sexta-feira, 12 de junho de 2009

DIA DE SANTO ANTÓNIO

Santo António de Lisboa
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Fernando Martim de Bulhões Taveira Azevedo era o seu nome de baptismo e Santo António de Lisboa, ou Santo António de Pádua, foi o nome que ficou no rol dos Santos de Deus, quando foi canonizado pelo papa Gregório IX, em 30 de Maio de 1233.
Filho de Martim de Bulhões e D. Maria Teresa Taveira Azevedo, nasceu por volta de 1195, em Lisboa, e morreu a 13 de Junho de 1231, em Pádua, na Itália.
Aos vinte anos professou a vida religiosa entre os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa. Rumou depois a Coimbra ao mosteiro de Santa Cruz, onde tinha possibilidades de usar a biblioteca, uma das mais importantes da Europa de então.
Santo António foi então ordenado sacerdote, decorria o ano de 1220, após o que se tornou frade franciscano no ermitério de Santo Antão dos Olivais, de onde veio a partir para Marrocos, numa missão de evangelização e apostolado entre os muçulmanos.
Foi um dos mais categorizados representantes da cultura cristã no período de transição da pré-escolástica para a escolástica. Figura notável pela sua erudição, impôs-se também pelo exemplo na pregação solene e doutrinal, na discussão com os hereges e no ensino nas escolas conventuais. Certamente é essa a razão porque o Santo é, ainda hoje, considerado como uma das personalidades franciscanas mais significativas.
Em Pádua, onde morreu, foi erigida uma imponente basílica em sua memória, sendo lá que se encontram depositadas as suas relíquias.
Muita gente que se admira por o dulcíssimo Santo António ter sido alguém tão "áspero" para com os infiéis ou os hereges, mas tudo se poderá explicar com o simples facto de que um homem que viva na sua Fé em plenitude, acabará por receber graças que lhe são proporcionadas por Deus visando a sua acção prática, grangeando assim o discernimento e os meios adequados aos fins excelentes que tenha em vista.
Hoje sabe-se que a linguagem usada por Santo António para combater os hereges Cátaros e Albigenses era uma linguagem mais popular, que chegava mais fácilmente aos povos para quem pregava, especialmente pelas alegorias utilizadas que facilitavam a compreensão daqueles que o ouviam, e não a linguagem do latim eruditíssimo, ciceroniano, que normalmente era usado nos textos que escrevia.
Torna-se óbvio que Santo António não deturpava a linguagem, fazendo-a descer ao nível dos erros hereges, pois não usava palavrões ou coisa que o valha! Apenas sabia usar os instrumentos considerados certos para fazer passar a sua mensagem límpida, que não era outra senão a mensagem da Santa Igreja.
Santo António de Lisboa passou à História, famoso também pela sua singular e notável carreira militar póstuma, que foi de Soldado a Coronel.
Vários países, em especial Portugal, Espanha e Brasil, conferiram-lhe graduações, postos, insígnias e honrarias militares . Tudo começou em Portugal, quando, em 1668, D. Pedro II, Regente do Reino, deu ordens para que o Santo fosse recrutado e assentasse praça como soldado raso, no 2º Regimento de Infantaria, em Lagos, sendo promovido a Capitão em 1683 e a Coronel em 1780.
Foi o Brasil o país que mais galardoou Santo António de Lisboa, por intermédio das promoções e honrarias castrenses. Na Bahia, ele foi Soldado, Alferes, Capitão, Sargento-Mor e Tenente-Coronel de Infantaria, percebendo o respectivo soldo inerente ao posto.
Em São Paulo, foi Coronel; em Goiás foi Capitão; na Paraíba e no Espírito Santo, foi Soldado; Capitão de Cavalaria, em Vila Rica-Minas Gerais; em Pernambuco foi Tenente de Artilharia e Capitão; em Igarassu, ainda em Pernambuco, como não havia quartel na cidade, foi Santo António eleito Vereador, com o título de “Protetor da Câmara”. No Rio de Janeiro, foi Soldado, Capitão, Sargento-Mor e Tenente-Coronel (“vencendo um soldo de oitenta mil réis mensais”, que foram pagos fielmente até alguns anos depois da proclamação da República).
As promoções de Santo António a Sargento-Mor (Major) e a Tenente-Coronel de Infantaria foram publicadas nos Decretos de 14 Jul 1810 e de 25 Nov 1814, expedidos por Cartas Régias, com a rubrica do Príncipe Regente D. João, futuro D. João VI.
Muito mais benesses recebeu Santo António... e bem merecidas, por sinal!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Óh noite de Santo António...

