quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

SAUDEMOS O NOVO ANO!

COM MUITA SAÚDE!!!
COM MUITO AMOR !!!
com trabalho... alegria... justiça...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

É NATAL... ALEGREM-SE OS CÉUS E A TERRA...

Como é bom recordar os Natais da minha infância em Leiria! Para se verem os Presépios, os locais de peregrinação obrigatória eram a Sé, o Convento Franciscano da Portela, que além do lindo e tradicional Presépio, também apresentava um monumental Presépio animado, que fazia as delícias de miúdos e graúdos, a Igreja de Santo Agostinho... enfim: Tudo o que nos desse uma visão do Natal era ponto de visita!
As montras também ficavam lindas, não só pelas mil e uma "ofertas" de Natal que elas nos sugeriam, a côr e luz que das mesmas emanava... mas também os sinais evidentes mais representativos da quadra, nomeadamente os Presépios, os Sinos dourados, as Bolas coloridas ou o Pinheiro de Natal... muito algodão a emitar neve... muita música com os temas mais em voga de então! Era Natal! Jesus havia nascido!
Com estes pensamentos, não posso esquecer de desejar a todos os que me visitam neste blog, um

BOM ANO 2010!!!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Nossa Senhora da Conceição - padroeira de Portugal e de Leiria

Quando fiz a Profissão de Fé na Sé de Leiria - 08 de Dezembro de 1952 -, era celebrado o dia de Nossa Senhora da Conceição, comulativamente com o Dia da Mãe. A Sé Catedral de Leiria estava dedicada à Virgem Maria, sendo a Imaculada Conceição a padroeira da cidade, tal como o era de Portugal.
Os tempos - já lá vão quase sessenta anos - eram mesmo outros. Havia maior devoção à Virgem, mais temor a Deus, respeitavam-se os Santos... enfim: Havia orgulho em ser-se Cristão e em manifestar essa condição, ao contrário dos novos tempos em que nada se respeita em termos de vivência religiosa, porque se "pensa" que essa coisa de aturar os Padres é para beatos e não para homens dos novos tempos. Afirma-se que a vida em Igreja já foi e que agora vale a liberdade.
Pudera não! Se até o Supremo Tribunal Europeu proibe o uso de Crucifixos nas escolas ou nos hospitais, sem sequer pensarem estar-se a levar a sociedade para valores próximos do Islamismo, que estes agradecem a Alá porque lhes está a permitir a conquista do Ocidente mais fácilmente do que se imaginaria.
Perde-se no decurso dos séculos, o sentimento solene de tomar como Padroeira de Portugal a Imaculada Conceição. Hoje parece que estamos esquecidos deste facto, talvez porque a partir de 1917 se viram desviados o culto e a devoção para Nª Sª de Fátima, como verificará quem esteja atento.
Sabemos que foi o Rei D. João IV, da Ilustre Casa de Bragança, que instituíu um estatuto de real religiosidade, quando declarou Nossa Senhora da Conceição, como Padroeira de Portugal.
Frei João de S. Bernardo recordou, no acto da coroação do Rei, que já D. João I construíra o Mosteiro da Batalha e D. Nuno Álvares Pereira o Convento do Carmo e os Infantes D. Fernando e D. Beatriz fundaram em Beja , o Mosteiro da Conceição, como voto sublime de invocação à Virgem Santíssima, Nª Sª da Conceição
El-Rei D. João IV, não esqueceu aquela exortação de Frei João de S. Bernardo, pelo que, nas cortes de 28 de Dezembro de 1645, conduziu os três Estados do Reino, a elegerem Nª Sª da Conceição, como defensora e protectora de Portugal e dos seus territórios - ainda hoje a Imaculada Conceição é Padroeira de Moçambique -. Aliás, o Rei intitulava-se não apenas soberano de Portugal, mas também Senhor da Guiné e da Conquista , Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia.
A deliberação solene de tomar Nª Sª da Conceição como Padroeira de Portugal, teve lugar em 25 de Março de 1646. Perante toda a Corte, o Rei pronunciou:
- assentamos de tomar por padroeira de Nossos Reinos e Senhorios, a Santíssima Virgem, Nossa Senhora da Conceição, na forma dos Breves do Santo Padre Urbano VIII, obrigando-me a aceitar a confirmação da Santa Sé Apostólica e lhe ofereço em meu nome e do príncipe D. Theodósio, e de todos os meus descendentes, sucessores, Reinos, Senhorios e Vassalos a Sua Santa Caza da Conceição sita em Vila Viçosa -.
Leiria não deixou de ter a Imaculada Conceição como Padroeira da cidade, mas comemora apenas a Encarnação da Virgem e não a Conceição... apesar de se dizer que é a mesma coisa, o que não corresponde à verdade, pois uma comemora o seu dia em 08 de Dezembro, enquanto a outra tem a sua festividade a 15 de Agosto.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

No Advento... já é Natal!!!

"Advento" vem do latim "adventus" e significa “chegada”, do verbo "advenire": “chega a”.
É este o primeiro tempo do Ano Litúrgico e antecede o Natal. Deveria significar para os cristãos um tempo de preparação e alegria, de especial expectativa, durante o qual os fiéis, que esperam o nascimento de Jesus Cristo, é suposto viverem o arrependimento, promoverem a fraternidade e a paz.
No calendário religioso é um tempo que corresponde às quatro semanas antecedentes do Natal. Neste tempo do Advento toda a Igreja vive momentos de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. Porque é tempo de esperança, devemos estar atentos e vigilantes, preparando alegremente a vinda de Jesus Cristo, como a noiva que toda se enfeita e prepara para receber o seu amado.
O Advento começa na véspera do domingo mais próximo ao dia 30 de novembro, indo até às primeiras vésperas do Natal de Jesus, o que deverá contar quatro domingos.
É um tempo com duas características: nas duas primeiras semanas, toda a expectativa da Igreja se centra na segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, o Salvador e Senhor da história. As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de dezembro, são de especial preparação para a celebração do Natal, que corresponde à primeira vinda de Jesus para estar entre nós.
O Tempo do Advento deve ser um tempo de piedosa e alegre expectativa, até por nos recordar a dimensão histórica da salvação, o que evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos torna pertença de uma Igreja militante, no caráter missionário da vinda de Cristo. Este caráter missionário do Advento é manifestado na Igreja pelo anúncio do Reino e pelo seu acolhimento no coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo.
As figuras de João Batista e Maria dão exemplos de vida missionária a cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando Cristo ao irmão para o santificar. Não se pode esquecer que a humanidade e a criação vivem um clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.
No Advento, precisamos questionar e aprofundar a vivência da pobreza, não a pobreza económica, mas aquela que nos leva a confiar, ao abandono e inteira dependência de Deus e não dos bens terrenos.
O Advento é também um tempo de conversão. É necessário que o caminho do Senhor seja "aplanado" nas nossas vidas. A vivência deste tempo litúrgico acontece se fazemos reviver alguns valores essenciais das nossas vidas de cristãos, tais como: a esperança, a pobreza ou a conversão.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Padeira de Aljubarrota

