quarta-feira, 23 de setembro de 2009

LEIRIA... ontem e hoje!

Antigo Convento de Santo Estevão

Dentro em pouco haverá eleições autárquicas em Portugal... e tal facto tem servido para aquilatar o que foi o esforço ou o desinteresse que os autarcas têm tido para com as cidades que me estão mais chegadas ao coração, seja pelo nascimento, pela residência ou pelas memórias que me tenham suscitado ao longo dos anos, sejam de índole histórica ou simplesmente... afectiva.
Leiria, cidade que me serviu de berço, tem sido para mim um motivo de interrogação constante, porque a vi ser uma pequena cidade de província, apesar de capital de distrito; vi como foi crescendo "em graça e idade", mercê dos esforços que os autarcas que a serviram ao longo destes anos lhe prodigalizaram... mesmo não sendo "filhos de Leiria", como acontecia com alguns.
Sabemos que havia de tudo na presidência das câmaras, pois uns serviam a coisa pública de corpo e alma, mas outros havia que se serviam do cargo mais do que serviam o Povo.
Após a Revolução de Abril, Leiria cresceu de forma quase assustadora... mas há todo um cotejo de recriminações à acção dos autarcas que, não se sabe bem porquê, descuraram um pouco os cânones da ética paisagistica urbana tradicional, permitindo que chegassem a um estado de degradação deplorável, chocante até, alguns dos edifícios mais emblemáticos da cidade, como é o caso do antigo palacete onde funcionou, durante anos, a Associação de Futebol de Leiria e estiveram instalados os estúdios fotográficos do Fabião, está a ruír, bem como o edifício contíguo, onde funcionou a oficina do "Afonso das bicicletas".
Este é o exemplo menor que poderia dar, porque a cidade expandiu-se para os Arrabaldes d'Aquém, da Ponte e d'Além, sacrificando as instalações da fábrica Matérias Plásticas, outrora do Sr. Filinto, para no espaço serem construídos modernos edifícios residenciais; a Fonte Quente passou "à história"; a álea do Marachão da margem direita do Lis, onde antes se viam hortas, passou a ser uma moderna urbanização; as Estradas dos Marrazes e dos Marinheiros passaram a ser zonas de urbanização, tal como as Olhalvas, o antigo Matadouro e a Feira dos Oito, a Calçada do Bravo, a Guimarota, a Cruz d'Areia, o Alto de São Miguel, os Capuchos, a Estrada da Marinha... tudo está mudado.
Pena é, concluirei, haver alguma descaracterização da cidade que me é tão querida, onde brinquei, fugi ao Manel Polícia ou ao Viola, quando jogava à bola no Terreiro, escorreguei em cima de uma tábua ensaboada a descer ingremes calçadas pavimentadas de seixos, pesquei carpas e bogas, barbos e enguias nas límpidas águas do rio, onde me banhava nos dias quentes do estio...
...Tenho saudades de ir ao velho Mercado de Santana comprar uma suculenta maçã ou uma dourada banana do Cavaco, na tenda do Senhor Amaral... de comprar a bela batata doce ainda quentinha, as deliciosas morcelas de arroz da Ti Silvina! Tomar um café no Colonial, no Aviz ou no Santiago, beber um branquinho no Alcoa ou no Porto Artur, na Teresa do Rito ou nos Caçadores, no Gato Preto ou no Domingos Polícia da Regional. Mas não esqueço o Escondidinho, o Prior ou o Máximo. P´ró marisco... o Abrigo, o Lis Bar ou a Cervejaria do Luis. Ninguém os batia, acreditem! Das pastelarias ...bem... qualquer uma servia, mas a Arcádia era a rainha das pastelarias, tal como a Soraia seria princesa, pois... tinham cá uns pastéis de nata...
Há progressos que ficam caros à memória das pessoas, pois descaracterizam-se os lugares onde fomos felizes... e isso dói bastante, acreditem!
A Sé Catedral

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!