sábado, 11 de maio de 2013

SAUDADES DE LEIRIA

Velho Correio de Santana, que tantas notícias levou um pouco por toda a parte, por cartas, telegramas, postais, mas também por telefone, pois era aos CTT que tal missão competia. Quantas cartas de amor e ódio, de alegria e tristeza passaram pelo carimbo 'quase' mecânizado com que as zelosas funcionárias apunham  marca do dia sobre os selos, depois que recebiam as cartas dos expedidores, fossem eles industriais, comerciantes, que tratavam do expediente inerente às suas actividades, ou gente comum que apenas procurava enviar ou receber notícias dos familiares distantes.
Agora, sem outra razão que não seja a destruição de uma memória de Leiria, porque o lucro clama pelo camartelo, como outrora aconteceu com a Praça de Touros, o Teatro Dona Maria Pia e tantas outras 'relíquias' que fizeram a cidade. A Fonte Quente... onde está? Fiquemos por aqui, que é o melhor.
Mas o ficar por aqui não significa não ter memória das coisas, pois cada casa, cada esquina, cada recanto da cidade estão de forma indelével marcados no nosso subconsciente. No Largo da Sé há muita história para contar, muitas coisas a recordar... tanta coisa a lamentar! O velho prédio da família Hingá, onde funcionava a Imprensa Comercial (à Sé), vulgo a tipografia do 'Carlos Silva', ainda vai sobrevivendo, 'colado' apenas pela vontade de resistir. Ali ao pé havia a Manteigaria da Dona 'Miquinhas', a famosa 'Pharmácia Paiva', a Casa Faria, a Chapelaria Freitas, a Tinturaria Americana, a Oficina de Bicicletas do senhor Afonso, a Associação de Futebol de Leiria, mas a maioria desse património pereceu com o crescimento da cidade.
 
Ao pé da Estação dos Correios, onde funcionou durante muitos anos  a Central dos Correios e o Parque dos Telefones, onde trabalhou o saudoso Porém Luís, que foi futebolista do Ateneu e árbitro de categiria internacional, ficava a Auto-Leiria, os Bombeiros, o Café Colonial, o Restaurante Abrigo, a Drogaria Rodrigues, a Igreja Evangélica Baptista, o Xico Marques e outros que foram na voragem dos tempos e agora são lembranças feitas poeira.
 
Felizmente que a Fonte das Carrancas, ou Fonte Grande, como lhe queiram chamar, vai resistindo as tentações dos camartelos, pois estes  aspirariam dar-lhe o mesmo destino que teve o Hotel Lis, como noutro ponto aconteceu ao Hotel Central.
Não creio que a actual edilidade venha a seguir a sanha destrutiva da senhora que em tempos geriu os destinos autárquicos, porque é bonito aquilo que a POLIS fez pela cidade, dando alguma dignidade a algumas zonas dela carenciadas, mas é tempo de evitar que a verdadeira Leiria venha a ser um monte de escombros, a amostra de uma Hiroshima após a malfadada bomba que sobre ela caíu e a destruíu!
Quem responde pelo velho Hospital Militar de Leiria? Não será tempo de obrigar o Ministério da Defesa a responsabilizar-se por uma infraestrutura monástica que foi 'roubada' à Igreja, foi utilizada pelo Exército, que lhe deu uso como hospital, mas também como curral de muares e suinicultura, depósito de ferro velho, oficinas, depósito de material de guerra obsoleto. E o património que foi desviado dos seus legítimos proprietários?
Houve imagens roubadas, paramentos, mobiliário, alfaias litírgicas, material hospitalar, azulejos do revestimento das paredes e até pedras dos ornatos dos edifícios desapareceram! Estão no entulho? Onde?
Tenho saudades de Leiria, mas temo que os meus netos não venham a reconhecer a minha terra, de que tanto escrevi para memória futura, mas que está uma amostra da cidade que um dia foi conhecida como a Cidade do Lis... mas hoje temo que lhe possam chamar 'do lixo'.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!