Reza a história que Brites de Almeida não terá sido uma vulgar mulher. Segundo alguns biógrafos, seria uma mulher horrivelmente feia, enorme, com uns cabelos crespos que mais pareciam palha de aço e bastante forte. Não era uma mulher capaz de encaixar nos típicos padrões femininos... até porque o seu comportamento era por demais masculino, talvez fruto das diversas profissões que exerceu durante a sua vida.
Sabe-se que nasceu em Faro, numa família bastante pobre e humilde. Em criança era mais vista a vagabundear e meter-se em cenas de pancada do que ajudar os pais na taberna de que estes proviam o necessário para o sustento .
Tinha ela 20 anos quando ficou órfã, pelo que vendeu os poucos bens herdados e meteu pés ao caminho, cirandando de lugar para o outro e convivendo com todo o tipo de gente, tendo aprendido a manejar a espada como o pau com uma tal mestria quelogo lhe deram a fama de ser uma valente.
Mesmo tendo temível reputação, houve um soldado que, encantado-se com as suas proezas, a foi procurar para lhe propôr casamento. Mas Brites de Almeida não estava interessada em vir a perder a sua independência, pelo que logo impôs a condição de lutarem antes do casamento. O resultado foi o soldado ficar ferido de morte e Brites ter de fugir de barco para Castela, receando a justiça.
Por ironia do destino, o barco foi capturado por piratas mouros e Brites viu-se vendida como escrava. Ajudada por dois outros escravos portugueses, logrou fugir para Portugal numa embarcação que, apanhada por uma tempestade, deu à costa na praia da Ericeira. Como ainda era procurada pela justiça, Brites de Almeida cortou os cabelos e disfarçou-se de homem, tornando-se almocreve.
Um dia, cansada da vida que levava, aceitou trabalhar como padeira em Aljubarrota e aí veio a casar com um honesto lavrador..., provavelmente tão forte quanto ela. Aquele dia 14 de Agosto de 1385 amanheceu e com ele ouvem-se os primeiros clamores da batalha de Aljubarrota, não conseguindo Brites resistir ao apelo da sua natureza guerreira.
Pegou na primeira arma que encontrou e foi juntar-se ao exército português, que naquele dia havia de derrotar o invasor castelhano. Quando chega a casa está bastante cansada mas satisfeita. É então desperta por um estranho ruído, pelo que foi verificar: - dentro do forno haviam sete castelhanos escondidos. Brites logo pegou na sua pá de padeira e logo ali os matou.
Cheia de zelo patriótico, liderou então um grupo de mulheres que foram em perseguição dos fugitivos castelhanos, que se haviam escondido pelas redondezas.
Reza a história que Brites de Almeida veio a acabar os seus dias em paz, junto do seu marido lavrador, mas ficou para sempre a memória dos seus feitos heróicos, que são um símbolo da independência de Portugal.
A pá da heroina foi religiosamente guardada como sendo um estandarte da batalha de Aljubarrota durante muitos séculos e era transportada na procissão do 14 de Agosto.

sábado, 14 de novembro de 2009

Leiria na lenda e na história

Local presumível da nossa história

UM BODO DE PÃO E QUEIJO
Nas muitas histórias e lendas que se contam sobre Leiria, ressalta uma que teria acontecido no Largo Cândido dos Reis, que na altura se chamaria Terreiro, tal como hoje é vulgar chamar-lhe mas que também se terá chamado Terreiro do Pão e Queijo... e vou aqui procurar explicar porquê.
Todas as histórias começam pelo tradicional "ERA UMA VEZ..." ,mas vou prescindir desse tradicionalismo e vou começar por contar que...
Há muitos, muitos anos, existiu na já então cidade de Leiria, num local nobre onde se viam palácios e palacetes que davam guarida a condes e condessas, duques e duquesas e outros mais que eram validos da Corte, uma venda que pertencia a uma mulher, que não era de sangue nobre mas falava com eles desde há muito, pois servia as suas casas com alguns dos seus produtos.
Parecia que a vida não lhe correria muito mal, mas dizem que era ganânciosa e um pouco avarenta, como o seriam talvez todos os donos de vendas, dizem!
Um dia, tocada pela enorme ganância de maiores lucros e menores trabalhos, a nossa taberneira dirigiu-se para um poço que tinha na sua casa e tirou dele algumas medidas de água , com que tratou de "baptizar" o vinho que tinha na venda para venda aos fregueses, ignorando por completo que a água era... salgada.
Voltou a fazer isto uma vez, outra vez e outra, e mais algumas vezes sem que ninguém houvesse descoberto a trapaça feita pela vendedeira.
No entanto há sempre um dia em que, como diz o nosso povo: "O homem cobre e Deus descobre."
Assim aconteceu também desta vez, porque houve um belo dia em que os fregueses acabaram por perceber que o vinho estava salgado e disseram isso mesmo à mulher, que muito a contra-gosto e entristecida pelo facto, acabou por mandar tapar o poço.
A taberneira até era boa mulher e pelo acontecido, pela sua má acção deu de se arrepender e logo fez testamento em que legava todos os seus haveres à Confraria do Espírito Santo, de Leiria, deixando como condição com as rendas que houvessem, ser dado aos pobres da cidade, todos os anos no dia 1º de Maio, um bodo de pão e queijo.
E assim se veio a fazer durante muitos e muitos anos, até que os confrades se acabaram por esquecer da obrigação que aquele legado lhes impunha, e começaram a empregar os rendimentos em despesas que não tinham nada a vêr com a intenção da testadora.
Até que uma vez, quando o Bispo Dom Dinis de Melo tomou conhecimento desta questão, ordenou, por provisão de Abril de 1632, que o pão amassado e o queijo comprado fossem divididos em três quinhões e fossem distribuídos deste modo:- um quinhão para os pobres, outro para os pobres envergonhados e o terceiro para os pobres que ocorressem à casa onde era hábito ser dado o bodo.
Esta provisão episcopal veio a ser confirmada por outra provisão, datada de Abril de 1637 , feita por Dom Pedro Barbosa, igualmente Bispo da Diocese de Leiria .
Depois que a vendedeira morreu, o dono da casa, de sua graça Manuel de Campos, mandou que o poço fosse devidamente atulhado.
Nos finais do século passado, a Rua do Pão e Queijo, que era onde se situava a venda e chegava até ao Terreiro, noutros tempos, acabou por mudar de nome, sendo votada ao esquecimento uma designação secular que havia sido criada pelo tal poço que tinha água...salgada.
O Terreiro lá está... mas a venda onde se situava o poço... não se sabe bem onde ficava, podendo ser a norte ou sul do Terreiro. Eu aposto a norte, ali mesmo entre a Rua D. Afonso Henriques e a Rua Barão de Viamonte! Talvez ganhe...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A COROA PORTUGUESA ULTRAJADA...

"O grande Napoleão, meu amo, envia-me para vos proteger". Foi com esta proclamação feita ao Povo de Lisboa há 200 anos, que se completam a 30 deste mês, que o General Jean Andoche Junot ousou insultar a dignidade de todo um Povo, impondo-lhe a sua odiosa presença como retaliação pelo facto de a Coroa Portuguesa não aceitar cumprir o Bloqueio Continental com que Napoleão pretendia asfixiar económicamente a Inglaterra.
No dia 27 de Outubro havia sido assinado entre a Espanha e a França o Tratado de Fontainebleau, onde Portugal seria dividido em três - mapa ao lado - , com a região de entre-Douro e Minho a constituír o chamado Reino da Lusitânia Setentrional, com o Porto como capital. Este novo reino seria entregue ao Rei da Etrúria. Constituiriam o Principado dos Algarves, onde o valido dos reis de Espanha, Manuel Godoy, seria soberano , o Alentejo e o Algarve, enquanto Trás-os-Montes, Beira e Estremadura iriam constituír a Lusitânia, que seria entregue aos Franceses, dependendo de Espanha. Esta foi a razão para que a Espanha desse todo o incentivo e apoio à invasão de Portugal.
Junot, que entrara em Portugal a 19 de Novembro de 1807atravessando a ponte sobre o rio Erges, em Segura, tomara a estrada que passava por Zebreira e Idanha-a-Nova a caminho de Castelo Branco, tinha os seus homens que constituíam três divisões de infantaria - 25.000 homens -, os 3.000 cavaleiros e os 1.300 homens de engenharia em muito mau estado, pois perdera cerca de dois quintos dos efectivos, a cavalaria estava quase toda desmontada e a pólvora encontrava-se húmida.
Mas Napoleão mandara que ele, Junot, prendesse toda a Família Real Portuguesa e, portanto, era necessário que acelerasse o passo, para evitar uma possível fuga...
... Numa reunião bastante conturbada realizada no dia 24 de Novembro, o Conselho de Estado do Príncipe Regente D. João, que viria a ser o Rei D. Afonso VI e era filho da Rainha Dona Maria I, que enlouquecera, decidiu que a Família Real se deveria transferir para o Brasil.
Narram os historiadores que os Franceses não respeitaram pessoas ou bens, ricos ou pobres, novos ou velhos! O Reino de Portugal ficou sujeito às pilhagens praticadas por seres humanos (?) daquele mesmo povo que anunciou ao mundo os conceitos da "LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE". Os soldados de Napoleão ousaram praticar tais crimes em larga escala, e entre eles tornou-se lendária a figura de um célebre "MANETA", que mais parecia o "cavaleiro da morte", segundo constava dos relatos da época. Este "Maneta" - nome "ganho" depois de perder o braço esquerdo num... acidente de caça - era nem mais nem menos que o General de Divisão Henri Louis Loison, dos exércitos do Imperador Napoleão Bonaparte.
Não há qualquer defesa organizada, conforme o Princípe determinara, para que a defesa não desse azo a um maior derramamento de sangue, com prejuízos para a humanidade. Apenas havia notícia de que o Povo caçava e lançava das escarpas abaixo os soldados franceses que se atrazavam.
O Príncipe Regente mandou publicar, no dia 26 de Novembro, um decreto onde explicou aos portugueses a razão porque Família Real tem de partir para o General Jean Junot Brasil, conforme já anteriormente havia sido pensado fazer-se, quando das Guerras da Restauração (1640 a 1656) e a Guerra dos Sete Anos (1762). Esta decisão foi tomada depois de muita insistência do Embaixador de Inglaterra.
Desta crise irei dando conta noutro escrito... se a verve não me atraiçoar, faltando!
***CONTINUA***

