domingo, 4 de setembro de 2011

LEIRIA, MANINHA DO LIS

Muitas vezes parei para pensar naquilo que foi a minha cidade, que era pequenina, mas bonitinha,  acolhedora para todos sem excepção, alegre nas manifestações culturais, solidária nos infortúnios, orgulhosa do seu castelo, feliz pelo seu Rio Lis e tudo aquilo que possa ser possível encontrar-se numa cidade que saltou fora dos seus limites e se tem tornado uma urbe moderna, mas pouco dada a dar-se a conhecer a quem a visita... porque o que é demais angustia - e Leiria perdeu o seu encanto de enamorada do Lis, para se tornar, quando muito, sua maninha - chegando-se ao ponto de os filhos da terra, após uma ausência mais prolongada, descobrirem que não conhecem a cidade que os viu nascer.
Até o pobre desporto do pontapé na bola, que à sua pala viu criar-se um elefante branco chamado Estádio Magalhães Pessoa, tem que ser apreciado na antiga arqui-rival Marinha Grande... que agradece ao Município de Leiria a falta de coragem tida para fazer frente à sua associada Leirisport. Grande Marrazes, que continuas a dar lições de bairrismo, juntamente com o Bairro dos Anjos, nessas coisas de fazer desporto pelo desporto.
Mudou-se o monumento aos Mortos da Grande Guerra lá para as terras do fim do mundo, como é o Largo de Santo Agostinho, desapareceram alguns locais característicos da Leiria de há 50 anos, como a Pensão (Hotel) Central, o Hotel Lis, a Capelinha do Monte, os Armazéns do Tenente Miranda... bem... é melhor não continuar a inumerar aquilo que desapareceu na voragem da modernidade, porque senão nunca mais acaba. Basta dizer assim: LEIRIA FOI DERRUBADA PELO CAMARTELO DA MODERNIDADE, E SOBRE OS ESCOMBROS ERGUERAM UMA NOVA CIDADE.
Têm dúvidas? Se até o castelo mudou de feições, para ali poderem fazer-se saraus, banquetes, recepções... sem medos do fantasma da Rainha Santa, porque é santa e não anda a meter medo a ninguém, nem das princesas mouras que terão ficado encerradas nas profundas cisternas, porque o D. Afonso Henriques procurou bem todos os recantos e... nada encontrou!  

Antigamente havia os campeonatos internacionais de pesca de rio, que traziam a Leiria uma animação inusitada para todos, ficando as equipas estrangeiras maravilhadas com a arte de bem receber do povo da cidade... e não só! No parque da cidade havia as verbenas do Ateneu, torneios de futebol de 5 para animar o Verão, no Carnaval havia todo um colorido nos trajes dos mascarados, enquanto o Grémio, a Assembleia Leiriense, o Ateneu, o Orfeão faziam magníficos bailes de máscaras, para miúdos e graúdos... mas tudo passa e agora são outras coisas a dar alegria ao Zé Povinho, mesmo que não haja muito dinheiro para gastar no 19º. Festival de Gastronomia "ÀS MIL MARAVILHAS", que em boa hora se resolveu integrar nos costumes da cidade.
É um acontecimento que veio com a modernidade, tal como a Feira de Antiguidades, porque a Feira de Maio apenas é herdeira da velha e inesquecível Feira de Março, que tinha lugar num local hoje impossível de utilizar para o mesmo fim, como é o caso do Largo entre o Jardim Luis de Camões e a Rodoviária.
Não é crível passar a pescar-se lagosta e camarão-tigre nas águas do Lis, mas, por aquilo que parece, talvez se consigam pescar uns porcos de uma qualquer suinicultura das que poluem o mesmo rio.
Modernices... dirão alguns! Sacanices, dirão os cidadãos indignados com a lata de uns quantos que não se coibem de poluir para não gastar uns cobres numa já mais que anunciada estação para tratamento dos influentes do martirizado rio que teima em ser enamorado e não irmãozinho da cidade. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

TOUROS EM LEIRIA...


