quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Dom Francisco Manoel de Melo - nos 400 anos do seu nascimento

D. Francisco Manoel de Melo, que nasceu em Lisboa a 23 de Novembro de 1608 e aí veio a falecer em 24 de Agosto de 1666, foi um escritor, político e militar português, ainda que, de igual modo, pertença também à história literária, política e militar da Espanha. Foi historiador, pedagogo, moralista, autor teatral, epistológrafo e poeta, sendo o representante máximo da literatura barroca peninsular.
Dedicou-se à poesia, ao teatro, à história e à epistolografia. Tendo publicado cerca de duas dezenas de obras durante a sua vida, foi ainda o autor de muitas outras, publicadas postumamente. Aliou ao estilo e temática barroca - a instabilidade do mundo e da fortuna, numa visão religiosa - o seu cosmopolitismo e espírito galante, próprio da aristocracia de onde provinha. Entre as suas obras mais importantes, poderá destacar-se o texto moralista contido na sua “Carta de Guia de Casados” ou na peça de teatro “Fidalgo Aprendiz”, que é uma "Farsa", como foi descrita pelo seu autor desde o início e não um "Auto" , como tem vindo a ser designada por edições mais recentes.
D. Francisco Manoel de Melo nasceu em Lisboa, numa família de nobres - pai português - Gonçalo Mendes de Sá e D Inês de Melo. Julga-se que terá tido a educação académica de um colégio de
Jesuíta - talvez no colégio jesuíta de Santo Antão, onde terá estudado humanidades, e adquiriu uma erudição que se tornou patente em todas as suas obras -. Como pretendia seguir a carreira das armas, seguindo o exemplo do pai, estudou matemática. Começou a frequentar a corte, desde bastante cedo.
A vida militar foi feita ao serviço da armada espanhola, na
Flandres e na Catalunha. O episódio mais famoso do período ocorreu em 1627, descrito na sua “Epanáfora Trágica”: estando a servir na esquadra comandada por D. Manuel de Meneses, esteve perto de naufragar no Golfo da Biscaia, tendo atingido a custo a costa francesa. Pouco depois, em 1629, combateu, vitoriosamente, corsários turcos num combate naval no Mar Mediterrâneo e foi armado cavaleiro. Em 1631 recebeu a ordem de Cristo das mãos de Filipe IV de Espanha.
A sua presença na corte de Madrid tornou-se constante. Sendo a capital do Império espanhol, a cidade de Madrid assumia-se como um grande centro político e cultural da Península. Foi aí que D. Francisco Manuel de Melo veio a contactar os mais eminentes intelectuais, incluindo o célebre Francisco de Quevedo.
Em
1637 participou na pacificação da revolta de Évora, acontecimento que preparou a Restauração portuguesa. Assim que esta foi declarada por D. João IV, a coroa espanhola tratou de o mandar prender, por suspeitarem do seu envolvimento na revolução acontecida em Portugal. Conseguida autorização para se deslocar à Flandres, fugiu daí para Inglaterra, e daí regressou a Portugal. Em 1641, livre, foi encarregado de missões diplomáticas em Paris, Londres, Roma e Haia. Neste ano aderiu à causa do rei português, D. João IV, a quem prestou serviços a nível militar e diplomático.
Em
1644, em Portugal, após receber a Ordem de Cristo, viu-se preso por se haver envolvido num caso que levantou bastantes dúvidas e conjecturas. Afirmava-se que terá participado do homicídio de Francisco Cardoso – não se sabem contudo, os motivos – enquanto uns afirmam ser um caso passional, outros defendem haver um móbil político. Foi mantido na prisão até 1655, onde veio a escrever muitas das suas obras mais celebradas. Foi condenado ao degredo em África, mas veio a conseguir, depois, que a pena lhe fosse comutada para exílio no Brasil, onde viveu durante três anos, na Bahia. A influência do Novo Mundo, ainda que pouco acentuada, pode ser encontrada em alguns aspectos da sua obra. Em 1658, logo que morreu D. João IV, regressou a Portugal.
Dedicou-se, então, à “Academia dos Generosos”, que tinha carácter literário. O novo
Monarca demonstrou-lhe a sua confiança quando o encarregou de algumas missões diplomáticas. Foi nomeado deputado da Junta dos Três Estados em 1666, ano em que morreu.
Tendo passado quatrocentos anos do seu nascimento, Portugal quase o ignorou, ao contrário de Espanha, que reeditou algumas das suas obras mais emblemáticas e ciclos de conferências sobre este Português multifacetado... que continua a ser ignorado no nosso País. SIC TRANSIT GLÓRIA MUNDI.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA

