sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

NESTE NATAL...


JESUS ESQUECIDO
 
No mundo onde labutamos,
porque temos de ganhar
o sustento para os filhos,
pois por eles procuramos
com afinco mourejar,
os centeios ou os milhos
que os irão alimentar!
Sentando a família à mesa,
onde não há Sinal da Cruz,
não há oração ou se reza...
...mas tilintam copos, talheres
e crianças, homens e mulheres
dão euforia ao ambiente,
que lá fora está tão frio,
mas cá dentro muito quente!
 
Algures, como esquecido,
ouve-se Jesus falar:
- Meus irmãos... então e eu?
Será que tudo Me esqueceu?
 
Foram abertos os embrulhos...
vejam só que lindas prendas...
e aumentam-se os barulhos
ao abrirem-se tantas oferendas!
Rasgam-se caixas, lindos papéis,
tantas coisas,  que bem sabeis
irão para o ecoponto...
...mas o nosso Deus Menino
fez um beicinho e pronto:
 
- Então... no meu Natal...
Eu agora já nem conto?
Ninguém se lembra de mim,
já nem encontro um tecto...
...porque me tratam assim?
Onde está a tolerância?
E a Paz? E o Amor?
Já não há mais infância?
A tradição não tem valor?
Enchem montras de ilusões,
vão ter com os sem abrigo
pois é bom limpar consciências!
Mas que têm nos corações?
Será que sentem o perigo
das suas falsas aparências?
Mesmo assim, um bom Natal
pois sou cheio de misericórdia...
Um ano cheio de muita paz,
que não haja mais discórdia!
 
Victor Elias

domingo, 1 de dezembro de 2013

1º DE DEZEMBRO DE 1640...2013...

Como bem sabemos, o dia 1 de Dezembro era feriado em Portugal, porque nesse dia se 'comemorava' o Dia da Restauração da Independência.
Restauração porquê?
Porque o rei de Portugal, que era D. Sebastião,   morreu na batalha de Alcácer-Quibir, no norte de África,  em 1578, ficando assim Portugal sem rei, pois D. Sebastião era muito novo e  não tinha filhos, não havendo portanto herdeiros directos para a coroa portuguesa.
Por tal razão, quem subiu ao trono foi o tio-avô de D. Sebastião, o Cardeal D. Henrique, mas acabou por reinar apenas durante dois anos, uma vez que nem todo o Reino  estava de acordo de que ele fosse o novo rei, até porque  houve muitos pretendentes  ao trono... e isto acabou por gerar enorme confusão...
Em 1580 reuniram-se as  Cortes de Tomar, onde Filipe II, rei de Espanha, foi escolhido como o novo rei de Portugal, uma vez que era filho da infanta D. Isabel e também neto do rei português D. Manuel, logo era alguém que tinha direito ao trono.
Por essa altura, era frequente acontecerem casamentos entre a nobreza das cortes de Portugal e Espanha, enlaces esses que  faziam com que houvesse espanhóis que  eram da família real portuguesa, tal como havia portugueses que pertenciam à família real espanhola.
Como resultado das Cortes de Tomar, durante 60 anos viveu-se em Portugal o período conhecido na História como "Domínio Filipino", pois após o reinado de Filipe II (I de Portugal), tivemos a governação de Filipe III (II de Portugal) e de Filipe IV (III de Portugal). Estes reis governavam Portugal e Espanha ao mesmo tempo, como se fosse um só país.
Os portugueses acabaram por se revoltar contra tal situação e, no dia 1 de Dezembro de 1640, puseram fim ao reinado do rei espanhol, através de  num golpe palaciano  para derrubar o rei e o seu governo.
Mas... também havia defensores do rei espanhol em Portugal? Caro que oportunistas sempre os houve, mas o povo estava farto disso, para mais  porque o País não era governado com justiça e havia muitos problemas e ataques às então nossas Províncias Ultramarinas, especialmente, ao Brasil.
A representar o rei de Espanha estava a Duquesa de Mântua  que era vice-rainha de Portugal, e o traidor português Miguel de Vasconcelos, que, para além de ser amante da Duquesa,  era o escrivão da Fazenda do Reino, sendo dotado de imenso poder.
Em Outubro realizou-se uma reunião conspiratória no jardim do palácio de D. Antão de Almada, a S. Domingos, em Lisboa. Assistiram, além dele, D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo, Jorge de Melo, Pêro de Mendonça e João Pinto Ribeiro. No dia 1 de Dezembro de 1640, os Conjurados foram ao Paço da Ribeira e mataram a tiro o traidor Miguel de Vasconcelos, após o que foi defenestrado (atirado da janela abaixo) .
Filipe III abandonou o trono de Portugal e os portugueses escolheram D. João IV, duque de Bragança, como novo rei.
O dia 1 de Dezembro passou a ser comemorado todos os anos como o Dia da Restauração da Independência de Portugal, já que o trono voltou para um rei português.
Mas... as coisas não ficaram bem vincadas no espírito de alguns... pois voltaram a tentar lançar no ostracismo a data gloriosa em que um valente grupo de Portugueses restituiu a liberdade ao Povo. Sem querer ferir susceptibilidades, foi mais importante o 1º de Dezembro do que o 25 de Abril, porque uma data nunca aconteceria sem a outra.
 
Restitua-se a dignidade que merece o Dia da Independência de Portugal, voltando ao calendário dos feriados! O Povo assim o exige... e a partir do 25 de Abril passou a ouvir-se dizer que "O POVO É QUEM MAIS ORDENA", sendo agora chegado tempo de o demonstrar.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

RECORDAR É VIVER...

... e os Portugueses não esqueceram ainda, passados 100 anos, que foi uma Monarquia de 1.000 anos que fez este Portugal que foi outrora UNO E INDIVISÍVEL, mas que agora está não em pedaços repartido territorialmente, mas sim ideologicamente, eticamente, religiosamente, sexualmente e um nunca mais acabar de 'luxos' adquiridos com a 'gloriosa' gesta do 25 de Abril de 1974, data indelevelmente gravada na mente dos homens, porque propiciadora de tudo o que de bom aconteceu em Portugal, mas também de mau, pois muitos erros se cometeram em nome da liberdade.
Da minha Leiria recordo histórias de amor e ódio, de dedicação e desleixo, de amor à terra e autêntico desamor! Leiria teve gentes de muitos saberes, pessoas dotadas de vontade intrínseca de fazer algo para os vindouros, mas não se pense que não havia em Leiria pessoas apenas 'vidradas' no cifrão do Escudo, ou no € actual, que logo que sentira que o fiel da balança começava a oscilar, deram às de Vila Diogo, para terras onde as patacas ainda estivessem à mão de ser colhidas pelo mais esperto dos colhedores de ilusões e de sonhos.
 
