sábado, 14 de junho de 2008

HISTÓRIAS QUE A HISTÓRIA ESCONDE... II

* Como já ficou postado em escrito anterior, D. JoãoII fez juz à fama de sanguinário, mesmo que por razões de Estado, situação de certo modo "aceitável" dentro das medidas adoptadas para centralizar o poder desse mesmo Estado, que ele quereria absolutista como a maioria dos Reinos europeus de então. É que era decisivo dar um impulso maior à política expansionista e D. João aspirava poder encontrar a Índia.
* Pelas razões invocadas, e porque era necessário tirar a nobreza do seu caminho... decide D.João II condenar à morte o primo D. Fernando, 3º. Duque de Bragança, que era "apenas" o mais poderoso e rico nobre da Corte Portuguesa. Para a execução escolheu-se como data o dia 20 de Junho do ano de 1483 e a cidade de Évora como local. Para "gáudio" do Rei, que via assim passarem para as suas mãos todos os bens confiscados ao primo, este subiu ao cadafalso e foi degolado perante uma multidão, que viu compungida, aquele espectáculo tristemente macabro.
* Diz-se que el-Rei não tinha as mãos sujas do sangue do primo, porque teria sido um tribunal composto por juízes, por representantes da nobreza a da burguesia, a julgar e a condenar D. Fernando por traição. No entanto, este processo foi movido pelo Rei, alegando haver uma conspiração, descoberta desde há muito, que seria chefiada pelo Duque de Bragança e envolvendo outros nobres aristocratas e com o beneplácito dos Reis de Espanha, Carlos e Isabel. Foram apresentadas cartas dos monarcas de Espanha e testemunhos de alguns membros da criadagem dos acusados de conspirar, pelo que o tribunal deu como provadas as acusações e não esteve com contemplações: SÃO RÉUS DE MORTE!
* Segundo escreveu o cronista Ruy de Pina, o Duque de Bragança - que havia dito poder juntar mais de 3.000 cavaleiros e 10.000 soldados nas fortalezas e vilas de que era senhor - foi conduzido à principal Praça de Évora. No meio de enorme aparato, "chegou-se a ele, por detrás, um homem grande... que o lançou de costas... e, com um grande e agudo cutelo... perante todos lhe cortou a cabeça".
* Com a morte de D. Fernando, os irmãos deste foram mandados para o exílio, sendo o marquês de Montemor, que havia fugido às garras da justiça do Reino, degolado na "pessoa" de uma estátua. D. João juntou aos bens da Coroa mais uns tantos castelos e vilas, para não falar noutros, conseguidos com estas mortes, mas a aristocracia não estava vencida e o radicalismo de D. João II, se bem que lhe trouxe mais poder, também lhe trouxe muitos ódios daqueles que haviam perdido poder e bens para o Rei, que bem sabia quais os sentimentos que estava a grangear, de tal forma que continuou o castigo daqueles que ele dizia também estarem implicados na conspiração anterior, por cumplicidade ou por participação. E então o cunhado (e primo), irmão da Rainha D.Leonor, D. Diogo, Duque de Viseu, que até chegara a acreditar poder vir a ser Rei por morte de D. João II,l é indigitado como cabecilha de uma nova conspiração, até porque o Rei tinha uma rede de informadores e uma guarda pessoal bastante bem organizada, da qual faziam parte Afonso de Albuquerque e Duarte Pacheco.
* Para acabar o mal pela raíz, D. João II mandou que o cunhado o visitasse no Castelo de Palmela... e aí ele mesmo o apunhalou, no dia 22 de Agosto de 1484. Os presumíveis cumplices foram reprimidos de uma forma cruel e sanguinária, estando entre eles o Bispo de Évora, D. Garcia de Meneses, que foi metido dentro de uma cisterna seca até que viesse a sucumbir. Um fidalgo que logrou fugir para França, onde pensava estar a salvo, foi ali assassinado por um esbirro ao serviço de D. João II.
* Para um "Principe Perfeito"... até que não esteve nada mal, não acham?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

