quarta-feira, 22 de julho de 2009

LEIRIA NA(S) HISTÓRIA(S)...

Stº. Agostinho e Castelo vistos da Srªa. da Encarnação
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Quando era criança, frequentei as fontes do saber que jorrava em torrente das "bicas" saudosas do Convento de Santo Estevão, delas se formando alguns caudais de jovens interessados em divulgar, pelos quatro cantos do mundo, que a sua Leiria não seria mais uma cidade qualquer, porque tinha em si mesma, em incalculáveis quantidades, algo que nunca as outras cidades lograriam conseguir: HUMILDADE E QUERER, INTELIGÊNCIA E SABER.
Tu és, minha Leiria, uma terra desde sempre "condenada" ao sucesso, porque em ti nasceram muitos varões ilustres, suscitastes nomes capazes de levar longe "o teu nome consagrado, e honrado... quem ousará denegrir? Se fostes nobre, heróica e grande no passado... famosa serás no porvir!", como gostamos de ouvir no belo indicativo do Orfeão de Leiria, que o espalhou, cantando, pelos quatro cantos do mundo.
O burgo de Leiria nasceu e cresceu a partir do morro onde podemos vêr implantado o mais belo castelo da Península Ibérica. Logo após o Século XIII, tratou de descer pela encosta abaixo, para se abeirar das águas, então cristalinas, do rio Lis.
Os fastos da história dizem-nos ser presumivel que da romana Collipo, fundada no século I a.C, que é provável ter existido na colina de São Sebastião, nas proximidades dos Andreus, tenha nascido esta nossa cidade de Leiria, mas não existirá nenhuma carta de localização ou carta de foral que possa comprovar este facto.Apenas e tão só se fala na possibilidade de Leiria ter nascido da Collipo dos tempos dos Césares.
Esteve o burgo leiriense sob domínio mourisco até que, decorria o ano de 1135, D. Afonso Henriques conquistou o castelo, atribuindo-lhe foral em 1142. A fortaleza, testemunha de tantas batalhas, teve de ser reconstruída por D. Sancho, decorria o ano de 1192. Foi este Rei que lhe tornou a conceder foral em 1195, ano em que se verificou um derradeiro ataque das gentes da Mafoma.
Apesar de D. Afonso III, em 1254, haver reunido cortes em Leiria, foi apenas no reinado de D. Dinis que o vetusto castelo veio a ser escolhido como Paço Real, sendo por esta altura doado à Rainha Santa Isabel de Aragão, juntamente com a alcaidaria. Foi a partir daqui que se deu a expansão do povoado para fora das muralhas protectoras do castelo, mas novas muralhas voltaram a cercar a vila, pelos perigos de novas guerras com Castela, que estavam sempre presentes na mente de el-Rei de Portugal, pois os reis de Castela não nos davam tréguas.
Em 1385 iniciou-se a Dinastia de Aviz... que teve como "evento inaugural" a Batalha de Aljubarrota... travada contra D. João I de Castela. Foi por essa altura que se conseguiu estabelecer uma paz definitiva com Castela e se veio a dar início à expansão do Reino para o Norte de África.
O Reino foi-se afirmando além fronteiras, enquanto o povoado leiriense crescia na direcção do rio. Nas ruas e praças quatrocentistas realizam-se as feiras medievais, tão afamadas no reino. Há sinais inequívocos de um extraordinário desenvolvimento económico e social, que foram bastante favoráveis no Século XV e permitiram que em Leiria viessem a ser criadas a primeira fábrica de papel e uma das primeiras oficinas tipográficas do reino.
No século XVI construíram-se a Sé Catedral e a Igreja da Misericórdia. Na actual Praça Rodrigues Lobo, centro da cidade antiga, foi edificado, por essa altura, o Paço dos Marqueses de Vila Real... constando-se que que também terá existido, neste local, um hospital que estaria na dependência da Igreja de S. Maninho... julga-se ser este o nome.
Nos seus poemas seiscentistas, o poeta Francisco Rodrigues Lobo fala-nos sobre a Igreja do Convento de Santo Agostinho, com estilo barroco, e das maravilhosas panorâmicas que apenas seriam possíveis de alcançar do alto do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação. É que daí se vê a cidade, as Termas de Monte Real e o famoso Pinhal de Leiria, muito importante pelo fornecimento das tão necessárias madeiras destinadas à construção das caravelas com que se vieram a realizar os Descobrimentos Portugueses.