Sim! Portugal precisa de nós, mas parece que não acreditamos que também nós precisamos de Portugal!
Precisamos de uma Pátria que nos sirva de referência, precisamos de uma cidade que nos sirva de berço, precisamos de uma aldeia que nos permita sonhar, precisamos de ouvir o toque das Trindades na Torre Sineira de Leiria, precisamos de pontes sobre os rios, como por exemplo o Lis, para de lá poder-mos vêr espelhado nas águas o céu azul que se estende sobre a linda cidade de Rodrigues Lobo ou Marques da Cruz.
 
É triste saber-se que as memórias de Leiria se têm desvanecido na poeira dos anos... ainda que essa poeira esteja a ser forçada, ao que parece, pelo apelo aos Euros que o espaço irá valer numa qualquer outra actividade que não passe pelos 'massés' nos bilhares do nosso querido Café Colonial... o último dos grandes cafés que existiram na Avenida dos Combatentes, como sejam o Café Colonial, o Café Aviz e o Café Santiago. 
Ao lado do 'Colonial', também os meus Amigos Pedrosas deram por finda a existência do Restaurante Abrigo, enquanto a Pensão Avenida, que existiu na Avenida Dr. Correia de Mateus, se tem andado a tentar adaptar a novas funções,  mas agora  com o estatuto de Hostel  e o nome de... Leiria.
Já não temos o Alcaide do Castelo Basílio, o Nau o ou Augusto dos Jornais, o Fabião das fotografias, o Marcelino da Mercantil, o Zeferino da Drogaria, o Faria Lopes, o Sismeiro, o Asdrúbal Faria, o Maurício do Quiosque, o Zé do Hotel, a Tipografia Barata, o Herculano da Mercearia, o Márinho Fonseca da Ourivesaria e Relojoaria, o Sebastião da Casa Lisman, o Esteves dos Cafés, o Quirino Soares da Sapataria, o José Jacinto, o Afonso das Bicicletas... mas também outros nomes se perderam na poeira do tempo, ficando marcados na poeira das saudades daqueles que os recordam com afecto.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O DIA DO "BOLINHO"

 Há muitos... sei lá à quantos anos,  este dia de Todos os Santos era por mim,  comemorado não apenas como um dia de Feriado, em que me podia furtar às "canseiras" da Escola, mas como um dia em que nunca  fugi  ao cumprimento do dever de assistir à Missa na Sé, para depois poder cumprir o 'santo sacrifício' de calcorrear as ruas e vielas da minha Leiria, lançando o sacramental pregão "Ó tia dá bolinhos, pela alma dos seus santinhos?".  
 
Era quase o cumprimento de um ritual, que se repetia ano após ano, vendo-se as crianças de sacola na mão, os mais velhitos a orientar os pequenitos, os olhos brilhantes pelas guloseimas que se conseguiam arranjar, os mais espertos a tentar enganar os outros sobre os locais onde havia mais generosidade no dar. Mas havia também os solidários, os que gostavam de partilhar, os líderes que tentavam manter as suas "tropas" disciplinadas, os animadores que iam lançando as palavras de ordem... enfim: OS MIÚDOS NÃO SE DEIXAVAM ENGANAR! 
 
Pelas ruas de Leiria, as crianças, transportando o seu saco, vão percorrendo as ruas e ruelas e batem à porta de familiares, vizinhos e desconhecidos, com a tradicional frase: ’Ó tia, dá bolinho?’. Na ausência de bolinho, as ofertas podem ser constituídas por frutos secos, romãs, peras, maçãs, passas de uva ou de figo, chocolates, rebuçados ou dinheiro.
Esta tradição foi 'buscar' os seus princípios ao Cristianismo, sendo a expressão da solidariedade e amor pelos outros, em especial pelas crianças.
Nos tempos em que a fome apertava, tal como hoje está a acontecer, infelizmente,   era este o dia  em que as crianças tiravam a barriga de miséria, sendo a manhã do dia de Todos os Santos uma manhã dedicada às crianças, em que se tratavam os vizinhos por «tu» e ninguém negava o bolinho.
Das várias lenga-lengas do "Pão por Deis", recordo estas duas, que tinham muitos seguidores:
Quando os donos da casa dão alguma coisa:
"Esta casa cheira a broa
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho."

Quando os donos da casa não dão nada:
"Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto."

sábado, 26 de outubro de 2013

A MEMÓRIA DAS COISAS

Quando era miúdo, aí por volta da minha 3ª. Classe na Escola de Santo Estevão, tive oportunidade de assistir a esta extraordinária corrida de bicicletas motorizadas, onde participaram  muitas 'máquinas' de grande qualidade competitiva,  podendo-se apreciar as 'Alma', as  'Cucciolo', as  'Pirotta', as 'Ardito', as 'Alpino' e  algumas outras... mas as bicicletas motorizadas 'Cucciolo' conseguiram  dominar a corrida do princípio ao fim.
 
Não esqueci nunca esta corrida a que assisti, sentado no Café Colonial, pois está provado que as pessoas de Leiria também seguiam a modernidade... mesmo que não fosse, de todo, o tipo de acontecimento que a cidade mais apreciava, além de que se faziam as coisas, tinham êxito no que faziam... mas eram para arrumar na prateleira dos eventos passados.
Bastará recordar o que aconteceu com a Praça de Touros... com o Coreto do Jardim... com o Teatro Dona Maria Pia... e tantas outras coisas que foram arrumadas na mala do tempo,  para que  não se  desse cabo da memória das mesmas.
Mas... felizmente ainda vai havendo memória .