Ao vêr a corrida de touros, que a televisão transmitiu a partir do Campo Pequeno, apresentar João Cerejo, o cavaleiro tauromático natural de Porto de Mós, e porque está próximo o tempo em que, na minha meninice, havia festa brava na então Praça de Touros de Leiria, erguida no início do monte onde pontifica o Santuário de Nossa Srª. da Encarnação, cujas festividades justificavam a realização da tourada, não poderia deixar de manifestar a minha saudade daquele espaço cultural que aprendi a amar e respeitar...
No ano de 1939 acabou destruída, cortando-se pela raíz uma tradição que vinha desde os tempos remotos em que se correram toiros em Leiria, havendo referências a touradas realizadas por toda a região no reinado de D. Duarte, que decorreu entre os anos de 1433 a 1438, não obstante a sua experiência governativa ser muito anterior, pois já então partilhava com o pai – D. João I – a direcção dos destinos do reino.
É conhecido que el-rei D. Duarte se interessou pelos assuntos relacionados com cavalos e toiros sendo até de sua autoria o livro Arte de Bem Cavalgar em Toda a Sela.
Há referências à antiga Praça de Toiros em Leiria, que se inaugurou em 19 de Maio de 1891 e comportava cerca de 4.000 espectadores, tendo sido  erigida por subscrição pública e tendo também pertencido a uma sociedade.
Mais tarde, em 1919, na sequência da degradação da Praça, foi constituída uma comissão  que resolveu recolher fundos para a sua reparação e solicitou aos detentores das acções para que estas fossem cedidas de forma a que as instalações fossem oferecidas ao Hospital D. Manuel de Aguiar, de Leiria, pois passaria a ser explorada por esta instituição, como aliás já acontecia noutras localidades onde as Praças de Toiros já teriam sido doadas às Santas Casas da Misericórdia.
Assim aconteceu, de facto, mas a Praça foi-se degradando  graças à incúria de quem dela deveria cuidar, vindo a Praça de Toiros de Leiria a ser demolida nos anos 60, por falta de iniciativa do poder local para que se efectuassem as devidas reparações de manutenção.
Em criança fui "iniciado" nesta vivência cultural que é a Festa dos Touros e aprendi a respeitar não só os artistas como os touros, que sempre senti serem animais nobres e inteligentes, não merecedores de alguma publicidade que sobre eles tem sido feita em alguma comunicação social. Os touros são princípio e fim de uma tradição que jamais poderá ser trocada pelos espectáculos degradantes daqueles que dizem defender os direitos dos animais... mas defendem uma posição mais política que ética.
Regulamentar as touradas é uma coisa totalmente diferente do acabar com essas mesmas touradas. Pode ser feita a festa sem derramamento de sangue, é verdade, mas tira-se a verdade a essa festa. Há todo um ritual que se perde, se não se encontrar um meio termo para as coisas.
Desde a cerimónia da embolação dos touros até ao primeiro toque do cornetim que anuncia a faena, tudo faz parte de algo digno de ser visto. Nas corridas à antiga portuguesa via no cortejo um repositório histórico impar. Os charameleiros, o neto,  os pagens, os clarins, a azêmola das farpas, os forcados,  os coches com os artistas... tudo era um belo espectáculo para os nossos olhos extasiados.
Cheguei a vêr actuar em Leiria os manos fidalgos da terra  D. Luis e D. José Atayde, o Dr. Fernando Salgueiro e D. Francisco de Mascarenhas, os forcados amadores de Santarém, os magníficos  touros da ganaderia Soler... a animação dos passe dobles tocados pela Banda de Música da dos Pousos... a côr... os risos... a alegria... a vibração... a aficcion... a coragem... o medo... via-se um pouco de tudo  na arena da Praça. No ar estalejavam foguetes, os moços e moças sorriam fora dos muros onde estava escrito SOL/SOMBRA, SOMBRA, SOL,  quando  ouviam os olés com que a assistência vai premiando o trabalho dos artistas durante o desenrolar da faena.
Naquela Praça também vi actuar os matadores Diamantino Viseu, Manuel e António dos Santos, os cavaleiros José Casimiro, João Núncio, Simão da Veiga Júnior ou o Pedro Louceiro, o dietro Chico Mendes, o Curro Romero, os bandarilheiros irmãos Badajoz, o  Bienvenida e tantos outros matadores, cavaleiros, novilheiros, bandarilheiros, forcados... enfim: A FESTA VIVIA-SE EM PLENITUDE!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

