sexta-feira, 18 de julho de 2008

A LITERATURA BARROCA...

Pe. António Vieira
* O barroco literário, teorizado em Espanha por Batazar Gracián e ilustrado pela poesia labiríntica de Góngora, anima em Itália as subtilezas de Marino, na Alemanha o patético de Andreas Gryphius e o humos picaresco de Grimmelshausen, em Inglaterra as delicadezas do eufuísmo. Inspirou, em França, o hemetismo de Maurice Scève, os refinamentos macabros de Jean de Sponde, a mitologia sensual de Theóphile de Viau, as violências visionárias de Agripa d'Aubigné.
* Em Portugal, a Corte na Aldeia (1619), de Francisco Rodrigues Lobo, teoriza o cultismo e o conceptismo que estão na base do jogo poético que será desenvolvido nas academias que, a partir da dos Singulares (1628), florescem em Portugal e no Brasil. Essa produção será recolhida em dois cancioneiros, a Fénix Renascida (4 volumes, de 1715a 1728) e o Postilhão de Apolo (2 volumes, de 1761 e 1762), onde se revelam poetas notáveis como D. Tomás de Noronha, António Barbosa Bacelar, Frei Jerónimo Baía, António Fonseca Soares (que depois acabará por professar, tomando o nome de Frei António das Chagas). Também algumas mulheres se destacam na produção poética do barroco, como Sóror Violante do Céu e Sóror Maria do Céu.
* A literatura religiosa utiliza a estética barroca, que adquire um papel nuclear nos sermões e escritos doutrinários do Padre António Vieira, Manuel Bernardes e António das Chagas.
* Arte do reflexo e da aparência, através dos temas favoritos da água, do espelho e da máscara, o barroco éna realidade um estilo fortemente estruturado que se funda num sistema de antíteses e de simetrias. As metáforas e as perifrases desempenham aí o mesmo papel que as volutas e as espirais na organização dos volumes arquitecturais, assegurando ao mesmo tempo a presença constante da imaginação e da surpresa.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A DESCIDA DE PORTUGAL AO INFERNO...

Pessoa no Chiado
* A 29 de Novembro de 1938, Fernando Pessoa escreveu, com um lápis, a sua última frase: - "I know not what tomorrow will bring" (não sei o que o amanhã me trará). Havia sido internado no Hospital de S. Luis dos Franceses, no Bairro Alto, em Lisboa, com uma cólica hepática. Às 20H00 do dia seguinte, pediu os óculos para ver melhor... e meia hora depois morria aquele que fora o maior poeta, tradutor e amador de astrologia que traçou a carta astrológica de Portugal.
* O mapa astrológico de Portugal pressagia um momento de grande escuridão, uma espécie de descida aos infernos, num período anterior a 2088, embora o seu autor não tivesse especificado a data. Escândalos, perda de moralidade e, sobretudo, de nacionalidade foram alguns dos maus presságios.
* O historiador António Telmo baseou-se nas pistas deixadas pelo Poeta e no seu livro "HORÓSCOPO DE PORTUGAL", editado em 1996, conta como descobriu os métodos dos cálculos astrológicos de Pessoa. Através do mapa astral pessoano, onde só estão casas assinaladas e seus graus e uma coluna ao lado com datas, Telmo elabora o seu mapa astral e apoia-se, igualmente, na própria interpretação feita pelo Poeta numa carta dirigida ao Conde Keiserling (encontrada no espólio de Teixeira da Mota).
* Na feitura do mapa, Fernando Pessoa valoriza duas datas: a de 05 de Outubro de 1143 e a data de 1096 como o verdadeiro começo do Condado Portucalense. O signo do Sol corresponde a Sagitário e o ciclo de vida de Portugal será de 992 anos, que é o tempo de uma revolução solar. Tudo isto quer dizer: Quando o Sol, na sua revolução solar, voltar ao 7º. de Sagitário, em 2086, termina o ciclo, embora Pessoa diga que este não se fecha sobre si próprio porque chegado o fim, haverá o segundo e o terceiro Portugal. Por isso, assegura, o país continua a ser uma nação até 2136.
* Mas... o que é isso de 1º., 2º. e 3º. Portugal? Simplificadamente, são ciclos de vida do país que se poderão repetir. Confuso? A explicação: o 1º. Portugal, "nasceu com o próprio país", diz Pessoa. O 2º. Portugal, explica, é a "segunda alma portuguesa, nascida com o começo da nossa segunda Dinastia" e finda com a morte de D. Sebastião. Quer isto dizer, segundo o Poeta, que Portugal entrou num mundo subterrâneo por causa da perda da independência. "O terceiro Portugal... é aquele que, depois de uma curta dominação espanhola, e durante todo o curso inanimado da dinastia de Bragança, da sua decomposição liberal , e da República, formou esta parte do espírito português moderno, que está em contacto com a aparência do mundo. Esta terceira alma portuguesa é apenas um reflexo mal compreendido do estrangeiro; segue a civilização como uma criança segue o estrangeiro que passa, por uma hipnose, não só do homem, mas só do seu caminhar".
* Na descrição do 3º. Portugal, Pessoa considera os portugueses superficiais, com pouca consciência, ainda entretidos com o mundo das aparências, em que os intelectuais e não só estão hipnotizados pelos estrangeiros, esquecendo a sua cultura, imitando e importando tudo quanto vinha de fora.
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Texto de M.Fernanda Birrento - Domingo Magazine

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!