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Histórias na história de Leiria - III

Nem sempre as histórias são aquilo que gostaríamos que fossem, porque umas começam bem e terminam mal, outras é absolutamente ao contrário que vem a acontecer... mas o que importa é honrar a história com a narrativa dos factos de forma tão fiel quanto possível.
Talvez por isso seja oportuno dizer-se que o Reino de Portugal, em 1319, havia mergulhado numa guerra civil, que colocou em armas o jovem infante D. Afonso - veio a ser o rei D. Afonso IV -, na revolta contra o seu pai, o rei D. Dinis.
Grande parte das cidades e vila do reino tomaram o partido do infante. Em Leiria aconteceu que o cavaleiro Domingos Domingues, um homem de enorme confiança de el-rei, de quem era copeiro, tendo chegado a um acordo com os chamados homens-bons da vila, decidiu entregar esta ao rebelde infante.
Como não podia deixar de acontecer, D. Dinis soube desta traição e de imediato se dirigiu a Leiria, com a finalidade de castigar os rebeldes, mas estes trataram de se pôr em fuga para Alcobaça, onde se foram abraçar aos túmulos reais, procurando assim levar o rei a respeitar o lugar sagrado e a memória dos seus antepassados ali sepultados. No entanto, el-rei não se deixou levar por aquele artifício e mandou que fossem arrancados dali do templo, sendo os mais notáveis, os "nove melhores", decepados e queimados numa fogueira, para exemplo de todos os outros.
Leiria, como se sabe, fica situada no centro do reino! É cabeça de um território bastante fértil em alimentos e foi, por várias vezes, o lugar que os reis julgaram o mais indicado para a reunião de cortes.
Nenhumas outras terão sido tão luxuosas como aquelas que el-rei D. Duarte ali veio a realizar, no mês de Janeiro de 1438, quando foi necessário decidir sobre a melindrosa questão suscitada por força da grande expedição que havia partido para África, para a conquista de Tânger, e que acabara de forma trágica, porque o nosso exército foi cercado pelos mouros e o infante D. Henrique foi forçado a fazer uma promessa ignominiosa para nós: - Os Portugueses restituíam aos Mouros a cidade de Ceuta, que era nossa desde 1415 e como refém dessa promessa ficava um irmão do rei, o infante D. Fernando, cativo dos Mouros.
O rei entendia que não deveria entregar Ceuta e por tal motivo mandou reunir cortes na vila de Leiria. Houve muitas cidades e vilas que optavam pela entrega de Ceuta para salvar o infante D. Fernando, mas este parecer não tinha a maioria. O arcebispo de Braga, o clero e muitos outros fidalgos eram de opinião que não deveria ser entregue a cidade de Ceuta aos inimigos do reino e da fé cristã. Outros ainda optavam pelo pagamento de uma importância em dinheiro... ou pela guerra com os Mouros até estes cederem.
Não foi encontrada uma solução... e o infante veio a morrer no cativeiro em 1443.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

HOJE É DIA DE FINADOS

Hoje, dia 02 de Novembro, é o Dia de todos os Fiéis Defuntos ou de Finados.
Neste dia recordamos os nossos familiares, os nossos amigos, os nossos conhecidos e bem assim todos aqueles que adormeceram em Cristo e esperam a última vinda do Salvador para com Ele ressuscitarem, porque foi o próprio Jesus Cristo que disse:
"EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA! QUEM ACREDITA EM MIM NUNCA MORRERÁ!"
Esta é uma razão para se viver a fé com toda a confiança, porque pela ressurreição dos mortos, fruto da morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso corpo mortal irá tranformar-se à imagem do seu Corpo glorioso.
O Dia de Fiéis Defuntos não é dia de luto e tristeza. É dia de mais íntima comunhão com aqueles que «não perdemos, porque simplesmente os mandámos à frente» (S. Cipriano). É dia de esperança, porque sabemos que os nossos irmãos ressurgirão em Cristo para uma vida nova. É, sobretudo, dia de oração, que se revestirá da maior eficácia, se a unirmos ao Sacrifício de reconciliação, a Missa.

domingo, 1 de novembro de 2009

O DIA DE TODOS OS SANTOS

HOJE É DIA DE TODOS OS SANTOS E SANTAS DE DEUS! SEGUNDO A SUA TRADIÇÃO, A IGREJA VENERA OS SANTOS E AS SUAS RELÍQUIAS AUTÊNTICAS, BEM COMO AS SUAS IMAGENS. AS FESTAS DOS SANTOS PROCLAMAM AS GRANDES OBRAS DE CRISTO NOS SEUS SERVOS "E OFERECEM AOS FIÉIS OS BONS EXEMPLOS A IMITAR" - (Constituição Litúrgica nº. 104 4 111)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

LEIRIA DO VERDE PINO

Leiria vista por um pintor da cidade
*
Tanto poeta te canta ,
Princesa do Rio Lis,
que te beija... e se espanta
pois chega à foz bem feliz...
...ai flores do Verde Pino,
não vistes o meu amigo?...
No Castelo tens teu brazão,
que te honra e te enobrece,
parecendo fazer uma prece
à Senhora da Encarnação...
...ai flores do Verde Pino,
não vistes o meu amigo?...
Do teu Pastor Peregrino,
sente Lísea a saudade,
e Afonso Lopes Vieira
é memória de ti, cidade!
...ai flores do Verde Pino,
não vistes o meu amigo?...
As tuas ruas velhinhas
tão plenas de vida pujante,
afirmam a minha certeza:
como és bela e cativante!
...ai flores do Verde Pino
não vistes o meu amigo?...
Leiria és minha saudade,
plena de graça e encanto,
quando te não vejo, óh cidade,
meus olhos alagam-se em pranto!
...ai flores do Verde Pino,
não vistes o meu amigo?...
Nas sombras do Marachão
ouvem-se pássaros a cantar...
...trinam poemas de amor,
cantigas que fazem chorar!
...ai flores do Verde Pino,
não vistes o meu amigo,
que tanto tarda em chegar?...
É por ti, Leiria amada,
que meus ais se vão soltando,
nesta saudade magoada
que deixa meus olhos chorando!
...ai flores do Verde Pino,
não vistes o meu amigo
que vem o meu choro parar?...
*
Poema de
Victor Elias

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Histórias na história de Leiria - II

