domingo, 7 de junho de 2009

A lenda da Princesa Moura

Desde os meus dias de serão à lareira, lá na Rua Damião de Góis da minha cidade natal, sempre ouvi contar histórias de encantar, algumas que faziam tremer, outras a fazer chorar.
Não é em vão que se é criado junto ao Castelo mais bonito de todos os castelos portugueses. E não sou apenas eu que o digo, pois podia ser acusado de puxar a brasa à minha sardinha, por ser conterrâneo do Francisco Rodrigues Lobo ou do Afonso Lopes Vieira, por ter nascido no velho Hospital D. Manuel de Aguiar... já lá vai um bom par de décadas.
Entre as histórias que ouvi contar, havia uma que era por demais bela para a não considerar digna de ter a sua publicação neste modesto blog. Foi-me contada pelo saudoso José Neto, que a narrou deste modo:
"Há muitos, muitos anos ... naqueles tempos já bem distantes do Rei Afonso Primeiro, que vinha do norte para o Sul e ia fazendo a conquista de terras e mais terras que se encontravam na posse das gentes da moirama, chegou-se ele às proximidades das terras de Leiria, que acabou por conquistar também.
Resolveu então construir aqui um castelo rouqueiro, que deixou entregue à guarda dos seus guerreiros, seguindo de abalando à conquista de mais terras, para construir um Reino de Portugal maior.Os mouros, sabendo estar o castelo pouco guardado, voltaram e, depois de uma luta porfiada, acabaram vencendo os guardas do castelo e tomaram-no.
Passou a ser seu guardião, por essa altura, um velho mouro que vivia com a sua filha única, uma linda moura com olhos esmeraldinos e uns louros cabelos entrançados, que se chamava Zara.
Um dia, já o sol se estava a esconder no horizonte sob nuvens acobreadas, a linda moura, encontrava-se à janela do castelo, voltada para o Arrabalde, entretendo-se a pentear os encanecidos cabelos do seu velho pai, quando viu, ao longe, uma coisa que lhe pareceu estranha, mesmo muito estranha.
Que teria visto a linda princesa castelã, de olhos verdes de esmeralda?
Viu que o mato se deslocava de um lado para o outro e também na direcção do castelo. Perguntou então a linda princesa castelã ao seu velho pai: - “Oh! Meu Pai, o mato anda?”. O pai da linda princesa, respondeu-lhe, carinhoso :“Anda sim, minha filha, se alguém o leva.”.
E o mato era levado, sim, mas pelos guerreiros cristãos do Rei Afonso, que se escondiam atrás das paveias de mato que haviam cortado e tinham juntado para avançarem para o castelo sem serem vistos.
E avançaram, avançaram cautelosamente, até que chegaram próximo da porta chamada da traição, correram, passaram-na lestamente e reconquistaram o castelo.
Nunca mais se soube da linda princesa de olhos verdes, nem de seu velho pai, que era o Governador do Castelo, mas sabe-se que, a partir desse dia, Portugal se tornou um pouco maior."
Ao contrário do Senhor José, que me contou a história desta maneira, outras pessoas vieram à liça a dar opinião sobre o destino do Governador e da linda moura encantada... porque terá sido isso que aconteceu.
E concluíam com alguns possíveis destinos para Zara. Uns afirmavam que as lágrimas dela, que se havia refugiado numa gruta nas redondezas do Rio Lis, acabaram por formar a nascente da Fonte Quente, outros que ela teria fugido por uma mina, juntamente com o seu pai, indo refugiar-se na zona dos Pousos.
Dizem que as fontes de Leiria são resultado das lágrimas da bela Zara... mas não o posso afirmar assim tão firmemente, porque as histórias costumam ser deturpadas por quem as conta... porque quem conta um conto...

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!