segunda-feira, 13 de setembro de 2010

uma outra LEIRIA...

...PARECE TER SAÍDO DO ESTIRADOR DOS "FAZEDORES" DOS PROJECTOS "POLIS", NÃO SENDO CERTO QUE TENHAM ACERTADO NOS CONCEITOS DE UMA CIDADE CAPAZ DE SER DEVOLVIDA AOS LEIRIENSES, A FAZER FÉ NAQUILO QUE SE VAI VENDO TER SIDO "PARIDO" PELOS AUTORES DOS VÁRIOS MAMARRACHOS QUE PROLIFERAM PELA CIDADE.
Vejo uma cidade descaracterizada... considerando que Leiria é tudo aquilo que existe dentro de um perímetro urbano que aprendemos a conhecer desde os bancos da escola... e isso não foi de modo nenhum respeitado, vendo-se apenas e tão só edifícios que ameaçam ruína, degradação acelerada de outros, total desrespeito pela traça original de algum do património reconstruído. A zona histórica está completamente arruinada, porque a ganância impera.
Onde está o tipicismo da Fonte Quente? E o que foi feito das Olarias? Da Restauração? Da Rua "Direita"? Onde param os cafés característicos da zona do antigo Mercado de Santana? O património construído dos palacetes que foram dos Marques da Cruz, dos Zúquetes, dos Ataídes, dos Charters de Azevedo, dos Loreto, do Dr. Morna... que é feito dele? E tantos outros, entenda-se.
O Bairro dos Anjos... até quando irá resistir o que ainda resta do mais bairrista recanto citadino ? Alguém se recorda daquilo que foi a Fonte Freire - ou Freira - quando ali viviam o Doutor Ruy Acácio da Luz ou o D. José Pais de Almeida e Silva? Ousariam destruír aquilo que fosse? Só o incêndio do Seminário precipitou as coisas...
Outrora os estabelecimentos dos Fonsecas - a Ourivesaria do Marinho Fonseca ou o Oculista Fonseca eram referências, como o eram o prédio do Dr. Coelho Pereira na Afonso de Albuquerque - ou mesmo a Farmácia deste doutor, igualmente uma referência no património construído destinado ao comércio, como referências eram a Farmácia Lino, naquele belo recanto junto ao Gato Preto, ou a Farmácia Sanches, primeiro estabelecimento comercial situado em plena arcádia da Praça Rodrigues Lobo, o Centro Comercial Lusitano ou o Luis Sismeiro, sitos no prédio onde se situa a sede do Ateneu Desportivo de Leiria...
Já agora permita-se esta pergunta, bem simples: Conhece-se alguém que tenha ousado mandar demolir o "Gato Preto"? Não, porque é um ex-libris da cidade... tal como a vizinha "Casa dos Pintores", que na minha meninice albergava a mercearia e residência da família do meu amigo de infância João Duarte.
O Hotel Lis seguiu na queda o Hotel e Restaurante Central, do então famoso "Zé do Hotel"... mas vá lá que a velhinha Pensão Leiriense ainda se mantém de pé, não se sabe até quando. Já a Capelinha do Monte...
Na minha infância as mercearias compravam-se no Sá, no Espírito Santo, no Herculano, na União Mercantil, na Sociedade Mercantil do Lis, na Mercearia Cordeiro, no Esteves dos Cafés, no Seco, no Cova e nas outras pequenas lojas existente, como a do Valente ou do Confraria, por exemplo.
Hoje são os centros comerciais que reinam. Começou com o ULMAR... e nunca mais parou.
Também as "tascas" da cidade foram desaparecendo, para darem lugar a pub's, clubes e outros locais do mesmo tipo. Não sou contra o progresso, mas haveria sempre uma maneira para se preservar a memória das coisas... como deveria ser feito a lugares como o "armazém do Tenente Miranda" ou o Porto Artur, o Escondidinho ou o Varatojo ou qualquer outra daquelas adegas onde era costume beberem-se copos de 3 e petiscar um bacalhau na brasa de fazer inveja ou umas sardinhas assadas com pimentos... ou de escabeche. Então nos dias de mercado... nem se fala.
Era uma outra Leiria, muito mais castiça, mais popular, era mais Leiria. Hoje vemoso cimento imperar e Leiria vem-se tornando cada vez mais num dormitório, como qualquer outro dos muitos que se foram criando um pouco por toda a parte.
Aquela Leiria que tinha indústrias situadas bem dentro dos seus muros... morreu! E era necessário que isto acontecesse, para bem da cidade, porque esta evoluiu graças ao sacrifício dessas indústrias... se bem que deveria ter-se dado alguma atenção ao património que era pertinente recuperar! Será que ainda há tempo para isso?

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!