Ruinas da Igreja de Nª. Srª. da Pena
A "mui nobre villa de Leiria", a princezinha que gostava de se espraiar nas margens do terno Lis, que passa de mansinho a caminho da foz, em busca do oceano, crescera muito rápidamente, pois em 1211 já haviam cinco freguesias dentro da vila que se ia estabelecendo ao redor das muralhas do castelo, como sejam Santa Maria da Pena, São Pedro, São Tiago, Santo Estevão e São Martinho.
Era uma terra nova, situada a sul de Coimbra, onde havia um cantinho para todos, gente pobre, artesãos, gentes que fugiam do Norte mais senhorial e opressivo, vindo em busca de uma terra fértil e sem dono, que vinham a encontrar nos vales do Lis e do Lena.
Talvez fosse uma das razões porque os Leirienses vieram a tomar o partido do Conde de Bolonha, D. Afonso, quando este, decorria o ano de 1254, veio a tornar-se responsável pela governação de Portugal. É que Leiria tornou-se numa das cidades com que o Conde de Bolonha pôde contar para base de apoio na guerra que moveu aos partidários de el-Rei D. Sancho II. E talvez posse estar relacionado este facto com a escolha de Leiria para uma data assaz importante para a história da cidade: Foi n'ela que se realizaram as primeiras Cortes em que tiveram assento e puderam ser ouvidos os representante do clero, da nobreza e do POVO!
Não se duvide que o Rei bem sabia que devia o trono à acção do povo, pelo que mostrou o seu reconhecimento chamando os seus representantes de todas as vilas e cidades para participarem nas cortes que mandou reunir em Leiria, e esta ostenta com orgulho a honra da primazia de nela se haver realizar tal evento com todas as classes presentes.
Há quem afirme que as primeiras cortes gerais com as três classes haviam acontecido em Guimarães, mas não há registo de tal facto, como acontece com Leiria, pelo que ao Berço da Nacionalidade será pouco provável poderem reivindicar este acontecimento histórico de tão vital importância para o Reino.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

LEIRIA... ontem e hoje!

Antigo Convento de Santo Estevão

Dentro em pouco haverá eleições autárquicas em Portugal... e tal facto tem servido para aquilatar o que foi o esforço ou o desinteresse que os autarcas têm tido para com as cidades que me estão mais chegadas ao coração, seja pelo nascimento, pela residência ou pelas memórias que me tenham suscitado ao longo dos anos, sejam de índole histórica ou simplesmente... afectiva.
Leiria, cidade que me serviu de berço, tem sido para mim um motivo de interrogação constante, porque a vi ser uma pequena cidade de província, apesar de capital de distrito; vi como foi crescendo "em graça e idade", mercê dos esforços que os autarcas que a serviram ao longo destes anos lhe prodigalizaram... mesmo não sendo "filhos de Leiria", como acontecia com alguns.
Sabemos que havia de tudo na presidência das câmaras, pois uns serviam a coisa pública de corpo e alma, mas outros havia que se serviam do cargo mais do que serviam o Povo.
Após a Revolução de Abril, Leiria cresceu de forma quase assustadora... mas há todo um cotejo de recriminações à acção dos autarcas que, não se sabe bem porquê, descuraram um pouco os cânones da ética paisagistica urbana tradicional, permitindo que chegassem a um estado de degradação deplorável, chocante até, alguns dos edifícios mais emblemáticos da cidade, como é o caso do antigo palacete onde funcionou, durante anos, a Associação de Futebol de Leiria e estiveram instalados os estúdios fotográficos do Fabião, está a ruír, bem como o edifício contíguo, onde funcionou a oficina do "Afonso das bicicletas".
Este é o exemplo menor que poderia dar, porque a cidade expandiu-se para os Arrabaldes d'Aquém, da Ponte e d'Além, sacrificando as instalações da fábrica Matérias Plásticas, outrora do Sr. Filinto, para no espaço serem construídos modernos edifícios residenciais; a Fonte Quente passou "à história"; a álea do Marachão da margem direita do Lis, onde antes se viam hortas, passou a ser uma moderna urbanização; as Estradas dos Marrazes e dos Marinheiros passaram a ser zonas de urbanização, tal como as Olhalvas, o antigo Matadouro e a Feira dos Oito, a Calçada do Bravo, a Guimarota, a Cruz d'Areia, o Alto de São Miguel, os Capuchos, a Estrada da Marinha... tudo está mudado.
Pena é, concluirei, haver alguma descaracterização da cidade que me é tão querida, onde brinquei, fugi ao Manel Polícia ou ao Viola, quando jogava à bola no Terreiro, escorreguei em cima de uma tábua ensaboada a descer ingremes calçadas pavimentadas de seixos, pesquei carpas e bogas, barbos e enguias nas límpidas águas do rio, onde me banhava nos dias quentes do estio...
...Tenho saudades de ir ao velho Mercado de Santana comprar uma suculenta maçã ou uma dourada banana do Cavaco, na tenda do Senhor Amaral... de comprar a bela batata doce ainda quentinha, as deliciosas morcelas de arroz da Ti Silvina! Tomar um café no Colonial, no Aviz ou no Santiago, beber um branquinho no Alcoa ou no Porto Artur, na Teresa do Rito ou nos Caçadores, no Gato Preto ou no Domingos Polícia da Regional. Mas não esqueço o Escondidinho, o Prior ou o Máximo. P´ró marisco... o Abrigo, o Lis Bar ou a Cervejaria do Luis. Ninguém os batia, acreditem! Das pastelarias ...bem... qualquer uma servia, mas a Arcádia era a rainha das pastelarias, tal como a Soraia seria princesa, pois... tinham cá uns pastéis de nata...
Há progressos que ficam caros à memória das pessoas, pois descaracterizam-se os lugares onde fomos felizes... e isso dói bastante, acreditem!
A Sé Catedral

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Histórias na história de Leiria

Desde sempre entendi que me era necessário conhecer a história do Castelo de Leiria, para assim ser possível poder afirmar saber como surgiu a minha cidade, quem a habitou, quais as lendas que lhe estão subjacentes, quem foram os filhos ilustres desta cidade que foi até cantada por um dos Reis de Portugal, que a escolheu como residência sazonal "...e dela se fez mister doar a vila a sua Rainha e esposa, Dona Isabel de Aragão, que com ele, nos Paços Reais, residia!" - no dizer de Frei Angelo de Torredora, frade que foi da Ordem de São Francisco, em Leiria.
A privilegiada localização de Leiria, que nasce num cabeço rochoso e se espraia atè às margens do rio Lis, foi sempre uma tentação para cristãos ou mouros, que a pretendiam como sua. Dom Afonso Henriques, no inverno de 1135, mandou que fosse eregido um castelo sobre o morro existente na margem esquerda do Lis, visando proteger as terras de Soure e de Coimbra, que amiúde eram objecto de ataques mouriscos, vindos de Sevilha, dos Algarves ou de Santarém. Uma vez fortificado aquele monte, os cristãos ficavam em situação óptima para proceder a um ataque a Santarém... e Lisboa.
Claro que os mouros ficaram furibundos e, corria o ano de 1137, toca a tentar a conquista do Castelo, que os cristãos defendiam valentemente. Em Dezembro de 1140 nova investida dos infiéis, mas desta vez foi mesmo a doer, pois 250 valentes cristãos foram passados à espada, enquento muitos outros aprisionados, entre os quais o próprio Alcaide do Castelo, D. Paio Guterres. Parte da nobreza, para desgosto de el-Rei, veio a perder a vida neste ataque, conforme relata a crónica dos monges de Santa Cruz de Coimbra.
Porque os cristãos Portugueses não se dão por vencidos e pretendem expulsar os mouros das terras de Leiria, em 1142 os sarracenos são vencidos e expulsos, voltando o castelo e a vila a ser território cristão... não sem que o inimigo continuasse a dar permanente e feroz luta. Em 1144 foram os mouros até Soure e aí mataram ou reduziram ao cativeiro os Cavaleiros Templários, que se lhes tentavam opôr.
No dia 16 de Junho de 1145, uma postura municipal de Coimbra , talvez influenciada por D. Afonso Henriques, que era senhor desta cidade, determinou que "...todos aqueles que quiserem ir a Jerusalém não tenham licença senão para ir em auxílio dos castelos de Leiria e de toda a Estremadura, e os que lá forem mortos tenham tantas indulgências como se tivessem ido a Jerusalém". Leiria passou deste modo a ser equiparada à Terra Santa, naquilo que respeitava a indulgências para os cruzados combatentes.
Mas as histórias de Leiria relacionadas com a História de Portugal são muitas... que eu irei contar enquanto não me disserem que é tempo de parar!

sábado, 29 de agosto de 2009

Leiria... quanto orgulho de ti.

