sábado, 30 de janeiro de 2010

Nos100 ANOS da REPÚBLICA - I

Estamos no ano do centenário da implantação da República! Vamos tentar dissecar, em escritos vários, aquilo que levou à queda da mais antiga Monarquia Europeia, a partir de 1906, portanto antes do Regicídio. Tentarei ser sucinto mas claro nas minhas divagações sobre o tema.
Não irei aflorar o "31 de Janeiro", acontecido no Porto como antecipação da implantação republicana no nosso País, tal como a comissão comemorativa do centenário não julgou importante relembrar o pavoroso crime a que a República recorreu para se impôr, talvez porque a consciência republicana ainda não está em paz consigo mesma. Nem a Maçonaria, suponho!
Começo pela questão dos tabacos e a dos adiantamentos à Casa Real - com o fim do regime feudal a maioria dos bens da Coroa havia sido nacionalizada e a Casa Real subsistia, parcialmente, através de dotações orçamentais -, foram duas questões que levantaram enormes celeumas em Portugal, e a chicana e intriga provinham de todos os lados, quer dos partidos monárquicos quer do partido republicano. Os adiantamentos dominaram a sessão de 20-NOV-1906 da Câmara dos Deputados, com João Franco como Chefe do Governo . Baseada num alegado escândalo, a minoria republicana preparou uma enorme ofensiva. As galerias encheram-se de público recrutado pelos Centros republicanos e nesse público viam-se alguns soldados e marinheiros.
Afonso Costa começou a falar, ininterruptamente, e já caía a noite e estavam acesas as luzes quando o Presidente o advertiu de que lhe restariam apenas mais quinze minutos para falar. Afonso Costa insistiu então na questão dos adiantamentos e pediu que D. Carlos fosse mandado para a prisão ou para o desterro. O Presidente bem o mandava calar, mas a sua voz perdia-se entre os aplausos que vinham da galeria.
Aproveitando um momento de silêncio, Afonso Costa grita, de forma enérgica: «Por muito menos crimes do que aqueles que foram cometidos por D. Carlos, rolou no cadafalso, em França, a cabeça de Luís XVI».
Gerou-se grande tumulto. O Presidente, vendo que Afonso Costa não retirava a infame acusação, manda que a força pública expulse o exaltado orador.
António José de Almeida saltou então por cima da bancada e disse à força pública que aderisse à revolta: «Soldados! Com a minha voz e as vossas baionetas vamos proclamar a República e fazer uma pátria Nova!».
Foram estes os protagonistas da revolução republicana, como o foram do regicídio. Logo depois do nefando assassínio de Fevereiro de 1908, quando os regicidas Alfredo Costa, jovem caixeiro numa loja de Lisboa, e Manuel Buíça, professor de aldeia e antigo sargento de Cavalaria, ambos carbonários e fanáticos entusiastas de António José de Almeida mataram o Rei D. Carlos e o Príncipe herdeiro D. Luis Filipe, os radicais republicanos estabeleceram o «o culto dos regicidas» e provocaram diversas manifestações e realizaram uma subscrição de fundos a favor da família de Buíça e promoveram propaganda nas escolas.
Mas o acto mais ignóbil foi aquele a que o Conde Arnoso chamaria «a vergonhosa e vil peregrinação ao cemitério». As Associações e delegados de diversos organismos, tal como os redactores ddos jornais diários esquerdistas, desfilaram, porque para isso foram convocados, diante dos túmulos dos regicidas, neles depositando ramos de flores, coroas, fitas com inscrições onde se liam diversos louvores.
Quando a Marquesa de Rio Maior pediu a Ferreira do Amaral para pôr termo àquela vergonha, o Presidente respondeu-lhe: -
«Agora só penso conseguir acalmar os ânimos».
O jornal londrino Times, ao relatar os acontecimentos em Portugal, escreveu: «O mundo civilizado observará, provavelmente, que os senhores assassinos é que mandam em Portugal».

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!