quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O DIA DE SÃO MARTINHO

São Martinho é o Santo padoeiro dos alfaiates, cavaleiros, pedintes, restaurantes, hoteis e pensões, produtores de vinho e dos alcoólicos reformados, dos soldados... dos cavalos e dos gansos, ao mesmo tempo que é o orago de localidades um pouco por todo o mundo.
Quem nunca ouviu falar em São Martinho do Porto, S. Martinho de Sintra, do Bispo, de Angueira, das Amoreiras ou São Martinho do Campo?
Estes são apenas alguns exemplos de terras que têm por orago este Santo, mas há mais, muitas mais em todo o mundo, não tenham dúvidas, porque S. Martinho foi, durante toda a Idade Média e até a uma época muito recente, o Santo mais popular de França.
O túmulo deste Santo, em Tours, está abrigado, desde o século V, por uma Basílica que tem sido destruída e reconstruída de uma forma sucessiva, transformou-se durante muito tempo no maior centro de peregrinações de toda a Europa Oriental, porque a sua generosidade e a enorme fama dos seus milagres tornaram-no num dos Santos mais queridos da cristandade.
Talvez porque o Missal não tenha hoje um uso tão frequente, nem todos os católicos estarão recordados daquilo que, no que respeita aos dias festivos, nos é dito no dia 11 de Novembro , quanto ao Santo comemorado neste dia: " S. Martinho é o 1º. dos Santos não Mártires, o 1º. Confessor que subiu aos altares do Ocidente (...) A sua festa era de guarda e favorecida frequentemente pelos dias de 'Verão de São Martinho', rivalizando, na exuberância da alegria popular, com a festa de S. João." (in Missal de D. Gaspar Lefebvere).
Também em Leiria se poderia estar a comemorar o dia de São Martinho de outra maneira que não fosse com o velho costume das castanhas e do vinho, pois também ali existiu a Igreja de São Martinho, da qual penso ainda haver vestígios consubstânciados nas velhas arcadas da Praça Rodrigues Lobo.
Ao ser feita a requalificação do saneamento da cidade, foi proporcionado um melhor conhecimento daquilo que teria sido uma necrópole outrora existente, de que a descoberta de esqueletos humanos e sepulturas encontrados num dado local da Praça fez fé. O reconhecimento e os estudos antropológicos e arqueológicos posteriormente efectuados, terão levado à conclusão que ali teria existido um hospital, um cemitério e a Igreja de São Martinho, que teria sido construída em finais do século XII e foi demolida sobre a égide de D. Frei Brás de Barros, Bispo de Leiria, que terá negociado essa demolição no século XVI, quando foi feita uma troca de terrenos entre a Igreja e o Concelho.
Havia sido criada a Diocese em 1545 e sentia-se necessidade de uma Sé Catedral, pelo que teve de ser sacrificada a Igreja de S. Martinho, que terá sido substituída pela Igreja da Misericórdia, construída logo após a demolição.
Qualquer dia falarei do assunto mais em pormenor, porque hoje vale é a boa pinga do Porto Artur, do Alcoa ou dos Caçadores, com uma boa castanha assada!

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!