Maria I, Dona Carlota Joaquina foi declarada rainha de Portugal. Morreu no Palácio de Queluz, em Lisboa, no dia 07 de Janeiro de 1830.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!