O manjerico é a planta do Santo António, que quer as Marchas bem cheirosas, pois não é só de música e cantigas que se faz o arraial! Este faz-se com a sardinha assada, os arquinhos e os balões, a alegria nos corações... mas também com o manjerico engalanado e com uma quadra dedicada ao amor dos enamorados, estejam eles solteiros ou casados!
Em Leiria, mesmo não sendo uma tradição arreigada no espírito das gentes que acorriam aos arraiais populares que se realizavam um pouco por toda a cidade, mas especialmente no Bairro dos Anjos ou no Terreiro, no Ateneu ou na Assembleia Leiriense, no Sporting ou no Orfeão - para não falar de outros locais -, o manjerico sempre ia aparecendo, dando sinais de vida... nem que fosse preciso ir buscá-lo a Lisboa, como por vezes acontecia.
Os arraiais de rua sempre foram muito populares entre a população, não sendo raro haver uma certa competição para vêr quem tinha a fogueira mais "vistosa", a rua mais "arranjadinha", as melhores miúdas das redondezas... e então era a via sacra entre fogueiras, da Restauração às Olarias, da Fonte Freire à Rua D. Afonso Henriques - onde no pátio da casa do saudoso Basílio havia enorme alegria porque o seu balão de papel subiu aos céus sem problemas. Ao pé da casa do Panaça também se queimava a urze e as carrasqueiras, o alecrim e o rosmaninho, as moças e os soldadinhos saltavam a fogueira no meio de grande animação, como acontecia no Pátio do Fabião, frente ao RAL4, logo a seguir à torre sineira.
Nos Castelinhos e no Arrabalde da Ponte, na Pedreira junto à casa do Tenente Miranda ou na Calçada do Bravo, na Rua Serpa Pinto ou no Largo de Santo Agostinho... era só escolher, porque os rapazes e raparigas lá do sítio procuravam fazer os melhores Santos Populares da cidade.
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Santo António, Santo António
Que pena não te poder ver
Vê se me assas umas sardinhas
Para que as possa comer.
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Óh meu rico Santo António
Santinho do meu coração
Dá-me riqueza e saúde...
...muita paz e muito pão.
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Óh meu rico Santo Antonio
meu rico Santo Antoninho:
Arranja-me aí uma sardinha...
...para dar ao meu amorzinho.
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Óh Santo António de Lisboa...
Diz-se que és casamenteiro!
Se o casamento é coisa boa...
porque quizestes ficar solteiro?
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Meu rico Santo Antoninho
vê se dás a esta terra alegria...
...para encontrarem o caminho
da minha antiga Leiria!
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Quadras de Victor Elias
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BOA NOITE DE SANTO ANTÓNIO

domingo, 7 de junho de 2009

A lenda da Princesa Moura

Desde os meus dias de serão à lareira, lá na Rua Damião de Góis da minha cidade natal, sempre ouvi contar histórias de encantar, algumas que faziam tremer, outras a fazer chorar.
Não é em vão que se é criado junto ao Castelo mais bonito de todos os castelos portugueses. E não sou apenas eu que o digo, pois podia ser acusado de puxar a brasa à minha sardinha, por ser conterrâneo do Francisco Rodrigues Lobo ou do Afonso Lopes Vieira, por ter nascido no velho Hospital D. Manuel de Aguiar... já lá vai um bom par de décadas.
Entre as histórias que ouvi contar, havia uma que era por demais bela para a não considerar digna de ter a sua publicação neste modesto blog. Foi-me contada pelo saudoso José Neto, que a narrou deste modo:
"Há muitos, muitos anos ... naqueles tempos já bem distantes do Rei Afonso Primeiro, que vinha do norte para o Sul e ia fazendo a conquista de terras e mais terras que se encontravam na posse das gentes da moirama, chegou-se ele às proximidades das terras de Leiria, que acabou por conquistar também.
Resolveu então construir aqui um castelo rouqueiro, que deixou entregue à guarda dos seus guerreiros, seguindo de abalando à conquista de mais terras, para construir um Reino de Portugal maior.Os mouros, sabendo estar o castelo pouco guardado, voltaram e, depois de uma luta porfiada, acabaram vencendo os guardas do castelo e tomaram-no.
Passou a ser seu guardião, por essa altura, um velho mouro que vivia com a sua filha única, uma linda moura com olhos esmeraldinos e uns louros cabelos entrançados, que se chamava Zara.
Um dia, já o sol se estava a esconder no horizonte sob nuvens acobreadas, a linda moura, encontrava-se à janela do castelo, voltada para o Arrabalde, entretendo-se a pentear os encanecidos cabelos do seu velho pai, quando viu, ao longe, uma coisa que lhe pareceu estranha, mesmo muito estranha.
Que teria visto a linda princesa castelã, de olhos verdes de esmeralda?
Viu que o mato se deslocava de um lado para o outro e também na direcção do castelo. Perguntou então a linda princesa castelã ao seu velho pai: - “Oh! Meu Pai, o mato anda?”. O pai da linda princesa, respondeu-lhe, carinhoso :“Anda sim, minha filha, se alguém o leva.”.
E o mato era levado, sim, mas pelos guerreiros cristãos do Rei Afonso, que se escondiam atrás das paveias de mato que haviam cortado e tinham juntado para avançarem para o castelo sem serem vistos.
E avançaram, avançaram cautelosamente, até que chegaram próximo da porta chamada da traição, correram, passaram-na lestamente e reconquistaram o castelo.
Nunca mais se soube da linda princesa de olhos verdes, nem de seu velho pai, que era o Governador do Castelo, mas sabe-se que, a partir desse dia, Portugal se tornou um pouco maior."
Ao contrário do Senhor José, que me contou a história desta maneira, outras pessoas vieram à liça a dar opinião sobre o destino do Governador e da linda moura encantada... porque terá sido isso que aconteceu.
E concluíam com alguns possíveis destinos para Zara. Uns afirmavam que as lágrimas dela, que se havia refugiado numa gruta nas redondezas do Rio Lis, acabaram por formar a nascente da Fonte Quente, outros que ela teria fugido por uma mina, juntamente com o seu pai, indo refugiar-se na zona dos Pousos.
Dizem que as fontes de Leiria são resultado das lágrimas da bela Zara... mas não o posso afirmar assim tão firmemente, porque as histórias costumam ser deturpadas por quem as conta... porque quem conta um conto...

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!