A região onde se situa a cidade de Leiria é habitada há muitos anos, julgando-se que muitos anos antes da dominação Romanos. A história fala de um povo indígena da Ibéria, os Turduli, que terá estabelecido um povoado junto à actual Leiria - crê-se em aproximadamente 7 km-, vindo esse povoado a ser ocupado pelos Romanos, que a fizeram expandir e lhe deram o nome de Collippo.
As pedras da que foi a anciã cidade romana, teriam sido usadas, na Idade Média, para se construir uma parte de Leiria. Pouco nos chegou sobre o que terá sido a região no tempo dos Visigodos, outrossim não acontecendo com o de domínação árabe, em que Leiria tinha já a categoria de ser uma vila com praça.
A Leiria mourisca foi conquistada em 1135 por D. Afonso Henriques, o nosso primeiro rei , no período da chamada Reconquista cristã. Voltou Leiria a ser retomada por tempo breve, pelos mouros, em 1137, o mesmo acontecendo mais tarde, por volta de 1140. Em 1142, voltou D. Afonso Henriques a reconquistar o castelo e vila de Leiria, atribuindo-lhe nesse ano o primeiro foral, com a finalidade de estimular a colonização da zona. Esforçaram-se então os monarcas por reconstruir as muralhas e o castelo da vila, visando evitar novas incursões muçulmanas.
A maioria da população vivia dentro das muralhas protectoras da cidade, mas no século XII já uma parte da população vivia no exterior da muralha.
A Igreja de São Pedro é a mais antiga igreja de Leiria e foi construída em estilo românico, no último quartel do século XII, servindo a população que vivia no exterior das muralhas.
O Castelo de Leiria, com as suas galerias bem características, é uma jóia da arquitectura castrense. Durante a Idade Média, a importância da vila de Leiria aumentou, nela vindo a realizar-se diversas Cortes. As primeiras Cortes de Leiria aconteceram em 1254, durante o reinado de D. Afonso III.
Em princípios do século XIV, D. Dinis mandou erguer a torre de menagem do castelo, conforme uma inscrição na torre. Este mesmo rei também mandou construír um Paço real em Leiria, que hoje está perdido, e viveu longos períodos na cidade, que veio a doar como feudo a sua esposa, a Rainha Santa Isabel. Foi igualmente este rei que ordenou a plantação do Pinhal de Leiria, nas próximidades da costa Atlântica. Foi a madeira desse pinhal que, mais tarde, foi usada para construir as naus utilizadas nos Descobrimentos portugueses, durante os séculos XV e XVI.
No século XV, os judeus desenvolveram neste concelho uma notável comunidade, que fez florescer uma grande actividade industrial.
Em finais do século XV, o rei D. João I mandou construír um palácio real dentro das muralhas do castelo, dotado com belíssimas galerias góticas, possibilitando apreciar vistas maravilhosas da cidade e da sua envolvente. Este palácio real veio a ficar umas completas ruínas, sendo parcialmente reconstruído no século XX. Foi também D. João I o responsável pela reconstrução da Igreja de Nossa Senhora da Pena, existente dentro do perímetro do castelo, construída em estilo gótico tardio.
Em fins do século XV, a cidade continuou a crescer, estendendo-se da colina do castelo até ao rio Lis.
El-rei D. Manuel I deu à localidade um novo foral em 1510, que elevada à categoria de cidade em 1545 , tornando-se sede de Diocese. A Sé Catedral de Leiria foi construída na segunda metade do século XVI, numa mistura dos estilos renascentista - gótico tardio - e maneirista - renascimento tardio -.
Quando comparada com a Idade Média, a história de Leiria nos séculos XVIII e XIX mostra-nos ter havido uma certa decadência, se bem que, no século XX, a sua posição estratégica veio a favorecer o desenvolvimento de diversas indústrias , levando a cidade e a região a um surto de grande desenvolvimento. Nos últimos anos a cidade vem-se desenvolvendo extraordináriamente, sendo actualmente um dos centros urbanos de maiores dimensões do país.
(Dados extraídos da Enciclopédia Larousse e Anais de Leiria)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Festas da Senhora da Encarnação

Uma das festas da minha infância era aquela que se realizava em Leiria no dia 15 de Agosto, em honra da Padroeira da cidade, Nossa Senhora da Encarnação!
Nas semanas que antecediam a festa, realizavam-se no Santuário o tríduo preparatório, tal como acontecia na Igreja de Santo Agostinho, com pregação a preceito feita por alguns dos melhores pregadores da Igreja local ou convidados propositadamente para o efeito.
A miudagem da Catequese não podia faltar, pois era suposto ser perigoso faltar às novenas, não sei se porque o Padre Pires não gostava e podia haver problemas não sei com quê, talvez porque também fosse ele a mandar no Hospital e não nos tratassem quando lá fôssemos, ou porque o Padre João Carvalho ou o Padre Craveiro não deixavam que a catraiada assistisse às representações teatrais que volta e meia se faziam no Seminário de Leiria, ali à Fonte Freire, ou nos proibisse de ir ao magusto do S. Martinho.
Mas até era giro ir lá para cima e correr atrás das canas dos foguetes, que estalejavam acima das nossas cabeças, como que a dizer às gentes que havia festa na cidade. Muitos de nós também gostavamos de ir por causa do bodo que era servido pela Confraria de Nossa Senhora da Encarnação, pois sempre era uma maneira de reconfortar a barriguinha, por aqueles tempos muito mal servida de iguarias, fossem lá elas quais fossem.
No dia da festa, as Bandas de Música de São Tiago dos Marrazes e dos Pousos, das Cortes ou de Regueira de Pontes ou de outro lado qualquer, saudavam a cidade com as suas marchas marciais, enquanto montes de pessoas, vindas um pouco de todo o lado, subiam a escadaria que leva ao Santuário, iam pelo caminho... ou abriam carreiros entre a vegetação, para chegar mais depressa.
Junto à Praça de Touros havia carradas de melão e melancia à venda, barracas com comes e bebes, propagandistas da banha da cobra, a Dina Retratista, o homem dos sorvetes, o da bolacha americana ou dos barquilhos e uma multidão ia estendendo as mantas pela mata fora, petiscando e arranjando forças para a Procissão solene.
E também não faltava a tourada, onde eram artistas os irmãos Ataíde, D. Luís e D. José, o Diamantino Viseu e o António dos Santos... ou qualquer outros diestros dos muito que pisaram aquela arena.
O arraial era mesmo arraial... mas a tradição morre e Leiria é que perde! Quantas saudades da Leiria de outrora... que não volta mais!
Ontem era dia de Festa em Leiria... que agora se fica pelas cerimónias religiosas - vá lá que ainda não morreram também - que são muito importantes, pelo que a Padroeira representará para a cidade, ficando a faltar aquele cunho popular que as Festas dos Milagres vieram "roubar" à cidade... e esta nem se importou com isso, pelo que parece!
"Dentro de ti, óh Leiria... viveu uma moura encantada... mas fugiu com desgosto do que de ti fizeram!"

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Iberismo ou traição?

