domingo, 15 de janeiro de 2012

MÃE... QUE SAUDADES DE TI !!!


eterna é a saudade

Naquele dia, já distante,
que ainda tenho na mente
partistes tão docemente
de uma forma tão pungente...
Fostes sem muito queixume
recordo, passados os anos...
... nem sequer houve azedume
por uma vida de enganos,
que vivestes sem queixume...
Naquele tempo, distante,
vivestes toda para os teus...
...fostes Mãe, Esposa amante,
até que fostes para Deus!
Fiquei orfão tão criança,
mas fui no teu coração...
...tinha em ti tanta esperança,
mas contigo morreu a ilusão!
Tinhas filhos que te amavam,
alguns eram tão pequeninos,
se soubesses como estimavam
que orientasses os seus destinos...
Mas Deus não quiz assim -
queria-te com Ele, na verdade -
e eu, Mãe, pobre de mim,
fiquei preso à tua saudade!
Mas d'aquele dia de Janeiro,
era o 15, vê a ironia,
ficou-me o desejo verdadeiro
de sempre te beijar neste dia!
Todas as flores deste mundo
gostaria agora oferecer-te...
...este é o modo mais profundo
que tenho para agradecer-te
pelo facto de me dares a vida...
...e por isso não posso esquecer-te...
quantas saudades,  Mãe querida!
*
À minha Mãe, no 61º. aniversário
da sua partida para Deus.
Victor Manuel Elias

sábado, 7 de janeiro de 2012

NOVA MORTE DE LUIS DE CAMÕES

Porque estamos no início do ano de todas as desilusões, apraz registar que também a sandinice de alterar a escrita para agradar a fulanos que não fizeram nada para mudar um ~ que pudesse considerar-se enriquecimento linguístico, porque usam uma língua que gostam de chamar "portuguesa" quando não passa de um amontoado de palavras, palavrinhas ou palavrões herdados dos povos que os antecederam, aqui fica o testemunho de quem não tem pejo em dizer o que pensa do ACORDO ORTOGRÁFICO "imposto" pelo Brasil a Portugal:
"Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o C na pretensão de me ensinar a nova grafia.
De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.
Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim.
São muitos anos de convívio.
Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes CCC's e PPP's me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.
Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora:  - não te esqueças de mim!
Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí.
E agora as palavras já nem parecem as mesmas.
O que é ser proativo?
Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o R, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato.
Caíram hifenes e entraram RRR's que andavam errantes.
É uma união de facto, e  para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem.
Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os EEE's passaram a ser gémeos, nenhum usa ( ^^^) chapéu.
E os meses perderam importância e dignidade; não havia motivo para terem privilégios. Assim, temos  janeiro, fevereiro, março, são tão importantes como peixe, flor, avião.
Não sei se estou a ser suscetível, mas sem P, algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos.
Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos.
Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do C não me faça perder a direção, nem me fracione, e nem quero tropeçar em algum objeto.
Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um C a atrapalhar.
Só não percebo porque é que temos que ser NÓS a alterar a escrita, se a LÍNGUA É NOSSA ...? ! ? ! ?
 Os ingleses não o fizeram, os franceses desde 1700 que não mexem na sua língua e porquê nós ?
Ou atão deichemos que os 35 por cento de anal fabetos afroamaricanos fassão com que a nova ortografia imponha se bué depréça !"

sábado, 31 de dezembro de 2011

LEIRIA QUE SEJAS FELIZ em 2012

Não é displicente o facto de se estar a 'falar' de um ano que passa sem deixar marcas que não sejam para olvidar, tal como não se poderá dizer que o ano que finda foi o melhor de um leque de opções que foi necessário contabilizar como positivas - ou negativas - apenas porque nos deram ou não água pela barba... e não estamos muito recetivos a dar de barato que tudo está na paz dos anjos... até porque não sabemos se estes sabem o que isso é.
A mim, por exemplo, o ano de 2011 deixou-me  um sentimento de amor/ódio, primeiro porque me deu reconfortantes reencontros  com pessoas que julguei nunca mais ir vêr, como seja velhos condiscípulos do meu Jardim-Escola de Leiria e a muito querida Professora que tinha a missão de dirigir aquele espaço nos meus tempos de João de Deus, a Dona Maria Eduarda Viana Rodrigues da Costa Santos, que os Anjos acolheram no Cé no dia 12 de Setembro do ano que agora finda.
Quando eu pensava fazer as pazes com a cidade... esta mostra o quanto é efémero tal desejo, porque Leiria ainda não pensa fazer as pazes com os seus filhos, a avaliar pelo modo pouco edificante como ela faz questão de se nos 'apresentar' depois que alguns erros de palmatória foram cometidos na consecução dos projetos do programa POLIS.