ATÉ QUANDO?

Queria tanto não estar a escrever sobre assunto tão angustiante para quem assistiu a toda a gestação e parto da União de Leiria, bem como aos primeiros passos dados neste mundo cão que se chama futebol português. Não se pense ter sido fácil ver definhar, dia a dia, o Sporting Clube Leiriense, a agonia porque passava o Coliponense ou a doença de que padecia o Ateneu, que não era de molde a dar-lhe a morte desportiva, mas  que, por grande infelicidade, o incapacitava para a prática do futebol "a sério"... talvez porque alguns daqueles que lhe podiam mudar o futuro, se o quizessem ter feito, optaram por o deixar entregue às suas recordações, jogando cartas, fazendo pesca de rio, ensinando os putos da cidade a lançar a bola ao cesto... e pouco mais.
Quem viu os grandes derbies em que intervinha o Marrazes,  os duelos com os clubes marinhotos Lisboa e Marinha e Atlético Marinhense, por certo fica de boca à banda com o terem de se deslocar à Marinha Grande para vêr jogar esta criança que se fez adulta e  é bem capaz de ser a última esperança  de que Leiria continuaria a assistir a futebol de qualidade .
Dizia-se que onde o Partido Socialista mete a mão, o local tocado fica contaminado, apodrece, deixa de produzir algo de útil para a Pátria. Julguei que era apenas uma imagem de que os adversários políticos se serviam para deitar abaixo o PS a nível governamental... mas verifico agora que não é bem assim. Deve haver uma maldição tremenda lançada contra o Partido do Largo do Rato, que já não contamina apenas as cúpulas Socialistas nacionais, mas também as regionais... e Leiria aí está a comprovar. A Leirisport está comandada por alguém que não ama a cidade, que não está na Câmara para servir a cidade... mas para se servir, o nelhor que possa, nem que seja preciso destruír o que ainda resta. Se ele diz que o União de Leiria deve ser varrido da cidade... quando é que se convence que também pode ser varrido, aspirado, sacudido ou o que seja necessário para que o futebol volte a jogar-se no local que Magalhães Pessoa destinou para o efeito.
Vamos a vêr até quando o Povo de Leiria irá permitir que alguém decida por si quem terá de ser varrido da cidade. Estou convicto que lhe será dada resposta, pois está a ser desfeito o trabalho laborioso de uns tantos que gostariam de não ter de sentir ser preciso sujar as mãos porque alguém andou a fazer aquilo que não deve.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

POBRE DE TI, LEIRIA.