  • Com o desaparecimento de El-Rei D. Sebastião, o jovem Monarca de Portugal, que não deixou descendentes, passou para as mãos dos Reis de Espanha. Foi a chamada Dinastia dos Filipes, que se seguiu a um curto reinado do Cardeal D. Henrique, que também não tinha descendentes, dado ser um clérigo da Igreja Católica, obrigado ao celibato.
  • O que acontece é esta situação de dependência de Espanha não ser do agrado da fidalguia portuguesa, pois Espanha estava a subverter as consciências do Povo português, sendo que os mais válidos eram levados para servir na Corte espanhola, como militares a enviar para as frentes em que a Espanha se empenhava ou ainda como marinheiros nas muitas viagens para o Novo Mundo. Este estado de coisas não podia continuar assim, e a fidalguia estava consciente disso.
  • Em Outubro de 1640 realizou-se uma reunião conspiratória nos jardins do palácio de D. Antão de Almada, a S. Domingos, em Lisboa. Assistiram a esta reunião, além dele, D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo, Jorge de Melo, Pêro de Mendonça e João Pinto Ribeiro. (…) Teve também influxo na resolução a mulher do futuro Monarca, Dona Luísa de Gusmão. (…)
  • Logo que chega a Lisboa a 21-XI-1640, João Pinto Ribeiro convoca os conspiradores para uma reunião num palácio que o duque tinha em Lisboa e onde ele, João Pinto, residia. Decidiu-se por se debruçar sobre os pormenores do plano idealizado, tornando-se as reuniões mas frequentes. Finalmente, amadurecido o plano de acção, marcou-se o momento da revolução: seria às 9 horas da manhã de sábado, 1.º de Dezembro.
  • Na noite de 28 para 29 houve algumas complicações, pois havia quem pensasse serem poucos os conjurados; mas João Pinto Ribeiro, a quem pretenderam mandatar para transmitir ao duque de Bragança a necessidade de se adiar a missão planeada, não concordou com tal ideia, e manteve-se irredutível na discussão que se veio a prolongar até cerca das 3 horas da manhã.
  • O dia 1.º de Dezembro amanheceu com uma atmosfera bastante clara e muito serena. Os conjurados confessaram-se e comungaram, acabando alguns deles por redigir o seu testamento. Pouco antes das 9 horas foram-se dirigindo para o Terreiro do Paço os fidalgos e os populares que o padre Nicolau da Maia aliciara. Quando soaram as nove horas, os fidalgos dirigiram-se para a escadaria e subiram por ela a toda a pressa.
  • Um grupo especial, composto por Jorge de Melo, Estêvão da Cunha, António de Melo, padre Nicolau da Maia e alguns populares, tinha como objectivo assaltar o forte contíguo ao palácio e aí dominar a guarnição castelhana, logo que aqueles a quem foi destinado investir no paço, procedessem ao ataque. Estes rapidamente venceram a resistência dos alabardeiros, que acudiram ao perigo, prenderam a Duquesa de Mantua e mataram o traidor Miguel de Vasconcelos, secretário da duquesa, após o que D. Miguel de Almeida assomou a uma varanda de onde falou ao povo. Estava consumada a restauração da independência de Portugal!
  • Isto aconteceu há 368 anos... porque hoje seria impossível, pois os interesses dos Senhores poderosos e o tradicionalmente conhecido desinteresse manifestado pelo Povo português em certas ocasiões, como hoje se pode verificar, mostram preferir entregar-se nas mãos dos Filipes de ontem, de hoje e de amanhã, bandeando-se para lá da fronteira, como tantos fizeram noutros tempos.
  • Bem dizia Camões: "PORQUE TRAIDORES ENTRE OS PORTUGUESES SEMPRE OS HOUVERA!"

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!