quarta-feira, 8 de junho de 2011

D. DUARTE PIO E O REINO DE PORTUGAL


Não foram reunidas Cortes, não há Fernão Lopes para relatar a crise, não fui constituído advogado de defesa do Senhor D. Duarte Pio de Bragança, primogénito de D. Duarte Nuno de Bragança e de D. Maria Francisca de Orléans e Bragança. A única razão para este escrito é a amizade que o Senhor D. Duarte faz o favor de me dedicar, especialmente depois que com ele privei nos seus tempos de Alferes e Tenente Piloto Aviador da Força Aérea Portuguesa a prestar serviço de soberania em Angola, no Aeródromo Base nº. 3, no Negage.
Conheço um pouco do percurso tido pela Família Bragança, que pela autorização legislativa concedida pela Lei 2040, de 20 de Maio de 1950, regressou a Portugal e foi residir, inicialmente, para uma propriedade dos Condes da Covilhã, passando depois a fazê-lo no Palácio de São Marcos, que lhes foi  parcialmente cedido pela Fundação da Casa de Bragança.
D. Duarte Pio estudou em dois colégios antes de ir para o Colégio Militar, decorria o ano de 1960. Daí saiu para o Instituto Superior de Agronomia, onde obteve a licenciatura em Engenharia Agronómica, fazendo pós graduação no Instituto para o Desenvolvimento da  Universidade de Genebra.
Viu serem reconhecidos os seus direitos ao título e chefia Casa de Bragança, depois de uma disputa judicial, que já vinha dos tempos de seu pai e era protagonizada por Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança, que se dizia filha ilegítima do Rei D. Carlos I, portanto maia irmã do Rei D. Manuel II.
Mas... parece que alguém vive apostado em continuar a saga da Família Bragança nos tribunais, talvez por inveja, talvez por maldade, talvez por mal aconselhado... o que não acredito, pois não está nenhuma criança no meio de uma questão como aquela que Nuno da Câmara Pereira levou aos tribunais, mas sim uma alegada usurpação de propriedade na "pessoa" da patente da Ordem de São Miguel da Ala, que ele, Nuno da Câmara, registou em seu nome decorria o ano de 1981.
Ora não se entende quem usurpou o quê a quem, se considerado o facto de a Real Irmandade da Ordem de São Miguel da Ala ser uma Associação de Católicos que se rege pelas tradições e símbolos legados pela antiga Ordem de Cavalaria Portuguesa, que tinha dedicação a São Miguel e terá sido fundada pelo Rei D. Afonso Henriques após a tomada de Santarém aos Mouros, que aconteceu no dia 08 de Maio de 1147 - festa de São Miguel do Monte Margano.
No Capítulo XVIII da Crónica de Cister, Frei Bernardo de Brito (1597-1602) escreve que a "Ordem de S.Miguel da Ala" ou "Asa" foi instituída em 1171 por D.Afonso Henriques e seus cavaleiros observavam a "Regra de São Bento", sendo uma das irdens militares de cavalaria sufragâneas da Ordem de Cister de Santa Maria de Alcobaça designado por Prelado.
A Ordem de Cister publicou, em 1630, a primeira Constituição conhecida da Ordem de São Miguel da Ala:
"Constitutiones Militum S.Michaelis sive de Ala"; a Bula Papal de Alexandre III, de 04 de Janeiro de 1177 refere o reconhecimento da "Ordo  Equitum S. Michaelis sive de Ala" e outras ordens portuguesas.   
Posto aquilo que acima é referido, creio que Nuno da Câmara Pereira... aliás (Dom) Nuno Maria Figueiredo Cabral da Camara Pereira, trineto do 3º. Conde de Belmonte, Dom Vasco Maria de Figueiredo Cabral da Camara, pai de seu bisavô Dom Nuno José Severo de Figueiredo Cabral da Camara (Belmonte), Coronel de Cavalaria e Governador de Diu (Índia) e Quelimane (Moçanbique)... deveria repensar maduramente sobre o que afirma na televisão sobre D. Duarte Pio não ser brevetado e  não ter nenhum curso de Engenharia Agrónoma, ao invés dele, que até é brevetado em aviões sem motor e tem o curso de Agronomia, sendo Engenheiro Técnico Agrónomo. Só que Engenheiro Técnico corresponde ao antigo Regente Agrícola. Será o mesmo que dizer que é... Engenheiro Auxiliar
Diz  que registou a patente de algo que não lhe pertencerá, pois não há nenhum documento que lhe conceda a propriedade de algo que tem quase 1.000 anos. Registou algo que não lhe pertencia? Então estamos conversados.
Voltarei a falar da Ordem, porque muito há ainda para dizer sobre a mesma.
O estar a reivindicar 100 mil euros por algo que abusivamente foi usado em proveito próprio, é um pouco baixo demais. O tribunal que deu razão a Nuno da Câmara não deve saber qual a história da Ordem de São Miguel da Ala... penso eu de que...

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!