Leiria não precisava de quinhentas pontes e 1000 vias pedonais... se para isso se tornava necessário colocar a cidade em risco de catastrófica ruína. Para quê um Estádio magnificente se nem equipa para lá jogar tem? É só para dizer que existe? Não carecia, porque nos tempos do Ateneu já se jogava a bola... e talvez melhor do que agora.
O Largo da Sé está todo a caír! A oficina do Afonso das bicicletas, a antiga Associação de Futebol de Leiria, a Tinturaria Americana, o Freitas chapeleiro, um pouco por todo o lado, para ser mais realista, há mostras de abandono, parecendo que apenas interessa fazer-se 'obra nova' e não deitar as pertinentes 'meias solas' capazes de fazer durar um pouco mais a fisionomia de uma cidade que sempre nos orgulhou.
Depois admiram-se de ser confrontados com os desperdícios que foram feitos ao longo dos anos. Então... não sobrou um cêntimo para comprar uma gambiarra aos chinezes para que pudesse assinalar-se o Natal ou a Passagem do Ano? Em quanto importam os desperdícios que se fizeram em nome do Povo de Leiria? Apurem-se responsabilidades e faça-se pagar aos culpados, sejam eles do Partido Socialista, do PSD ou do CDS/PP. Não podem é ser os Leirienses a pagar a factura de um banquete feito pelos outros em nome da democracia.


Então... talvez 2012 venha a ser um Bom Ano Novo, porque a justiça entre as gentes de Leiria não é palavra vã.  

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

domingo, 11 de dezembro de 2011

Música - "Concerto de Natal"


A Sé de Leiria será palco de mais uma edição do Concerto de Natal, contando com a participação dos seguintes grupos corais: Coro Infantil do Jardim-Escola João de Deus, Viva Voz - Coral da Casa do Povo de Santa Catarina da Serra, Coral das Obras Sociais do Pessoal da Câmara Municipal de Leiria, Coro da Casa do Pessoal do Hospital de Santo André e Coral da Sociedade Artística e Musical dos Pousos.
ENTRADA LIVRE
INF.: 244 839 661

Org.: CMLeiria | Paróquia de Leiria | Grupos corais do Concelho
BOAS FESTAS... FELIZ NATAL... BOM ANO NOVO... BOM CONCERTO!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

JARDIM-ESCOLA JOÃO DE DEUS...

Jardim-Escola de Leiria
"QUANDO NÓS VAMOS, CONTENTES, PARA A ESCOLA A CAMINHAR..." era como se iniciava o primeiro "hino" à Escola que me ensinou as primeiras letras, me deu uma noção da verdadeira amizade, me preparou para a vida... numa altura em que Portugal procurava um caminho que o viesse a tirar da crise que as Guerras Mundiais e Civil de Espanha lhe haviam imposto.
João de Deus
Depois que João de Deus fez nascer a Cartilha Maternal  a que deu nome, o ensino em Portugal trilhou caminhos de mudança, pois havia surgido, finalmente, um método capaz de ajudar as  famílias a promoverem o ensino dos seus filhos. Mas, apesar da fama grangeada, o método da Cartilha Maternal teve grandes adversários - como... ainda hoje terá -,  a julgar pelo que se verificou,  logo após a homenagem nacional que lhe foi prestada  por iniciativa de Joaquim Pedro de Oliveira Martins, quando o Ministério do Reino "decidiu" mandar retirar das salas de aula os quadros da Cartilha.

