quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

REFLECTIR... VALE A PENA?

 
Um dia tive a dita de nascer - algumas vezes pode  pensar-se em desdita - na minha sempre adorada cidade de Leiria, uma urbe que parece ter renascido da Fénix... mesmo que tenha perdido a exuberância que tanto a caracterizou ao longo de muitos anos. Nasci sobre a protecção do Castelo, que também saiu da ruína que o chegou a prostrar, mas logo alguém pensou e reerguer aquelas torres, em refazer as suas muralhas... apesar de não haver conseguido reconstituir várias componentes desse baluarte de defesa da Cidade, entre eles a Igreja de Nossa Senhora da Pena, que apenas está referenciada para que os visitantes a possam identificar.
 Na pintura acima reproduzida tenho a certeza que o autor se lembrou da bilha da Capelinha de São Jorge, colocada no nicho por São Nuno de Santa Maria, ou Nuno Álvares Pereira, o Herói de Aljubarrota que, depois da sede que ele e os seus homens sofreram aquando da batalha travada com Castela, quis prover os viandantes de um pouco de água fresca, para mitigar a sede na sua viagem.


Em Leiria há uma cultura de extremos, bastando para isso que se compulsem as histórias do teatro na cidade, as companhias profissionais ou amadoras, as pianistas e bailarinas que ensinaram a sua arte, tal como os cavaleiros e toureiros que existiram... e não deixaram grandes descendências artísticas, porque ser cavaleiro exigia uma boa quadra de cavalos... e os cavalos motor de um bom automóvel foram melhor chamariz para os candidatos a diestros. Se nem sequer houve interesse em devolver à cidade a demolida Praça de Touros, que chegou a ser ponto de encontro dos leirienses...
E que dizer do Teatro Dona Maria Pia? A saga que foi 'representada' após a demolição compulsiva de uma jóia da Arte de Talma, é digna de palmas, muitas palmas, chamadas ao palco e tudo o que é uso fazer-se num grande êxito que acaba de ser representado, pois a peça 'A DEMOLIÇÃO DO MARIA PIA', em muitos actos, milhentos de quadros e que fez correr lágrimas de dôr (aos leirienses), de alegria (aos aproveitadores da ingenuidade de José Lúcio da Silva) pelas incidências do espectáculo degradante de se ter de recorrer a um barracão para calar a boca ao Povo, projectando cinema durante 15 anos como INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS de algo que era a chacota do Povo da cidade do Lis.
Junto à Catedral, como não podia deixar de ser, procuram-se curar as feridas, que o famigerado 'Projecto POLIS' acabou por deixar, porque as escolhas dos bens a sofrer intervenção não foram bem escolhidos, uma vez que não se estabeleceu uma proridade capaz de não 'ferir' os sentimentos dos Leirienses, que se haviam habituado a ter um tipo de cidade que agora se descaracterizava por completo!
Quem olha para este monumento à ruína, num local que foi escolhido para zona de convívio da 'city', como é o caso do 'Terreiro', por certo fica alarmado com o estado calamitoso a que o Estado deixou chegar um edifício onde funcionavam os serviços de Finanças de Leiria... e que foi Tribunal do Trabalho.
 Pelo mesmo caminho têm seguido a oficina do saudoso Afonso das Bicicletas, a antiga Associação de Futebol de Leiria e estúdio do Fabião, o prédio da Tinturaria Americana ou o do Hingá. Salva-se o edifício da antiga 'Pharmacia Paiva'... não se sabe bem como!
Passear na Rua Direita ou Barão de Viamonte, como lhe queiram chamar, faz doer a alma, mesmo que algumas coisas tenham sofrido obras de...REMEDIAÇÃO!
Até quando, Leiria?
 
 


NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!