domingo, 4 de agosto de 2013

AS FESTAS DA SENHORA DA ENCARNAÇÃO

"...do alto do escadório monumental do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação,
desde sempre vimos uma cidade em mudança, crescendo, pulsando..."

Quando a data da Festa de Nossa Senhora da Encarnação se aproxima, toda uma memória das coisas de antanho se torna presente, pois sempre eram as festas da Padroeira da minha cidade.
Provável será muitos não recordarem os sermões do Padre Vieira da Rosa ou do Padre Perdigão, que o Capelão do Santuário, o tão lembrado Padre Pires, que tinha a seu cargo o pastoreio dos doentes do Hospital D. Manuel de Aguiar, as ovelhinhas da Igreja de Santo Agostinho, o aludido Santuário da Padroeira da cidade e ainda as celebrações litúrgicas  do Cemitério da cidade, não tinha tempo para se coçar, supõe-se.
Pelo púlpito do Santuário passaram grandes pregadores, seculares ou dos Franciscanos, que foram de algum modo importantes no colocar no coração dos devotos da Virgem o sentimento filial para com a Mãe de Deus e dos Homens.
 
Depois de uma semana de preparação para o grande dia, o povo começa a afluir ao Largo de Santo Agostinho, por aquele tempo chamado de 'Infantaria 7', onde já se começaram a instalar as vendedeiras de fogaças, cavacas das Caldas, passas de figo e romãs, nozes e 'enfiadas' de pinhões, tremoços, pevides, pão do Arrabal ou melões e melancias.
Junto à Praça de Touros há tendas de comes e bebes, camionetas a vender melão, o Neto dos barquilhos ou bolacha americana, a Dina retratista, sempre oportuna para bater as suas chapas, o célebre propagandista da banha da cobra, o homem dos moinhos de papel, que são a alegria da miudagem, o Luciano dos sorvetes, os putos a vender pirolitos aos comensais que se espalharam pela encosta acima, toalha no chão e os pratos com o frango de churrasco, o coelho frito, os pastelinhos de bacalhau e os croquetes, o pão de milho muito amarelinho, o garrafão do melhor vinho que se possa imaginar, pois foi da colheita do ano passado e é divinal.   
 
Lá em cima há música, muita música, pois as Filarmónicas dos Pousos e das Cortes dão concerto, até que chegue a  hora de acompanharem a procissão que levará a imagem da Virgem à Igreja de Santo Agostinho, de onde, após uma celebração Mariana, a Virgem regressará ao seu Santuário.
O resto do dia será de alegria, mais parecendo que a Feira voltou à cidade. Há robertos, a cabrinha equilibrista , o homem que engole fogo, as cantadeiras ambulantes, que cantam acompanhadas pelo guitarrista cego e vendem letras de velhas canções, foguetes a estalejar, animação quanto baste, porque para tristeza basta a que o dia-a-dia nos vai proporcionando.
No dia 15 de Agosto, vamos todos honrar Nossa Senhora da Encarnação. 

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!