sexta-feira, 19 de julho de 2013

RECORDAÇÕES... SOLILOQUIAIS

 
Aqui há dias, num solilóquio que me foi dado protagonizar, perguntei-me com veemência sobre aquilo que foi, é e poderá ser o PORVIR da minha cidade, que vem tendo, ao longo das décadas, pessoas que procuram manter-lhe o estatuto de 'Princesa do Lis', de refúgio preferido das 'Mouras encantadas' de que nos falam as lendas... e alguns cantares que lhe são dedicados.
Nesse falar comigo próprio encontrei algumas, mas não todas as respostas, porque numa conversa mais profunda tida com o 'Espírito do Castelo', vim a aperceber-me que a desilusão entre as 'Musas do Lis' é tremenda, porque alguns dos que dizem amar Leiria tudo têm feito para demonstrar precisamente o contrário, pois deixar o Centro Histórico atingir uma degradação que apenas prenuncia a utilização do camartelo, leva a  que tantas memórias sejam varridas  das páginas escritas de uma cidade que tantas glórias conheceu.
Leiria nasceu moura, tornou-se cristã, voltou à mourama, voltou à cristandade... até que, nos dias de hoje, ninguém poderá afirmar que esteja empenhada em qualquer uma destas correntes de enriquecimento espiritual. Talvez seja uma cidade que se tornou indefinida religiosamente e não sendo católica, protestante, ortodoxa ou agnóstica, é sem qualquer dúvida portuguesa e bairrista.
Com a morte do velho 'Alcaide do Castelo de Leiria', Basílio, mais uma figura emblemática deixou de constar no rol dos amantes da cidade... e não vejo grandes hipóteses de substituição desta figura maior de uma cidade que vai perdendo a voz nas vozes daqueles que a enalteceram e 'se vão da lei da morte libertando'.
 
   O diálogo travado comigo mesmo diz-me haver grandes figuras que são marca indelével da cidade, algumas cujo passado é orgulho de Leiria pelo muito que lhe deram e por tanto que a amaram, mas também há quem nada tenha feito senão usá-la como um objecto descartável... e assim desapareceu a Praça de Touros de Leiria, o Teatro Dona Maria Pia, o Convento dos Capuchos, que foi Hospital Militar da cidade, a Fonte Quente, Hotel Lis e tantas outras memórias, que não ficaram para mostrar uma Leiria nascida no Castelo, que se libertou do abraço das muralhas e veio debruçar-se sobre o leito do Lis.
Acordei do meu solilóquio, do meu sonho em que não vi mouras encantadas, mas uma cidade que me encanta não apenas porque nela nasci, brinquei e sonhei o amanhã... que a realidade da vida me pretendeu negar, poia vida pode significar o espaço de tempo decorrido entre o momento da concepção e a morte, que tanto poderá ser de um ente como de um organismo, ou um fenómeno que anima a matéria.
Para ter vida, o ser vivo precisa de crescer, metabolizar, movimentar-se, reproduzir-se ou não e responder a estímulos externos.
Afinal... falar comigo próprio até é um bom exercício... e Leiria bem merece que se vá pensando nela.
 

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!