O espanhol da Azinhaga do Ribatejo
*
José Saramago, ninguém sabe se por senilidade se por ideologia, é useiro e vezeiro em "convocar" os Portugueses para uma utopia que congeminou no seu cérebro doente, que dá por nome de IBERISMO.
Veja-se o mimo escrito no espanhol El País, da autoria de D. José de Saramago, alcaide de Lanzarote: : "Ao contrário do que geralmente se diz, o futuro já está escrito, nós é que não temos ainda a ciência necessária para o ler. Os protestos de hoje podem tornar-se em concordâncias amanhã, também o contrário poderá suceder, mas uma coisa é certa e a frase de Galileu tem aqui perfeito cabimento. Sim, a Ibéria. E pur si muove...". É de pasmar!
Mas outros nomes espantosos enfileiram no rol dos traficantes de países, como foi o caso de Miguel Torga ou Fernando Lopes Graça, um e outro ideológicamente comunistas, António Lobo Antunes, que ninguém sabe se é políticamente um catavento ou Eduardo Lourenço... mas já antes dele o Dr. Teófilo Braga chegou a planificar as bases de uma Federação Ibérica, que teria a capital em Lisboa.
Em entrevista ao Diário de Notícias, publicada em 15 de Julho de 2007, afirmava Saramago: " Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha!".
Julgo que, não sendo um caso de senilidade provocada pela doença que o minou... será um caso de traição à Pátria que o viu nascer... e lhe permitiu diatribes que a Espanha não lhe toleraria, por muito que ele pense o contrário.
E por falar em traição... dizia o poeta que "TRAIDORES ENTRE OS PORTUGUESES SEMPRE OS HOUVERA..." e sabe-se que Portugal sofreu pela acção nefasta de vários dos seus filhos, alguns ilustres outros menos, mas que usavam o título, imerecido, de PORTUGUESES!
Não se pense que foram apenas o João Fernandes Andeiro ou o Miguel de Vasconcelos a terem a baixa honra de enfileirar na galeria dos grandes traidores, porque através dos séculos de história que tem este País, muitos outros houve. E quando não eram portugueses eram espanhóis ou de outro país qualquer.
Nos últimos anos, por mercê da revolução de Abril, diz-se que Portugal vive em democracia, "porque há liberdade plena" e não há presos por delito de opinião ou política, mas a verdade é bem outra, porque são os próprios que nos governaram - ou governam - a dar provas de que não há democracia em Portugal.
O traidor da Pátria, é aquele que trai a Nação, traindo assim os cidadãos que a constituem. O crime de "traição à Pátria", era, nos séculos XIX e XX, normalmente punido com a pena de morte, por ser julgado como o pior dos crimes. Portanto tal crime, sendo contra o Estado, é desde logo contra a Nação, ou seja, é um crime que objectivamente fere e prejudica todos os cidadãos que constituem uma sociedade organizada em torno de uma cultura, de uma determinada organização social e económica e também de uma língua comum.
De um certo ponto de vista, todo aquele que, por actos ou palavras agir de forma a minar a sociedade, o povo e directa ou indirectamente comprometer o seu futuro, é objectivamente um traidor a essa mesma sociedade. Traidor é aquele que prejudica a sociedade, pondo-a em causa, e prejudicando a sociedade, prejudica individualmente todo e qualquer membro dessa mesma sociedade, sendo o cidadão o principal alvo e a principal vítima da traição.
No que ao antigo Ultramar português respeita, Soares esforçou-se de forma empenhada para que o processo se passasse como se veio a passar. Recorde-se o facto de ele ter afirmado que, caso fosse necessário, mandaria disparar contra os brancos, que fugiam da guerra em Angola! Contrariamente ao que ele diz e à fama que faz gala de se auto-atribuir.
Quando no PREC, o dr. Soares cativava os ingénuos indefesos com promessas de consultas populares, que seriam feitas cá e lá, mas a sua verdadeira intenção era não perguntar nada a ninguém e entregar os territórios ultramarinos a Movimentos umbilicalmente conotados com o estalinismo soviético. Mário Soares foi o executor de um desiderato do Partido Comunista. Foi assim deste personagem toda a responsabilidade pelo que se poderá afirmar ter sido a maior catástrofe nacional, como foi a destruição, traiçoeira e vil, de um ideal eminentemente português... e a sequente mortandade que se seguiu em Angola.
A gravidade deste horror indescritível vem ainda do facto de nunca ninguém ter investido Soares de poderes para dispor de território nacional. Quando reconheceu o direito da Índia sobre Goa, Damão e Diu, depois do Tribunal Internacional de Haia dar razão a Portugal, quanto a direitos sobre os territórios... a quem deu conhecimento que o iria fazer? Limpou os pés aos direitos de soberania de Portugal, talvez não por acaso. Terá sido para o deixarem dar uma voltinha de elefante? O dispôr de Portugal a seu belo prazer jamais seria possível, por muito que invoque a legalidade revolucionária. E já agora... isto não será... traição?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O PORCO E O CAVALO...


Um fazendeiro colecionava cavalos e só lhe faltava uma determinada raça.
Um dia ele descobriu que o seu vizinho possuía precisamente esta raça de cavalo.
Passou à acção e de tal modo ele atazanou o vizinho que conseguiu comprar o cavalinho! Estava radiante, porque tinha completado a colecção!
No entanto, um mês depois da compra...o cavalo adoeceu, e ele precisou de mandar chamar o veterinário, que examinou...examinou e disse ao fazendeiro:
- "Bem, o seu cavalo está com uma virose e vai ser preciso que ele tome este medicamento durante os próximos 3 dias! No terceiro dia eu voltarei cá... e caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo!", disse o doutor veterinário.
Quando o veterinário falava, o porco escutava toda a conversa.
No dia seguinte o fazendeiro e o veterinário deram o medicamento ao cavalo e foram-se embora. O porco aproximou-se do cavalo e disse-lhe :
- "Cavalinho... força, amigo! Levanta-te daí, senão ainda vais ser sacrificado!".
No segundo dia, voltaram a dar o medicamento ao animal e tornaram a ir-se embora. O porco voltou a aproximar-se do cavalo e disse-lhe :
- " Vamos lá, querido amigo, toca a levantar senão vais mesmo morrer! Vamos lá, companheiro! Eu ajudo-te a levantar... Upa! É isso mesmo, amigão!".
Quando chegou o terceiro dia, tornaram a dar-lhe o medicamento e o veterinário, depois de o examinar, disse ao fazendeiro:
- "Infelizmente, amanhã vamos ter que sacrificá-lo, pois a maldita virose pode contaminar os outros cavalos!".
Assim que se foram embora, o porco aproximou-se do cavalo e diz-lhe:
- " Caro amigo e companheiro, vai ser agora ou nunca! Levanta-te imediatamente e coragem! Upa! Upa! Isso, devagarinho, mais um bocadinho...! Óptimo, vamos lá! Um, dois, três, está bom, muito bem... agora mais depressa, vai... Fantástico!Vamos lá a correr, corre mais! Upa! Upa! Upa!!! Amigo... vencestes, Campeão!".
Naquele mesmo instante o dono chegou e mal viu o seu cavalo a correr pelo campo, gritou:
- "Milagre! O meu cavalo curou-se... está melhor! Isto merece que se faça já uma festa...' Vamos lá matar o porco! '"
Frequentemente é isto que nos acontece no trabalho. Sabemos que ninguém procura saber quem foi o funcionário que teve o mérito de um determinado trabalho que foi executado.
O saber viver sem ser reconhecido é quase uma arte. Afinal... quantas vezes fazemos o papel do porco amigo ou quantas pessoas já nos vieram ajudar a levantar sem que se prove o sabor da gratidão ???
Se algum dia alguém te disser que o teu trabalho não é profissional, lembra-te:
FORAM AMADORES QUE CONSTRUIRAM A ARCA DE NOÉ E PROFISSIONAIS QUE CONSTRUIRAM O TITANIC!
Procura ser uma pessoa de valor, em vez de seres uma pessoa de sucesso

quarta-feira, 22 de julho de 2009

LEIRIA NA(S) HISTÓRIA(S)...