Um dia, ainda eu  era criança, houve alguém que assumiu os destinos da cidade, como Presidente da Autarquia, cujo none era Magalhães Pessoa ou Dr. Manuel Magalhães Pessoa. Ele resolveu tomar a iniciativa de construír um Estádio de Futebol ao lado do velhinho campo pelado, que ficaria como campo de treinos do novo recinto.
 Estava-se na década de 60 e aquele Estádio Municipal era o primeiro passo para a criação, nesta zona da Cidade, de um Parque Desportivo.
Em reconhecimento do seu contributo para o desporto no Concelho, o Município de Leiria atribuiu, já no início dos anos 70, o seu nome ao Estádio Municipal.
Hoje... Leiria está  a ferro e fogo. Vem aí uma nova época, nas mantêm-se os velhos hábitos. Naquele que seria o primeiro dia de trabalho da equipa leiriense, a Leirisport, uma empresa municipal que gere o Estádio Dr. Magalhães Pessoa, não permitiu que a   equipa pudesse utilizar o recinto para os habituais exames médicos de início de época.
A polémica, como não poderia deixar de acontecer, voltou a instalar-se.
A Câmara e a empresa municipal Leirisport continuam a reclamar o pagamento de uma dívida de 250 mil euros, correspondente à utilização do estádio pela equipa leiriense durante a época de 2010/2011. Sem a liquidação desta verba, afirma o  vereador do Desporto da autarquia e presidente da Leirisport,  António Martinho, o União não poderá utilizar as instalações
.
«Existe um contrato com uma empresa privada, o União SAD, que chegou ao fim. Terminando esse vínculo de utilização sem o mediante pagamento pouco mais haverá a dizer. Renovação do contrato? Não depende apenas de nós», afirmou o Vereador do Desporto autárquico
O que é verdade é estar autorizada a venda, por 65, 80 ou 100 milhões de Euros, não importa quanto mas sim o acto que se quer praticar. No antigamente da minha vida, aprendi a vêr futebol no velho pelado, onde Ateneu, Marrazes, Lisboa e Marinha, Atlético Marinhense, Sporting de Pombal e tantos outros nos prodigalizavam lições de querer, de desportivismo, de espírito de equipa.
Recorde-se que quando se estava na década de 40...  o distrito estava muito incipiente quanto ao "foot-ball", que não tinha qualquer expressão, ainda que houvesse já uns arremedos no futebol que se praticava em Pombal, na Marinha Grande ou nos Marrazes... mas Leiria deixava muito a desejar, pois nem campo tinha para que o Sporting Clube Leiriense pudesse vir a sonhar com uma equipa verdadeira, uma vez que aquela que tinha apenas fazia jogos particulares, como o amador dos amadores, treinando e jogando na parada do antigo Regimento de Infantaria 7, que outrora existiu junto ao Ria Lis, no que foi o Convento de Santo Agostinho.
Parece que o Partido do Governo (PSD) pretende reverter a venda do já chamado "Elefante Branco" de Leiria. Mas não vai a tempo de evitar que o escândalo se propague. De escândalo em escândalo até ao escândalo final, que será, sem dúvida, o fim de uma equipa e, por arrasto, de um Clube de Futebol que jamais primou pela modéstia de procedimentos, depois que se "apanhou" nas primeiras páginas dos jornais.
Que saudades daquela União que parecia respeitar a história que o Ateneu lhes legou no futebol... tendo por dirigentes pessoas que a amavam  e dela apenas esperavam a senda do êxito para se sentirem felizes. Não era Fernando Mano? Não era Freitas da chapelaria? Não era "alcaide" Basílio? Até ao Bernardino Pimenta... tudo bem, mas depois... depois... pensem um pouco, tá?       