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

RECORDANDO O PADRE LACERDA

Segundo aprendemos na história, depois de autores como Fernão Lopes (Crónicas de el-rei D. João I - Aljubarrota) ou Almeida Garrett (Viagens na minha terra ), o jornalista de guerra português primeiro Hermano Neves descreveu, nas páginas do jornal 'A Capital', todo o conflito que opunha os monárquicos chefiados por Paiva Couceiro, aos republicanos  recém-chegados ao poder, por força da implantação da República ocorrida em 5 de Outubro de 1910.
Mais tarde, o mesmo jornal pretendeu enviar o jornalista H.Neves às frentes de batalha da Grande Guerra, em França, mas as autoridades daquele país impediram-no de o fazer, pelo que foi o director do jornal 'O Século', Silva Graça,  que se encarregou de  redigir a primeira crónica da I Guerra Mundial, perto de Ormont, França,  publicada naquele jornal a 18 de Julho de 1915.
Este jornalista acabou por viveu o dia-a-dia das trincheiras, durante quase dois anos, gozando de uma relativa liberdade para fazer os relatos do horror dos bombardeamentos e do genocídio, feito na lama, de tantos milhares de soldados cujas vidas eras ceifadas por rajadas de metralhadora ou pela sufocação provocada pelo gás.  Portugal participou no conflito apenas para satisfação do ego de alguns generais e políticos, que pareciam vampiros sedentos de sangue. E não respeitou sequer os conselhos dos Aliados, acabando por impor, de imediato, uma férrea censura a tudo o que era publicado.
É aqui que vai aparecer o Padre José Ferreira de Lacerda, leiriense  de garra, o “sacerdote jornalista”, como lhe chamou Joaquim Santos,  na sua tese de mestrado José Ferreira de Lacerda, o sacerdote jornalista – A Crónica sobre a Grande Guerra no Jornalismo Leiriense, onde se debruça sobre o fundador do jornal 'O Mensageiro' e autor de algumas crónicas sobre a Grande Guerra.
Nesses artigos, o Pe. Lacerda falou de alguns episódios ocorridos entre a sua partida para França - a 2 de Maio de 1917 - e descreveu todo o negro cenário  da guerra. “As crónicas que o sacerdote-jornalista escreveu são testemunhos documentais de extrema importância”, sublinha Joaquim Santos.
José Ferreira de Lacerda nasceu no dia 23 de Abril de 1881, na freguesia de Monte Real .
Foi considerado como uma figura polémica, mesmo nos meios eclesiásticos, mas isso não o impediu de ser um homem de causas, verdadeiro cidadão, político, foi  cónego, jornalista... e benemérito da cidade de Leiria.
Nas suas crónicas de guerra, o padre Lacerda acabou por introduzir no jornalismo leiriense qualquer coisa  mais que um espaço de debate político e ideológico, pois veio actualizar a noção de que o acontecimento jornalístico tem uma natureza especial.  Sabendo que não bastaria ser apenas sacerdote, apoiante moral das tropas ou fazendo o culto aos mortos, foi um pouco mais longe e assumiu a função de correspondente de guerra.
As crónicas eram descritivas dos acontecimentos bélicos, com pormenores impressionantes, vividos na primeira pessoa, no risco da proximidade das bombas a cair e da morte. As suas narrativas também foram apelativas à movimentação da sociedade leiriense, com o objectivo claro de ajudar os soldados que passaram por momentos extremos da resistência humana”, explica J.Santos.
O Pe. José Lacerda chegou à capital francesa no dia  9 de Maio de 1917 e seguiu para a zona da Flandres, dado ser destinado a Calais. Daí, dirige-se para Aire-Sur-La-Lys, onde o Regimento de Infantaria n.º 7, de Leiria, lutava, em inferioridade, contra os alemães, não se esquecendo de ir tomando notas para publicar no seu 'O Mensageiro'.
Escreve, em letra bela e cuidada, o contraste entre a fome, a miséria nas ruas, o sangue, as entranhas e o enorme caos da guerra.
Quase entramos nos espaços da acção, com uma descrição arrepiante dos acontecimentos mas também de pormenores de circunstância, vividos fora das trincheiras. Os seus relatos falam das muitas mulheres vestidas de preto que encontrava pelo caminho, ou que via no comboio.
Mães que perdiam os seus filhos, mulheres que estavam viúvas e em grande pranto, crianças abandonadas e com a falta dos seus pais. José Lacerda trouxe às suas crónicas os apontamentos da guerra mas também dos seus efeitos”, escreveu Joaquim Santos.


"Padre José Ferreira de Lacerda, Alferes capelão-militar de Artilharia 7
Os alimões teem estado danados hontem e hoje. Não cessam de atirar ameixas. Esta carta é feita sentindo-as passar por cima da casa que habito.
Estão a bombardear uma fábrica. Os marotos atiram-lhes a mais de 5 quilometros e quasi lhes acertam. Se ouvisse o assobiar das granadas devia gostar, mas o pior são os efeitos… Hontem os alimões não me deixaram dizer missa. São danados!... (…) Olhe: lá vai uma esquadrilha de aeroplanos e ouve-se a metralhadora cujo som me faz lembrar os sapos em noite quente ou as rãs. O canhão, é claro, não cesse de troar. Vou ver se lhe envio recordações do bombardeiro de 19 e 20. Veja um prove home com um estilhaço daqueles na cabeça onde ia parar!... Quasi servem para esferas. Ando fino; o peior é a lama porque chove e não há lama mais pegajosa do que esta.
Até me custa sair á rua. Tinha tanta coisa que dizer, mas… Se visse os soldados escocezes com saias curtas e pernas à mostra, ria-se a perder.
Dentro de poucos dias devo ir ver a rapaziada de Leiria. Continúo em artilharia 7, que é a jóia dos regimentos em soldados e oficiaes. (…) Daqui a pouco os boches são capazes de nos cumprimentar com os gazes asfixiantes, repetindo as proezas das noutes anteriores. Temos de dormir de mascara ao pescoço.
Peço, diga, a quem por mim perguntar, que estou fino.”
.
O Cónego José Ferreira de Lacerda morreu no seu posto, no Santuário do Senhor Jesus dos Milagres, que tanto amava, no dia 20 de Setembro de 1971, durante as Festas da localidade. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

