quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

NOS 100 ANOS DA REPÚBLICA - II

No dia 5 de Outubro de 1910 foi proclamada a República em Portugal, depois da crise profunda em que havia caído a Monarquia, que acabou por ceder perante a Carbonária, a Maçonaria e, mesmo que este não houvesse tido um papel preponderante, do Partido Republicano.
Começou aqui uma verdadeira perseguição às ordens religiosas e aos seus membros, que eram acusados de ser os responsáveis pelo atraso então vivido no País.
Apenas três dias após a vitória republicana, logo o Governo Provisório ordena que a legislação herdada do Marquês de Pombal e do mata-frades Joaquim António de Aguiar, sobre organizações religiosas e conventos, tivesse uma integral aplicação na novel República. O novo Executivo acabou igualmente com o juramento religioso e os actos civis na Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra, ao mesmo tempo que proibiu o ensino da doutrina cristã nas Escolas Primárias e suprimiu os feriados nos dias santificados, decretou o divórcio e publicou novas leis sobre o casamento e a protecção dos filhos.
No dia 20 de Abril de 1911 mandou publicar a Lei da Separação do Estado das Igrejas, que era bastante desejada por uns, e temida por outros. Com o deflagrar da 1.ª Guerra Mundial, muitas coisas começaram a mudar e as crenças e a fé religiosas ganharam um novo fôlego. Voltaram a realizar-se as novenas, os retiros espirituais, as procissões... e até se fizeram abaixo assinados a pedir que no Corpo Expedicionário que foi combater em França fossem incorporados Capelães militares, etc.
Entretanto, de 13 de Maio a 13 de Outubro de 1917, aconteceram as aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos de Fátima. A Igreja Católica, com a presidência do Major Sidónio Pais, conseguiu ganhar espaço de uma forma progressiva, a Lei da Separação foi bastante suavizada e as relações diplomáticas entre Portugal e o Vaticano foram restabelecidas.
Após Sidónio Pais e a Monarquia do Norte, a Igreja consciencializou-se que era necessário defender os seus interesses, e o Papa Bento XV, no dia 18 de Dezembro de 1919, envia uma mensagem aos católicos portugueses onde diz que a Igreja não deveria estar sujeita a facções nem deveria servir os partidos políticos, mas competia-lhe, sim, exortar os fiéis a obedecerem ao Governo, "seja qual for a Constituição Política". De forma imediata os Bispos, o clero e o Centro Católico trataram de adaptar os seus comportamentos e doutrinação a esta orientação.
A Igreja e as suas organizações passaram a defrontar-se com grupos de radicais anticlericais ou de monárquicos-católicos, que os acusavam de estar a apoiar uma República que era maçónica e laica. Então aconteceram revoltas, conspirações, greves, assaltos a estabelecimentos comerciais, atentados à bomba e a tiro, etc.... e a República começou a agonizar... a desordem foi persistindo e com essa desordem anunciavam-se os novos tempos para a Igreja, que ia utilizando todas as prorrogativas que a Constituição lhe proporcionava, aproveitando-se desse caos para se movimentar e reassumir o peso que já tivera na sociedade portuguesa.
Estando Portugal a comemorar o centenário da República, importa que se faça uma reflexão cuidada do que esta trouxe ao País, especialmente a Primeira República, período em que a luta do Estado contra a Igreja se exacerbou e teve a sua fase mais aguda. Logo que proclamada, segundo Oliveira Marques, "...a República identificou-se com a luta contra a Igreja...". Foram nacionalizados os bens da Igreja, incluindo os templos e os objectos de culto. Os sacerdotes foram proibidos de usar vestes eclesiásticas fora das igrejas... muitos deles foram presos... os membros das ordens religiosas foram expulsos de Portugal, as noviças e postulantes foram mandadas regressar às suas famílias...
Talvez este seja um tempo excelente para se fazer o balanço capaz de aquilatar o saldo conseguido com a República, quando confrontada com a Monarquia. Pondo-se de lado todas as mortes, as prisões e as arbitrariedades havidas para se impôr algo ao Povo de forma tão "democrática". A Cabornária e a Maçonaria levaram a melhor... até quando?

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Haja alegria... É CARNAVAL!!!

É tempo de Carnaval! Hoje como ontem continuam as máscaras a ser usadas a esmo, mesmo que muitos teimem em fazer uso delas todo o ano! Não podem restar dúvidas:
  • - O rico que seja avarento, tenta mascarar-se de pobre, ainda que esta seja a máscara de toda uma vida... já por demais vista e revista;
  • - O pobre, por sua vez, gostaria de passar por rico, ainda que só no Entrudo... seria rico três dias, que é o tempo do Carnaval;
  • - A Maria que foi serviçal, a quem chamavam criada de servir, e é agora uma "especialista em serviços domésticos", vai mascarar-se de patroa... é só para vêr como é... apenas tem pena que seja a fingir...;
  • - O ladrão mascara-se de polícia... dá-lhe gozo poder brincar de quem lhe dá tanto trabalho...;
  • - O Zé veste-se de varina, vai chinelos e tudo e o cabaz à cabeça... tanta vez desejou fazê-lo, mas recalcou sempre o desejo de o fazer... todo o ano... mas agora é Carnaval, ninguém lhe levará a mal !;
  • - A Joaquina vai mascarada de magala... como ela gosta de fardas... o que lhe vale é ser Entrudo para satisfazer tal desejo!

Tanta mentira que vemos neste tempo de fantasia, quando os pais tentam rever-se nas máscaras das suas crianças... umas de Peter Pan, outras de Homem Aranha ou até de Bat Man... aquela outra é princesa saída dos contos de fadas, ou então a bruxa madrasta da Bela Adormecida, a Cinderella ou a Barbye... há para todos os gostos... médicas...enfermeiras...odaliscas...mouras encantadas...

Quando chega a Quarta Feira de Cinzas, tudo volta à normalidade, ao rangue-rangue do quotidiano, terminando a fantasia... pois acabou o Carnaval!

A realidade voltou, até que o Carnaval se renove por mais três dias em cada ano que passa!

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!