quarta-feira, 8 de junho de 2011

D. DUARTE PIO E O REINO DE PORTUGAL


Não foram reunidas Cortes, não há Fernão Lopes para relatar a crise, não fui constituído advogado de defesa do Senhor D. Duarte Pio de Bragança, primogénito de D. Duarte Nuno de Bragança e de D. Maria Francisca de Orléans e Bragança. A única razão para este escrito é a amizade que o Senhor D. Duarte faz o favor de me dedicar, especialmente depois que com ele privei nos seus tempos de Alferes e Tenente Piloto Aviador da Força Aérea Portuguesa a prestar serviço de soberania em Angola, no Aeródromo Base nº. 3, no Negage.
Conheço um pouco do percurso tido pela Família Bragança, que pela autorização legislativa concedida pela Lei 2040, de 20 de Maio de 1950, regressou a Portugal e foi residir, inicialmente, para uma propriedade dos Condes da Covilhã, passando depois a fazê-lo no Palácio de São Marcos, que lhes foi  parcialmente cedido pela Fundação da Casa de Bragança.
D. Duarte Pio estudou em dois colégios antes de ir para o Colégio Militar, decorria o ano de 1960. Daí saiu para o Instituto Superior de Agronomia, onde obteve a licenciatura em Engenharia Agronómica, fazendo pós graduação no Instituto para o Desenvolvimento da  Universidade de Genebra.
Viu serem reconhecidos os seus direitos ao título e chefia Casa de Bragança, depois de uma disputa judicial, que já vinha dos tempos de seu pai e era protagonizada por Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança, que se dizia filha ilegítima do Rei D. Carlos I, portanto maia irmã do Rei D. Manuel II.
Mas... parece que alguém vive apostado em continuar a saga da Família Bragança nos tribunais, talvez por inveja, talvez por maldade, talvez por mal aconselhado... o que não acredito, pois não está nenhuma criança no meio de uma questão como aquela que Nuno da Câmara Pereira levou aos tribunais, mas sim uma alegada usurpação de propriedade na "pessoa" da patente da Ordem de São Miguel da Ala, que ele, Nuno da Câmara, registou em seu nome decorria o ano de 1981.
Ora não se entende quem usurpou o quê a quem, se considerado o facto de a Real Irmandade da Ordem de São Miguel da Ala ser uma Associação de Católicos que se rege pelas tradições e símbolos legados pela antiga Ordem de Cavalaria Portuguesa, que tinha dedicação a São Miguel e terá sido fundada pelo Rei D. Afonso Henriques após a tomada de Santarém aos Mouros, que aconteceu no dia 08 de Maio de 1147 - festa de São Miguel do Monte Margano.
No Capítulo XVIII da Crónica de Cister, Frei Bernardo de Brito (1597-1602) escreve que a "Ordem de S.Miguel da Ala" ou "Asa" foi instituída em 1171 por D.Afonso Henriques e seus cavaleiros observavam a "Regra de São Bento", sendo uma das irdens militares de cavalaria sufragâneas da Ordem de Cister de Santa Maria de Alcobaça designado por Prelado.
A Ordem de Cister publicou, em 1630, a primeira Constituição conhecida da Ordem de São Miguel da Ala:
"Constitutiones Militum S.Michaelis sive de Ala"; a Bula Papal de Alexandre III, de 04 de Janeiro de 1177 refere o reconhecimento da "Ordo  Equitum S. Michaelis sive de Ala" e outras ordens portuguesas.   
Posto aquilo que acima é referido, creio que Nuno da Câmara Pereira... aliás (Dom) Nuno Maria Figueiredo Cabral da Camara Pereira, trineto do 3º. Conde de Belmonte, Dom Vasco Maria de Figueiredo Cabral da Camara, pai de seu bisavô Dom Nuno José Severo de Figueiredo Cabral da Camara (Belmonte), Coronel de Cavalaria e Governador de Diu (Índia) e Quelimane (Moçanbique)... deveria repensar maduramente sobre o que afirma na televisão sobre D. Duarte Pio não ser brevetado e  não ter nenhum curso de Engenharia Agrónoma, ao invés dele, que até é brevetado em aviões sem motor e tem o curso de Agronomia, sendo Engenheiro Técnico Agrónomo. Só que Engenheiro Técnico corresponde ao antigo Regente Agrícola. Será o mesmo que dizer que é... Engenheiro Auxiliar
Diz  que registou a patente de algo que não lhe pertencerá, pois não há nenhum documento que lhe conceda a propriedade de algo que tem quase 1.000 anos. Registou algo que não lhe pertencia? Então estamos conversados.
Voltarei a falar da Ordem, porque muito há ainda para dizer sobre a mesma.
O estar a reivindicar 100 mil euros por algo que abusivamente foi usado em proveito próprio, é um pouco baixo demais. O tribunal que deu razão a Nuno da Câmara não deve saber qual a história da Ordem de São Miguel da Ala... penso eu de que...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

SERÁ POSSÍVEL CAMINHAR?

