domingo, 4 de setembro de 2011

LEIRIA, MANINHA DO LIS

Muitas vezes parei para pensar naquilo que foi a minha cidade, que era pequenina, mas bonitinha,  acolhedora para todos sem excepção, alegre nas manifestações culturais, solidária nos infortúnios, orgulhosa do seu castelo, feliz pelo seu Rio Lis e tudo aquilo que possa ser possível encontrar-se numa cidade que saltou fora dos seus limites e se tem tornado uma urbe moderna, mas pouco dada a dar-se a conhecer a quem a visita... porque o que é demais angustia - e Leiria perdeu o seu encanto de enamorada do Lis, para se tornar, quando muito, sua maninha - chegando-se ao ponto de os filhos da terra, após uma ausência mais prolongada, descobrirem que não conhecem a cidade que os viu nascer.
Até o pobre desporto do pontapé na bola, que à sua pala viu criar-se um elefante branco chamado Estádio Magalhães Pessoa, tem que ser apreciado na antiga arqui-rival Marinha Grande... que agradece ao Município de Leiria a falta de coragem tida para fazer frente à sua associada Leirisport. Grande Marrazes, que continuas a dar lições de bairrismo, juntamente com o Bairro dos Anjos, nessas coisas de fazer desporto pelo desporto.
Mudou-se o monumento aos Mortos da Grande Guerra lá para as terras do fim do mundo, como é o Largo de Santo Agostinho, desapareceram alguns locais característicos da Leiria de há 50 anos, como a Pensão (Hotel) Central, o Hotel Lis, a Capelinha do Monte, os Armazéns do Tenente Miranda... bem... é melhor não continuar a inumerar aquilo que desapareceu na voragem da modernidade, porque senão nunca mais acaba. Basta dizer assim: LEIRIA FOI DERRUBADA PELO CAMARTELO DA MODERNIDADE, E SOBRE OS ESCOMBROS ERGUERAM UMA NOVA CIDADE.
Têm dúvidas? Se até o castelo mudou de feições, para ali poderem fazer-se saraus, banquetes, recepções... sem medos do fantasma da Rainha Santa, porque é santa e não anda a meter medo a ninguém, nem das princesas mouras que terão ficado encerradas nas profundas cisternas, porque o D. Afonso Henriques procurou bem todos os recantos e... nada encontrou!  

Antigamente havia os campeonatos internacionais de pesca de rio, que traziam a Leiria uma animação inusitada para todos, ficando as equipas estrangeiras maravilhadas com a arte de bem receber do povo da cidade... e não só! No parque da cidade havia as verbenas do Ateneu, torneios de futebol de 5 para animar o Verão, no Carnaval havia todo um colorido nos trajes dos mascarados, enquanto o Grémio, a Assembleia Leiriense, o Ateneu, o Orfeão faziam magníficos bailes de máscaras, para miúdos e graúdos... mas tudo passa e agora são outras coisas a dar alegria ao Zé Povinho, mesmo que não haja muito dinheiro para gastar no 19º. Festival de Gastronomia "ÀS MIL MARAVILHAS", que em boa hora se resolveu integrar nos costumes da cidade.
É um acontecimento que veio com a modernidade, tal como a Feira de Antiguidades, porque a Feira de Maio apenas é herdeira da velha e inesquecível Feira de Março, que tinha lugar num local hoje impossível de utilizar para o mesmo fim, como é o caso do Largo entre o Jardim Luis de Camões e a Rodoviária.
Não é crível passar a pescar-se lagosta e camarão-tigre nas águas do Lis, mas, por aquilo que parece, talvez se consigam pescar uns porcos de uma qualquer suinicultura das que poluem o mesmo rio.
Modernices... dirão alguns! Sacanices, dirão os cidadãos indignados com a lata de uns quantos que não se coibem de poluir para não gastar uns cobres numa já mais que anunciada estação para tratamento dos influentes do martirizado rio que teima em ser enamorado e não irmãozinho da cidade. 

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!