Stº. Agostinho e Castelo vistos da Srªa. da Encarnação
*
Quando era criança, frequentei as fontes do saber que jorrava em torrente das "bicas" saudosas do Convento de Santo Estevão, delas se formando alguns caudais de jovens interessados em divulgar, pelos quatro cantos do mundo, que a sua Leiria não seria mais uma cidade qualquer, porque tinha em si mesma, em incalculáveis quantidades, algo que nunca as outras cidades lograriam conseguir: HUMILDADE E QUERER, INTELIGÊNCIA E SABER.
Tu és, minha Leiria, uma terra desde sempre "condenada" ao sucesso, porque em ti nasceram muitos varões ilustres, suscitastes nomes capazes de levar longe "o teu nome consagrado, e honrado... quem ousará denegrir? Se fostes nobre, heróica e grande no passado... famosa serás no porvir!", como gostamos de ouvir no belo indicativo do Orfeão de Leiria, que o espalhou, cantando, pelos quatro cantos do mundo.
O burgo de Leiria nasceu e cresceu a partir do morro onde podemos vêr implantado o mais belo castelo da Península Ibérica. Logo após o Século XIII, tratou de descer pela encosta abaixo, para se abeirar das águas, então cristalinas, do rio Lis.
Os fastos da história dizem-nos ser presumivel que da romana Collipo, fundada no século I a.C, que é provável ter existido na colina de São Sebastião, nas proximidades dos Andreus, tenha nascido esta nossa cidade de Leiria, mas não existirá nenhuma carta de localização ou carta de foral que possa comprovar este facto.Apenas e tão só se fala na possibilidade de Leiria ter nascido da Collipo dos tempos dos Césares.
Esteve o burgo leiriense sob domínio mourisco até que, decorria o ano de 1135, D. Afonso Henriques conquistou o castelo, atribuindo-lhe foral em 1142. A fortaleza, testemunha de tantas batalhas, teve de ser reconstruída por D. Sancho, decorria o ano de 1192. Foi este Rei que lhe tornou a conceder foral em 1195, ano em que se verificou um derradeiro ataque das gentes da Mafoma.
Apesar de D. Afonso III, em 1254, haver reunido cortes em Leiria, foi apenas no reinado de D. Dinis que o vetusto castelo veio a ser escolhido como Paço Real, sendo por esta altura doado à Rainha Santa Isabel de Aragão, juntamente com a alcaidaria. Foi a partir daqui que se deu a expansão do povoado para fora das muralhas protectoras do castelo, mas novas muralhas voltaram a cercar a vila, pelos perigos de novas guerras com Castela, que estavam sempre presentes na mente de el-Rei de Portugal, pois os reis de Castela não nos davam tréguas.
Em 1385 iniciou-se a Dinastia de Aviz... que teve como "evento inaugural" a Batalha de Aljubarrota... travada contra D. João I de Castela. Foi por essa altura que se conseguiu estabelecer uma paz definitiva com Castela e se veio a dar início à expansão do Reino para o Norte de África.
O Reino foi-se afirmando além fronteiras, enquanto o povoado leiriense crescia na direcção do rio. Nas ruas e praças quatrocentistas realizam-se as feiras medievais, tão afamadas no reino. Há sinais inequívocos de um extraordinário desenvolvimento económico e social, que foram bastante favoráveis no Século XV e permitiram que em Leiria viessem a ser criadas a primeira fábrica de papel e uma das primeiras oficinas tipográficas do reino.
No século XVI construíram-se a Sé Catedral e a Igreja da Misericórdia. Na actual Praça Rodrigues Lobo, centro da cidade antiga, foi edificado, por essa altura, o Paço dos Marqueses de Vila Real... constando-se que que também terá existido, neste local, um hospital que estaria na dependência da Igreja de S. Maninho... julga-se ser este o nome.
Nos seus poemas seiscentistas, o poeta Francisco Rodrigues Lobo fala-nos sobre a Igreja do Convento de Santo Agostinho, com estilo barroco, e das maravilhosas panorâmicas que apenas seriam possíveis de alcançar do alto do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação. É que daí se vê a cidade, as Termas de Monte Real e o famoso Pinhal de Leiria, muito importante pelo fornecimento das tão necessárias madeiras destinadas à construção das caravelas com que se vieram a realizar os Descobrimentos Portugueses.

Contra ventos e marés, fogos e mil desleixos, este secular pinhal tem continuando a ser uma testemunha viva da saga dos Portugueses nas suas viagens pelo mundo. Podemos vê-lo a circundar a Lagoa da Ervedeira, desde tempos imemoriais.
Como adulto, gosto de olhar a minha terra... de recordar tudo aquilo que ela foi, é e continuará a ser, apesar de estar muito descaraterizada, muito mudada, talvez até se possa dizer... muito maltratada! E penso que reconstruír Leiria é preciso, mas o seu património deverá ser preservado e constituír-se como página da história de uma cidade que se ama, porque é o berço onde um dia nos tornámos cidadãos da cidade do Lis, de pleno direito.
Recuperar a cidade não pode ser mudar tudo aquilo que para nós é história, porque as histórias de Leiria são imutáveis, como imutável deverá ser o seu património!

domingo, 19 de julho de 2009

HISTÓRIA DAS TRÊS PORTAS DA SÉ

Onde estão as árvores grandes, podem ver-se, entaipadas,
aquelas que dizem ser as portas de que trata a nossa história
*
Como convém, para que as histórias tenham um princípio, devem começar sempre pelo sacramental "Era uma vez", mas hoje não estou virado para aí e vou fazer a abordagem de uma outra maneira, que irá ser assim: - Há muitos, muitos anos atrás, no tempo em que talvez a cidade não passasse ainda de uma vila, residia na terra que é Leiria, um homem muito cheio de "cabedais", que alguns diziam ser muito poderoso... mas também o tipo mais avarento que se possa imaginar, constando que num célebre dia chegou ao ponto de não ter sítio onde pudesse guardar as suas colossais riquezas, formada por todos os grandes tesouros que havia amealhado ao longo de uma vida em que apenas pensou em amealhar.
Era uma situação que lhe tirava o sono e ele levava os dias e as noites a debater-se com uma tremenda insónia , aproveitando rlr tal facto para cogitar o modo como haveria de evitar que os ladrões lhe pudessem roubar os seus queridos tesouros, razão de ser da sua vida.
Todas as suas forças foram direcionadas na resolução daquela premente questão: Como deveria fazer? Como não deveria fazer? Isto poderia ter dado com ele em doido... não se desse o facto de haver encontrado uma solução, pois finalmente chegou o bendito dia em que se lembrou que a solução única era abrir três longos túneis e no fim de um deles colocar as enormes arcas carregadas de ouro e prata e com as valiosas pedras preciosas que faziam parte do seu colossal tesouro, que era tão grande como até então ninguém terá visto outro.
Se bem o pensou, melhor o fez!.
Mandou abrir três subterrâneos, mesmo ali, no sopé do monte onde hoje se encontra construído o castelo, e dentro de um deles colocou as arcas com todas as suas riquezas .
De seguida ordenou que os subterrânios fossem tapados com três portas de alvenaria, ao mesmo tempo que fazia constar que dentro de uma daquelas portas, numa delas, estava encerrado o seu tesouro, mas nas outras se iria encontrar a fome e na terceira porta havia a peste.
Foi assim que criou entre todos um ambiente de medo, de verdadeiro terror, evitando deste modo que os ladrões lhe roubassem as imensas riquezas ali escondidas. Depois disto, este homem muito rico e poderoso, passou a dormir as noites mais descansado, como um justo.
As três portas, a que alude a nossa história, ainda hoje as podemos vêr no muro que fica situado no lado esquerdo do adro da Sé de Leiria, ficando desde então a ser conhecidas como "As três portas velhas da Sé" ou "As minas do avarento"
(Inspirada numa história antiga, que ouvi contar na minha infância)

sábado, 11 de julho de 2009

O CASTELO DE LEIRIA E UMA HISTÓRIA PITORESCA.