SANTOS POPULARES... EM LEIRIA

.... Em tempos que já lá vão, o António Mourão cantava "Óh tempo, volta para traz...", mas é nestes dias dos Santos Populares que mais se nota essa necessidade, especialmente na bela Princesa do Lis.
.... Quando era criança (Ai à quantos anos, eu parti, chorando...), recordo com carinho a enorme azáfama que se vivia um pouco por toda a cidade, na preparação das fogueiras e dos arraiais populares que os Santos suscitavam.
.... O Bairro dos Anjos, o da Restauração, o Terreiro, a Fonte Freire, as Olarias, o Largo de Santo Agostinho, o Pátio dos Burros, o Largo da Sé, o Largo do Gato Preto e em tantos outros locais se viam os balões pendurados, no meio de flores de papel multicolorido e raminhos de palmeira, de alecrim ou de carrasqueira. O morro do Castelo é um grande fornecedor de matéria prima, como também o Alto dos Capuchos, nas imediações do Hospital Militar, a Quinta do Cabeço ou nos matagais existentes na Rua do Padre António.
.... Pela noite dentro, era ver os Galuchos do Regimento de Infantaria 7 ou de Artilharia 4, tão animados pela companhia das suas sopeirinhas, que aproveitam a ocasião para "perguntar" às alcachofras se será desta ou não que irão encontrar o seu bem amado. Para o efeito, elas colocavam ao luar as alcachofras que haviam queimado na fogueira, quando andavam a saltar esta, esperando agora que elas voltem a florir. - " Óh rapariga solteira, toma atenção no que eu digo, se queres saltar a fogueira, salta a fogueira comigo!"
.... A tradição do Bairro dos Anjos é histórica desde há muito tempo, e as suas gentes não poupam esforços para que tal aconteça... e até costumam levar de vencida as agremiações mais conhecidas, como o Ateneu, o Orfeão, o Grémio Literário, a Assembleia Leiriense... e até a própria Câmara costuma perder na disputa com aquele Bairro.
"E tu, óh Bairro dos Anjos,
tens fama de ser bairrista...
...como o teu nobre Castelo,
és típico ... e mais fadista!
...
O Bairro passa, a cintilar,
tantas estrelinhas que parece o céu andar,
não digas sim, não digas não...
...porque o Bairro dos Anjos também tem balão!
...
Óh noites de Santo António,
óh Leiria de encantar...
...de alcachofras a florir, os foguetes a estoirar.
Enquanto houver Santo António...
enquanto houver arraiais...
enquanto houver Bairro dos Anjos,
Leiria não morre mais!
...
Adaptado

quinta-feira, 12 de junho de 2008

´"ÓH NOITES DE SANTO ANTÓNIO..."

* Amanhã, dia 13 de Junho, celebra-se a memória do santo e doutor da Igreja, de grande devoção popular: Santo António. Nasceu este Santo no ano de 1195, na cidade de Lisboa, numa casa que existiu no local onde hoje está situada a sua Igreja, ali bem juntinho à Sé Patriarcal, onde fez os primeiros estudos eclesiásticos. Morreu aos 36 anos, perto da cidade de Pádua, na Itália, em 1231. Por essa razão também é conhecido como Santo António de Lisboa ou de Pádua.
* O seu nome de Baptismo era Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo.
* Este Santo é um dos mais queridos em todo o mundo. Lisboa honra-o com as Marchas Populares, que se inserem nas Festas da cidade desde há muitos anos, organizando arraiais populares por todos os bairros mais típicos, onde não falta uma animação bastante própria, com arquinhos, balões, música e sardinha assada... para não falar do vinho e cerveja que corre a jorros nesses dias.
* Antigamente faziam-se os tronos ao Santo António e toda a gente se juntava ao redor da fogueira, onde os namoricos queimavam alcachofras... com a esperança no porvir que lhes era gvarantida se as mesmas florissem de novo.
* Os cachopos pediam "UM TOSTÃOZINHO PARA O SANTO ANTÓNIO", mostrando aos transeuntes os seus tronos enfeitados e encimados com a imagem do Santro padroeiro da Cidade.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!