sábado, 11 de julho de 2009

O CASTELO DE LEIRIA E UMA HISTÓRIA PITORESCA.

Muitos leirienses ainda se devem lembrar deste caso passado por volta de 1973 : um cidadão brasileiro queria tomar posse do Castelo de Leiria alegando que o herdara de uma longínqua parente.Transcrevo a seguir o que encontrei sobre o caso, relatado por Alda Sales Machado Gonçalves no seu livro de poemas intitulado “À SOMBRA DO CASTELO”, numa edição da Comissão Cultural das Obras Sociais do Pessoal da Câmara Municipal de Leiria, 1984.
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« À PREFEITURA DE LEIRIA - PORTUGAL »
Exm.º Sr. Dr. Prefeito
Cordiais saudações,
Sideney ( ...... ) , brasileiro, ( .... ) vem muito respeitosamente solicitar-lhe uma certidão dos bens deixados por Aldegundes Magna Caldas de Barros, que se constituem em um Castelo na cidade de Leiria ( ...).
Sendo neto direito de Dona Aldegundes Magna Caldas de Barros , falecida na cidade do Rio de Janeiro em 1942, gostaria de receber u’a orientação de Vossa Excelência, no sentido de tomar posse do referido castelo de Leiria ( ... ).
Eis que meu maior desejo é terminar meus últimos dias de vida aqui na terra nesse castelo de Leiria. Salvo melhor juízo de Vossa Excelência, aqui fico aguardando ansiosamente por u’a resposta positiva. »
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Esta carta, largamente comentada nos jornais, tanto locais como de grande tiragem, e que muito fez rir os leirienses, foi recebida em Leiria pelo « Prefeito » ( versão brasileira de Governador Civil) em Outubro de 1973, que deu o seguinte despacho:
Ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Leiria para informar a quem pertence o Castelo “.
Por sua vez, a Câmara Municipal, em sua reunião de 21-12-1973, deliberou: “informar que se pretende reivindicar a posse do Castelo, deverá fazê-lo perante a fazenda Nacional, a quem o mesmo está afecto”.
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Mas foi el-Rei D. Dinis quem veio colocar os pontos nos ii :
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O CASTELO DE LEIRIA
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Dom Dinis, o Trovador,
Cantou com todo o ardor
Os belos campos do Lis,
Leiria e seus arredores,
Onde se perdeu de amores
E onde foi tão feliz.
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Cantou, sonhou coisas tais,
Que campos e pinheirais
Das lindas margens do Lis,
Tudo guardam em segredo
Com saudades, não por medo,
Do amado Rei Dom Dinis.
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E porque ao seu Castelo,
Que eu juro ser o mais belo
Do nosso belo País,
Surgiu agora um herdeiro,
(Um cidadão brasileiro)
Com aspirações subtis,
Logo os campos verdejantes
E as águas sussurrantes
De todo o vale do Lis,
Em coro com pinheirais
E o chilrear de Pardais
Levaram a Dom Dinis:
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« Chegou às mãos do “Prefeito”
A carta de um tal sujeito,
Um Sideney lá dos Brasis,
Toda ela ingenuidade.
Lida com hilariedade
P’las entidades civis.
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Reclama o vosso Castelo
Que jura ser o mais belo
Do nosso belo País,
Quer nele vir habitar
P’ra seus dias acabar
Na cidade do Rio Lis !... ».
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Assim na tumba acordado
Inquire, de riso, dobrado,
- « Ai Deus, e u é ? »
o Senhor Dom Dinis;
« Pois dizei ao Brasileiro,
Seja ele ingénuo ou brejeiro,
(É vosso Rei que vos diz )
Que este meu nobre Castelo
Que eu juro ser o mais belo
Do nosso belo País,
Leguei-o à Posteridade,
À minha eleita Cidade,
E aos belos campos do Lis! »
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Dado nos Paços de Leiria, no mês de Dezembro de 1973

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!