sábado, 13 de março de 2010

PIRATAS DE ANTANHO - II

O comandante das tropas inglesas na Irlanda era Henry Cromwell, filho do Lorde Protector. E a cidade portuária de Bristol servia como "campo de concentração" dos "vagabundos e delinquentes" com destino às Caraíbas. Nas cartas para seu filho Henry, Oliver Cromwell encarregou-o também da reunião de contigentes de raparigas de entre 12 e 14 anos de idade, não apenas para que possam converter-se em "inglesas de verdade", ou protestantes, mas também para que com a cor branca da pele, o cabelo louro e os olhos azuis afastassem os britânicos das colónias das uindígenas e escravas negras.
Oliver Cromwell enviou uma poderosa expedição às Caraíbas em 1654, após prévia preparação da opinião pública britânica, com a apresentação no Parlamento de um ex-Dominicano chamado Thomas Gage, que pendurou a sotaina espanhola enquanto esperava um barco para as Filipinas.
Gage reclamava cruzada contra o Papa e Espanha.
O Lorde Protector lançou as suas tropas contra Porto Príncipe e Santo Domingo, ou Porto Rico como objectivo de substituição. Queria estabelecer ali uma ponte visando o ataque de Cartagena ou de Havana.
A armada foi colocada sob o comando do almirante William Penn. O general Robert Venables ocupar-se-ia de dirigir as manobras bélicas terrestres.
A frota somava trinta e oito navios e levava dois mil e quinhentos soldados, que eram na sua maioria carne de forca, delinquentes dos arrabaldes de Londres, como asseguram os cronistas da época.
Como capelão ia Thomas Gage, o desertor dos Dominicanos. Nos Barbados, o general Venables ofereceu a liberdade aos servos brancos que o ajudassem na guerra. Henry Morgan, naquela altura com 19 anos, escapou da fazenda onde estava preso para pedir um lugar nas fileiras inglesas e muitos outros o imitaram.
Assim, as forças expedicionárias de Cromwell engrossaram com cerca de quatro mil e quinhentos "voluntários". E no desembarque na costa de Santo Domingo, contaram-se mais de sete mil soldados invasores.
A batalha começou a 31 de Março de 1655. Mas Robert Venables era um péssimo militar, e o conde de Peñalva, governador de Santo Domingo, derrotou-o com apenas algumas centenas de soldados, depois de o comandante inglês haver esgotado os seus numa desastrada manobra de aproximação do objectivo, minando-lhes a vontade e a moral, após ter-lhes negado a aguardente e a pilhagem da cidade. (Continua)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Piratas de antanho... I

Quando era rapazote - até parece que estou a cantar o fado do Zé Cacilheiro - ficava deveras entusiasmado sempre que o Teatro Dona Maria Pia - que saudades, Deus meu - exibia filmes com o Errol Flyn a protagonizar o Capitão Morgan... mesmo não sabendo ainda que o Pirata Henry Morgan existira na realidade.
Então, toca a ir "chatear" o bilheteiro, o senhor Emílio, para que me arranjasse um bilhetinho daqueles grátis, que havia sempre por lá, ou então ia pedinchar uma entrada de favor ao senhor Tótó ou ao senhor João "Alemão", porteiros daquele antigo cinema de Leiria. Estes arranjavam sempre maneira de nos darem uma "borla"... e então era sonhar com aventuras daquele aventureiro que foi o carrasco das colónias espanholas da América Central e das Caraíbas, no século XVII, ficando célebre pela sua bravura... e pela desapiedada crueldade para com os inimigos.
Morgan foi o artífice do estabelecimento colonial da Inglaterra nas Antilhas e acabou os seus dias transformado em nobre funcionário da Coroa e repressor de piratas... seus antigos colegas.
Sir Henry Morgan nasceu em Llanrhymni - Gales, no ano de 1635 e veio a falecer em Port Royal em 1688. Era filho do agricultor Robert Morgan, de Monmouthshire e foi raptado em Bristol ainda muito criança, sendo levado para os Barbados, onde foi vendido como servo ao dono de uma plantação.
Em meados do século XVII, as leis inglesas de Oliver Cromwell, o Lorde Protector de Inglaterra, tinham instituído a escravatura dos brancos católicos, dos "papistas", pobres ou mal-humorados, prostitutas e delinquentes, que eram presos em massa pelas autoridades e deportados para as colónias da América.
O Lorde Protector, que agia em nome de Deus e de Jesus Cristo, em versão anglicana, quis, além disso, converter a Jamaica num bastião de Inglaterra nas Antilhas, e reforçar igualmente o estabelecimento dos Barbados. Para tanto necessitava de pessoal e, consequentemente, promulgou decretos para que no território do reino e nas possessões deste se procedesse ao deter e concentrar os condenados pela justiça e "gente de mal viver", para que com eles pudessem ser povoadas as ilhas das Caraíbas e outros centro de colonização em terra firme.
Os colonos adquiriam os deportados como "servos", e podiam explorá-los como trabalhadores durante cinco anos. Esta instituição trouxe muitos efectivos às tripulações corsárias e piratas.
Os sacerdotes e monges católicos, os jovens de ambos os sexos devotos de Roma, eram parte fundamental de população deportável. Por isso a Irlanda foi a principal reserva de caça de servos brancos destinados à América. Os Ingleses vingavam desta forma a matança de protestantes que a última rebelião católica irlandesa implicara.
(CONTINUA)

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!