segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Festas da Senhora da Encarnação

Uma das festas da minha infância era aquela que se realizava em Leiria no dia 15 de Agosto, em honra da Padroeira da cidade, Nossa Senhora da Encarnação!
Nas semanas que antecediam a festa, realizavam-se no Santuário o tríduo preparatório, tal como acontecia na Igreja de Santo Agostinho, com pregação a preceito feita por alguns dos melhores pregadores da Igreja local ou convidados propositadamente para o efeito.
A miudagem da Catequese não podia faltar, pois era suposto ser perigoso faltar às novenas, não sei se porque o Padre Pires não gostava e podia haver problemas não sei com quê, talvez porque também fosse ele a mandar no Hospital e não nos tratassem quando lá fôssemos, ou porque o Padre João Carvalho ou o Padre Craveiro não deixavam que a catraiada assistisse às representações teatrais que volta e meia se faziam no Seminário de Leiria, ali à Fonte Freire, ou nos proibisse de ir ao magusto do S. Martinho.
Mas até era giro ir lá para cima e correr atrás das canas dos foguetes, que estalejavam acima das nossas cabeças, como que a dizer às gentes que havia festa na cidade. Muitos de nós também gostavamos de ir por causa do bodo que era servido pela Confraria de Nossa Senhora da Encarnação, pois sempre era uma maneira de reconfortar a barriguinha, por aqueles tempos muito mal servida de iguarias, fossem lá elas quais fossem.
No dia da festa, as Bandas de Música de São Tiago dos Marrazes e dos Pousos, das Cortes ou de Regueira de Pontes ou de outro lado qualquer, saudavam a cidade com as suas marchas marciais, enquanto montes de pessoas, vindas um pouco de todo o lado, subiam a escadaria que leva ao Santuário, iam pelo caminho... ou abriam carreiros entre a vegetação, para chegar mais depressa.
Junto à Praça de Touros havia carradas de melão e melancia à venda, barracas com comes e bebes, propagandistas da banha da cobra, a Dina Retratista, o homem dos sorvetes, o da bolacha americana ou dos barquilhos e uma multidão ia estendendo as mantas pela mata fora, petiscando e arranjando forças para a Procissão solene.
E também não faltava a tourada, onde eram artistas os irmãos Ataíde, D. Luís e D. José, o Diamantino Viseu e o António dos Santos... ou qualquer outros diestros dos muito que pisaram aquela arena.
O arraial era mesmo arraial... mas a tradição morre e Leiria é que perde! Quantas saudades da Leiria de outrora... que não volta mais!
Ontem era dia de Festa em Leiria... que agora se fica pelas cerimónias religiosas - vá lá que ainda não morreram também - que são muito importantes, pelo que a Padroeira representará para a cidade, ficando a faltar aquele cunho popular que as Festas dos Milagres vieram "roubar" à cidade... e esta nem se importou com isso, pelo que parece!
"Dentro de ti, óh Leiria... viveu uma moura encantada... mas fugiu com desgosto do que de ti fizeram!"

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!