sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Padeira de Aljubarrota

Reza a história que Brites de Almeida não terá sido uma vulgar mulher. Segundo alguns biógrafos, seria uma mulher horrivelmente feia, enorme, com uns cabelos crespos que mais pareciam palha de aço e bastante forte. Não era uma mulher capaz de encaixar nos típicos padrões femininos... até porque o seu comportamento era por demais masculino, talvez fruto das diversas profissões que exerceu durante a sua vida.
Sabe-se que nasceu em Faro, numa família bastante pobre e humilde. Em criança era mais vista a vagabundear e meter-se em cenas de pancada do que ajudar os pais na taberna de que estes proviam o necessário para o sustento .
Tinha ela 20 anos quando ficou órfã, pelo que vendeu os poucos bens herdados e meteu pés ao caminho, cirandando de lugar para o outro e convivendo com todo o tipo de gente, tendo aprendido a manejar a espada como o pau com uma tal mestria quelogo lhe deram a fama de ser uma valente.
Mesmo tendo temível reputação, houve um soldado que, encantado-se com as suas proezas, a foi procurar para lhe propôr casamento. Mas Brites de Almeida não estava interessada em vir a perder a sua independência, pelo que logo impôs a condição de lutarem antes do casamento. O resultado foi o soldado ficar ferido de morte e Brites ter de fugir de barco para Castela, receando a justiça.
Por ironia do destino, o barco foi capturado por piratas mouros e Brites viu-se vendida como escrava. Ajudada por dois outros escravos portugueses, logrou fugir para Portugal numa embarcação que, apanhada por uma tempestade, deu à costa na praia da Ericeira. Como ainda era procurada pela justiça, Brites de Almeida cortou os cabelos e disfarçou-se de homem, tornando-se almocreve.
Um dia, cansada da vida que levava, aceitou trabalhar como padeira em Aljubarrota e aí veio a casar com um honesto lavrador..., provavelmente tão forte quanto ela. Aquele dia 14 de Agosto de 1385 amanheceu e com ele ouvem-se os primeiros clamores da batalha de Aljubarrota, não conseguindo Brites resistir ao apelo da sua natureza guerreira.
Pegou na primeira arma que encontrou e foi juntar-se ao exército português, que naquele dia havia de derrotar o invasor castelhano. Quando chega a casa está bastante cansada mas satisfeita. É então desperta por um estranho ruído, pelo que foi verificar: - dentro do forno haviam sete castelhanos escondidos. Brites logo pegou na sua pá de padeira e logo ali os matou.
Cheia de zelo patriótico, liderou então um grupo de mulheres que foram em perseguição dos fugitivos castelhanos, que se haviam escondido pelas redondezas.
Reza a história que Brites de Almeida veio a acabar os seus dias em paz, junto do seu marido lavrador, mas ficou para sempre a memória dos seus feitos heróicos, que são um símbolo da independência de Portugal.
A pá da heroina foi religiosamente guardada como sendo um estandarte da batalha de Aljubarrota durante muitos séculos e era transportada na procissão do 14 de Agosto.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!