LEIRIA NA PALETA DO ARTISTA

ARNALDO BARATEIRO É UM ARTISTA PLÁSTICO DE MÃO CHEIA! 
NA SUA PALETA MÁGICA, O PINCEL VAI  RECOLHENDO AS CORES COM QUE  VAI PINTANDO O RETRATO DE UMA CIDADE QUE AMA,  E AS 'CORES DE LEIRIA'  TÊM DIVULGADO UMA INVULGAR CAPACIDADE PARA REPRODUZIR NA TELA  PARTE IMPORTANTE  DE UMA CIDADE QUE  SE FOI DEGRADANDO, AO LONGO DOS ANOS... CHEGANDO  ALGUM ACERVO HISTÓRICO A SER  SACRIFICADO AO PESO DO  CAMARTELO,  QUANDO ALGUMAS PERSONALIDADES TEIMAM EM NÃO SENTIR A CIDADE.
O QUE ME FOI DADO VÊR NA MOSTRA QUE O ARTISTA PATENTEOU ÀS PESSOAS INTERESSADAS EM RECORDAR A LEIRIA DE OUTROS TEMPOS, E NÃO SÓ, FOI IMPULSIONADOR QUE ME LEVOU  A PEDIR PERSEVERANÇA AO NOSSO PINTOR DO REALISMO DE UMA CIDADE QUE TEM NELE, ALFREDO BARATEIRO,  ALGUÉM CAPAZ DE DAR AOS VINDOUROS A IMAGEM DE UMA CIDADE QUE TEIMA EM SE MOSTRAR VIVA E ATRAENTE, COM 'POLIS' OU SEM 'POLIS', PORQUE OS LEIRIENSES TAMBÉM MERECEM  AS COISAS BOAS DA VIDA.
 
ESTAS DUAS TELAS SÃO MUITO IMPORTANTES PARA A MEMÓRIA QUE EU E O PINTOR TEMOS DA CIDADE ONDE NOS FIZEMOS 'GENTE CRESCIDA'.
UMA E OUTRA REPRESENTAM AS RUAS DA NOSSA MENINICE...  QUE  SÓ O ARTISTA CONSEGUIU TER A SENSIBILIDADE SUFICIENTE PARA AS REPRODUZIR PARA A POSTERIORIDADE.
NA EXPOSIÇÃO REALIZADA NO CINE TEATRO JOSÉ LÚCIO DA SILVA, ARNALDO BARATEIRO MOSTROU TODA A MAGNIFICÊNCIA DO SEU TRABALHO, ESPERANDO-SE QUE OS LEIRIENSES TENHAM SABIDO CONTEMPLAR A EXTRAORDINÁRIA OBRA PICTÓRICA APRESENTADA DURANTE A ÚLTIMA QUINZENA DESTE MÊS, POIS  APRESENTA ÓLEOS QUE  DEFINEM  ESTE ARTISTA TÃO COMPLETO QUE HONRA A CIDADE DE LEIRIA E A PINTURA EM GERAL!
PARABÉNS, ARNALDO, E OBRIGADO!

sábado, 7 de setembro de 2013

EXPOSIÇÃO DE PINTURA

Quando vejo um Amigo, que foi meu companheiro de brincadeiras ainda menino, cúmplice nas mil e uma tropelias que se faziam naquela Rua D. Afonso Henriques, jogando caricas, berlindes ou pião, um Amigo com quem se trocavam os jogadores repetidos dos caramelos da bola comprados no quiosque do Sr. Maurício ou em qualquer outro lado onde os vendessem, pegar no pincel e na paleta e transmitir para a tela toda a beleza da cidade que o albergou durante tantos anos, depois que veio da sua Calvaria natal... como se me alegra o coração, pois o Arnaldo Alfredo Calado Barateiro é hoje um Leiriense de que todos os filhos de Leiria se deverão orgulhar!
Obrigado, Arnaldo, pelo testemunho que dás da cidade do Lis.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

BEM PREGA O MAROCAS


Não sei se alguém recorda as inacreditáveis pressões e ameaças feitas aqui há uns tempitos pelo Pai da 'Palhaçocracia', Mário Soares, contra o ingénuo Tó Zé Seguro, o inseguro secretário-geral do PS.

Lembrei-me logo daquilo que o mesmo senhor 'Bochechas' afirmou, quando andava a negociar um inimaginável (ao tempo) acordo de coligação governamental com os Democratas Cristãos, pois ele, na altura, precisava de uma bengala onde se apoiar... como hoje acontece, sem que ele se aperceba.

Houve imensas críticas a tal atitude do 'Marocas', e a maior parte delas vinham do próprio partido do Largo do Rato, mas ele lá foi resistindo e defendendo que apenas se limitava a defender os interesses nacionais.
 
 

Mas quero chamar a atenção, sobretudo àqueles que em 1978 não tinham ainda nascido... ou eram apenas adolescentes, que por essas alturas o CDS era desconsiderado por toda a esquerda (e por muitos sectores do próprio PS), dele dizendo ser um partido “fascista”, pois não era como o CDS de hoje, que se pode considerar já um partido democraticamente consagrado e respeitado pelos seus pares.

Estava-se a formar o II Governo Constitucional, que teria como Primeiro Ministro o Dr. Mário Soares e que iria integrar três ministros do CDS, o que deixava muito boa gente de boca à banda, perguntando-se como era isto possível, dados os antecedentes de 'guerrilha' institucional entre os dois partidos. 

Mas hoje, para que não desabituem dos remoques e injeções venenosas do homem da Fundação Mário Soares, continua a ameaçar Seguro com uma cisão no Partido Socialista, se o líder do PS negociasse com os partidos da coligação governamental um 'compromisso de salvação nacional', proposto pelo Presidente da República..

Não era sequer uma coligação de governo e nem impedia a realização de actos eleitorais antecipados, próximos ou futuros, que o Mário Soares vinha exigindo quotidianamente. Era apenas e tão só um acordo que permitiria cumprir as obrigações de Portugal para com os seus credores, obrigações essas subscritas pelo próprio Partido do Marinho.

Em 1978, Soares apelou ao interesse nacional, para defender o seu Governo. Hoje é-lhe indiferente o interesse nacional, pois apenas deseja que o PS esqueça tudo e se fixe apenas na conquista do 'tacho' de São Bento, não olhando a meios para o conseguir.

