sábado, 14 de novembro de 2009

Leiria na lenda e na história

Local presumível da nossa história

UM BODO DE PÃO E QUEIJO
Nas muitas histórias e lendas que se contam sobre Leiria, ressalta uma que teria acontecido no Largo Cândido dos Reis, que na altura se chamaria Terreiro, tal como hoje é vulgar chamar-lhe mas que também se terá chamado Terreiro do Pão e Queijo... e vou aqui procurar explicar porquê.
Todas as histórias começam pelo tradicional "ERA UMA VEZ..." ,mas vou prescindir desse tradicionalismo e vou começar por contar que...
Há muitos, muitos anos, existiu na já então cidade de Leiria, num local nobre onde se viam palácios e palacetes que davam guarida a condes e condessas, duques e duquesas e outros mais que eram validos da Corte, uma venda que pertencia a uma mulher, que não era de sangue nobre mas falava com eles desde há muito, pois servia as suas casas com alguns dos seus produtos.
Parecia que a vida não lhe correria muito mal, mas dizem que era ganânciosa e um pouco avarenta, como o seriam talvez todos os donos de vendas, dizem!
Um dia, tocada pela enorme ganância de maiores lucros e menores trabalhos, a nossa taberneira dirigiu-se para um poço que tinha na sua casa e tirou dele algumas medidas de água , com que tratou de "baptizar" o vinho que tinha na venda para venda aos fregueses, ignorando por completo que a água era... salgada.
Voltou a fazer isto uma vez, outra vez e outra, e mais algumas vezes sem que ninguém houvesse descoberto a trapaça feita pela vendedeira.
No entanto há sempre um dia em que, como diz o nosso povo: "O homem cobre e Deus descobre."
Assim aconteceu também desta vez, porque houve um belo dia em que os fregueses acabaram por perceber que o vinho estava salgado e disseram isso mesmo à mulher, que muito a contra-gosto e entristecida pelo facto, acabou por mandar tapar o poço.
A taberneira até era boa mulher e pelo acontecido, pela sua má acção deu de se arrepender e logo fez testamento em que legava todos os seus haveres à Confraria do Espírito Santo, de Leiria, deixando como condição com as rendas que houvessem, ser dado aos pobres da cidade, todos os anos no dia 1º de Maio, um bodo de pão e queijo.
E assim se veio a fazer durante muitos e muitos anos, até que os confrades se acabaram por esquecer da obrigação que aquele legado lhes impunha, e começaram a empregar os rendimentos em despesas que não tinham nada a vêr com a intenção da testadora.
Até que uma vez, quando o Bispo Dom Dinis de Melo tomou conhecimento desta questão, ordenou, por provisão de Abril de 1632, que o pão amassado e o queijo comprado fossem divididos em três quinhões e fossem distribuídos deste modo:- um quinhão para os pobres, outro para os pobres envergonhados e o terceiro para os pobres que ocorressem à casa onde era hábito ser dado o bodo.
Esta provisão episcopal veio a ser confirmada por outra provisão, datada de Abril de 1637 , feita por Dom Pedro Barbosa, igualmente Bispo da Diocese de Leiria .
Depois que a vendedeira morreu, o dono da casa, de sua graça Manuel de Campos, mandou que o poço fosse devidamente atulhado.
Nos finais do século passado, a Rua do Pão e Queijo, que era onde se situava a venda e chegava até ao Terreiro, noutros tempos, acabou por mudar de nome, sendo votada ao esquecimento uma designação secular que havia sido criada pelo tal poço que tinha água...salgada.
O Terreiro lá está... mas a venda onde se situava o poço... não se sabe bem onde ficava, podendo ser a norte ou sul do Terreiro. Eu aposto a norte, ali mesmo entre a Rua D. Afonso Henriques e a Rua Barão de Viamonte! Talvez ganhe...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A COROA PORTUGUESA ULTRAJADA...

"O grande Napoleão, meu amo, envia-me para vos proteger". Foi com esta proclamação feita ao Povo de Lisboa há 200 anos, que se completam a 30 deste mês, que o General Jean Andoche Junot ousou insultar a dignidade de todo um Povo, impondo-lhe a sua odiosa presença como retaliação pelo facto de a Coroa Portuguesa não aceitar cumprir o Bloqueio Continental com que Napoleão pretendia asfixiar económicamente a Inglaterra.
No dia 27 de Outubro havia sido assinado entre a Espanha e a França o Tratado de Fontainebleau, onde Portugal seria dividido em três - mapa ao lado - , com a região de entre-Douro e Minho a constituír o chamado Reino da Lusitânia Setentrional, com o Porto como capital. Este novo reino seria entregue ao Rei da Etrúria. Constituiriam o Principado dos Algarves, onde o valido dos reis de Espanha, Manuel Godoy, seria soberano , o Alentejo e o Algarve, enquanto Trás-os-Montes, Beira e Estremadura iriam constituír a Lusitânia, que seria entregue aos Franceses, dependendo de Espanha. Esta foi a razão para que a Espanha desse todo o incentivo e apoio à invasão de Portugal.
Junot, que entrara em Portugal a 19 de Novembro de 1807atravessando a ponte sobre o rio Erges, em Segura, tomara a estrada que passava por Zebreira e Idanha-a-Nova a caminho de Castelo Branco, tinha os seus homens que constituíam três divisões de infantaria - 25.000 homens -, os 3.000 cavaleiros e os 1.300 homens de engenharia em muito mau estado, pois perdera cerca de dois quintos dos efectivos, a cavalaria estava quase toda desmontada e a pólvora encontrava-se húmida.
Mas Napoleão mandara que ele, Junot, prendesse toda a Família Real Portuguesa e, portanto, era necessário que acelerasse o passo, para evitar uma possível fuga...
... Numa reunião bastante conturbada realizada no dia 24 de Novembro, o Conselho de Estado do Príncipe Regente D. João, que viria a ser o Rei D. Afonso VI e era filho da Rainha Dona Maria I, que enlouquecera, decidiu que a Família Real se deveria transferir para o Brasil.
Narram os historiadores que os Franceses não respeitaram pessoas ou bens, ricos ou pobres, novos ou velhos! O Reino de Portugal ficou sujeito às pilhagens praticadas por seres humanos (?) daquele mesmo povo que anunciou ao mundo os conceitos da "LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE". Os soldados de Napoleão ousaram praticar tais crimes em larga escala, e entre eles tornou-se lendária a figura de um célebre "MANETA", que mais parecia o "cavaleiro da morte", segundo constava dos relatos da época. Este "Maneta" - nome "ganho" depois de perder o braço esquerdo num... acidente de caça - era nem mais nem menos que o General de Divisão Henri Louis Loison, dos exércitos do Imperador Napoleão Bonaparte.
Não há qualquer defesa organizada, conforme o Princípe determinara, para que a defesa não desse azo a um maior derramamento de sangue, com prejuízos para a humanidade. Apenas havia notícia de que o Povo caçava e lançava das escarpas abaixo os soldados franceses que se atrazavam.
O Príncipe Regente mandou publicar, no dia 26 de Novembro, um decreto onde explicou aos portugueses a razão porque Família Real tem de partir para o General Jean Junot Brasil, conforme já anteriormente havia sido pensado fazer-se, quando das Guerras da Restauração (1640 a 1656) e a Guerra dos Sete Anos (1762). Esta decisão foi tomada depois de muita insistência do Embaixador de Inglaterra.
Desta crise irei dando conta noutro escrito... se a verve não me atraiçoar, faltando!
***CONTINUA***

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!