domingo, 2 de novembro de 2008

OS MILITARES...ONTEM...HOJE...

Hoje é o dia de Fiéis Defuntos! Neste dia, desde há muitos anos, é tradição recordarem-se aqueles que já partiram para o Pai, cumprida que foi a sua missão terrena. E na "Tropa" não é excepção, até pelo facto de haver muitos Militares que deram a vida pela Pátria... que tão mal vem reconhecendo aquilo que tantos dos seus filhos por ela fizeram, em tempos não muito recuados, mas que a insensibilidade de alguns teima em tentar apagar da memória colectiva "AQUELES QUE POR OBRAS VALEROSAS, SE VÃO DA LEI DA MORTE LIBERTANDO"!
Julgo que talvez fosse oportuno pararmos um pouco para meditar até que ponto há justiça no ostracismo a que são votados os antigos Combatentes do Ultramar, enquanto tratam de elevar à categoria de "Militares de élite, que honram a farda envergada e dignificam o País e as mais nobres tradições das Forças Armadas Portuguesas" - segundo o Ministro da Defesa diz dos que andam agora, por terras estranhas, a defender interesses que nada terão a vêr com Portugal, mas que dão um certo jeito a alguns governantes, que nem sequer terão servido a Pátria como Militares, pois considerariam ser "chato" ir bater com os costados numa guerra que não lhes daria qualquer prestígio internacional e dinheiro... muito menos, pois apenas poderia servir para que pudessem vir a engrossar o número daqueles que no dia de hoje se recordam...
Os Militares de hoje, como profissionais que são, vão voluntáriamente morrer pelos interesses de outros, que lhes pagam generosamente para, como mercenários, embarcarem naquela já estafada cantilena de que estarão ao serviço das Nações Unidas, a contribuír para a paz entre aqueles povos... mesmo que seja numa terra que não nos diz nada, como diziam, históricamente, as terras do antigo Ultramar. Sabe-se que o anátema teria de caír sobre alguém, havendo assim necessidade de se acabar com as esperanças de que os antigos Combatentes possam almejar alcançar um final de vida em que tenham um pouco mais da dignidade que, pelo facto de terem ousado andar por terras de África a lutar em defesa do solo Pátrio, porque o eram, de facto e de jure, a Guiné, Angola, Moçambique, Macau, Timor, São Tomé, Goa, Damão e Diu... e sabe-se que nenhum Tribunal Internacional deixou alguma vez de reconhecer estarem esses território debaixo da soberania portuguesa.
Há o direito inalienável de qualquer povo vir a adquirir a sua autonomia e independência, mas isso é um outro caso, totalmente distinto dos direitos de soberania consignados a Portugal. O que agora está em causa é se terão, ou não, os antigos Combatentes do Ultramar o direito a poderem morrer com dignidade, a serem respeitados pelo seu passado, que não escolheram, antes lhes foi imposto pela inerência da sua condição de Homens... e por tal razão terão visto a sua vida passar sem que tivessem a oportunidade de viver a sua juventude, pois não puderam andar a coçar o rabinho pelas esquinas ou naquele "dulce-fair-niente" vivido pelos actuais "filhos da noite", que prestam culto às drogas, aos shot's de toda a ordem, à cerveja a rodos, aos piercing's e tatuagens, à vida dissoluta e desregrada de uma juventude que não cultiva quaisquer valores... porque estes não lhe são incutidos por aqueles que vão contribuíndo para que tenhamos um Portugal moribundo, a definhar cada vez mais e mais, a pontos de não se encontrar, daqui a nada, uma data conveniente para se possam comemorar todos os que já partiram deste mundo caótico, porque seremos mais um País de mortos vivos, onde apenas se pode esperar por uma vaga nos crematórios ou nos cemitérios, para, finalmente, se poder descansar.
Aos Militares mais velhos, aqueles que lutaram por Portugal em África, restará apenas a consolação de que não lhes poderão colocar rótulos de cobardia por terem movido os céus e a terra para não irem parar à guerra, ou haverem desertado, usando os mesmos argumentos, ou usado outras daquelas matreirices que muitos arranjaram para fugir à vida dos quartéis... porque a estes isso retira-lhes qualquer direito a julgarem aqueles que conquistaram, pelo sacrifício das suas vidas, da sua juventude perdida, do envio para as terras do fim do mundo, a destruição da saúde, para sempre afectada pelo stress de uma guerra que não quizeram, mas em que se sacrificaram pela salvação de muitos seres que deles receberam a dádiva da vida, o direito a viverem o resto dos seus dias sem terem que mendigar um pedaço de pão, apenas e tão só porque o Governo do seu País os abandonou.
Àqueles que tombaram em holocausto da Pátria, "DAI-LHES, SENHOR, O ETERNO DESCANSO, ENTRE OS EXPLENDORES DA LUZ PERPÉTUA! QUE AS SUAS ALMAS DESCANSEM EM PAZ!"

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!