quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

REFLEXÃO DE NATAL...

Nos anais das minhas memórias há histórias de Natal em que a solidariedade era uma constante, a solicitude um paradigma da quadra e a partilha uma coisa natural de acontecer, já porque o tempo era convidativo para que essas pequenas "lições" de crescimento cívico se fossem disseminando entre "nós", nos tempos em que fomos crianças... felizes, diga-se desde já.
Hoje, nestes tempos das pessoas sem tempo, torna-se confrangedor constatar-se não se realizarem mais daquelas "aulas" de crescimento a que o fundador do Escutismo, Lord Baden-Powell, quando se referia aos Lobitos, dizia ser "CRESCER EM GRAÇA E IDADE".
Nota-se haver hoje uma subtileza de procedimentos nada consentânea com a formação integral do jovem, talvez porque os pais se confrontam com algo parecido com o velho chavão "NÃO TENHO TEMPO...", o que levou a que fosse a própria Igreja a ter sentido a obrigação de rebater essa afirmação com uma "possível interpelação feita por Cristo", em que Ele perguntaria: "NÃO TENS TEMPO?" para logo afirmar, sem contemplações: "MEU FILHO...PARA AS COISAS TERRENAS ARRANJAS SEMPRE TEMPO, ACREDITO!".
Tempo de Natal é tempo de reflexão e esta terá de nos transportar aos verdadeiros valores que o nascimento do Salvador suscitará em nós, que esperamos a Sua vinda com o peito a fremir de Esperança num amanhã pleno de Amor, Paz, Saúde, Trabalho... enfim: NUM AMANHÃ PLENO DE ALEGRIA E FELICIDADE PORQUE JESUS NASCEU PARA NÓS!
Em Leiria, recordo que "corria a Via Sacra" dos Templos Católicos onde sabia ter-se feito uma representação do Nascimento através dos Presépios feitos com musgo e imaginação e pelos quais nos era lícito sonhar com a vinda do Deus Menino que se fez Homem por amor aos homens de boa vontade. Na Sé, no Espírito Santo, em Santo Agostinho ou na Misericórdia podia-se adorar o Menino deitado na humilde manjedoura, tal como acontecia nos Franciscanos... mas estes costumavam primar pela inovação e faziam a representação com um presépio movimentado. Era sublime!
As montras eram também decoradas com motivos alusivos à época, não faltando os presépios para todos os gostos, inclusivé o da "Novilux", que tinha um dispositivo para receber moedas, com o funcionamento do mecanismo que movimentava as figuras controlado segundo o valor das moedas. Os lucros revertiam a favor dos rapazes do Asilo Distrital que funcionava nos Franciscanos, ou da Creche de Santa Isabel - ao tempo instalada num anexo à Igreja do Espírito Santo -, mostrando este gesto toda a solidariedade ao tempo existente, se fôr considerado o facto de os donos da dita "Novilux" serem membros poeminentes da Igreja Baptista de Leiria, logo não-Católicos.
Que bom seria poder-se renovar o espírito de outros Natais! Sem aquele espírito comercial que se vê hoje implementado, sem o uso e abuso do pinheiro ou do Pai Natal, porque no meu tempo era o próprio Menino Jesus que nos trazia as prendas de Natal, consoante o nosso comportamento! E viam-se então aquelas noites de autêntica magia, quando se esperava a vinda do Menino na Missa do Galo e, quando de regresso a casa, que alegria ao abrir os lindos presentes que Jesus nos trouxera!!!
Outros tempos...
Mas hoje também é dia dos "Homens Bons" se darem as mãos e dizerem com toda a força que lhes dá a alegria sentida pela data que vai chegar:
QUE O MENINO DEUS VOS CONCEDA TODAS AS VENTURAS DO MUNDO! FELIZ NATAL!!!

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!