Pobre País, que está entregue aos vícios de um velho gagá, de um bando de sanguessugas que usam a teoria do moinho de vento como forma de estar na política.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

NOSSA SENHORA DA ENCARNAÇÃO, ora pro nobis

Algures no tempo, dizia-se que Deus morrera, que a religião era o ópio do Povo, que Cristo era um comunista, que Nossa Senhora não passara de mais uma Maria  como tantas outras e que até a Bíblia era fértil em indicar os nomes de Maria de Magdala, Maria, irmã de Marta e de Lázaro, Maria, mãe de Tiago e de José, além do de Maria, a Mãe de Jesus.
De criança fui habituado a saber como encontrar o ponto de união entre a Verdade e a Fé, a doutrina cristã e o arrazoado tão próprio das 'guerrilhas' entre a oposição e o regime então vigente, porque tinha uma família que aceitava e respeitava os ensinamentos da Santa Madre Igreja, mesmo que me fossem ensinando a saber reconhecer os pregadores que do púlpito faziam acreditar num  Deus que se fazia presente no Sacrário, feito Pão da Vida,  na Natureza, no amor entre todas as gentes, sem distinção de cor, credo, categoria social, pois Deus era a Primeira Pessoa de uma Trindade Santíssima onde a Primeira Pessoa era o Pai,  o Deus criador do céu e da terra ; a Segunda Pessoa era o Filho,  o Deus que Redimiu e Salvou a Humanidade; a Terceira Pessoa era o Espírito Santo, o Deus que Santifica.
Também desde pequenino subi o Escadório monumental que me levava ao Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, cuja Festa hoje se comemora em Leiria. Eram momentos extraordinários de devoção à Virgem Padroeira da cidade, a par do lazer que se imagina, pois o arraial puxava mesmo ao bater do pé... e a pouca idade não via nada de pecaminoso no bailar com alegria, em honra da Mãe do Céu... que até lá estava perto, pela altura do monte. 
A Imagem sempre foi objecto de veneração e respeito... mesmo que o Antigo Testamento as tenha proibido textualmente, quando diz: "...NÃO TERÁS OUTROS DEUSES ALÉM DE MIM. NÃO FARÁS PARA TI IMAGENS ESCULPIDAS, NEM FIGURA ALGUMA DO QUE HÁ NOS CÉUS, OU DO QUE EXISTE EM BAIXO  NA TERRA, NEM DEBAIXO DAS ÁGUAS POR DEBAIXO DA TERRA. NÃO TE CURVARÁS DIANTE DELAS, NEM AS SERVIRÁS, PORQUE EU, O SENHOR TEU DEUS, SOU DEUS CIOSO, QUE PUNE A INIQUIDADE DOS PAIS NOS FILHOS ATÉ À TERCEIRA E QUARTA GERAÇÕES DAQUELES QUE ME OFENDEM...."
Quantas vezes ouvi no Santuário Mariano de Leiria proclamar a ira de Deus para os pecados do Homem? Quantas vezes eu, criança, ali rezei o Terço a pedia à Virgem a Paz para o Mundo? Recordo aquele momento em que Portugal se prostrou de joelhos, o Terço com as cores dos 5 Continentes, sendo cada mistério rezado pelas intenções das pessoas de lá.

Muita coisa está mudada, mesmo que continue a ser necessário rezar pelo mundo em convulsão, para não falar da crise que se abateu sobre parte da Europa, muito especialmente de Portugal.
Não sei até que ponto a Fé dos Homens os poderá levar a proclamá-la com veemência, a ser testemunho vivo do que pode a Oração ditada com verdade e dirigida à Padroeira de Leiria, que não deixará de dar aquela 'forcinha' sempre necessária para ter confiança no porvir!
Nesta festividade de Nossa Senhora da Encarnação, que Ela interceda por nós junto do Pai! 

domingo, 4 de agosto de 2013

AS FESTAS DA SENHORA DA ENCARNAÇÃO

"...do alto do escadório monumental do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação,
desde sempre vimos uma cidade em mudança, crescendo, pulsando..."

Quando a data da Festa de Nossa Senhora da Encarnação se aproxima, toda uma memória das coisas de antanho se torna presente, pois sempre eram as festas da Padroeira da minha cidade.
Provável será muitos não recordarem os sermões do Padre Vieira da Rosa ou do Padre Perdigão, que o Capelão do Santuário, o tão lembrado Padre Pires, que tinha a seu cargo o pastoreio dos doentes do Hospital D. Manuel de Aguiar, as ovelhinhas da Igreja de Santo Agostinho, o aludido Santuário da Padroeira da cidade e ainda as celebrações litúrgicas  do Cemitério da cidade, não tinha tempo para se coçar, supõe-se.
Pelo púlpito do Santuário passaram grandes pregadores, seculares ou dos Franciscanos, que foram de algum modo importantes no colocar no coração dos devotos da Virgem o sentimento filial para com a Mãe de Deus e dos Homens.
 
Depois de uma semana de preparação para o grande dia, o povo começa a afluir ao Largo de Santo Agostinho, por aquele tempo chamado de 'Infantaria 7', onde já se começaram a instalar as vendedeiras de fogaças, cavacas das Caldas, passas de figo e romãs, nozes e 'enfiadas' de pinhões, tremoços, pevides, pão do Arrabal ou melões e melancias.
Junto à Praça de Touros há tendas de comes e bebes, camionetas a vender melão, o Neto dos barquilhos ou bolacha americana, a Dina retratista, sempre oportuna para bater as suas chapas, o célebre propagandista da banha da cobra, o homem dos moinhos de papel, que são a alegria da miudagem, o Luciano dos sorvetes, os putos a vender pirolitos aos comensais que se espalharam pela encosta acima, toalha no chão e os pratos com o frango de churrasco, o coelho frito, os pastelinhos de bacalhau e os croquetes, o pão de milho muito amarelinho, o garrafão do melhor vinho que se possa imaginar, pois foi da colheita do ano passado e é divinal.   
 
