sexta-feira, 24 de setembro de 2010

LÍSEA...LISEIA...LISANDRA...LERENO...

...e que mais alguém de Leiria, cujo apelido é também começado por "L" - Lobo - se haveria de lembrar? É que está também patente o facto de o Lis e o Lena, os rios da minha cidade, terem como primeira letra o "L" e até serem personagens de uma "Lenda do Lis e Lena" em que o Poeta Leiriense José Marques da Cruz quiz deixar, em soneto maravilhoso, o relato das histórias de vida destes rios, desde que brotaram das suas nascentes:
(...)
Nasceu o Rio Lis junto a uma serra
No mesmo dia que nasceu o Lena;
Mas com muita Paixão, com muita Pena
De seu berço não ser na mesma Terra.
.
Andando, andando alegres, murmurantes,
Na mesma direcção ambos corriam;
Neles bebendo, as aves chilreantes
Cantavam esse amor que ambos sentiam
.
Um dia já espigados, já crescidos
Contrataram casar, de amor perdidos
Num Domingo, em Leiria de mansinho...
.

Mas Lena, assim a modo envergonhada
Do povo, foi casar toda enfeitada
Com o Lis mais abaixo um bocadinho.
.
Diz-se que Lereno vivia descuidado, não lhe importando que Liseia pudesse tomar as suas ausências de uma forma extremada, pois sabia no seu íntimo que Liseia jamais encobriria a dor da ausência de forma tão difícil... e ela jamais deixou de perguntar aos pastores que via nos vales do Lis se viram o seu amor, pastor como eles, peregrino por devoção, porque se lhe não moldava o coração ao amor daquela bela pastora.
O bucolismo de Colipo inebriava aquela Lísea, que também era Liseia... no entanto sentia-se morrer um pouco todos os dias, porque não encontrando o seu Pastor Lereno, fenecia com os suspiros soltos por pena de o não ver. Tornou aos vales e aos montes, tornando a passar ao longo do Lis... e encontrou o seu rebanho e as ovelhas saudosas de um Pastor tão bom... perdiam a fome das tenras ervas e miravam-se nas águas das fontes e parecendo-lhes que a sombra dele se projectava, com balidos tristes iam chamando por ele
Liseia sentou-se frente às ovelhas, por baixo de um freixo entre cujas raízes passa o ribeiro que, com um murmúrio apressado, vai fugindo da fonte onde nasceu. Tirando do surrão uma pena e um papel, nele começou a escrever:
.
"A ti, guardador perdido,
Que desamparando o gado,
Sem te haveres por culpado
Andas com razão fugido.
.
Uma pastora enganada,
De teus poderes vencida,
Te roga e deseja vida,
Inda que lha tens tirada.
.
Não pareces há mil dias,
Nem eu sei onde te escrevo;
Sei que não faço o que devo,
E faço o que me devias.
.
Mas não é cousa de espanto
Que nestes erros acerte
Quem sem ti soube querer-te
E te soube querer tanto."
Francisco Rodrigues Lobo

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!