Muitos leirienses ainda se devem lembrar deste caso passado por volta de 1973 : um cidadão brasileiro queria tomar posse do Castelo de Leiria alegando que o herdara de uma longínqua parente.Transcrevo a seguir o que encontrei sobre o caso, relatado por Alda Sales Machado Gonçalves no seu livro de poemas intitulado “À SOMBRA DO CASTELO”, numa edição da Comissão Cultural das Obras Sociais do Pessoal da Câmara Municipal de Leiria, 1984.
*
« À PREFEITURA DE LEIRIA - PORTUGAL »
Exm.º Sr. Dr. Prefeito
Cordiais saudações,
Sideney ( ...... ) , brasileiro, ( .... ) vem muito respeitosamente solicitar-lhe uma certidão dos bens deixados por Aldegundes Magna Caldas de Barros, que se constituem em um Castelo na cidade de Leiria ( ...).
Sendo neto direito de Dona Aldegundes Magna Caldas de Barros , falecida na cidade do Rio de Janeiro em 1942, gostaria de receber u’a orientação de Vossa Excelência, no sentido de tomar posse do referido castelo de Leiria ( ... ).
Eis que meu maior desejo é terminar meus últimos dias de vida aqui na terra nesse castelo de Leiria. Salvo melhor juízo de Vossa Excelência, aqui fico aguardando ansiosamente por u’a resposta positiva. »
*
Esta carta, largamente comentada nos jornais, tanto locais como de grande tiragem, e que muito fez rir os leirienses, foi recebida em Leiria pelo « Prefeito » ( versão brasileira de Governador Civil) em Outubro de 1973, que deu o seguinte despacho:
Ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Leiria para informar a quem pertence o Castelo “.
Por sua vez, a Câmara Municipal, em sua reunião de 21-12-1973, deliberou: “informar que se pretende reivindicar a posse do Castelo, deverá fazê-lo perante a fazenda Nacional, a quem o mesmo está afecto”.
*
Mas foi el-Rei D. Dinis quem veio colocar os pontos nos ii :
*
O CASTELO DE LEIRIA
*
Dom Dinis, o Trovador,
Cantou com todo o ardor
Os belos campos do Lis,
Leiria e seus arredores,
Onde se perdeu de amores
E onde foi tão feliz.
*
Cantou, sonhou coisas tais,
Que campos e pinheirais
Das lindas margens do Lis,
Tudo guardam em segredo
Com saudades, não por medo,
Do amado Rei Dom Dinis.
*
E porque ao seu Castelo,
Que eu juro ser o mais belo
Do nosso belo País,
Surgiu agora um herdeiro,
(Um cidadão brasileiro)
Com aspirações subtis,
Logo os campos verdejantes
E as águas sussurrantes
De todo o vale do Lis,
Em coro com pinheirais
E o chilrear de Pardais
Levaram a Dom Dinis:
*
« Chegou às mãos do “Prefeito”
A carta de um tal sujeito,
Um Sideney lá dos Brasis,
Toda ela ingenuidade.
Lida com hilariedade
P’las entidades civis.
*
Reclama o vosso Castelo
Que jura ser o mais belo
Do nosso belo País,
Quer nele vir habitar
P’ra seus dias acabar
Na cidade do Rio Lis !... ».
*
Assim na tumba acordado
Inquire, de riso, dobrado,
- « Ai Deus, e u é ? »
o Senhor Dom Dinis;
« Pois dizei ao Brasileiro,
Seja ele ingénuo ou brejeiro,
(É vosso Rei que vos diz )
Que este meu nobre Castelo
Que eu juro ser o mais belo
Do nosso belo País,
Leguei-o à Posteridade,
À minha eleita Cidade,
E aos belos campos do Lis! »
*
Dado nos Paços de Leiria, no mês de Dezembro de 1973

sexta-feira, 12 de junho de 2009

DIA DE SANTO ANTÓNIO

Santo António de Lisboa
*
Fernando Martim de Bulhões Taveira Azevedo era o seu nome de baptismo e Santo António de Lisboa, ou Santo António de Pádua, foi o nome que ficou no rol dos Santos de Deus, quando foi canonizado pelo papa Gregório IX, em 30 de Maio de 1233.
Filho de Martim de Bulhões e D. Maria Teresa Taveira Azevedo, nasceu por volta de 1195, em Lisboa, e morreu a 13 de Junho de 1231, em Pádua, na Itália.
Aos vinte anos professou a vida religiosa entre os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa. Rumou depois a Coimbra ao mosteiro de Santa Cruz, onde tinha possibilidades de usar a biblioteca, uma das mais importantes da Europa de então.
Santo António foi então ordenado sacerdote, decorria o ano de 1220, após o que se tornou frade franciscano no ermitério de Santo Antão dos Olivais, de onde veio a partir para Marrocos, numa missão de evangelização e apostolado entre os muçulmanos.
Foi um dos mais categorizados representantes da cultura cristã no período de transição da pré-escolástica para a escolástica. Figura notável pela sua erudição, impôs-se também pelo exemplo na pregação solene e doutrinal, na discussão com os hereges e no ensino nas escolas conventuais. Certamente é essa a razão porque o Santo é, ainda hoje, considerado como uma das personalidades franciscanas mais significativas.
Em Pádua, onde morreu, foi erigida uma imponente basílica em sua memória, sendo lá que se encontram depositadas as suas relíquias.
Muita gente que se admira por o dulcíssimo Santo António ter sido alguém tão "áspero" para com os infiéis ou os hereges, mas tudo se poderá explicar com o simples facto de que um homem que viva na sua Fé em plenitude, acabará por receber graças que lhe são proporcionadas por Deus visando a sua acção prática, grangeando assim o discernimento e os meios adequados aos fins excelentes que tenha em vista.
Hoje sabe-se que a linguagem usada por Santo António para combater os hereges Cátaros e Albigenses era uma linguagem mais popular, que chegava mais fácilmente aos povos para quem pregava, especialmente pelas alegorias utilizadas que facilitavam a compreensão daqueles que o ouviam, e não a linguagem do latim eruditíssimo, ciceroniano, que normalmente era usado nos textos que escrevia.
Torna-se óbvio que Santo António não deturpava a linguagem, fazendo-a descer ao nível dos erros hereges, pois não usava palavrões ou coisa que o valha! Apenas sabia usar os instrumentos considerados certos para fazer passar a sua mensagem límpida, que não era outra senão a mensagem da Santa Igreja.
Santo António de Lisboa passou à História, famoso também pela sua singular e notável carreira militar póstuma, que foi de Soldado a Coronel.
Vários países, em especial Portugal, Espanha e Brasil, conferiram-lhe graduações, postos, insígnias e honrarias militares . Tudo começou em Portugal, quando, em 1668, D. Pedro II, Regente do Reino, deu ordens para que o Santo fosse recrutado e assentasse praça como soldado raso, no 2º Regimento de Infantaria, em Lagos, sendo promovido a Capitão em 1683 e a Coronel em 1780.
Foi o Brasil o país que mais galardoou Santo António de Lisboa, por intermédio das promoções e honrarias castrenses. Na Bahia, ele foi Soldado, Alferes, Capitão, Sargento-Mor e Tenente-Coronel de Infantaria, percebendo o respectivo soldo inerente ao posto.
Em São Paulo, foi Coronel; em Goiás foi Capitão; na Paraíba e no Espírito Santo, foi Soldado; Capitão de Cavalaria, em Vila Rica-Minas Gerais; em Pernambuco foi Tenente de Artilharia e Capitão; em Igarassu, ainda em Pernambuco, como não havia quartel na cidade, foi Santo António eleito Vereador, com o título de “Protetor da Câmara”. No Rio de Janeiro, foi Soldado, Capitão, Sargento-Mor e Tenente-Coronel (“vencendo um soldo de oitenta mil réis mensais”, que foram pagos fielmente até alguns anos depois da proclamação da República).
As promoções de Santo António a Sargento-Mor (Major) e a Tenente-Coronel de Infantaria foram publicadas nos Decretos de 14 Jul 1810 e de 25 Nov 1814, expedidos por Cartas Régias, com a rubrica do Príncipe Regente D. João, futuro D. João VI.
Muito mais benesses recebeu Santo António... e bem merecidas, por sinal!

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!