Lá em cima há música, muita música, pois as Filarmónicas dos Pousos e das Cortes dão concerto, até que chegue a  hora de acompanharem a procissão que levará a imagem da Virgem à Igreja de Santo Agostinho, de onde, após uma celebração Mariana, a Virgem regressará ao seu Santuário.
O resto do dia será de alegria, mais parecendo que a Feira voltou à cidade. Há robertos, a cabrinha equilibrista , o homem que engole fogo, as cantadeiras ambulantes, que cantam acompanhadas pelo guitarrista cego e vendem letras de velhas canções, foguetes a estalejar, animação quanto baste, porque para tristeza basta a que o dia-a-dia nos vai proporcionando.
No dia 15 de Agosto, vamos todos honrar Nossa Senhora da Encarnação. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

RECORDAÇÕES... SOLILOQUIAIS

 
Aqui há dias, num solilóquio que me foi dado protagonizar, perguntei-me com veemência sobre aquilo que foi, é e poderá ser o PORVIR da minha cidade, que vem tendo, ao longo das décadas, pessoas que procuram manter-lhe o estatuto de 'Princesa do Lis', de refúgio preferido das 'Mouras encantadas' de que nos falam as lendas... e alguns cantares que lhe são dedicados.
Nesse falar comigo próprio encontrei algumas, mas não todas as respostas, porque numa conversa mais profunda tida com o 'Espírito do Castelo', vim a aperceber-me que a desilusão entre as 'Musas do Lis' é tremenda, porque alguns dos que dizem amar Leiria tudo têm feito para demonstrar precisamente o contrário, pois deixar o Centro Histórico atingir uma degradação que apenas prenuncia a utilização do camartelo, leva a  que tantas memórias sejam varridas  das páginas escritas de uma cidade que tantas glórias conheceu.
Leiria nasceu moura, tornou-se cristã, voltou à mourama, voltou à cristandade... até que, nos dias de hoje, ninguém poderá afirmar que esteja empenhada em qualquer uma destas correntes de enriquecimento espiritual. Talvez seja uma cidade que se tornou indefinida religiosamente e não sendo católica, protestante, ortodoxa ou agnóstica, é sem qualquer dúvida portuguesa e bairrista.
Com a morte do velho 'Alcaide do Castelo de Leiria', Basílio, mais uma figura emblemática deixou de constar no rol dos amantes da cidade... e não vejo grandes hipóteses de substituição desta figura maior de uma cidade que vai perdendo a voz nas vozes daqueles que a enalteceram e 'se vão da lei da morte libertando'.
 
   O diálogo travado comigo mesmo diz-me haver grandes figuras que são marca indelével da cidade, algumas cujo passado é orgulho de Leiria pelo muito que lhe deram e por tanto que a amaram, mas também há quem nada tenha feito senão usá-la como um objecto descartável... e assim desapareceu a Praça de Touros de Leiria, o Teatro Dona Maria Pia, o Convento dos Capuchos, que foi Hospital Militar da cidade, a Fonte Quente, Hotel Lis e tantas outras memórias, que não ficaram para mostrar uma Leiria nascida no Castelo, que se libertou do abraço das muralhas e veio debruçar-se sobre o leito do Lis.
Acordei do meu solilóquio, do meu sonho em que não vi mouras encantadas, mas uma cidade que me encanta não apenas porque nela nasci, brinquei e sonhei o amanhã... que a realidade da vida me pretendeu negar, poia vida pode significar o espaço de tempo decorrido entre o momento da concepção e a morte, que tanto poderá ser de um ente como de um organismo, ou um fenómeno que anima a matéria.
Para ter vida, o ser vivo precisa de crescer, metabolizar, movimentar-se, reproduzir-se ou não e responder a estímulos externos.
Afinal... falar comigo próprio até é um bom exercício... e Leiria bem merece que se vá pensando nela.
 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

OS EXAMES PRIMÁRIOS...

 
Por este tempo, há muitos anos atrás, um miúdo do outro lado da cidade, lá da zona do Castelo,  foi mandado apresentar na 'Escola Nova' onde pontificava o Professor Fernandes. Ia ali fazer o seu Exame da 4ª. Classe do Ensino Primário.
A minha irmã mais velha tratou de me arranjar uma camisa mais 'à homenzinho', pois queria que eu fosse mais arranjadinho e de gravata ao pescoço... o que me causou uma impressão tremenda, dado lembrar um pouco as cordas que se preparavam para enforcar os 'mauzões' nos filmes de sheriffs, cowboys e bandidos, que costumava ver no Teatro Dona Maria Pia, com o beneplácito do bilheteiro, o Senhor Emílio, ou dos porteiros, os senhores Totó e João 'Alemão', que sempre arranjavam forma de nos conseguir aquele papelinho mágico que  nos permitia ir sonhar com as planícies americanas lá no alto das galerias ou do 3º. Balcão.
Manhã cedo, a barriga com um friozinho incomodativo que era prenúncio de estar a chegar a hora em que se ia verificar se o Professor Guimarães tinha preparado os seus rapazes a preceito, lá comparecemos na Escola, aguardando impacientes que o tormento começasse, para terminar logo com a angustia do exame.
 
De repente, o Professor Crespo começou a chamada e nós fomos direitinhos ao cadafalso que a cada um estava destinado... que é como quem diz, à carteira onde nos teremos de sentar para receber as instruções relativas à prova, o preenchimento da capa da folha de ponto, depois de lhe fazer a margem de acordo com o que nos foi dito para fazer.
A aritmética não oferecia grandes dificuldades, tal como a geometria. O ditado era de uma lição subordinada ao tema 'Os livros',  bastante  conhecida do Livro de Leitura. A redação foi sobre o mesmo tema do ditado.
Desde logo me pareceu ter corrido mal, porque estava realmente bem preparado. Fiz a oral sem problemas de maior, a exemplo do que tinha acontecido com a escrita. Foi examinado pelos Professores Manuel Afonso, Guerra e Crespo. O Professor Fernandes apenas  nos orientou  na preparação da prova escrita, mas a sua presença, com o seu sorriso cheio de bondade, era um bálsamo para todos nos.
Por este tempo, há muitos anos atrás, concluí a fase 'infantil' do meu percurso de estudante, mas jamais consegui esquecer que foram os meus professores e examinadores que me deram a noção exacta do que vale o saber ler, contar, ver, escrever, interpretar o valor da aprendizagem na formação integral da criança que era, do jovem que fui e do homem em que me tornei.
Comecei o meu percurso na avenida Marquês de Pombal, no Jardim Escola João de Deus, fazendo depois a escolaridade em Santo Estevão. A 'Escola Nova', hoje 'Amarela', fui onde mostrei não ter sido em vão a passagem no Jardim Escola, com a curiosidade de ambos os estabelecimentos de ensino se situarem na  Avenida Marquês de Pombal.

sábado, 15 de junho de 2013

AS MULHERES DE LEIRIA...