Contra ventos e marés, fogos e mil desleixos, este secular pinhal tem continuando a ser uma testemunha viva da saga dos Portugueses nas suas viagens pelo mundo. Podemos vê-lo a circundar a Lagoa da Ervedeira, desde tempos imemoriais.
Como adulto, gosto de olhar a minha terra... de recordar tudo aquilo que ela foi, é e continuará a ser, apesar de estar muito descaraterizada, muito mudada, talvez até se possa dizer... muito maltratada! E penso que reconstruír Leiria é preciso, mas o seu património deverá ser preservado e constituír-se como página da história de uma cidade que se ama, porque é o berço onde um dia nos tornámos cidadãos da cidade do Lis, de pleno direito.
Recuperar a cidade não pode ser mudar tudo aquilo que para nós é história, porque as histórias de Leiria são imutáveis, como imutável deverá ser o seu património!

domingo, 19 de julho de 2009

HISTÓRIA DAS TRÊS PORTAS DA SÉ

Onde estão as árvores grandes, podem ver-se, entaipadas,
aquelas que dizem ser as portas de que trata a nossa história
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Como convém, para que as histórias tenham um princípio, devem começar sempre pelo sacramental "Era uma vez", mas hoje não estou virado para aí e vou fazer a abordagem de uma outra maneira, que irá ser assim: - Há muitos, muitos anos atrás, no tempo em que talvez a cidade não passasse ainda de uma vila, residia na terra que é Leiria, um homem muito cheio de "cabedais", que alguns diziam ser muito poderoso... mas também o tipo mais avarento que se possa imaginar, constando que num célebre dia chegou ao ponto de não ter sítio onde pudesse guardar as suas colossais riquezas, formada por todos os grandes tesouros que havia amealhado ao longo de uma vida em que apenas pensou em amealhar.
Era uma situação que lhe tirava o sono e ele levava os dias e as noites a debater-se com uma tremenda insónia , aproveitando rlr tal facto para cogitar o modo como haveria de evitar que os ladrões lhe pudessem roubar os seus queridos tesouros, razão de ser da sua vida.
Todas as suas forças foram direcionadas na resolução daquela premente questão: Como deveria fazer? Como não deveria fazer? Isto poderia ter dado com ele em doido... não se desse o facto de haver encontrado uma solução, pois finalmente chegou o bendito dia em que se lembrou que a solução única era abrir três longos túneis e no fim de um deles colocar as enormes arcas carregadas de ouro e prata e com as valiosas pedras preciosas que faziam parte do seu colossal tesouro, que era tão grande como até então ninguém terá visto outro.
Se bem o pensou, melhor o fez!.
Mandou abrir três subterrâneos, mesmo ali, no sopé do monte onde hoje se encontra construído o castelo, e dentro de um deles colocou as arcas com todas as suas riquezas .
De seguida ordenou que os subterrânios fossem tapados com três portas de alvenaria, ao mesmo tempo que fazia constar que dentro de uma daquelas portas, numa delas, estava encerrado o seu tesouro, mas nas outras se iria encontrar a fome e na terceira porta havia a peste.
Foi assim que criou entre todos um ambiente de medo, de verdadeiro terror, evitando deste modo que os ladrões lhe roubassem as imensas riquezas ali escondidas. Depois disto, este homem muito rico e poderoso, passou a dormir as noites mais descansado, como um justo.
As três portas, a que alude a nossa história, ainda hoje as podemos vêr no muro que fica situado no lado esquerdo do adro da Sé de Leiria, ficando desde então a ser conhecidas como "As três portas velhas da Sé" ou "As minas do avarento"
(Inspirada numa história antiga, que ouvi contar na minha infância)

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!