sexta-feira, 14 de novembro de 2008

LEIRIA, CIDADE ANTIGA... I

* A região onde se situa Leiria, é habitada há muitos e longos tempos, mas a sua história é bastante precoce e... quiçá obscura.
* Os Turduli, um povo indígena da Ibéria, havia-se estabelecido num povoado que se situava num local a mais ou menos 7 km daquele onde hoje está situada a Leiria actual. Esta povoação veio a ser ocupada pelos Romanos, que trataram de a fazer expandir com o nome de Collippo. Algumas pedras da anciã cidade romana vieram a ser usadas, na Idade Média, na construção de uma parte de Leiria.
* Pouco se sabe sobre aquela área nos tempos dos
Visigodos. No entanto, durante o domínio árabe, Leiria era já uma vila com praça, que veio a ser capturada em 1135 pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, no período da Reconquista. Mas a localidade veio a ser retomada pelos mouros em 1137 e em 1140. No ano de 1142, Afonso Henriques voltou a reconquistar a cidade de Leiria, que veio a receber, nesse ano, o seu primeiro foral, atribuído para estimular a colonização daquela área.
* Os reis esforçaram-se na reconstrução das muralhas e do castelo da vila, para evitar novas incursões mouras. Na sua maioria, a população vivia dentro das muralhas protectoras da cidade, mas no século XII já uma parte da população vivia na parte exterior da muralha. A mais antiga igreja de Leiria, a Igreja de São Pedro, que foi construída em estilo românico no último quartel do século XII, servia a freguesia exterior às muralhas.
* Durante a Idade Média, a importância da vila aumentou, e foi a sede de diversas Cortes. As primeiras Cortes realizadas em Leiria realizaram-se em 1254, durante o reinado de D. Afonso III.
* No início do século XIV (1324), D. Dinis mandou erguer a torre de menagem do castelo, como poderá ser constatado numa inscrição existente nessa torre. O mesmo rei mandou também construír uma residência real em Leiria - actualmente completamente perdida -, e veio a viver longos períodos na cidade, a qual veio a doar como feudo à esposa, a Rainha Santa Isabel.
* Este rei ordenou igualmente a plantação do Pinhal de Leiria, junto à costa com o Oceano Atlântico. As madeiras produzidas neste pinhal foram usadas, anos mais tarde, na construção das naus com que se fizeram os Descobrimentos portugueses, nos séculos XV e XVI. No século XV, os judeus vieram a desenvolver nesse concelho uma das suas mais notáveis comunidades, chegando a empreender uma florescente actividade industrial.
* Em finais do século XV, el-Rei
D. João I mandou construir um palácio real dentro das muralhas do castelo. Este palácio, com elegantes galerias góticas, possibilita vistas maravilhosas da cidade e do meio envolvente, mas degradou-se totalmente e ficou em completa ruína... que veio a ser parcialmente reconstruído no século XX, graças à acção do Arquitecto Suiço Ernesto Korrody, que fez o levantamento e dirigiu a reconstrução possível.
*D. João I terá sido também o responsável pela reconstrução da Igreja de Nossa Senhora da Pena, que fica dentro do perímetro do castelo e está construída em estilo gótico tardio.
*No século XV, a cidade continuou a crescer e veio a ocupar uma área que vai desde a colina do castelo até ao rio Lis.
*Foi em Leiria que se imprimiu o primeiro livro em Portugal, na tipografia do judeu Abraão Zacutto.
*Em 1510, el-Rei D. Manuel I outorgou à vila um novo foral. Em 1545 foi Leiria elevada à categoria de cidade, tornando-se sede de Diocese. A Sé Catedral foi construída na segunda metade do século XVI, numa mistura dos estilos renascentista e maneirista.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

É DIA DE SÃO MARTINHO...

Estávamos no São Martinho, no tempo dos magustos escolares, do assar das castanhas nas colectividades, no Seminário Diocesano ou na Catequese.
Quem passava pelas tascas dos Porto Artur ou pela Adega dos Caçadores, a Teresa do Rito ou a Capelinha do Monte, não falando no armazém de vinhos do Tenente Miranda, as tabernas do Escondidinho, do Prior ou do Gato Preto, deliciava-se com a bela castanha assada ou cozida com perfumada erva doce, fazendo-a acompanhar com água-pá, jeropiga ou abafado... ou com o tradicional jarro ou pelos copos de três, porque era preciso é cumprir o rifão" PELO SÃO MARTINHO, COME AS CASTANHAS E PROVA O VINHO". E o Zé Povo não deixava de cumprir o que a tradição ordenava na sua sabedoria. Mas... não eram apenas estes a cumprir, pois as várias Escolas não deixavam caír esta "devoção" àquele Santo esmoler, que não teve pejo em cortar a sua capa ao meio para cobrir com ela um pobre que tiritava de frio. Esta é apenas uma parte da lenda, que nos afirma também que Deus, quando viu o gesto deste Oficial, que foi elevado à dignidade dos altares com o nome de São Martinho, resolveu conceder a graça de uns dias de sol durante uns dias, homenageando deste modo o gesto do Santo.
Foi assim que nasceu o Verão de São Martinho.
As castanhas assavam-se nos grandes magustos, envoltas em sama de pinheiro que se queimava ao ar livre, com muitas pessoas ao redor... para aproveitar o calor reconfortante, pois o tempo a isso convida.
No magusto do Seminário ou no da Catequese, costumavam-se assar as castanhas no forno, envolvendo-as depois em sacos de linhagem, para se manterem quentinhas.
Mas a castanha era boa de qualquer maneira, fosse assada de forma tradicional, cozida em água e sal, com erva doce, ou assada no forno, crua, pilada, em sopa, ou guisada com carne de porco, em doce, etc...etc...
Quando no dia do "Bolinho" ou do "Pão por Deus", juntavam-se muitas castanhas nos sacos dos miúdos, para serem degustadas pelas famílias contempladas com aquele manjar retirado aos ouriços dos inúmeros soutos de castanheiros que proliferam por esse País fora.
Dois tipos de magusto:
MAGUSTO FAMILIAR
Reuniam-se os familiares na casa de um deles, principalmente no dia de S. Martinho. Assavam-se as castanhas, pois costumava-se dizer que as castanhas cruas faziam piolhos. Na lareira pendurava-se uma panela furada, a que, pomposamente, se chamava assador e metiam-se para lá as castanhas, após serem retalhadas e temperadas com bastante sal. Depois de assadas, toca a comer à fartazana, pois o Natal ainda está longe. Jogavam-se vários jogos e havia uma grande alegria entre todos .
MAGUSTO CONVÍVIO
Juntavam-se os rapazes e as raparigas num sítio préviamente combinado. Cada um levava o seu saco de castanhas. Preparavam-se as fogueiras, mas antes tinha de se ir ao pinhal buscar caruma, que era uma tarefa bastante divertida.
À volta da fogueira cantavam-se alegres canções. Quando as castanhas já estavam assadas, tiravam-nas do monte de cinzas e comiam-nas.
Brincavam, enfarruscando-se uns aos outros. Com as castanhas bebiam jeropiga. Também se dizia a uma pessoa para ir molhar o "vassouro" para apagarem a fogueira, mas quando chegava, os outros já tinham comido as castanhas.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!