 
Alguém me perguntou, um dia, porque um dos mais belos monumentos da cidade representavam mulheres, mas não daquelas que tinham títulos, posição, carisma, porque não tem títulos quem anda descalço - excepto no filme 'A Condessa descalça' -, não tem posição social quem vai comprar ou vender ao mercado, porque isso é trabalho das serviçais, não tem carisma quem nem sequer merece ser falado nas colunas sociais, a não ser por situações em que a mulher não é elevada como gostaria... digo eu. 
Claro que me veio logo à ideia uma explicação que considero correta,  segundo os valores que aprendi a respeitar na mulher... como em todo o ser humano, ao fim e ao cabo: A DIGNIDADE DE VIDA DEMONSTRADA EM CADA DIA!
Que nos mostra aquele belo monumento à mulher de Leiria? Que esta é coquete? Mesmo vivendo a labuta do trabalho do campo, a mulher leiriense jamais deixa de ser coquete... na sua simplicidade; bela... na sua rusticidade;  doce... na sua feminilidade e tudo o mais que a mulher dos saraus do Grémio Literário, a elegante das 'soirées' na Assembleia Leiriense ou nos salões de espetáculos citadinos.
Não usa peles de arminho, chinchilas, lontras ou o que seja para se enfeitar, mas não enjeita trazer o porquinho no regaço, tal como a filha pela mão.

A mulher de Leiria está condignamente representada naquele monumento que dá as boas vindas a quem visita o Parque da Cidade, graças à visão artística de um escultor que apenas não conseguiu dar o sopro da vida,  como o faria o Criador, e dizer àquelas Mulheres, cinzeladas na pedra: IDE E FAZEI FELIZ O HOMEM QUE VOZ FAÇA JUSTIÇA À SINGELEZA DO GESTO, À BELEZA DE ALMA, À ELEGÂNCIA CULTIVADA NOS GINÁSIOS DOS MILHEIRAIS E TRIGAIS, DOS LEGUMES E DAS BATATAS, DO MELÃO E DO RECO QUE ALIMENTA COM OS PRODUTOS QUE A TERRA LHE DÁ, GENEROSA!
 

sábado, 11 de maio de 2013

SAUDADES DE LEIRIA

Velho Correio de Santana, que tantas notícias levou um pouco por toda a parte, por cartas, telegramas, postais, mas também por telefone, pois era aos CTT que tal missão competia. Quantas cartas de amor e ódio, de alegria e tristeza passaram pelo carimbo 'quase' mecânizado com que as zelosas funcionárias apunham  marca do dia sobre os selos, depois que recebiam as cartas dos expedidores, fossem eles industriais, comerciantes, que tratavam do expediente inerente às suas actividades, ou gente comum que apenas procurava enviar ou receber notícias dos familiares distantes.
Agora, sem outra razão que não seja a destruição de uma memória de Leiria, porque o lucro clama pelo camartelo, como outrora aconteceu com a Praça de Touros, o Teatro Dona Maria Pia e tantas outras 'relíquias' que fizeram a cidade. A Fonte Quente... onde está? Fiquemos por aqui, que é o melhor.
Mas o ficar por aqui não significa não ter memória das coisas, pois cada casa, cada esquina, cada recanto da cidade estão de forma indelével marcados no nosso subconsciente. No Largo da Sé há muita história para contar, muitas coisas a recordar... tanta coisa a lamentar! O velho prédio da família Hingá, onde funcionava a Imprensa Comercial (à Sé), vulgo a tipografia do 'Carlos Silva', ainda vai sobrevivendo, 'colado' apenas pela vontade de resistir. Ali ao pé havia a Manteigaria da Dona 'Miquinhas', a famosa 'Pharmácia Paiva', a Casa Faria, a Chapelaria Freitas, a Tinturaria Americana, a Oficina de Bicicletas do senhor Afonso, a Associação de Futebol de Leiria, mas a maioria desse património pereceu com o crescimento da cidade.
 
Ao pé da Estação dos Correios, onde funcionou durante muitos anos  a Central dos Correios e o Parque dos Telefones, onde trabalhou o saudoso Porém Luís, que foi futebolista do Ateneu e árbitro de categiria internacional, ficava a Auto-Leiria, os Bombeiros, o Café Colonial, o Restaurante Abrigo, a Drogaria Rodrigues, a Igreja Evangélica Baptista, o Xico Marques e outros que foram na voragem dos tempos e agora são lembranças feitas poeira.
 
Felizmente que a Fonte das Carrancas, ou Fonte Grande, como lhe queiram chamar, vai resistindo as tentações dos camartelos, pois estes  aspirariam dar-lhe o mesmo destino que teve o Hotel Lis, como noutro ponto aconteceu ao Hotel Central.
Não creio que a actual edilidade venha a seguir a sanha destrutiva da senhora que em tempos geriu os destinos autárquicos, porque é bonito aquilo que a POLIS fez pela cidade, dando alguma dignidade a algumas zonas dela carenciadas, mas é tempo de evitar que a verdadeira Leiria venha a ser um monte de escombros, a amostra de uma Hiroshima após a malfadada bomba que sobre ela caíu e a destruíu!
Quem responde pelo velho Hospital Militar de Leiria? Não será tempo de obrigar o Ministério da Defesa a responsabilizar-se por uma infraestrutura monástica que foi 'roubada' à Igreja, foi utilizada pelo Exército, que lhe deu uso como hospital, mas também como curral de muares e suinicultura, depósito de ferro velho, oficinas, depósito de material de guerra obsoleto. E o património que foi desviado dos seus legítimos proprietários?
Houve imagens roubadas, paramentos, mobiliário, alfaias litírgicas, material hospitalar, azulejos do revestimento das paredes e até pedras dos ornatos dos edifícios desapareceram! Estão no entulho? Onde?
Tenho saudades de Leiria, mas temo que os meus netos não venham a reconhecer a minha terra, de que tanto escrevi para memória futura, mas que está uma amostra da cidade que um dia foi conhecida como a Cidade do Lis... mas hoje temo que lhe possam chamar 'do lixo'.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