Criança no mundo de hoje...
Sempre que surge a comemoração do Dia Mundial da Criança, no meu pensamento ressalta aquilo que foi o meu tempo de arrepiar caminho para os dias de hoje... que até nem são nada agradáveis de viver, por força da crise que alguém resolveu instituír neste planeta à beira da loucura, onde dá a impressão que o conceito de justiça perdeu o elan para dar lugar à corrupção, ao despudor, à falta de vergonha sem limites que o expectro político vai fazendo alastrar.
Não sou um ser eivado de saudosismos bacocos, mas sim alguém que sempre procurou viver em consonância com valores que me foram inoculados na minha primeira experiência de escola, quando frequentei o Jardim-Escola João de Deus. Aí tive oportunidade de sentir a importância da palavra "AMOR", na consecussão de uma educação para a cidadânia a todos os títulos meritória e exemplar, porque as queridas responsáveis pela nossa formação escolar, cultural e de carácter não brincavam em serviço: Elas não eram apenas professoras, mas também mães, conselheiras, formadoras, companheiras de caminho nas veredas da vida, que levaram os seus educandos na senda de um amanhã pleno de amizade, partilha, solidariedade, amor sem limites para com aqueles que vemos à nossa volta.
O Dia Mundial da Criança não deveria ser objecto de uma data no calendário, mas sim algo que brota expontâneamente do coração do Homem, sem data/hora estabelecidos para que a Comunicação Social possa estar em cima do acontecimento... talvez para badalar mais uma daquelas figuras do jet set político que teimam em se mostrar no lugar que às crianças pertence por direito.
A imagem que dou à estampa é por demais conhecida. É um retrato que causa impressão... mas é a imagem cruel de uma verdade que cada vez mais se vai disseminando.
Será possível o mundo caminhar olvidando tantas carências para com aquelas crianças que não sabem o que é um afago, um carinho, um gesto de amor, uma palavra de esperança, um pouco de calor familiar, o sorriso da mãe, a mão protectora do pai... porque o Ano Internacional da Criança não será o "Abre-te Césamo" de uma caminhada em que a criança se sentirá desejada, se não houver uma revolução de mentalidades a todos os níveis, principiando nos agentes do Estado que têm por missão primária prover tudo o necessário para um correcto crescimento da criança em graça e idade, não no dia 01 de Junho ou Dia Mundial da Criança, mas todos os dias da nossa vida.
Talvez seja possível caminhar-se para um mundo melhor, com mais amor, verdade, justiça e solidariedade.
ENTÃO... AÍ SERÁ VERDADEIRAMENTE O DIA MUNDIAL DA CRIANÇA FELIZ... DURANTE TODOS OS DIAS DAS NOSSAS VIDAS!

terça-feira, 17 de maio de 2011

OUTRO "JUSTO" PORTUGUÊS

Não sei se haverá concordância comigo para o facto de haver em Portugal mais pessoas dignas para além daquelas que andam pelas ruas, de sineta na mão a anunciar ao mundo que são anti-fascistas, opositores de Salazar, vítimas de perseguição por parte do Regime do Estado Novo e outras pantominices com a mesma importancia.

Na verdade, os que têm lugar reservado na galeria dos Heróis não andam a promover-se com o fim de grangearem mais uma Ordem ou Comenda, que pode ser a da Liberdade ou da Promiscuidade... interessando apenas que lhe seja dada publicidade capaz de o levar às páginas da História Pátria, mesmo que seja por motivo de somenos importância.

Bem! Não gostaria de ter de fazer a introdução que antecede estas linhas, mas sim de falar de CARLOS DE ALMEIDA FONSECA SAMPAIO GARRIDO, uma figura desconhecida de muitos mas que foi embaixador de Portugal em Budapeste nos anos de 1939 a 1944, logo... nos anos da II Guerra Mundial, ou seja em território de conflito, se atentos ao facto de a Hungria havia sido anexada ao abrigo da aliança com a Alemanha de Hitler... e nela viviam cerca de 800 mil Judeus.

