quinta-feira, 22 de maio de 2014

O DIA DE LEIRIA...


Hoje, minha cidade saudosa, há tantos a falar de ti! Falam de como crescestes, te soubestes modernizar, vencer obstáculos que te eram suscitados pelo facto de a humildade das tuas gentes não comportar uma ostentação que é mãe de tantas invejas... ainda que pareça nada ter isto a ver com aquilo que hoje comemoras: A DATA DO TEU FORAL COMO CIDADE E A CRIAÇÃO DA  DIOCESE QUE HOJE ÉS!
Leiria é cidade muito antiga, cujos vestígios apontam para a existência de uma povoação na época dos romanos. Os Suevos ocuparam-na em 414. Caiu em poder de D. Afonso Henriques em 1134, que a conquistou aos Mouros e mandou reconstruir o castelo e as muralhas. Recebeu foral do mesmo rei, em 1142, e de D. Sancho I, em 1195, sendo elevada a cidade, em 1545, por D. João III.
A Diocese de Leiria foi criada em 22 de maio de 1545 pela bula “Pro excellenti apostolicae sedis”,  do Papa Paulo III, sendo erigida a Igreja de Santa Maria da Pena  como Catedral.
Na mesma data, pela bula “Decet Romanum Pontificem”, foram aplicadas à nova catedral de Leiria e ao seu primeiro Bispo, Frei Brás de Barros, as rendas que o mosteiro e o prior-mor de Santa Cruz ali detinham .
Depois deste 'desabafo' histórico... gostaria de te congratular, Leiria, por teres 'renovado ' o teu aspecto, ainda que não perceba muito bem porque alguém teimou em te dar expansão territorial antes de cuidar das tuas feridas abertas pelo tempo, deixando aos amigos que te visitam a sensação de estares a caminhar para a derradeira etapa, que seria a ruína total. Como exemplo... e são tantos que nem sei por onde começar, o que fizeram à tua Rua Barão de Viamonte, a bem conhecida 'Rua Direita'?
No solar dos  Ataíde, graças à 'generosidade' de uma entidade bancária, encontrou-se uma solução de compromisso que veio a salvar aquele património, mas a antiga Repartição de Finanças, a antiga sede da Associação de Futebol de Leiria, a antiga oficina do 'Sr. Afonso das Bicicletas', a Igreja da Misericórdia... é melhor não apontar mais 'casos', pois Leiria  é fértil em locais passíveis de receber uma equipa de arqueologia que possa classificar desde logo os achados que sejam encontrados naquela estação, e até estou a ver lá postado que as ruínas foram provocadas por incúria e desleixo e jamais por motivos naturais.  
 
Até um "simples foral sem qualquer interesse"... para alguém que não sinta a cidade, foi parar  a Évora, sabe-se lá porquê:
Foi encontrado o Foral Manuelino de Leiria, datado de 1 de maio de 1510, quando se julgava haver sido perdida a hipótese de alguma vez voltar a ser visto  qualquer exemplar deste manuscrito. Felizmente, um dos códices, foi descoberto em Évora, no Palácio da Duquesa de Cadaval, através dos dados apresentados pelo historiador Leiriense, Saul António Gomes, que afirmou que a descoberta “constitui, nos anais leirienses, um acontecimento historiográfico e patrimonial bibliográfico”.
No fólio 1 do foral, pode ler-se:
“Dom Manuel per graça de deus Rey de Portugal e dos Algarves daquém e dalem mar em Africa, senhor de Guine e da conquista e navegação e comerciod’Etiopis, Arabia, Persia e da India. A quamtos esta nosa carta de foral dado aa nosa villa de Leiria virem fazemos saber que per bem das diligencias isames e imquiriçoes que em nossos regnos e senhorios mandamos geralmente fazer pera justificaçom e decraraçom dos foraes deles e pera alguas sentenças e detriminaçoes que com os do nosso comselho e letrados pasamos e fizemos acordamos visto ho…”
Esperamos que as feridas que em ti foram provocadas, ao longo dos tempos, não faça perecer a importância de poderes celebrar o teu Dia com toda a dignidade que mereces, minha cidade saudosa!
Parabéns, Leiria!
 
 
 

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!