o MÁRI-O SÓ-ARES

POR MENOS DO QUE ISTO
Como estaria Portugal sem aquele que é maior do que o seu peso?
O bem-disposto mais temido da política.
Soares, o elo perdido da evolução do PS
Não tendo muito que fazer no feriado do 25 de Abril (inaugurar museu em Lisboa com o seu nome, lançar tema da semana contra Governo, inventar insulto do mês para o Presidente da República, de facto um dia normal), Mário Soares teve algumas horas para pensar na vida.
Faltara outra vez à cerimónia na Assembleia da República por solidariedade com “os capitães de Abril”, que por sua vez faltaram por solidariedade consigo próprios e que, para o ano, faltarão por solidariedade por já terem faltado dois anos seguidos, que já dá um respeitoso passado à falta.
O ex-Presidente viu os primeiros minutos da cerimónia solene pela TV. Não sendo um espírito religioso, rezou para que Passos Coelho e Cavaco Silva, os tipos que - Por muito menos do que isto foi D. Carlos morto... - tropeçassem no degrau do hemiciclo e caíssem em directo. Mesmo laico, um republicano e socialista tem fezadas. Por exemplo, como Obama e o Papa Francisco são “os meus actuais ídolos políticos”, também Pedro Passos Coelho pareceu a Soares um bom candidato a primeiro-ministro, por isso o elogiou publicamente pela sua preparação e seriedade, ou então foi só para provocar uma fúria em José Sócrates, que há dois anos não era “brilhante” como agora, e uma apoplexia em Manuel Alegre, então suspenso da sua amizade... mas quem lhe manda falar nisso agora, o contexto é diferente, está a ter uma atitude um bocado pidesca, e por muito menos do que isto o Rui Mateus, o caso Emaudio, o fax de Macau e o diabo a sete milhões de patacas nunca mais se ouviu falar deles... e já cá não está quem falou, meus amigos.
A 25 de Abril de 2013, afundado no seu sofá da sua Fundação, frente ao seu Parlamento, Soares tentou lançar ondas magnéticas  destruidoras.
Usava o poderoso cérebro, famoso no mundo, de Mário Alberto Nobre Lopes Soares, também conhecido, da Venezuela a Paris, de Luanda à Jamba, da praia do Vau à Faixa de Gaza, por “Marocase “o Bochechas”. Mas Presidente e Governo não caíram (até à data do fecho desta biografia). Vendo as crianças que enchiam as galerias da AR para ouvir os discursos, preparando-se tão cedo para uma vida de horror e vazio até emigrarem, Soares lembrou-se do seu filho querido, o conhecido político João... quer dizer, o conhecido Partido Socialista Nobre Lopes Soares (PSNLS), que há precisamente 40 anos, no exílio, foi dado à luz contra a ditadura salazarista.
Um dia, dizem os anais da História, o menino sentiu-se mal e, em vez de o meter numa cama de hospital, o pai enfiou-o na gaveta, e na verdade curou-o de vez, porque nunca mais foi o mesmo, e nem hoje sabe bem o nome que tem. Mas como dizia o jovem comunista Mário Soares na época (colégio Moderno, fundado pelo pai) em que o seu professor era Álvaro Cunhal, - Por muito menos do que isto, foi morto o czar da Rússia e família Mário Soares, 88 anos, este impossível de resumir.
Alguns factos, no entanto, se destacam numa força da natureza, massa em movimento, uma luta pela democracia, pela liberdade e pelo financiamento (do país na Europa e do PS onde houver dinheiro). Para falar como Soares, desde antes da União Europeia pré-Angela Merkl, no paleolítico inferior da União Europeia, e da catástrofe neoliberal coelhina, isto é, quando ainda havia algum. Em 1906, por exemplo, apesar de não nascido, o futuro doutor em Históricas e Filosóficas (1951), Direito (1957), e Francês Falado (19??) já sabia de cor as palavras republicanas de Afonso Costa:
— Por muito menos do que os crimes cometidos por D. Carlos I, rolou no cadafalso, em França, a cabeça de Luís XVI.
A política é a arte da adaptação, e o grande político o seu actor. Soares, o homem 12 vezes preso pela ditadura, dos três anos de celas e exílios, aproveitou  uma estadia na prisão, em 1949, para casar com a companheira da vida, a actriz Maria Barroso. O plano final era a noiva recitar os primeiros sonetos do jovem Manuel Alegre, cheio de lirismo, mensagem e luta, até os guardas entregarem as chaves. Já então se percebia a audácia de Soares, a determinação que o levaram, em 1955 e 1958, a estar na candidatura da oposição democrática de Norton de Matos e Humberto Delgado. Mas teve de esperar por 1986. Foi-o dez anos, o único “presidente-rei” de Portugal.
— Por muito menos do que isto, inventei as presidências abertas.
Já não resultou em 2005, quando quis regressar a Belém e o menos jovem e mais lírico e lutador Alegre ficou-lhe à frente, agora fizeram as pazes, ainda bem. Soares matou, com 14% de votos, saudades de bofetadas na Marinha Grande. Do underdog que acabaria por vencer, para verdadeiro underdog de rabo encolhido, duas décadas mais tarde. Mas o que é o tempo para Soares, que percebeu Cunhal logo que ele chegou a Lisboa, nos finais de Abril de 74, depois da Revolução dos Cravos. Dois dias atrasado em relação ao Mário, camaradas, e agora? Vinha de mais a Leste, mas não estava a leste. Na estação de comboios, Cunhal subiu para um tanque para tirar fotos com um soldado e um operário. E Soares nem um carro tinha para ser multado a 199 km/h, quanto mais símbolos do povo para mostrar a seu lado.
— Por muito menos do que isto, trazia de Paris duas bailarinas de cancan.
E só descansou com o 25 de Novembro e com o PS no poder, isto é, nunca descansou nem pode estar descansado.
(Extraído do Jornal PÚBLICO)

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!