quarta-feira, 26 de outubro de 2011

TOURADAS EM LEIRIA...

Não posso deixar de referir que o antigo "Largo do Matadouro" ou do "Quartel 7", que   hoje vemos como o Largo de Infantaria 7 ou de Santo Agostinho, requalificado e embelezado, foi um local onde se chegou a fazer uma espécie de "tourada", porque não havia redondel, como se impunha, podendo dizer-se que era uma "tourada" mesmo que não houvessem touros para correr, que não era o caso..
Na foto acima reproduzida, obtida a partir do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, podemos ver o escadório, com os obeliscos e o arco, as ruínas da extinta Praça de Touros... e sobre o lado direito está aquele famoso largo que tomou o nome do extinto  Regimento de Infantaria 7, de que se vê a antiga Parada e parte do aquartelamento situado no antigo Convento de Santo Agostinho, cujas torres sineiras da Igreja são bem visíveis.
Pois foi nesse mesmo Largo que, num célebre dia de Agosto, nos meados dos anos 50, a Câmara Municipal, através dos seus Serviços de Higiene e Limpeza,  os Bombeiros e  o Ateneu, além de outros entusiastas,  resolveram  ser tempo  para se organizar uma   "garraiada", "vacada" ou aquilo que lhe queiram chamar, sobre  direcção técnica do  bandarilheiro Agostinho  Santos.
Foram lidados novilhos dos Barbeiros, da Boavista, se podemos dizer que houve lide, uma vez que os "toureiros" de circunstância nem sabiam o que era "lancear o capote", bandarilhar, fazer "revoleras" ou "gaoneras" e quanto ao termo "citar", pensavam que apenas se aplicava  ao acto de se pronunciar uma frase de alguém.
Os "burladeros" não existiam, as barreiras eram tábuas presas a carrocerias de camionetas, os curros estavam situados no Matadouro Municipal.     
Havia "diestros" de grande nome, como o "Nau", o "Fura", o "Meio-Tostão", o Augusto Carvalho, os "Irmãos Pitorro", o "Macareno" e tantos outros "artistas" que até arrepiam, como arrepiou o facto de estar um bicho a ser lidado quando outros  dois resolveram dar uma mãozinha... lançando o pânico entre "toureiros" e assistência.
Para que esse pânico fosse total, arrombaram uma parte da cerca e correram sobre as pessoas, que fugiam espavoridas, cada uma a procurar onde se esconder, fosse debaixo das camionetas fosse em cima de alguma árvore.
As ambulâncias dos Bombeiros andaram de um lado para o outro a transportar os atingidos pelas hastes dos cornupetos, e podem acreditar que o antigo Hospital D. Manuel de Aguiar não teve mãos a medir para socorrer aqueles que, estou certo, nunca mais esquecerão o que foi aquela tentativa de substituição da que foi a Praça de Touros de Leiria.
Nos dias que se seguiram, era vêr os varredores da Câmara agarrados à vassoura a coxear, os ardinas de braço ao peito... e até alguns Soldados que tinham ido aos toiros com as suas sopeiras mostravam que os novilhos, pelo menos esses, sabiam o que lhes era pedido para fazer, que era marrar, mesmo não sabendo os oponentes tourear!  

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!