domingo, 15 de fevereiro de 2009

A Ponte do Cavaleiro

A velha Ponte do Cavaleiro e o Lis
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Aqueles que venham pela Estrada que liga a cidade de Leiria às Cortes, ao cortar à direita vão encontrar o luigar da PONTE DO CAVALEIRO. Para efectuar esta ligação, pode seguir pela Travessa do Moinho da Ponte do Cavaleiro, que é uma referência toponímica a um Moínho de Água que ali existia em tempos mais recuados, sendo talvez contemporâneo do Moinho da Nora, que também fez parte dos moinhos que existiram no Rio Lis.
Quando atravessamos a Ponte do Cavaleiro, podemos observar o curso do Lis, que por estes dias nos mostra uma corrente mais ou menos forte, mercê da chuva que tem caído nos últimos tempos, engrossando o caudal.
Num trabalho precioso de recolha efectuado por João Cabral, registado nos "Anais do Município" leiriense, podemos lêr a LENDA DO CAVALEIRO, que originou este lugar da freguesia das Cortes - Leiria:
...
" Era uma vez ...
...nos tempos já distantes, dos princípios do cristianismo, vivia uma senhora chamada Dona Loba, que era uma mulher muito rica. Esta Dona Loba prometera ao Apóstolo São Tiago converter-se à religião de Jesus de Nazaré, que então se ia espalhando por toda a Europa.
Aquele Santo, que não gostava nada perder fosse o que fosse, mandou dois dos seus discípulos mais dedicados para cristianizar aquela rica senhora. Ao mesmo tempo ela escrevia uma carta a um casal muito da sua confiança, que vivia ali nas Cortes, a uma curta légua de Leiria, a pedir-lhes um conselho sobre a sua conversão à Verdade de Cristo.
Estes seus amigos chamavam-se, ele Lúcio Venónio e ela Celerina, e eram romanos muito ricos e muito poderosos. Logo que os discípulos de São Tiago chegaram à fala com Dona Loba, ela entregou-lhes a carta que havia escrito para Venónio e para sua mulher.
Os discípulos andaram, andaram, e alcançaram a casa de Venónio, a quem entregaram a carta de Dona Loba. Mas Venónio, que ainda não tinha ouvido falar da doutrina de Jesus de Nazaré, não gostou daquilo que Dona Loba lhe dizia na carta e mandou-os prender. Era já noite.
Mas ... quando os raios de sol começaram a dar os bons dias à terra, os Anjos vieram libertar os prisioneiros, que logo deram às de Vila Diogo.
Venónio, quando soube da fuga dos seus prisioneiros, deu por paus e por pedras e mandou-os perseguir pelos seus homens a cavalo. Os perseguidores bem correram a toda a brida, até que os foram apanhar junto a uma ponte que ali havia. Mas os discípulos do Apóstolo estugaram o passo e passaram para o outro lado da ponte, ficando a salvo.
O mesmo não sucedeu aos homens de cavalo, de Venónio, pois quando estes chegaram ao meio da ponte, esta ruiu e, catrapuz ... homens e cavalos foram todos de roldão por água abaixo.
O povo, o bom povo das Cortes e das vizinhanças, viu neste acontecimento um castigo de Deus e converteu-se à Religião de Cristo.
Também Venónio e sua mulher Celerina se tornaram cristãos, tão bons e generosos que, no dizer do povo, ela era uma boa Santa.
Venónio, algum tempo depois, morreu na paz do Senhor, e sua mulher, foi para Sines onde veio a ser martirizada, por não querer abjurar a sua Fé, e tornou-se Santa muito venerada naquela terra de Sines.
E foi deste modo que começou, na região de Leiria, a cristianização dos Povos."

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!