terça-feira, 17 de maio de 2011

OUTRO "JUSTO" PORTUGUÊS

Não sei se haverá concordância comigo para o facto de haver em Portugal mais pessoas dignas para além daquelas que andam pelas ruas, de sineta na mão a anunciar ao mundo que são anti-fascistas, opositores de Salazar, vítimas de perseguição por parte do Regime do Estado Novo e outras pantominices com a mesma importancia.

Na verdade, os que têm lugar reservado na galeria dos Heróis não andam a promover-se com o fim de grangearem mais uma Ordem ou Comenda, que pode ser a da Liberdade ou da Promiscuidade... interessando apenas que lhe seja dada publicidade capaz de o levar às páginas da História Pátria, mesmo que seja por motivo de somenos importância.

Bem! Não gostaria de ter de fazer a introdução que antecede estas linhas, mas sim de falar de CARLOS DE ALMEIDA FONSECA SAMPAIO GARRIDO, uma figura desconhecida de muitos mas que foi embaixador de Portugal em Budapeste nos anos de 1939 a 1944, logo... nos anos da II Guerra Mundial, ou seja em território de conflito, se atentos ao facto de a Hungria havia sido anexada ao abrigo da aliança com a Alemanha de Hitler... e nela viviam cerca de 800 mil Judeus.

Apesar da legislação anti-Semita decretada pelo Regente Miklos Horthy, a maioria destes Judeus passou os anos da guerra em segurança relativa. Apenas a derrota dos Exércitos Alemães em Estalinegrado viria mudar a situação, principalmente depois que Horthy resolveu quebrar a aliança que havia estabelecido com a Alemanha Nazi., pois então a resposta foi imediata e brutal: - A 19 de Março de 1944, Hitler invadiu a Hungria e nomeou um novo governo que lhe fosse fiel, escolhendo para seu líder Dome Szotojay. Acompanhando o avanço das tropas Hitlerianas, claro que teria de vir um carrasco germânico... e à Hungria coube a "honra" de ter Adolf Eichmann como encarregado de aplicar a "Solução Final" aos Judeus Hungaros.

As consequências não se fizeram esperar e foram confiscados os bens e propriedades dos hungaros, proibiu-se a posse de rádios ou telefones, tornou-se obrigatório o uso de uma estrela amarela para os Judeus, sendo estes encerrados em guetos e iniciou-se a deportação, entre 15 de Maio e 09 de Julho, de cerca de 450 mil Judeus, sendo destinados, na sua maioria, a Auschwitz, onde mais de metade foi sujeita à morte por gaseamento logo após a chegada.

Das cinco missões diplomáticas de países neutrais sediadas na Hungria, para além da Cruz Vermelha e da Santa Sé, contava-se com a Suécia, a Suiça, a Espanha, a Turquia e Portugal. Após um bombardeamento levado a cabo pelos Aliados em Budapeste, o Governo húngaro ordenou às embaixadas neutrais que alugassem casas fora da cidade para se protegerem.

O Embaixador Sampaio Garrido alugou uma vivenda em Galgagyörk, a aproximadamente 60 Km de Budapeste. Foi aí que, sem informar Salazar , escondeu 12 Judeus, entre os quais se encontravam cinco membros da família Gabor, parentes da actriz Zsa-Zsa-Gabor. Antes já tinha alertado para a perseguição que os Judeus estavam a sofrer, tomando a iniciativa de os proteger ainda antes da mobilização feita pelos diplomatas dos outros Países neutros... e sem qualquer apoio de Salazar.

Como consequência, a residência oficial de Portugal em Galgagyörk foi tomada de assalto pela Gestapo, sendo todos os presentes levados presos para a Polícia de Budapeste, incluíndo o próprio Garrido, que sem se intimidar resistiu corajosamente à acção da Polícia e exigiu a imediata libertação de todos os detidos, com um pedido de desculpas.

A partir daqui tornou-se PERSONA NON-GRATA para o Governo húngaro, que exigiu a sua partida da Hungria. Foi nomeado, em sua substituição, o Encarregado de Negócios Alberto Carlos de Liz-Teixeira Branquinho, que chegou a Budapeste em Junho de 1944. Sampaio Garrido não voltou logo a Portugal, pois em Junho partiu para Berna, com a sua secretária judia, e ai continuou a orientar o Encarregado de Negócios no apoio aos Judeus, nomeadamente enviando-lhes listas com nomes para os quais pedia assistência e asilo na legação de Portugal. Ao todo foram concedidos cerca de 1.000 documentos de protecção, entre os quais 700 passaportes provisórios sem indicação de nacionalidade.

É assim merecido o título de "Justo entre as Nações", que deveria também ser extensivo a Teixeira Branquinho, mas a História nunca é pródiga em actos de justiça verdadeira, deixando votados ao ostracismo muitos a quem é devido o título de "verdadeiros patriotas". Estes Homens mostram bem como os realismo político são incompatíveis com a ética e a moral.

Como não quer a coisa... Aristides de Sousa Mendes tem competidores para as homenagens vindas de Israel, mas outros haverá, acreditem ou não nesta premonição.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!