Apesar da legislação anti-Semita decretada pelo Regente Miklos Horthy, a maioria destes Judeus passou os anos da guerra em segurança relativa. Apenas a derrota dos Exércitos Alemães em Estalinegrado viria mudar a situação, principalmente depois que Horthy resolveu quebrar a aliança que havia estabelecido com a Alemanha Nazi., pois então a resposta foi imediata e brutal: - A 19 de Março de 1944, Hitler invadiu a Hungria e nomeou um novo governo que lhe fosse fiel, escolhendo para seu líder Dome Szotojay. Acompanhando o avanço das tropas Hitlerianas, claro que teria de vir um carrasco germânico... e à Hungria coube a "honra" de ter Adolf Eichmann como encarregado de aplicar a "Solução Final" aos Judeus Hungaros.

As consequências não se fizeram esperar e foram confiscados os bens e propriedades dos hungaros, proibiu-se a posse de rádios ou telefones, tornou-se obrigatório o uso de uma estrela amarela para os Judeus, sendo estes encerrados em guetos e iniciou-se a deportação, entre 15 de Maio e 09 de Julho, de cerca de 450 mil Judeus, sendo destinados, na sua maioria, a Auschwitz, onde mais de metade foi sujeita à morte por gaseamento logo após a chegada.

Das cinco missões diplomáticas de países neutrais sediadas na Hungria, para além da Cruz Vermelha e da Santa Sé, contava-se com a Suécia, a Suiça, a Espanha, a Turquia e Portugal. Após um bombardeamento levado a cabo pelos Aliados em Budapeste, o Governo húngaro ordenou às embaixadas neutrais que alugassem casas fora da cidade para se protegerem.

O Embaixador Sampaio Garrido alugou uma vivenda em Galgagyörk, a aproximadamente 60 Km de Budapeste. Foi aí que, sem informar Salazar , escondeu 12 Judeus, entre os quais se encontravam cinco membros da família Gabor, parentes da actriz Zsa-Zsa-Gabor. Antes já tinha alertado para a perseguição que os Judeus estavam a sofrer, tomando a iniciativa de os proteger ainda antes da mobilização feita pelos diplomatas dos outros Países neutros... e sem qualquer apoio de Salazar.

Como consequência, a residência oficial de Portugal em Galgagyörk foi tomada de assalto pela Gestapo, sendo todos os presentes levados presos para a Polícia de Budapeste, incluíndo o próprio Garrido, que sem se intimidar resistiu corajosamente à acção da Polícia e exigiu a imediata libertação de todos os detidos, com um pedido de desculpas.

A partir daqui tornou-se PERSONA NON-GRATA para o Governo húngaro, que exigiu a sua partida da Hungria. Foi nomeado, em sua substituição, o Encarregado de Negócios Alberto Carlos de Liz-Teixeira Branquinho, que chegou a Budapeste em Junho de 1944. Sampaio Garrido não voltou logo a Portugal, pois em Junho partiu para Berna, com a sua secretária judia, e ai continuou a orientar o Encarregado de Negócios no apoio aos Judeus, nomeadamente enviando-lhes listas com nomes para os quais pedia assistência e asilo na legação de Portugal. Ao todo foram concedidos cerca de 1.000 documentos de protecção, entre os quais 700 passaportes provisórios sem indicação de nacionalidade.

É assim merecido o título de "Justo entre as Nações", que deveria também ser extensivo a Teixeira Branquinho, mas a História nunca é pródiga em actos de justiça verdadeira, deixando votados ao ostracismo muitos a quem é devido o título de "verdadeiros patriotas". Estes Homens mostram bem como os realismo político são incompatíveis com a ética e a moral.

Como não quer a coisa... Aristides de Sousa Mendes tem competidores para as homenagens vindas de Israel, mas outros haverá, acreditem ou não nesta premonição.

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!