No dia de ontem, 15 de Novembro,   comemorou-se o falecimento de João de Deus Ramos, fundador dos Jardins-Escolas João de Deus, ocorrido em 1953, vitimado por uma trombose ocorrida quando trabalhava no Museu dedicado a seu pai, o Poeta João de Deus.
<><>
                                 João de Deus Ramos
Julgo que o  jantar de encerramento do centenário da inauguração do 1º. Jardim-Escola de Coimbra, que teve lugar no Centro Cultural de Belém, com a presença do antigo Aluno que é hoje Ministro da Educação, pretendeu-se dizer  mais um "obrigado" do País aos pedagogos nque foram introdutores do método pedagógico, mas também se considera  fundamental ter sido feito em relação aos que desde então se têm dedicado à  missão de aplicar esse método, continuando assim a obra legada pelos "Pais" da Cartilha Maternal e dos Jardins-Escola.
Talvez seja essa uma das facetas mais importantes da realização desse jantar de homenagem, porque quem hoje dedica o seu tempo a dar continuidade à obra de João de Deus, deve estar verdadeiramente imbuído do seu espírito, porque só assim poderá a barca ser levada a bom porto.
É por tal razão que não posso deixar de recordar uma das grandes Educadoras que "passou" pelo Jardim-Escola João de Deus de Leiria. Refiro-me à Dona Maria Eduarda da Costa Santos, a eterna Directora que partiu para o Pai no dia 12 de Setembro de 2011. Estará para sempre na memória daqueles que, como eu, tiveram a dita de com ela aprenderem a ser Homens.
Hoje a sua missão é junto dos Anjos e dos Santos, que muito aproveitarão do seu saber. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

TOURADAS EM LEIRIA...

Não posso deixar de referir que o antigo "Largo do Matadouro" ou do "Quartel 7", que   hoje vemos como o Largo de Infantaria 7 ou de Santo Agostinho, requalificado e embelezado, foi um local onde se chegou a fazer uma espécie de "tourada", porque não havia redondel, como se impunha, podendo dizer-se que era uma "tourada" mesmo que não houvessem touros para correr, que não era o caso..
Na foto acima reproduzida, obtida a partir do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, podemos ver o escadório, com os obeliscos e o arco, as ruínas da extinta Praça de Touros... e sobre o lado direito está aquele famoso largo que tomou o nome do extinto  Regimento de Infantaria 7, de que se vê a antiga Parada e parte do aquartelamento situado no antigo Convento de Santo Agostinho, cujas torres sineiras da Igreja são bem visíveis.
Pois foi nesse mesmo Largo que, num célebre dia de Agosto, nos meados dos anos 50, a Câmara Municipal, através dos seus Serviços de Higiene e Limpeza,  os Bombeiros e  o Ateneu, além de outros entusiastas,  resolveram  ser tempo  para se organizar uma   "garraiada", "vacada" ou aquilo que lhe queiram chamar, sobre  direcção técnica do  bandarilheiro Agostinho  Santos.
Foram lidados novilhos dos Barbeiros, da Boavista, se podemos dizer que houve lide, uma vez que os "toureiros" de circunstância nem sabiam o que era "lancear o capote", bandarilhar, fazer "revoleras" ou "gaoneras" e quanto ao termo "citar", pensavam que apenas se aplicava  ao acto de se pronunciar uma frase de alguém.
Os "burladeros" não existiam, as barreiras eram tábuas presas a carrocerias de camionetas, os curros estavam situados no Matadouro Municipal.     
Havia "diestros" de grande nome, como o "Nau", o "Fura", o "Meio-Tostão", o Augusto Carvalho, os "Irmãos Pitorro", o "Macareno" e tantos outros "artistas" que até arrepiam, como arrepiou o facto de estar um bicho a ser lidado quando outros  dois resolveram dar uma mãozinha... lançando o pânico entre "toureiros" e assistência.
Para que esse pânico fosse total, arrombaram uma parte da cerca e correram sobre as pessoas, que fugiam espavoridas, cada uma a procurar onde se esconder, fosse debaixo das camionetas fosse em cima de alguma árvore.
As ambulâncias dos Bombeiros andaram de um lado para o outro a transportar os atingidos pelas hastes dos cornupetos, e podem acreditar que o antigo Hospital D. Manuel de Aguiar não teve mãos a medir para socorrer aqueles que, estou certo, nunca mais esquecerão o que foi aquela tentativa de substituição da que foi a Praça de Touros de Leiria.
Nos dias que se seguiram, era vêr os varredores da Câmara agarrados à vassoura a coxear, os ardinas de braço ao peito... e até alguns Soldados que tinham ido aos toiros com as suas sopeiras mostravam que os novilhos, pelo menos esses, sabiam o que lhes era pedido para fazer, que era marrar, mesmo não sabendo os oponentes tourear!  

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!